(Lv 24:1-9) Comunhão Plena: O Candelabro e os Pães da Proposição

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No capítulo 23 vimos as 7 Festas fixas dedicadas ao SENHOR. Algumas delas, como a Festa das Semanas e a Festa dos Tabernáculos, eram conhecidas como Festa da Colheita, em que os israelitas traziam ofertas de produtos da colheita ao Tabernáculo. Agora o capítulo 24 descreve o uso de alguns desses produtos em dois ritos do Tabernáculo: acender as lâmpadas do Candelabro (o que requeria azeite de oliva), e colocar o pão da presença (requeira o trigo).
Devemos lembrar que os capítulos 23 à 25 fazem uma seção juntos. Nesses capítulos estamos seguindo um princípio sabático, começando no capítulo 23 falando sobre as 7 Festas Fixas, e terminando no capítulo falando ainda sobre o Ano Sabático e o Ano do Jubileu. O capítulo 24 é central nessa seção, e o simbolismo desse capítulo é muito importante para entender a essência do Sábado - o simbolismo do candelabro e dos pães da proposição - que nós já vimos, mas agora estão sendo introduzido dentro desse princípio sabático. Teremos aqui o cerne da resolução do livro de Levítico. É o objetivo de todo o sistema cultual.
Levítico 24.1–4 “Disse o Senhor a Moisés: Ordena aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveira, batido, para o candelabro, para que haja lâmpada acesa continuamente. Na tenda da congregação fora do véu, que está diante do Testemunho, Arão a conservará em ordem, desde a tarde até pela manhã, de contínuo, perante o Senhor; estatuto perpétuo será este pelas suas gerações. Sobre o candeeiro de ouro puro conservará em ordem as lâmpadas perante o Senhor, continuamente.”
O Candelabro ficava no Lugar Santo, do lado esquerdo do véu. Era feito de ouro puro; tinha a forma de uma árvore, com um tronco principal e seis braços saindo dele coberto de flores (Ex 25:31-40; 37:17-24). O tronco e os seis braços tinham cada um uma lâmpada que continha óleo e um pavio. Quando eram acesas forneciam luz para o Lugar Santo, que ficava iluminado parecendo o céu, por causa do ouro brilhante e das cores dos panos.
O azeite de oliva tinha de ser puro (não misturado) e prensado suavemente - de alta qualidade. Era um azeite digno de um Rei. As lâmpadas deveriam ser mantidas acesas continuamente [durante as noites] (3x). Do pôr do sol até o seu nascente. Esta luz representava a presença do Senhor dentro da Tenda, e os Sacerdotes tinham o trabalho de mantê-las sempre acesas para comunicar a presença constante do Senhor com seu povo e também a disposição de servi-Lo sempre.
Levítico 24.5–9 “Também tomarás da flor de farinha e dela cozerás doze pães, cada um dos quais será de duas dízimas de um efa. E os porás em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a mesa de ouro puro, perante o Senhor. Sobre cada fileira porás incenso puro, que será, para o pão, como porção memorial; é oferta queimada ao Senhor. Em cada sábado, Arão os porá em ordem perante o Senhor, continuamente, da parte dos filhos de Israel, por aliança perpétua. E serão de Arão e de seus filhos, os quais os comerão no lugar santo, porque são coisa santíssima para eles, das ofertas queimadas ao Senhor, como estatuto perpétuo.”
A Mesa com os Pães da Proposição ou literalmente os Pães da Presença, era uma mesa coberta de ouro puro que ficava do outro lado, de frente do Candelabro. Do mesmo modo, ao colocar este pão regularmente perante o SENHOR, os israelitas estavam reconhecendo sua presença contínua e sua contínua disposição de servi-lo.
Os pães eram alimento para o sacerdote comer no Lugar Santo; a cada sábado, os sacerdotes deviam reabastecer a mesa de ouro com pães recém assados. Como a oferta de manjares, esses pães eram acompanhados de incenso. O incenso era colocado na mesa também ao lado dos pães e era oferecido em lugar dos pães como um memorial.
Vejam como o sábado está profundamente associado a isso:
Robert Vasholz: “Em cada sábado, Arão os porás em ordem perante o SENHOR continuamente… por aliança perpétua”. A aliança é mencionada oito vezes em Levítico, mas somente aqui é descrita como uma “aliança perpétua”. Observar o sábado é um sinal mandatório de que a nação de Israel está unida a Deus por uma aliança: “… falarás aos filhos de Israel e lhes dirás: Certamente guardareis os meus sábados… Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações” (Êx 31.14–17). Aqui, os pães estão ligados diretamente à guarda do sábado, como uma parte integral deste relacionamento pactual. A falha ou negligência do sábado, ao não repor pães frescos na Tenda-Santuário, ameaçava este relacionamento. Israel não deve se esquecer de que estes ritos significam uma declaração da constância da aliança, simbolizada particularmente pelo ato de os sacerdotes comerem os “pães da proposição” (“pães da Presença” NVI). A estreita conexão entre estes pães e o sábado ajuda a explicar a resposta de Jesus a seus adversários, os quais haviam acusado os discípulos de Jesus de violar o sábado ao colherem grãos e os comerem no sábado. Jesus respondeu dizendo: “Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt 12.5).
