Uma só carne

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Texto base:
Genesis 2:18–24 NVI
Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Depois que formou da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, o Senhor Deus os trouxe ao homem para ver como este lhes chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivo, esse seria o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os rebanhos domésticos, às aves do céu e a todos os animais selvagens. Todavia não se encontrou para o homem alguém que o auxiliasse e lhe correspondesse. Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a levou até ele. Disse então o homem: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada”. Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.

Expressões e mais expressões...

Existem algumas expressões que encontramos na Bíblia e que, por serem tão fortes, acabam fazendo parte do nosso cotidiano. E talvez, por conta disso, acabamos perdendo a noção da profundidade e do peso dessas expressões. Em Gênesis 2, nós encontramos uma dessas expressões:
Genesis 2:24 NVI
Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
"...Se tornarão uma só carne." Essa é uma das expressões que, pela quantidade de vezes que ouvimos e até usamos, no final das contas, acabamos perdendo a ideia do que isso significa. Alguns acham bonito. Outros entendem que é uma ideia mais filosófica. No entanto, “se tornar uma só carne” é algo muito mais prático do que uma simples ideia e compreender isso, muda a nossa visão sobre o casamento e como lidamos com as questões dentro dos nossos relacionamentos.
Diante disso, existem três realidades que precisamos ter em mente com respeito a essa expressão.

Realidade Biológica

Em primeiro lugar, “ser uma só carne” é uma realidade biológica. Deus planejou e criou cada aspecto do nosso corpo. Das microscópicas células até a complexa rede de neurônios, Deus pensou e criou tudo. E, quando estudamos o corpo humano, percebemos a complexidade com a qual Deus nos formou.
Um exemplo disso é sabermos que todos nós possuímos sistemas que trabalham de maneira autônoma para que a vida continue. Todos esses sistemas possuem órgãos que, de maneira ininterrupta, funcionam para que haja vida.
Essa, por mais que seja uma definição simples e não completa, pode ser uma forma de entendermos o que é “um só corpo”. Ou seja, vários sistemas completos em si, que não precisam de uma segunda pessoa ou alguém, e que trabalham unidos de maneira contínua para que consigamos viver.
Por exemplo, o sistema digestivo é composto por órgãos como a boca, o esôfago, o estômago, os intestinos, e cada parte trabalha para que o corpo funcione. Ou podemos lembrar do sistema respiratório, que é composto por órgãos como as narinas, a faringe, a laringe — e que também trabalha para que a vida continue. Nosso sistema digestivo não precisa de uma outra pessoa para funcionar, ele é completo em si. Nosso sistema respiratório não precisa do nariz de alguém, pois também é completo em si.
No entanto, existe apenas um sistema que não é completo em si em nosso corpo. Todos os outros não exigem a presença de uma segunda pessoa para que funcionem. Mas esse sistema sim, pois é incompleto. Esse é o sistema reprodutor.
Todos sabemos que para a reprodução acontecer, é necessário o envolvimento tanto do homem quanto da mulher em um processo profundamente interligado. No momento da relação sexual, mesmo que não haja a concepção de um filho, o ato em si já representa o início desse processo reprodutivo.
É no ato sexual que os corpos se encontram de forma realmente unificada. Ou seja, para que o homem ou a mulher tenha todos os sistemas do seu corpo funcionando de maneira completa, é necessário que o único sistema incompleto se torne completo através do ato sexual.
O “ser uma só carne” nos fala de uma realidade biológica, pois o corpo do homem não é completo em si, assim como o corpo da mulher também não é completo em si, e é através do sexo que biologicamente os dois se tornam um.
 Por esse motivo, o sexo fora do casamento é tido como um pecado aos olhos de Deus, porque biologicamente, ao se unir a alguém nesse nível (no nível sexual), a pessoa se torna “uma só carne” com essa outra pessoa — algo que é reservado apenas para o casamento.
Isso explica o porquê o adultério é um pecado. Pois a pessoa se tornou uma só carne com alguém em um momento, e em meio a isso, escolheu e desafio a lógica divina ou “se tornar uma só carne” com outra pessoa.
O mesmo se aplica aos namorados, noivos e amasiados. Afinal, mesmo que o casal tenha planos de dizer “sim” no altar ou demonstre estar contente com sua situação, culturalmente, religiosamente e legalmente esses tipos de relacionamentos não possui o mesmo peso de compromisso se comparados a um casamento.
                Portanto, quando Deus diz que “os dois se tornarão uma só carne”, Ele não está apenas usando uma figura de linguagem qualquer. Ele está falando de algo real, concreto e visível: nossos corpos, em sua anatomia e funcionamento, gritam essa verdade.
Ser uma só carne é, biologicamente, unir o que foi criado para se complementar. E essa união foi projetada para acontecer dentro de um ambiente de compromisso, permanência e exclusividade. Fora disso, o que vemos é a distorção do que Deus planejou e ordenou.
O corpo não mente: ele foi feito para a unidade. E essa unidade só encontra sentido quando vivida segundo o plano do Criador.

