A parábola dos lavradores maus Marcos 12.1–12

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As histórias de Jesus, também chamadas de parábolas, sempre usavam algo familiar para ajudar as pessoas a entender algo novo. Esse método de ensino compele os ouvintes a descobrirem a verdade por si mesmos. No momento em que Jesus falou de uma vinha, os líderes religiosos bem versados ​​certamente reconheceram a correlação com Isaías 5:1-7 , onde Isaías descreveu Israel como uma vinha. A parábola de Isaías descreveu o julgamento sobre Israel; a parábola de Jesus também descreveu o julgamento. A situação retratada nesta parábola não era de forma alguma incomum. A Galileia tinha muitas propriedades semelhantes com proprietários ausentes que haviam contratado arrendatários para cuidar dos campos e das plantações. A parábola respondeu indiretamente à pergunta deles sobre sua autoridade, mostrou-lhes que ele sabia do plano deles de matá-lo e revelou o julgamento que os aguardava.
Depois ( kai ) - Não perca esta palavra conectiva (e, mas, então) , pois neste caso ela claramente liga esta parábola ao diálogo anterior com os líderes religiosos que perguntaram a Jesus com que autoridade Ele estava fazendo o que fazia, e Ele se recusou a lhes dizer. E agora, em forma de parábola, Ele lhes dirá, de certa forma, que Sua autoridade se baseia no fato de que Ele é o "filho amado" da Parábola, o Filho de Deus. Este é outro exemplo de uma quebra de capítulo inadequada (lembrando que estas foram criadas pelo homem, não por Deus).
Esta é uma história dramática, inesquecível e inconfundível, que aponta para as más intenções assassinas dos líderes de Israel e também aponta para a morte de Cristo. Ambas eram uma realidade.
Marcos 12:1-9 registra a parábola dos lavradores maus, que também está registrada em Mateus 21:33-46 e Lucas 20:9-19.
A parábola demonstra a malignidade daqueles lavradores que arrendaram a terra de um proprietário que plantou uma vinha. Nesta parábola Jesus atingiu em cheio os líderes religiosos de Israel que estavam ali para afrontá-lo, tal como vimos no sermão anterior, sobre Marcos 11:27-33.
Ali estavam presentes o povo e os líderes religiosos. Esses líderes legalistas hipócritas se consideravam a essência da pureza e da justiça. Na parábola Jesus demonstrou sua indignação contra aqueles lavradores maus, que eram a exata figura da liderança religiosa de Israel.
O drama dessa parábola é chocante, retratando a perversidade daqueles homens. E Jesus estava tratando da liderança religiosa que se orgulhava de bondade, devoção e autojustiça. Eles procuravam a todo custo manter uma autoimagem pública. Essa parábola foi uma terrível afronta intolerável para eles. Quando Jesus terminou a parábola Lucas 20:19 diz:
Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera esta parábola; mas temiam o povo.
Jesus retrata a história de Israel nesta parábola. E Ele disse que o proprietário arrendou a vinha a uns lavradores e se ausentou do país por um prazo longo (Lc. 20:9).
Esse tipo de arrendamento era muito comum na época de Jesus e existe até hoje com muita frequência. Nem todo mundo que cultiva a terra é o dono da terra. Os lavradores arrendavam a terra através de um contrato e davam uma parte dos rendimentos da colheita ao proprietário.
Geralmente levava cinco anos desde o momento em que um vinhedo era plantado, para chegar à época da colheita. Então teria sido, com certeza, uma longa viagem do proprietário. Na época os proprietários enviavam seus servos para receber sua parte na vinha. Os mandatários do proprietário cobravam a quantia contratada que lhe era devida.
A ação perversa dos lavradores
Marcos 12 2 No tempo da colheita, enviou um servo aos lavradores para que recebesse deles dos frutos da vinha; 3 eles, porém, o agarraram, espancaram e o despacharam vazio.
