Cristo Morto e Ressuscitado: O Coração da Fé Cristã

Cristianismo do dia-a-dia  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O Evangelho, conforme 1 Coríntios 15:1-4, é a base da fé cristã: Jesus morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Essa verdade, recebida e retida, garante salvação, molda nossa identidade e oferece esperança. Cultive memória espiritual, humildade, gratidão e submissão à Bíblia, vivendo com a certeza da ressurreição.

Notes
Transcript

Introdução

Hoje continuaremos com nossa série “Cristianismo do Dia-a-Dia”, série onde exponho diversos textos bíblicos que falam sobre alguns pontos mais básicos da fé cristã.
Tenho dito, que os assuntos desta série são aquilo que todo cristão deve saber. Contudo, se alguém parar você na rua e te perguntar o que é mais básico do básico da fé cristã?
Imagine o seguinte: tem várias pessoas numa sala, cada uma de uma religião, e uma pessoa num canto chamando cada religioso para explicar sua fé em alguns segundos. Vários falam que oram, que acreditam em Deus, que fazem boas obras e que vão a um templo cultuar. Alguns, inclusive, dizem que acreditam em Jesus Cristo.
Você também está nessa sala e é o único cristão bíblico, o único discípulo de Cristo. E agora é sua hora. Se você tivesse que dizer, em poucas palavras, “o que crê um cristão que o torna diferente de todos os outros”, o que você diria?
Essa resposta é dada pelo nosso texto de hoje: 1Co 15.1-4. Mas para entendermos melhor o que se passa aqui, é bom lembrar que Paulo vinha escrevendo esta carta com vários objetivos:
O primeiro, para resolver um problema de divisão na igreja. Alguns dos crentes lá achava que eram mais espirituais que os outros e, acabavam fazendo grupinhos na igreja que não se misturavam com os demais. Um segundo motivo, para resolver problemas seríssimos de pecados não tratados, pois, apesar de se acharem muito espirituais, os coríntios não pareciam levar muito a sério os pecados dentro da igreja. Um terceiro objetivo da carta, era responder a uma série de perguntas que os coríntios haviam feito a ele, provavelmente através de uma outra carta.
Mas quando chegamos neste texto, Paulo interrompe a sessão de resposta às perguntas e começa a explicar, novamente, o mais básico da fé cristã.
Aqui veremos que o cristão crê que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar vida eterna — esse é o Evangelho.
Vamos ao texto.

Exposição

v.1-3a - Irmãos, venho lembrar-lhes o evangelho que anunciei a vocês, o qual vocês receberam e no qual continuam firmes. Por meio dele vocês também são salvos, se retiverem a palavra assim tal como a preguei a vocês, a menos que tenham crido em vão. Antes de tudo, entreguei a vocês o que também recebi:

Paulo inicia o capítulo 15 da carta relembrando um ensino que havia passado aos coríntios. Aqui, três informações parecem ser mais importantes:
O Evangelho é algo recebido: Paulo diz que tantos os coríntios (v.1), quanto ele mesmo (v.3) receberam (παραλαμβάνω) o Evangelho, indicando o contraste entre a filosofia grega que os coríntios tanto amavam, mas eram apenas fruto da imaginação dos homens, enquanto o Evangelho não poderia ter sido criado por nossa imaginação, mas foi revelado por Deus em Jesus Cristo.
O Evangelho retido é o meio da salvação: as pessoas não salvas porque são boas, nem são salvas porque são filhos de crentes. A salvação ocorre quando retemos (κατέχω) o Evangelho. A palavra grega para “reter” passa a ideia de prender algo, ou seja, o Evangelho não é algo que basta você saber sobre ele, conhecer o Evangelho, mas é como se você tornasse o Evangelho algo seu ou como se ele fosse uma parte de você.
O Evangelho precisa ser lembrado: Paulo diz que estava lembrando (γνωρίζω) aos coríntios esse Evangelho. Eles já conheciam e Paulo ainda acrescenta que eles estavam firmes no Evangelho, mas, ainda assim, era necessário lembrar o Evangelho aos coríntios. Alguns versículos à frente dá para perceber que Paulo estava preocupado porque algumas pessoas estavam ensinando coisas sobre o Evangelho que poderiam desviar os coríntios, então, achou melhor repetir o ensino mais básico sobre Cristo de novo.
Mas os coríntios poderiam perguntar: “Tudo bem, o Evangelho deve ser recebido, retido e lembrado, contudo o que é o Evangelho? E é essa pergunta que o restante do texto responde.

v.3b - que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras,

Para resumir o centro do Evangelho, Paulo começa dizendo que Jesus Cristo foi morto em nosso lugar. Essa é a doutrina da “expiação”. Isso significa que a primeira coisa que você tem que saber como um discípulo de Cristo é que Ele recebeu a punição dos pecados que você cometeu!
Ser discípulo de Cristo, então, é ser como alguém que tinha uma enorme dívida, mas que teve essa dívida paga por outra pessoa, como na parábola que o próprio Jesus contou em Mt 18.23-35. O mínimo que se espera dessa pessoa é gratidão e que se torne também um perdoador.
Então, duas coisas devem sempre estar na mente do discípulo de Cristo:
Primeiro, que você nunca foi bom, ao contrário, tudo o que você fez ao longo da sua vida antes de conhecer a Jesus foi aumentar sua dívida através dos seus pecados. O cristão é alguém que tem consciência de suas dívidas.
Segundo, que, apesar de suas muitas ofensas contra Deus, você foi muito amado por Ele. A bíblia é clara em dizer que só tem um jeito de pagar a dívida com o Senhor. E essa maneira é com sangue:
Hebreus 9.22 “De fato, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão.”
Mas Ele te amou tanto que enviou seu Filho Jesus para pagar sua dívida com o próprio sangue. E esta é uma parte inegociável do Evangelho!
Uma última informação desse versículo é que essa morte de Cristo em nosso lugar é algo previsto desde o Antigo Testamento por profetas como Isaías, Daniel e Zacarias (Is 53:5,7;Dn 9:24,26; Zc 13:7). O que nos mostra que somente a Bíblia é a fonte segura para conhecer o Evangelho. Eu, enquanto pastor/mestre desta igreja só tenho autoridade para ensinar o Evangelho enquanto o que eu ensino concorda com as Escrituras.
O mesmo será dito no próximo versículo sobre a morte e ressurreição de Cristo. A verdade é que muita gente quer ensinar algo sobre a obra de Jesus Cristo, mas as Escrituras (tanto do Antigo quanto do Novo Testamentos) são a única autoridade para nos ensinar sobre o Evangelho. Aliás, o fato de Paulo repetir a expressão “segundo as Escrituras” mostra a importância desse ponto.

