PNT - Tiago - Aula 1

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Introdução
Autoria:
§Tiago - Irmão do Senhor(Mc 6.3; Gl1.19)§Líder da igreja em Jerusalém(At 15.13; Gl2.9-12)
História Eclesiástica Capítulo I: [Da Vida dos Apóstolos Depois da Ascensão de Cristo]

Naquele tempo também Tiago, o chamado irmão do Senhor — porque também ele era chamado filho de José; pois bem, o pai de Cristo era José, já que estava casado com a Virgem quando, antes que convivessem descobriu-se que havia concebido do Espírito Santo, como ensina a Sagrada Escritura dos evangelhos —; este mesmo Tiago pois, a quem os antigos puseram o sobrenome de Justo, pelo superior mérito de sua virtude, refere-se que foi o primeiro a quem se confiou o trono episcopal da Igreja de Jerusalém.

Alfeu:
Pai de Tiago, filho de Alfeu, um dos Doze apóstolos (Mt 10:3; Mc 3:18; Lc 6:15; At 1:13).
Clopas (ou Cleopas):
Em João 19:25, aparece “Maria, mulher de Clopas” entre as que estavam junto à cruz.
Em Lc 24:18, há um “Cleopas” (forma grega) como discípulo no caminho de Emaús (alguns acham que é outra pessoa, outros que poderia estar ligado ao mesmo círculo).
Etimologia dos nomes
Alfeu é um nome de origem semítica (aramaico/hebraico), algo como Chalpai.
Clopas / Cleopas é a forma grega, provavelmente derivada do mesmo radical semítico.
Isso levou alguns pais da Igreja (como Eusébio e Jerônimo) a sugerirem que Alfeu e Clopas eram a mesma pessoa, apenas com grafias diferentes (aramaica × grega).
Tradição cristã antiga
Eusébio de Cesareia (História Eclesiástica, III.11) afirma que Clopas era irmão de José (pai adotivo de Jesus) e, portanto, tio de Jesus.
A tradição também identifica Maria, mulher de Clopas (Jo 19:25), como mãe de Tiago, o Menor (Mc 15:40).
Isso faria de Tiago, filho de Alfeu, o mesmo que Tiago, “irmão do Senhor” (Gl 1:19), por afinidade.
Cautela exegética
O NT não afirma explicitamente que Alfeu e Clopas são a mesma pessoa.
É possível que sejam nomes diferentes para a mesma figura, mas também pode ser apenas coincidência de nomes semelhantes.
Alguns estudiosos consideram Tiago, filho de Alfeu e Tiago, irmão do Senhor como pessoas diferentes. Outros, seguindo a tradição patrística, os veem como o mesmo Tiago, filho de Alfeu/Clopas.
Conclusão
Há forte tradição (Eusébio, Jerônimo e outros) identificando Alfeu e Clopas como a mesma pessoa, devido à equivalência linguística e à tentativa de harmonizar as referências a “Tiago, filho de Alfeu” e “Tiago, o irmão do Senhor”.
Mas não é consenso: a Bíblia não declara diretamente essa identidade, de modo que a questão permanece aberta na exegese.
Data:
Década de50 (?)
Destinatários:
Às doze tribosque se encontramna Dispersão (Tg1.1)
Josefo data o martírio de Tiago em 62 D. C.(Antiguidades XX, ix. l. Menos provável é a data de 68 D.C., de Hegesipo, conforme ficou registrado por Eusébio. História Eclesiástica II. xxiii. 18.), pelo que a sua epístola precisa ser datada antes desse prazo. Há eruditos que argumentam em prol de uma data tão recuada (45-50 D. C.) que a epístola de Tiago poderia ser considerada o primeiro livro do Novo Testamento a ser escrito. Por exemplo, a ausência de qualquer alusão à controvérsia judaizante é tomada como prova implícita de uma data antes do surgimento daquela controvérsia, imediatamente antes do concílio de Jerusalém, que teve lugar em cerca de 49 D. C.; e o tom tipicamente judaico da epístola é tido como prova implícita de que, ao ser escrita a epístola, o cristianismo ainda não se expandira para fora da Palestina. No entanto, a limitação do endereço a cristãos judeus, e a perspectiva decisivamente judaica do próprio Tiago poderiam justificar ambos esses fenômenos, em razão do que só nos resta contentarmo-nos com uma data indeterminada para o martírio de Tiago.
História dos Hebreus ALBINO SUCEDE A FESTO NO GOVERNO DA JUDÉIA E O REI AGRIPA DÁ E TIRA DIVERSAS VEZES O SUMO SACERDÓCIO. ANANO, SUMO SACERDOTE, MANDA MATAR TIAGO. AGRIPA ENGRANDECE E EMBELEZA A CIDADE DE CESARÉIA DE FILIPE E A CHAMA NERONIANA. GRAÇAS QUE ELE

Morrendo Festo, Nero deu o governo da Judéia a Albino e o rei Agripa tirou o sumo sacerdócio de José para dá-lo a Anano. Anano, o pai, foi considerado como um dos homens mais felizes do mundo, pois gozou quanto quis dessa grande dignidade e teve cinco filhos que a possuíram também depois dele; o que jamais aconteceu a qualquer outro. Anano, um dos de que nós falamos agora, era homem ousado e empreendedor, da seita dos saduceus, que, como dissemos, são os mais severos de todos judeus e os mais rigorosos nos julgamentos. Ele aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não tinha chegado, para reunir um conselho, diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento.