O proprietário mandou outro servos, mas o resultado foi o mesmo. Insistiu enviando outros, alguns eles espancaram e outros eles mataram. Terrível!. Um comportamento bizarro!
Talvez você diga: “Ei, chega! Manda um exército e resolve isso de uma vez! Isso resolve com certeza!” Mas a história fica ainda mais incrível. O proprietário resolveu enviar seu filho amado.
Marcos 12 6 Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim, dizendo: Respeitarão a meu filho. 7 Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo-lo, e a herança será nossa. 8 E, agarrando-o, mataram-no e o atiraram para fora da vinha.
O filho era herdeiro, era o mais precioso da casa. Mas os lavradores cresceram em perversidade, ambicionando tomar tudo, mataram o filho do proprietário.
Jesus adorava colocar esses aspectos chocantes, inexplicáveis, inesperados e inaceitáveis em suas parábolas. Claro que a multidão esperava que o proprietário enviasse uma força bruta para tratar com aqueles lavradores e não seu próprio filho.
Mas não, ele enviou seu filho, e, sem hesitação, eles o mataram e nem sequer lhe deram um enterro, apenas o jogaram fora da vinha para ser consumido pelos necrófagos. Ninguém sobrou para enviar, todas as opções possíveis foram esgotadas.
Marcos 12 9 Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros.
Uma pergunta provocativa: “O que fará o dono da vinha?”
Bem, se ele exigisse a lei do Antigo Testamento, seria a pena de morte para todos eles (Gen. 9:6).
Mateus registrou uma resposta que deram a essa pergunta: “Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos” (Mateus 21:41). Certamente outros da multidão devem ter concordado, dizendo: “Exato! É isso mesmo que ele tem que fazer”.
Mas, Lucas 20:15-16 registra uma reação hostil de alguns: “Que lhes fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. Ao ouvirem isto, disseram: Tal não aconteça!”
Por que eles diriam “que isso nunca aconteça!”?
Lucas 20:19, Marcos 12:12 e Mateus 20:45 registram que os escribas e os principais sacerdotes perceberam que a parábola se referia a eles. Muitos ali entenderam o significado da parábola.
Essa é a parábola, agora vamos ver o seu significado
1) Vimos que o plantador e proprietário da vinha é Deus. A vinha é Israel. Esse é um princípio chave de interpretação através de Isaías 5.
2) Quem são os lavradores que arrendaram a vinha? Os líderes religiosos de Israel aqueles que tinham a tarefa de serem os mordomos da propriedade de Deus, de cuidar de Israel, ou seja, do povo de Deus.
Eles eram miseráveis e hipócritas, de acordo com as palavras de Jesus nesta mesma semana em Mateus 23. Jesus os considerou filhos do inferno (Mt. 23:15). Mas eles eram os líderes religiosos: o Sinédrio, os escribas, os fariseus e os saduceus
Quem são os servos que Deus enviou? Os profetas do Antigo Testamento. Deus enviou um após o outro para exortar Israel. Os profetas denunciaram o pecado e clamaram por arrependimento e retidão.
Todos eles chamaram a nação para produzir frutos para a honra e glória de Deus, dar a Deus a colheita devida, à santidade, justiça, verdadeiro arrependimento e fé. Todos os profetas fizeram isso, de Moisés a João Batista.
E o que Israel fez com os profetas? Rejeição, violência, assassinato etc. Essa é a história de Israel, repleta de maus-tratos aos profetas enviados por Deus.
Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados… (Hebreus 11:35-37)
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque edificais os sepulcros dos profetas, adornais os túmulos dos justos! e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido seus cúmplices no sangue dos profetas! Assim, contra vós mesmos, testificais que sois filhos dos que mataram os profetas. (Mateus 23:29-31)
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados!… (Mateus 23:37)
Eles sabiam que haviam matado os profetas. Essa foi a história deles. Todos eles sabiam disso. Quando eles alegavam que não fariam o mesmo, estavam assumindo que eram filhos dos que assassinaram os profetas enviados por Deus.