O pão era um sinal de aliança especialmente apropriado, porque as alianças no Antigo Oriente Próximo eram frequentemente seladas com uma refeição (ver em 3:11). Neste caso, os sacerdotes comiam o pão em nome do povo (cf. Êxodo 24:9–11), confirmando a aliança com o Senhor cada vez que o faziam.
Irmãos, agora unindo esses dois simbolismos (as luzes e os pães) tendo o sábado como pano de fundo, Números 8.1-4 fala desse mesmo rito mas observa que Arão devia organizar as lâmpadas do Candelabro do modo que a luz fosse projetada sobre os pães da proposição (que representavam Israel).
Nesse contexto de Número isso é muito interessante porque 2 capítulos antes nós temos a bênção araônica, em que o Sumo Sacerdote pede que a luz da face de Deus resplandeça sobre o seu povo. Então Números descreve esse rito ensinando que o arranjo do Santuário mostrasse simbolicamente Israel repousando sob a luz da presença de Deus. Levítico enfatiza a associação que isso tinha com o Sábado. Que essa comunhão profunda, do Israel de Deus sob a luz divina, estava intimamente relacionada ao Sábado.
Essa imagem é chamada aqui de aliança eterna. E aqui mais uma vez devemos unir espaço e tempo. Era o Santuário, e era Sábado. No final o Sábado aqui é defino como aliança perpétua. Na verdade o que nós temos aqui é o conteúdo do Sábado - ou seja, a presença divina com seu povo.
Êxodo 31.16–17 “Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento.”
Vejam só, irmãos: o Candelabro tinha sete lâmpadas, que deviam acesas perpetuamente, diariamente, nos sete dias da semana
Poythress: as sete lâmpadas estão correlacionadas com o simbolismo geral para o tempo em Israel. Os corpos celestes foram criados como ‘sinais, para estações, para dias e anos’ (Gn 1:14). O ciclo completo de tempo, marcado pelo sol, pela lua e pelas estrelas é dividido em sete: o sétimo dia da semana é o dia de sábado; o sétimo mês é o mês da expiação; o sétimo ano é o ano da remissão das dívidas e da servidão (Dt 15); o sétimo ano do ciclo de sete anos é o ano do Jubileu (Lv 25). Apropriadamente, o candelabro contém a mesma divisão séptupla, simbolizando o ciclo de tempo fornecido pelos luzeiros celestes.
Então, a Criação também é descrita com os dias e as noites em direção ao Sábado, por causa do Sábado - quer dizer, com o propósito, o objetivo, de ir até o Senhor. A criação converge para o Senhor. Do mesmo modo, a iluminação contínua do candelabro dos versos 1 à 4, dia após dia, caminha em direção ao Sábado nos versos 5 à 9.
Morales: assim como o mundo foi criado para a comunhão e o relacionamento sabáticos da humanidade com Deus, da mesma maneira o culto foi estabelecido para a comunhão e o relacionamento sabáticos de Israel com Deus.
Ou seja, a criação convoca a humanidade, lembra-a, para o encontro sabático, o descanso no Senhor, o Culto, a adoração, a intimidade. Diariamente nós almejamos nos encontrar com o Senhor no dia do Senhor.
Irmãos, nós precisamos disso, o Sábado não foi embora. O Domingo é o Sábado cristão, e dependemos disso para sobreviver nesse mundo enquanto a eternidade não chega. E é interessante que, assim como precisamos de uma pausa semanal para nos encontrar com o Senhor e adorá-lo e descansar nele - todo domingo, antes da eternidade chegar - nós também aguardamos diariamente que o domingo chegue. Como esperamos semanalmente que a eternidade chegue, aguardamos também diariamente que o domingo chegue. Desejamos isso, nos preparamos pra isso, guardamos nosso coração para não chegamos no Domingo com o coração duro, com a consciência ferida, com raiz de amargura, com laço de iniquidade. Precisamos nos preparar diariamente para encontrar o Senhor no Domingo. E no Domingo, semanalmente para encontrar o Senhor na Eternidade.
Irmãos, vocês entendem, que quando nos achegamos ao Senhor nos Domingos nós buscamos na sua luz? Que negligenciar esse dia é negligenciar o seu mandamento e a sua comunhão? Que profanos o dia do Senhor, e até mesmo não se preparando para ele, não almejando por ele, é não andar na luz do Senhor? É não buscar e nem confiar na sua provisão? Porque o Senhor mandava diariamente o maná do céu, mas antes do sábado ele mandava em dobro, porque o Senhor nos sustentava, e Israel não precisa trabalhar naquele dia.