Realidade Emocional

Em segundo lugar, “ser uma só carne” é uma realidade emocional. A união entre duas pessoas não acontece apenas no corpo. Ela alcança também a mente e o coração. E isso é algo que a ciência já confirmou há muito tempo.
Por exemplo, durante o ato sexual tanto o corpo do homem, como o da mulher, libera hormônios que estão ligados ao prazer, à criação de vínculos afetivos e emocionais. Hormônios ligados ao sentimento de proximidade e a sensação de segurança. Ou seja: o sexo não é apenas uma experiência física. É uma entrega que envolve o corpo, mas também envolve as emoções.
No entanto, “ser uma só carne” não se limita emocionalmente ao ato sexual. “Se tornar uma só carne” também acontece com o tempo, com a convivência, com a proximidade. É possível que todos os casais aqui já tenham percebido que com o passar do tempo, assimilamos e copiamos o modo de pensar, o jeito de falar, a maneira de agir dos nossos cônjuges.
Com o passar do tempo e com a convivência prolongada o nosso jeito de ser é moldado pelo outro. As reações mudam, os gostos se alinham, as decisões passam a ser pensadas em conjunto. Você começa a perceber que sente o que o outro sente. Sofre o que o outro sofre.
É por isso que relacionamentos vividos sem compromisso, sem continuidade e sem profundidade acabam deixando marcas nas pessoas. Porque, quando alguém se entrega em uma relação, de alguma forma ela compartilha um pouco de si com o outro, e quando isso acontece repetidas vezes, sem aliança, sem responsabilidade, o resultado é um coração dividido, pensamentos confusos e um emocional destruído.
Deus nos criou para sermos um. Não para vivermos na individualidade, mas para que venhamos desfrutar da unidade: corpo, mente e coração.E essa unidade emocional e psicológica também faz parte do plano de Deus para o casamento.

Realidade Espiritual

Em terceiro lugar, ser uma só carne é uma realidade espiritual. O casamento não foi inventado pela sociedade e nem surgiu dentro de uma cultura. A verdade que a Bíblia nos testemunha é que, antes de Deus levantar uma nação, antes de entregar a Lei ao Seu povo, Ele instituiu o casamento. Ou seja, o casamento não nasce na mente humana — ele é uma criação, uma instituição realizada do próprio Deus. É por isso que Jesus, ao comentar o texto que lemos de Gênesis, reforça:
Matthew 19:6 NVI
...Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe”.
Perceba que Jesus, ao dizer isso, afirma que é Deus quem une o homem a mulher e não uma simples e mera vontade humana. Nisso o casamento carrega, portanto, um peso espiritual. É algo que envolve diretamente o próprio Deus, que é Espírito. Ele testemunha essa união.
A verdade é que, seja diante do altar ou até mesmo em um cartório, quando um casal se casa, algo acontece que somente os olhos de Deus pode enxergar. Não é apenas uma cerimônia bonita ou um contrato civil. É uma união diante do Deus que criou os doise que, a partir desse momento, os vê como um só.
Homem e mulher passam a caminhar juntos, com um propósito em comum, sob a bênção d’Aquele que vê, testemunha e sela essa aliança.
Mas o peso espiritual do casamento vai além disso. Pois o casamento, aponta para algo muito maior do que apenas dois indivíduos dividindo uma vida: o casamento representa (e é usado para representar) o compromisso de Cristo com a sua Igreja.
Dentre tantos arranjos sociais, Deus escolhe aquilo que Ele mesmo institui no início de tudo, para se referir a união que acontecerá no fim de todas as coisas quando Jesus voltar.

O Egoísmo do nosso tempo

Então, “ser uma só carne” é uma união: biológica, emocional e espiritual. Isso tudo nos mostra que não é apenas uma expressão bonita para se colocar nos convites de casamento ou usarmos como tema para encontros de casais na igreja. Ser uma só carne é um chamado divino para um estilo de vida onde dois se tornam, de fato, um só.
No entanto, não somente em nosso tempo, mas desde muito cedo no mundo o grande problema dos relacionamentos é não compreender essa verdade divina. Olhando para os nossos dias é um fato comprovado que muitos casais, que até se casaram, ainda hoje vivem como se estivessem solteiros. Casais que dividem a mesma casa, dividem a mesma cama, o mesmo sobrenome, mas não dividem a vida.
A verdade é que muitos casamentos sofrem porque não compreenderam definitivamente o que é “ser uma só carne”. Muitos que se casam com a intensão de realizar seus próprios sonhos (mesmo que esses sonhos excluam o seu parceiro/parceira). Pessoas que se casam para encontrar uma felicidade individual, mesmo que isso custe a felicidade de seu cônjuge.
Quando compreendemos verdadeiramente o que é “ser uma só carne”, passamos a entender que o casamento não sobrevive onde reina o egoísmo. Quando Deus une duas pessoas, Ele não está apenas juntando corpos. Ele está chamando essas pessoas a viverem uma vida de entrega mútua, de renúncia, de parceria, de comunhão profunda.
Ser uma só carne significa aprender a abrir mão. Significa lutar não para vencer discussões, mas para preservar a unidade. Significa perceber que, quando um perde, os dois perdem. Mas quando um cresce, os dois vencem.
E talvez seja esse o grande desafio para os nossos dias: resgatar o valor da unidade dentro de casa. Porque o mundo grita por autonomia, independência e autossuficiência. Mas o Evangelho nos chama à dependência mútua, à humildade e ao serviço.
Então, talvez a grande pergunta prática que precisamos nos fazer hoje como casais é:
Temos vivido como uma só carne ou continuamos agindo como dois seres distintos, mesmo depois de casar-se?
Temos construído pontes em nossos relacionamentos ou estamos erguendo muros?
Temos somado em nossa vida a dois ou estamos apenas coexistindo?
O plano de Deus não é apenas que estejamos casados no papel, mas que sejamos um na prática. E isso começa quando cada um decide parar de viver só para si, e passa a viver com e para o outro. Como Deus planejou desde o início. Como uma só carne.
Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós, Amém.
Sermão exposto no dia: 18 de julho de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Amaral
Soli Deo Gloria
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