E Jesus acrescentou que eles fariam a mesma coisa que os pais deles, pois agora iriam perseguir, espancar, rejeitar e matar aqueles que Jesus iria enviar para pregar o Evangelho e formar a igreja.
Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; (Mateus 23:33,34).
Em outras palavras, Jesus estava dizendo a eles: “Vocês não terminaram ainda a obra perversa de perseguir os que são enviados por Deus. Vocês perseguirão aqueles a quem enviarei com a mensagem do Evangelho”.
Aquela geração que se gabava de não ser capaz de matar os profetas, foi a pior geração de toda a história de Israel. As outras gerações rejeitaram, perseguiram, maltrataram e mataram os servos enviados por Deus, mas aquela geração perseguiu, rejeitou, maltratou e matou o Filho de Deus, o Messias.
Jesus foi diferente de todos os outros mensageiros enviados por Deus. Ele é o filho, o único Filho, o último mensageiro de Deus, o herdeiro de todas as posses de Deus.
Eles deveriam respeitá-Lo, mas eles não o fizeram. Eles disseram: “Este é o herdeiro! Vamos matá-lo e levaremos tudo!”. Essa foi a atitude dos líderes de Israel. Eles queriam dominar a propriedade de Deus, eles não aceitaram que Jesus interferisse no sistema miserável deles.
Eles planejaram a morte de quem era uma ameaça ao poder, prestígio e controle. Eles fizeram exatamente o que seus pais fizeram. Eles seriam a próxima e a última geração a matar os profetas. E então passaram a ser a primeira geração a perseguir e massacrar os cristãos.
Na história, eles não apenas mataram o filho, como também o expulsaram da vinha, o que provavelmente se refere ao fato de que toda a nação rejeitou a Cristo. Jesus “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11).
Eles o expulsaram dizendo: “quem te deu tal autoridade para fazer essas coisas?” (Marcos 11:28), ou seja, “o reino é nosso, a herança é nossa, não se meta no que é nosso”.
O que o Senhor iria fazer com eles?
“Que fará, pois, o dono da vinha? Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros”. O juízo de Deus iria cair sobre eles.
Deus foi muito paciente com eles por séculos. E no ano 70 d.C., cerca de 40 anos depois desse incidente, os romanos massacraram Israel e destruíram o templo. E a destruição continuou nos anos subsequentes.
Assim como Deus usou os babilônios como instrumentos de julgamento, aqui ele usou os romanos. O templo nunca foi reconstruído, Israel vive há 2.000 anos sem o templo no Monte Moriá, em Jerusalém.
Mas o que significa quando Jesus disse: “Ele passará a vinha a outros”?
Mateus 21:43 diz:
A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos? Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.
Para responder essa pergunta, vamos fazer algumas perguntas:
Na parábola, quem representa a vinha? Quem são os lavradores?
 Quem é o dono da vinha?
A vinha é Israel, correto?
Quem são os lavradores? Os líderes religiosos, correto?
O dono da vinha é Deus.
E o que o dono vai fazer?
MacArthur comenta:
Jesus está falando sobre os líderes. Ele está falando sobre os arrendatários, não está falando sobre as pessoas. Ele tem Seu povo, mas colocou pessoas diferentes no comando deles. Outros serão os guardiões da verdade. Outros serão os guardiões das Escrituras. Outros terão a responsabilidade de dar supervisão espiritual e liderança espiritual à Sua vinha, ao Seu povo.
Quem serão os novos comissários? Quem são os novos administradores do reino? Quem são os responsáveis pela recepção, proclamação e preservação da verdade? Os apóstolos.
Isso foi literalmente um escândalo horrendo para os líderes de Israel, o povo arrogante do Sinédrio, pensar que aqueles ninguéns da Galileia, aqueles doze homens comuns se tornariam os novos mordomos da revelação divina a ser disseminada ao povo de Deus.
