Quando Deus nos chama de volta

Das ruínas à Glória  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Texto base:
Ezra 1:5–11 NVI
Então os líderes das famílias de Judá e de Benjamim, como também os sacerdotes e os levitas, todos aqueles cujo coração Deus despertou, dispuseram-se a ir para Jerusalém e a construir o templo do Senhor. Todos os seus vizinhos os ajudaram, trazendo-lhes utensílios de prata e de ouro, bens, animais e presentes valiosos, além de todas as ofertas voluntárias que fizeram. Além disso, o rei Ciro mandou tirar os utensílios pertencentes ao templo do Senhor, os quais Nabucodonosor tinha levado de Jerusalém e colocado no templo do seu deus . Ciro, rei da Pérsia, ordenou que fossem tirados pelo tesoureiro Mitredate, que os enumerou e os entregou a Sesbazar, governador de Judá. O total foi o seguinte: 30 tigelas de ouro, 1.000 tigelas de prata, 29 panelas de prata, 30 bacias de ouro, 410 bacias de prata de qualidade inferior e 1.000 outros objetos. Ao todo foram, na verdade, cinco mil e quatrocentos utensílios de ouro e de prata. Sesbazar trouxe tudo isso consigo quando os exilados vieram da Babilônia para Jerusalém.
Prólogo
Imagine você em sua casa numa tarde de um dia qualquer. Tudo vai bem. Do lado de fora você pode ouvir o barulho das ruas, as crianças brincando. Já dentro de casa, você está arrumando seus filhos para irem para a escola, até que homens armados entram em sua casa. E não somente na sua casa, mas na casa do seu vizinho, da sua vizinha.
Essas pessoas não têm misericórdia alguma e, com muita brutalidade, te arrancam da sua casa, te afastam dos seus filhos. E, em meio a tudo isso, se ouvem gritos por toda a cidade. Destruição. Pessoas sendo mortas na sua frente. E você é levado. Levado para longe. Para muito longe. Para uma terra que você não conhece. E então é obrigado — ou obrigada — a viver em meio a um povo que você não conhece. Uma cultura diferente. Uma língua diferente.
E não somente isso. Ao mesmo tempo que você vive em meio a esse povo, você é considerado um prisioneiro. Você não pode voltar para sua casa. Não pode voltar para sua terra. E precisa agora aprender a viver sob as regras de um outro país.
Imagine você longe de tudo que conhece. Distante de tudo que já viveu. As pessoas mais próximas a você ou morreram, ou estão distantes, ou estão vivendo o mesmo pesadelo que você. Esse era o cenário, essa era a vida que o povo de Deus viveu enquanto estiveram no período que chamamos de Exílio Babilônico.

