De Deus e por Deus

Carta aos Gálatas   •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Gl 1.1

Introdução:
Identidade é um dos grandes dilemas do nosso tempo. Muitos tentam redefinir quem são, ultrapassando os limites da ordem criada por Deus e daquilo que a Escritura ensina. O resultado é o caos moral e espiritual que vemos ao nosso redor: pessoas tentando ser o que não são e acrescentando coisas ao que Deus já estabeleceu.
Esse mesmo problema está por trás da carta de Paulo aos gálatas. Falsos mestres pervertiam o evangelho, pregando “outra mensagem” que, no fim das contas, não era evangelho algum. Diante disso, Paulo reafirma com clareza sua identidade e autoridade como apóstolo de Cristo. Essa verdade serviria como bússola para os irmãos da Galácia em meio a tantas vozes confusas — e continua sendo um alerta para nós hoje. Afinal, o que importa não é qualquer mensagem, mas a Palavra de Deus anunciada por seus verdadeiros mensageiros. É essa ênfase que encontramos já no primeiro versículo da carta, e é isso que veremos nesta noite, com a ajuda do Senhor.
Desenvolvimento:
Notamos já no princípio do verso que o autor da carta não deixa dúvidas sobre quem escreve: Paulo. Mas por que “Paulo” e não “Saulo”?
Quando lemos o livro de Atos, vemos que esse homem era chamado de Saulo. No entanto, a partir de Atos 13.9-13, ele passa a ser chamado de Paulo.
Isso não significa que houve uma mudança sobrenatural de nome, como aconteceu, por exemplo, com Abraão ou Jacó. A realidade é que “Paulo” é simplesmente a forma grega do nome “Saulo”.
E por que usar a forma grega? Porque o alvo de seu ministério eram os gentios. Se seu foco fosse apenas os judeus, ele poderia ter continuado a ser chamado de Saulo.
Mas, como o Senhor o enviou principalmente às nações, a versão grega do seu nome se tornava um facilitador no contato com elas.
Assim, sempre que alguém perguntar o motivo dessa “mudança de nome”, você já tem a resposta: não foi uma troca de identidade, mas uma adaptação ao chamado missionário que Deus lhe confiou.
Todas as vezes que alguém o chamava de Paulo, era a lembrança do seu alvo, os gentios!
Como já vimos ao longo das exposições em Colossenses, só podemos dar graças ao Senhor por estender a sua bênção também a nós, gentios.
Mas surge a pergunta: haveria base bíblica para isso? Alguma indicação anterior de que tal inclusão aconteceria?
A resposta é: sim! Logo mais, em Gálatas 3.6, Paulo recorre a um personagem central da história da salvação: Abraão. Lá em Gênesis 12.3, Deus já havia prometido que, por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas.
Por isso, Paulo relembra a história de nosso pai Abraão para mostrar que a união entre judeus e gentios não era uma novidade de seu tempo, mas algo já profetizado desde o início.
A promessa da Aliança sempre teve alcance universal, e em Cristo ela se cumpre plenamente.
Perceba que, logo após o nome do escritor, vem a palavra “apóstolo”. Essa designação não é apenas um título, mas uma explicação de quem ele é e de onde vem sua autoridade — algo determinante para o tom de toda a carta. Mas afinal, o que é um apóstolo?
Sentido geral da palavra O termo “apóstolo” significa simplesmente “enviado”. Se eu pedisse a um irmão aqui que cumprisse uma tarefa em meu lugar, ele seria, em certo sentido, um “apóstolo” — um representante enviado.
Uso técnico no Novo Testamento Contudo, no Novo Testamento, “apóstolo” se tornou um título técnico e exclusivo. Ele designava, primeiramente, os doze discípulos escolhidos por Jesus: Pedro, André, Tiago, João, Mateus, Filipe, Judas, Tadeu, Tomé, Tiago menor, Simão Zelote e Bartolomeu. Esses andaram com Cristo, aprenderam diretamente Dele e, após Sua ascensão, se tornaram colunas da igreja (Ef 2.20), a base sobre a qual Deus edificaria o novo povo da aliança.
Além dos doze Esse título não ficou restrito apenas a eles. Matias foi acrescentado em Atos 1.26, Tiago é chamado apóstolo em Gálatas 1.19, e Paulo, que se apresenta assim em várias cartas, é incluído porque o próprio Cristo lhe apareceu ressuscitado (1Co 15.3-8).
Portanto, os apóstolos eram testemunhas diretas da ressurreição e fundamentos da igreja.
E aqui vem a pergunta: existem apóstolos hoje? Se entendermos “apóstolo” apenas no sentido amplo de “enviado”, qualquer missionário ou obreiro poderia ser chamado assim.
Mas, como disse o Autor Thomas Schreiner: “Para se qualificar como apostolo, a a pessoa teria que ser comissionada como tal e ter visto pessoalmente o Senhor ressureto”.
Assim, no sentido técnico e bíblico do Novo Testamento, não há continuidade do dom apostólico hoje. Os apóstolos foram únicos e insubstituíveis, pois lançaram o alicerce da igreja.
Hoje, seguimos edificando sobre o fundamento que eles colocaram, mas não acrescentamos novos apóstolos nem novos fundamentos. Afinal, quem em uma casa coloca dois fundamentos? O alicerce é único.