v.4 - e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras

Por fim, os outros dois pontos que resumem o Evangelho. Enquanto o primeiro trata da morte substitutiva de Cristo, os outros dois tratam da realidade da morte de Jesus e de sua ressurreição.
Quanto a realidade da morte, isso nos lembra de outra doutrina importante que é a “dupla natureza de Cristo”. Como cristãos, estamos acostumados a dizer que Jesus é Deus. A questão é que ele assumiu nossa humanidade, ou seja, além de Deus, Ele também é homem, verdadeiramente homem.
Isso é importante por várias razões, mas basta por enquanto lembrar que Ele estava tomando o nosso lugar. Se nós precisávamos morrer realmente por causa do nosso pecado, Jesus precisava morrer realmente em nosso lugar.
Havia uma heresia (um grave ensino errado sobre Deus) na antiguidade que dizia que Jesus não morreu de verdade, mas que Ele meio que encenou a própria morte. Essa seita acreditava que a matéria é má, portanto, Deus (que é bom) não poderia ter matéria, não poderia ser humano como nós e não poderia morrer de verdade.
Mas Jesus tinha tanto morrido de verdade, quanto ressuscitado de verdade, porque Ele é deus e homem de verdade.
Quanto à ressuscitar, os versículos seguintes ainda vão acrescentar que várias testemunhas viram Jesus vivo novamente. A fé cristã não é uma fé que meramente fala da morte de um herói. Nem é também uma lenda sobre alguém que ressuscitou. Jesus ressuscitou e isto é algo que foi visto por diversas pessoas e que, inclusive, continuaram afirmando a ressurreição de Cristo, mesmo quando ameaçadas de morte.
A ressurreição é tão importante no Evangelho, que se você não acreditar nela, então sua fé é vazia. E porque é vazia, porque se Ele não ressuscitou, como você sabe que irá ressuscitar também? E, se Ele não ressuscitou, que garantias você tem de que Deus Pai aceitou o sacrifício de Jesus em seu lugar?
Como diz Paulo alguns versículos adiante:
1Coríntios 15.13–17 “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e é vã a fé que vocês têm. Além disso, somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos testemunhado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a fé que vocês têm, e vocês ainda permanecem nos seus pecados.”
O verdadeiro Evangelho, portanto, afirma a morte real e a ressurreição real de Jesus Cristo como duas coisas das mais básicas da nossa fé.
Nofim, o cristão crê que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar vida eterna — esse é o Evangelho.
Mas, na prática, como isso afeta nossa vida?

Aplicações

Memória espiritual constante
Paulo lembra crentes que já sabiam do evangelho. Isso mostra que o discipulado não é apenas aprender coisas novas, mas manter-se firme no que já foi recebido.
→ Aplicação: o cristão deve cultivar hábitos que o ajudem a lembrar o evangelho diariamente (oração, ceia do Senhor, discipulado, memorização bíblica).
O Evangelho como identidade, não apenas informação
Reter o evangelho não é apenas conhecê-lo, mas abraçá-lo e deixar que molde toda a vida.
→ Aplicação: em meio à tentação de definir nossa identidade por trabalho, status ou conquistas, o cristão é chamado a viver como alguém cuja identidade central é “salvo pelo evangelho”.
Consciência de pecado e gratidão pela cruz
O texto mostra que Cristo morreu pelos nossos pecados. O evangelho não é um lembrete de nossa bondade, mas da nossa dívida paga.
→ Aplicação: cultivar uma postura humilde e grata, evitando tanto o orgulho espiritual quanto o desespero.
Centralidade das Escrituras
Paulo duas vezes reforça: “segundo as Escrituras”. Isso coloca a Bíblia como norma da fé.
→ Aplicação: em uma cultura onde cada um cria sua própria espiritualidade, os cristãos devem ser marcados por submeter sua fé e prática à Palavra de Deus.
Esperança na ressurreição
A ressurreição de Cristo garante a nossa.
→ Aplicação: essa esperança nos ajuda a enfrentar sofrimento, perdas e até a morte com confiança e coragem, lembrando que “no Senhor o nosso trabalho não é inútil” (1Coríntios 15:58).

Conclusão

O Evangelho não é uma ideia bonita, nem apenas uma tradição religiosa. Ele é uma notícia: Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. Essa é a base da nossa fé, a fonte da nossa esperança e a razão da nossa vida.
Se esquecermos isso, nossa fé se torna vazia. Mas, se lembrarmos, recebermos e retivermos esse Evangelho, teremos perdão para o passado, identidade para o presente e esperança para o futuro.
Portanto, diante de qualquer dúvida, dor ou desafio, volte sempre a essa verdade: Jesus morreu por você, ressuscitou por você e vive para transformar a sua vida hoje. Esse é o Evangelho.
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