O que é a luz do Senhor?! Sua presença, seu favor, sua direção. O Salmos 119 diz que a Palavra de Deus é lâmpada para o nossos pés e luz para o nosso caminho. O profeta Isaías diz que a Justiça do Senhor é luz sobre nós. De um modo muito especial, irmãos, nós encontramos essa no Domingo. Veja, não apenas espaço, o lugar onde você encontra, mas o tempo, o tempo designado, o momento que Deus estabeleceu. E na Nova Aliança esse tempo é o Domingo, o primeiro dia da semana, o dia da Ressureição. Quanta dificuldade nós temos de nos convencer disso, de acreditar disso, e mesmo acreditando, de buscar isso, e desfrutar disso. Como somos rápidos em esquecer e negligenciar o Domingo. Como é fácil profanar o dia do Senhor por estamos cansados, ou com alguma doença que não impede de trabalhar, mas impede de cultuar. Somos tão idólatras, quanto amor ao dinheiro, que confiamos em Deus e preferimos amar mais certo tipo de trabalho que nos impede de guardar o dia do Senhor, porque não queremos buscar outro emprego. Irmãos que trabalham domingo, vocês estão orando por outro trabalho? Procurando oportunidade de não precisar mais trabalhar no dia do Senhor?
Quando vamos perceber, irmãos, que o abandono do dia do Senhor representa o declínio de nossa religião, de nossa comunhão com Deus. Que é possível que você esteja mal espiritualmente, ou talvez outras coisas estejam acontecendo em sua vida pela negligência do Domingo. Ou você não acredita na Palavra de Deus?! Deus chama o seu dia de aliança. Ele associa o seu dia à nossa alegria, ligando a guarda desse dia ao seu favor, à sua luz, à sua provisão.
Isaías 58.13–14 “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse.”
Os pães da proposição não representavam apenas o povo de Israel (eram 12 pães, como 12 tribos), mas significavam também o sustento do Senhor como o maná. Então nós pensamos - não vou guardar o dia o Senhor porque preciso me sustentar. Mas o Senhor nos ensina: guardem o meu santo dia porque eu os sustentarei. Então descobrindo que não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca do Senhor, e entendemos que o verdadeiro pão é o Senhor quem dá, porque ele disse: João 6.35 “... Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” O dia do Senhor, irmãos, é o dia da presença desse pão, onde nos alimentamos dele. É o dia da feira da alma. É o dia em que a promessa do profeta Israel é mais real pra nós:
Isaías 55.1–2 “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.”
Precisamos descansar no Senhor. Você não tem tido descanso? Você tem estado deprimido, não tem tido paz, não tem tido vitória sobre certos pecados? Então guarde o dia do Senhor, ele promete que vai abençoar você. Nesse dia venha pra igreja, aproveite ao máximo, chegue cedo, venha de manhã e de noite. Se organize durante a semana para que você não precisa comprar nada fazendo os outros trabalharem para você. Nesse desse desligue sua TV, pegue um livro, assista mais um sermão, ore mais, converse sobre o sermão quando chegar em casa; aproveite a EBD e a comunhão com os irmãos. Você quer correr pra casa pra ficar no tédio, ou pra assistir o jogo?! Aproveite a igreja. Se encha ao máximo nesse dia, para que você esteja suprido durante a semana, porque será uma semana de guerra, de tentações, de tribulação.
Esse dia é um dia especial, irmãos, é um dia de descanso - porque Jesus ressuscitou nesse dia, e trouxe do túmulo uma nova criação. Ele refez o mundo, a partir de seu corpo ressurreto, e todos que estão unidos a ele têm também sua vida refeita, restaurada. Esse é o dia da ressurreição, o dia da restauração, do refazimento. A morte foi vencida, o pecado foi derrotado. Podemos nos achegar ao Senhor com ousadia, podemos nos colocar diante da sua luz. Fazemos isso pelas práticas da piedade, pelos meios de graça, especialmente no Domingo, o Sábado cristão.
Nossa alegria em Deus pode ser medida pelo nível de nossa obediência no dia do Senhor.
O quanto se deleita em Deus verdadeiramente é no Domingo. Quanta alegria com aquele emprego, com aquelas pessoas, com aqueles eventos… mas quão pouca alegria tantas vezes sentimos no dia do Senhor. Como somos fracos no dia do Senhor. Como muitos são infelizes nesse dia, na igreja, nos louvores, na oração, no ouvir da pregação, e em casa rapidamente esquecem do Culto e se lançam novamente nas coisas desse mundo. Ansiosos pelos programas e eventos desse mundo. E depois perguntamos: por que eu tenho andamento tão mal, tão fraco. Por que não encontro vitória sobre certos pecados. Por que estou tão ansioso por determinadas situações? Por que eu não encontro descanso para minha alma? Porque você tem negligenciado o dia de descanso, o dia em que, de um modo especial o nosso Senhor nos convida dizendo:
Mateus 11.28 “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”
Salmo 118.24 “Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele.”
Isaías 56.4–7 “Porque assim diz o Senhor: Aos eunucos que guardam os meus sábados, escolhem aquilo que me agrada e abraçam a minha aliança, darei na minha casa e dentro dos meus muros, um memorial e um nome melhor do que filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. Aos estrangeiros que se chegam ao Senhor, para o servirem e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, sim, todos os que guardam o sábado, não o profanando, e abraçam a minha aliança, também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos.”
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