Da mesma forma, não é necessário que esse dom continue sendo concedido, pois a igreja já está estabelecida e o ensino apostólico foi preservado nas Escrituras.
Quando alguém nos questionar sobre a questão apostólica em nossos dias, podemos responder com base no que vimos até aqui. No entanto, precisamos ter discernimento: muitas vezes as pessoas não querem realmente entender, apenas discutir.
Nesse caso, não é sábio se aprofundar demais. Se o coração da pessoa não está disposto a ouvir, não adianta insistir — ainda que você esteja bem fundamentado biblicamente.
Mas Paulo não encerra aqui. O apóstolo deseja esclarecer a origem de seu chamado. Já no início da carta ele enfatiza: “não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum”. Ele quer deixar cristalino de onde veio sua autoridade e qual é sua verdadeira ligação ministerial.
Os irmãos sabem que, como vemos também nas cartas aos coríntios, havia muitos que se julgavam apóstolos naquela época. Mas a questão central era: quem os havia comissionado? Deus ou eles mesmos?
Isso não é novidade. No Antigo Testamento já havia falsos mensageiros. Em 1 Reis 22, antes da batalha contra Ramote-Gileade, o rei Josafá pede que se consulte ao Senhor.
Vários profetas aparecem dizendo que a guerra seria vitoriosa. Mas apenas Micaías revela a verdade: aqueles homens falavam de si mesmos, e não da parte de Deus.
Da mesma forma, ainda hoje existem falsos mensageiros. Por isso, precisamos observar não apenas as palavras, mas também a conduta de quem se apresenta como porta-voz de Deus.
Paulo, porém, é um apóstolo genuíno. Ele poderia, se quisesse, se apoiar na autoridade de Pedro ou dos demais, afinal, eles eram colunas da igreja. Mas se fizesse isso, sua autoridade dependeria de homens. Paulo não queria isso. Ele sabia que quem o enviou não foi um mero homem, mas o próprio Cristo.
Por isso, sua ênfase está justificada: Paulo não foi autoenviado nem comissionado por pessoas, mas chamado diretamente pelo Senhor Jesus.
Mas afinal, quem enviou Paulo? Ele foi enviado por Jesus Cristo. Note que Paulo não diz apenas que é “um enviado de Jesus”, mas que foi enviado por Ele mesmo. Ao usar essa preposição, Paulo ressalta sua ligação direta com o Senhor e, ao mesmo tempo, deixa claro que sua autoridade não é nem maior nem menor que a dos demais apóstolos, mas igual. Assim como eles, Paulo foi separado pelo próprio Cristo — ainda antes de nascer (Gl 1.15).
Observe também que Paulo não coloca Jesus acima de Deus Pai, nem o contrário. Ele menciona ambos juntos, mostrando que compartilham da mesma autoridade: “por Jesus Cristo e por Deus Pai”.
Agora, irmãos, pensem comigo: quantos hoje se apresentam como “enviados do Senhor”, mas fazem isso por pura ganância? Muitos repetem frases como “não toqueis nos ungidos”, tentando blindar seus erros. Mas a verdade é que eles nunca foram enviados por Deus. São lobos em pele de cordeiro.
Essa frase é verdadeira quando aplicada ao povo de Deus — ninguém pode tocar impunemente no rebanho do Senhor. Mas, quando é usada por falsos líderes para esconder seu pecado, não devemos temê-los.
Denunciem os lobos! Foi o que Paulo fez ao longo de seu ministério: expôs os falsos mestres. Eles não são enviados do Senhor, mas agentes do caos, que trazem dano à igreja.
Não tenham medo: Deus é por vocês quando revelam o verdadeiro caráter desses homens.
Mas cuidado: se nos levantamos contra aqueles que pregam o verdadeiro evangelho e os perseguimos, o problema é gravíssimo. Nesse caso, mostramos que Deus já não governa nosso coração, e estamos escolhendo ouvir outra mensagem que não é a Palavra do Senhor.
Por fim, não podemos passar despercebidos da parte final do verso 1: “que o ressuscitou dentre os mortos”. Mas surge a pergunta: se Jesus é Deus, por que não ressuscitou a si mesmo?
Os irmãos lembram: Jesus, ao se encarnar, estava “esvaziado” (Fp 2.5-11). Ele não deixou de ser Deus, mas, em obediência ao Pai, abriu mão do uso independente de seus atributos divinos. Ele agia sempre dentro do plano eterno da Trindade, conforme a vontade do Pai.
É importante esclarecer isso, pois muitos distorcem o papel de Cristo. Já houve quem dissesse que Jesus tinha uma casa na praia, e que, como carpinteiro, fazia seus trabalhos usando sua divindade.
Mas isso é mentira — palavra de lobo! Esse tipo de ensino ignora completamente o fato de que Jesus veio como o Servo sofredor, humilhando-se para nos salvar.
Paulo relembra aqui a ressurreição porque ela é central em toda a sua teologia. Sem ressurreição, o próprio apóstolo disse: “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos” (1Co 15.32). Ou seja, sem a vitória de Cristo sobre a morte, a vida não teria sentido algum.
Estamos apenas iniciando nossa exposição em Gálatas, mas já no primeiro verso encontramos verdades profundas para a nossa fé. Que o Senhor aplique essas palavras em nossos corações e nos faça crescer no entendimento de sua vontade, para que vivamos com firmeza no evangelho verdadeiro.
Conclusão:
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