2. O problema judaico: religiosidade aparente
Muitos judeus estavam marcados pelo rabinismo religioso, que enfatizava tradições externas, regras e aparência de piedade.
Esse formalismo produzia uma vida de fachada: confissão de fé sem obras que a confirmassem.
Tiago combate essa hipocrisia chamando à coerência entre fé e prática: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes” (Tg 1:22).
Texto-chave: Tiago 2.17 – “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.” / 1Sm 15.22
3. O problema gentio: intelectualismo filosófico
O mundo greco-romano era profundamente influenciado pela filosofia grega (estoicismo, epicurismo, platonismo).
Muitos estavam mais preocupados em entender o mundo e desenvolver raciocínios sofisticados e lógicos do que em transformar o caráter.
Tiago reage mostrando que a sabedoria de Deus é prática e ética, revelada em mansidão, justiça e pureza de vida.
Texto-chave: Tiago 3.13 – “Quem entre vós é sábio e inteligente? Mostre-o em mansidão de sabedoria, mediante seu bom proceder.”
4. A resposta de Tiago
Tanto judeus quanto gentios precisam de uma fé viva e prática.
O alvo de Tiago é alinhar coração e comportamento, fé e obras, sabedoria e vida.
Sua ênfase é que a verdadeira religião não está em palavras, aparência ou teorias, mas em viver de forma santa e justa.
Texto de síntese: Tiago 1.27 – “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.” / Gl 2.9-10
Textos para reflexão
Tg 2.26
Para Tiago, a fé verdadeira se manifesta na prática.
A fé é a raiz, mas a obra é o fruto; onde não há fruto, a raiz está morta.
Obras não são causa da salvação, mas evidência de que a fé é real.
Tiago combate tanto o formalismo judaico (fé nominal sem prática) quanto o intelectualismo gentio(crença teórica sem transformação).
 Fundamento no Antigo Testamento
Abraão: sua fé foi demonstrada por obediência (Gn 15:6; Gn 22).
“Creu Abraão no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15:6).
Tiago cita justamente Abraão (Tg2:21-23) como exemplo de fé que age.
Profetasdenunciaram culto vazio sem prática da justiça:
Isaías 1:17“Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto.”
Miquéias 6:8“O que o Senhor pede de ti é que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus.”
Salmosligam fé e obediência: Sl 15 mostra que habita no monte santo quem anda em integridade.
 Fundamento no Novo Testamento
Jesus:
Mateus 7:16-20“Pelos frutos os conhecereis.”
João 15:8“Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos.”
Paulo:
Efésios 2:8-10 – salvos pela graça mediante a fé, para boas obras.
Gálatas 5:6“A fé que atua pelo amor.”
João:
1 João 2:4“Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso.”
Tg 4.4
O que significa “amizade com o mundo”?
“Mundo” (kosmos) em Tiago não se refere à criação física, mas ao sistema humano rebelde contra Deus.
É a mentalidade marcada por autossuficiência, orgulho, cobiça e injustiça (cf. Tg 3:14-16; Tg 4:1-3).
“Amizade” aqui significa aliança, afinidade, lealdadea esse sistema.
Assim, quem adota os valores do mundo (prazer egoísta, poder, prestígio) rompe com a fidelidade a Deus.
 Fundamento no Antigo Testamento
Deuteronômio 6:14-15 – Israel não devia seguir outros deuses, pois o Senhor é zeloso.
Isaías 1:21 – Jerusalém é chamada de “prostituta”, pois trocou sua fidelidade a Deus pela injustiça.
Ezequiel 16 e 23 – usam a metáfora do adultério espiritual para falar da aliança quebrada com Deus.
Salmo 1:1-2 – O justo não anda segundo o conselho dos ímpios, mas tem prazer na lei do Senhor.
 Para Tiago, “amizade com o mundo” ecoa a idolatria e a infidelidade da aliança que os profetas já denunciavam.
 Fundamento no Novo Testamento
João 15:18-19 – Jesus disse que seus discípulos não pertencem ao mundo, e por isso o mundo os odeia.
1 João 2:15-16 – “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há... a concupiscência da carne, dos olhos e a soberba da vida não procedem do Pai.”
Romanos 12:2 – “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.”
Gálatas 6:14 – Paulo se gloria apenas na cruz, pela qual o mundo está crucificado para ele, e ele para o mundo.
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