O que nos trouxe até aqui

Após a morte do rei Salomão, o Reino de Israel foi dividido em dois: o Reino do Norte e o Reino do Sul.
Rapidamente, o Reino do Norte se afastou de Deus. Todos os seus reis fizeram aquilo que era mau aos olhos do Senhor, e durante todo esse período, o próprio Deus levantou profetas que alertavam sobre aquilo que estava por vir. O que vemos no relato bíblico é que ninguém deu ouvidos a esses alertas, e o Reino do Norte foi conquistado e destruído pelos assírios.
Já no Reino do Sul, vimos uma situação um pouco diferente. Em sua grande maioria, houve reis que também fizeram o que era mau aos olhos do Senhor. Mas também houve alguns reis que fizeram o que era bom. E por esse motivo, o Reino do Sul resistiu por mais tempo do que o Reino do Norte.
No entanto, mesmo tendo o Reino do Norte como exemplo, e mesmo tendo ouvido profetas como Isaías, Naum, Sofonias, Jeremias, Habacuque e outros, o Reino de Judá também fez o que era mal aos olhos do Senhor. Como consequência, depois de um longo tempo de guerras e deportações, no ano de 586 a.C., houve a queda total de Jerusalém.
Um pouco do que aconteceu nesse período podemos ler em:
2 Kings 25:4–12 NVI
“...o muro da cidade foi rompido [...] Executaram os filhos de Zedequias [...] Incendiou o templo do Senhor [...] derrubou os muros de Jerusalém. [...] Mas alguns dos mais pobres do país o comandante deixou para trás...”
Lamentations 1:1–5 NVI
Como está deserta a cidade, antes tão cheia de gente! Como se parece com uma viúva, a que antes era grandiosa entre as nações! A que era a princesa das províncias agora tornou-se uma escrava. Chora amargamente à noite, as lágrimas rolam por seu rosto. De todos os seus amantes nenhum a consola. Todos os seus amigos a traíram; tornaram-se seus inimigos. Em aflição e sob trabalhos forçados, Judá foi levado ao exílio. Vive entre as nações sem encontrar repouso. Todos os que a perseguiram a capturaram em meio ao seu desespero. Os caminhos para Sião pranteiam, porque ninguém comparece às suas festas fixas. Todas as suas portas estão desertas, seus sacerdotes gemem, suas moças se entristecem, e ela se encontra em angústia profunda. Seus adversários são os seus chefes; seus inimigos estão tranqüilos. O Senhor lhe trouxe tristeza por causa dos seus muitos pecados. Seus filhos foram levados ao exílio, prisioneiros dos adversários.
Lamentations 4:9–10 NVI
Os que foram mortos à espada estão melhor do que os que morreram de fome, os quais, tendo sido torturados pela fome, definham pela falta de produção das lavouras. Com as próprias mãos, mulheres bondosas cozinharam seus próprios filhos, que se tornaram sua comida quando o meu povo foi destruído.
Lamentations 5:15–18 NVI
Dos nossos corações fugiu a alegria; nossas danças se transformaram em lamentos. A coroa caiu da nossa cabeça. Ai de nós, porque temos pecado! E por esse motivo o nosso coração desfalece, e os nossos olhos perdem o brilho. Tudo porque o monte Sião está deserto, e os chacais perambulam por ele.
Esses dias foram marcados por fome extrema, violência, morte, profanação do templo, humilhação dos reis e sacerdotes e a destruição completa de Jerusalém.
A partir de então, durante setenta anos, o povo de Deus viveu longe da sua terra. Setenta anos em que muitas perguntas foram feitas: “Será que Deus nos esqueceu?”, “Será que tudo acabou?”, “Será que ainda há esperança para nós?”.
Setenta anos tentando viver em uma terra que não era deles. Setenta anos sendo lembrados, dia após dia, das consequências do pecado e da negligência em obedecer a Deus. Mas também, foram setenta anos onde Deus continuava sendo Deus. Onde Deus continuava trabalhando — mesmo quando parecia estar em silêncio.
Afinal o exílio não era o fim da história. O juízo não era a última palavra. O mesmo Deus que advertiu a queda, é o Deus que havia prometido restauração. O mesmo Deus que julgou, agora é o Deus que chama de volta.
E é aqui que nos encontramos hoje.Talvez você esteja vivendo exatamente isso: o peso de um tempo difícil. Um tempo em que você olha a sua volta e só vê ruínas. Sonhos que foram abandonados. Projetos que pareciam promissores, mas que por algum motivo, ficaram pelo caminho. Chamados que antes ardiam no coração, mas que agora foram deixados de lado. Relacionamentos rompidos. Famílias que foram destruídas. Feridas que estão abertas. Talvez a sensação que você tenha é de que tudo o que restou se tornou ruínas.
Você olha ao redor e parece que nada sobrou. Você olha para dentro e sente que perdeu algo de si mesmo. Você tenta orar, mas a voz não sai. Você tenta continuar, mas sente que não tem forças.
Talvez você esteja vivendo o seu próprio “exílio”. As circunstâncias, o pecado, a sua negligência te levou para longe de onde você deveria estar hoje. Hoje, você vive distante daquilo que um dia você já viveu com Deus. Distante da alegria. Distante da fé. Distante da esperança. Vivendo um tempo em que tudo parece estar em silêncio.
Mas, isso não pode ser o fim, afinal, o exílio não foi o fim. E se formos honestos, podemos perceber que mesmo no meio do exílio, o povo ainda experimentou a misericórdia de Deus. Deus os guardou em meio ao inimigo. Ele os sustentou mesmo em terra estrangeira. Deus preservou o povo, dentro de uma terra repleta de inimigos do povo de Deus. Deus deu livramento. Levantou homens como Daniel. Mulheres como Ester. E quando chegou o tempo certo — o tempo determinado por Ele —, Deus os chamou de volta.
Mas repare nisso: Deus não os chamou de volta para uma Jerusalém em festa. Deus não os chamou de volta para uma cidade restaurada e radiante. Deus os chamou de volta para uma cidade destruída, para os muros que estavam derrubados, para o templo que havia sido queimado e saqueado, para as casas que haviam sido arrasadas.
Deus os chamou de volta para um lugar em ruínas. Porque Deus não nos chama apenas para viver algo pronto. Ele nos chama para participarmos da reconstrução. O certo era não haver a destruição que causou tudo isso, mas houve. Porém Ele prepara o momento certo e nos chama para recomeçar.
Porém, o trabalho de recomeçar não é fácil. O trabalho de recomeçar, seja o que for, exige coragem. Exige disposição para encarar o que sobrou. Porque o retorno não é para o conforto, é para o confronto. Confronto com as ruínas, com as perdas, com os traumas. Recomeçar exige você olhar e ver como sua vida está hoje e como um dia ela foi (“Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio...” – Ap 02.05)
Reconstruir significa olhar para os muros caídos e decidir levantar pedra por pedra sabendo que aquilo que causou isso foi o nosso pecado e negligência. Significa caminhar por ruas onde antes havia vida, mas agora só há entulho. Significa aceitar que algumas coisas não voltarão a ser como antes — e mesmo assim seguir em frente.
De verdade? O trabalho da reconstrução não é rápido. Não é limpo. Não é glamuroso. É suado. É lento. E por muitas vezes frustrante.
Mas é justamente nesse lugar que Deus começa algo novo. É no terreno marcado pela dor, que a graça planta esperança. É entre as ruínas que Deus acende uma nova chama.
Porque quando Deus nos chama de volta, Ele não apenas nos chama para o lugar onde tudo foi destruído. Ele nos chama para fazermos parte do novo que Ele está prestes a fazer. E diante do trabalho de recomeçar existem dois tipos de pessoas:

1. Os que se acostumaram com a Babilônia

O primeiro tipo de pessoa diante do chamado de Deus para recomeçar é aquele que sabeque a Babilônia não é o seu lugar, mas, ainda assim, escolhe ficar.
É alguém que carrega memórias da terra prometida. Alguém que lembra dos dias em que orava com fervor. Lembra da alegria que tinha quando ia para a igreja. Lembra de como o coração queimava com a Palavra. Mas tudo isso ficou no passado.
Hoje, essa pessoa vive numa terra estranha. Vive um estilo de vida que não combina mais com aquilo que um dia Deus plantou no coração dela. E o pior: esse tipo de pessoa aprendeu a se virar ali. Se adaptou. Fez amizade com os costumes da Babilônia. Se envolveu com hábitos que antes condenava. Se acomodou em uma vida que, apesar de não ter mais a presença de Deus, aparentemente é estável para ela. E isso é perigoso!
Porque aos poucos a gente vai se acostumando com a ausência. Vai se acostumando com o silêncio de Deus. Com a vida no automático. Com a oração feita só por obrigação. Com o culto assistido, mas nunca vivido. Com a Bíblia que está sempre por perto, mas raramente aberta.
A gente se acostuma com as ruínas. E quando nos acostumamos a viver assim, começamos a chamar de lar aquilo que era para ser só passagem. Começamos a chamar de normal aquilo que foi consequência de uma queda. Começamos a achar que "é isso mesmo", que “sempre foi assim”, e que não tem mais volta.
No entanto, o que existe por trás de tudo isso é o medo. Medo de recomeçar. Medo de encarar a bagunça que está por dentro. Porque recomeçar exige exposição. E não somente exposição, também exige disposição. E, sinceramente, é mais fácil viver entre os escombros, entre as ruínas, do que ter que juntar os pedaços e começar de novo.
E então, é aqui que nasce o comodismo. E é importante dizer que: comodismo não é paz.Comodismo é uma prisão com a aparência de que tudo vai bem, mas não. É nesse lugar que a pessoa diz: “Melhor assim do que sofrer de novo”. “Melhor aqui, quietinho, do que tentar de novo e me frustrar novamente”. “Melhor do jeito que está, do que encarar tudo o que eu perdi”. Esse lugar é o que chamamos de comodismo.
Porém quando Deus nos chama de volta, Ele não nos chama para sobreviver. Ele não nos chama para uma vida de lembranças. Ele nos chama para viver, e viver o novo que Ele tem para nossas vidas.

2. Os que foram despertados por Deus para a reconstrução

É então que vemos o segundo tipo de pessoa: sãoaqueles que foram despertados por Deus para recomeçar. Esdras 01.05 diz:
Ezra 1:5 NVI
Então os líderes das famílias de Judá e de Benjamim, como também os sacerdotes e os levitas, todos aqueles cujo coração Deus despertou, dispuseram-se a ir para Jerusalém e a construir o templo do Senhor.
Repare bem: a reconstrução; o recomeçar não partiu de uma ideia humana. Não foi uma decisão tomada a partir de um planejamento estratégico. Não foi fruto de uma motivação do homem. O texto é claro ao dizer que foi Deus quem despertou o coração dessas pessoas. Afinal, todo recomeço verdadeiro começa com um toque de Deus no coração.
Antes que qualquer tijolo fosse colocado, antes que qualquer ferramenta fosse empunhada, houve um mover no coração daquelas pessoas. Porque todo recomeço começa assim: no invisível, no íntimo, onde ninguém vê. Guarde isso: Deus começa por dentro o que Ele pretende transformar por fora.
Antes de ser um trabalho feito pelas nossas mãos, é um trabalho feito por Deus no nosso interior. Antes de haver ação, há um despertar. Antes de existir movimento, existe um chamado. E antes de existir reconstrução, existe rendição. O recomeçar não inicia quando você age — começa quando você se rende.
No entanto, como vemos em nosso texto, Deus não somente desperta, Ele também envia. E quando Deus envia, Ele também provê.
A continuação do texto mostra isso: Deus não apenas moveu o coração das pessoas certas, mas também moveu os recursos, as ofertas, os utensílios que Nabucodonosor havia levado — tudo o que seria necessário para o novo tempo.
E isso nos ensina algo poderoso: Quem é despertado por Deus nunca caminha sozinho.Quem é chamado por Deus para trabalhar na reconstrução de algo, nunca está sozinho. Pode até haver dificuldade. Haverá oposição. Mas não faltará direção. Não faltará sustento.
Deus não desperta corações para abandoná-los no meio do caminho. Deus não apenas nos chama de volta — Ele nos inclui no que está prestes a fazer. Ele nos acorda do sono, nos tira das ruínas e nos chama a participar da reconstrução.

Em uma história não tão longe...

Agora, tudo isso que vimos até aqui, essa mensagem, não é apenas uma história bíblica. Não é somente um acontecimento pontual na história do povo de Israel. É sobre nós. É sobre o agora.
Em primeiro lugar, como igreja, nós também estamos vivendo exatamente esse tempo — um tempo de reconstrução.
E sejamos honestos: os sinais das ruínas estão à nossa vista. Os cultos de quinta-feira já foram mais cheios do que são hoje. Aos domingos, já tivemos até mesmo dois horários para acomodar a igreja toda. Se você conversar após o culto, vai saber que praticamente todos os ministérios sofreram perdas. E quanto às nossas dificuldades financeiras? Bom, não são surpresa para ninguém.
Sabemos o que é estar em meio às ruínas. Como igreja sentimos o peso das ruínas. Mas ele nunca é maior do que o poder de recomeçar ouvindo o chamado de Deus para esse tempo.
Sim, há realidades difíceis, mas também há algo acontecendo. Porque em meio às perdas, Deus está despertando pessoas. Tem gente orando de novo. Tem gente voltando a servir. Tem gente voltando a sonhar, a projetar, a planejar — e a amar a igreja novamente. Você pode não crer ou enxergar isso, mas o novo de Deus já começou. E Ele está chamando pessoas para fazer parte disso.
Mas essa mensagem não é apenas coletiva. Ela também é profundamente pessoal. Ela também é sobre mim. Ela também é sobre você. Afinal, todos nós já enfrentamos momentos de ruínas. Todos já passamos por períodos turbulentos. Se perguntarmos aqui, cada um tem uma história: Um sonho que foi abandonado. Um projeto que ficou pelo caminho. Alguns abandonaram chamados. Outros largaram a mão do arado. Mas agora, Deus está nos chamando novamente. Deus está nos chamando para reconstruir.
Não só a Sua igreja, mas nossas vidas também. Chamando para voltar. Para retomar aquilo que outros negligenciaram. Para reconstruir. Para recomeçar. Deus está nos chamando para viver algo novo que Ele já preparou para esse tempo.
Recomeçar com Deus não é sobre retomar o que você perdeu. É sobre viver o que ainda não foi vivido. Creia! Pois se Ele está chamando, é porque existe um novo capítulo na história que Ele já escreveu para sua vida.
É tempo de reconstrução! É tempo de recomeçar!
Que Deus tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 06 de abril de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Sede-Noite)
Por Alex Amaral
Soli Deo Gloria
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