A transição já havia começado. Jesus havia dado autoridade aos Seus apóstolos: autoridade sobre doenças, autoridade sobre demônios, e dado a eles a verdade; disse-lhes para irem pregar o reino, pregar o evangelho. Já vimos isso no comissionamento dos apóstolos. Essa transição ocorreu.
Os apóstolos, com um ministério único, tinham a mordomia, eram os repositórios da verdade. Eles foram o meio pelo qual Deus distribuiu a revelação que conhecemos como o Novo Testamento, que completou Sua revelação, e eles se tornaram os mordomos dessa revelação.
É por isso que quando a igreja primitiva se reunia, eles estudavam a doutrina dos fariseus? Não. Eles estudavam a doutrina dos rabinos? Não. Eles estudaram a doutrina dos sacerdotes? Não. Eles estudaram a doutrina dos saduceus? Não. O que eles estudavam?
E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. (Atos 2:42)
Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor (EF. 2:19-22)
Esta foi uma grande transição. Todos os rabinos do passado não importam. Você pode pegar todo aquele ensinamento rabínico e deixá-lo de lado, não importa. Eles não são os mordomos da verdade divina.
Esse é o fim da parábola, mas não é realmente o fim da história. O Senhor acrescenta uma palavra muito importante, e nela há uma acusação.
Marcos 12 10 Ainda não lestes esta Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular;
Que acusação! O Senhor citou o Salmo 118, que diz:
A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos. […] Bendito o que vem em nome do Senhor. A vós outros da Casa do Senhor, nós vos abençoamos. O Senhor é Deus, ele é a nossa luz; adornai a festa com ramos até às pontas do altar. (Salmo 118: 22-23; 26-27).
Pedra angular significava a principal pedra de sustentação que era usada na construção de um edifício na antiguidade. Jesus, a quem eles rejeitaram, é a Pedra Angular do reino de Deus. Vários textos bíblicos citam Jesus como a Pedra angular: Atos. 4:11; 1 Pedro 2:6-8; Romanos 9:32-33 e Efésios 2:20.
Esta parábola causou profunda indignação à liderança religiosa.
Marcos 12 12 E procuravam prendê-lo, mas temiam o povo; porque compreenderam que contra eles proferira esta parábola. Então, desistindo, retiraram-se.
As pessoas entenderam. Eles sabiam do que Jesus estava falando. Eles conheciam sua história. Eles sabiam que seus ancestrais haviam maltratado e matado os profetas.
E eles sabiam o que estavam planejando para Jesus: sua morte. E Jesus disse isso. Eles sabiam. Teria sido um bom momento para se arrependerem, não é? Eles apenas saíram e foram embora.
Como você reage quando a Palavra de Deus confronta a sua vida? Você fica com raiva, indignado, não reconhecendo seus pecados? Foi assim que aqueles reagiram.
Devemos nos voltar para Palavra quando ela confronta nossa vida.
Os judeus, a quem nosso Senhor dirigiu essa solene parábola histórica, perceberam claramente que ela se aplicava a eles. Compreenderam que eles e seus antepassados eram os agricultores a quem a vinha fora entregue, os quais deveriam ter produzido fruto para Deus. Entenderam que eles e seus antepassados eram os agricultores iníquos, que se haviam recusado a dar ao senhor da vinha o que lhe cabia por direito, tendo tratado de modo vergonhoso os servos dele, porquanto “espancaram uns e mataram outros”. Acima de tudo, sabiam que eles mesmos estavam planejando o ato final e coroador de sua iniquidade, ato esse que a parábola descreveu. Eles estavam prestes a matar o próprio Filho amado e o atirarem “para fora da vinha”. Tudo isso eles reconheceram perfeitamente bem. Compreenderam que, contra eles, essa parábola era proferida. Porém, ainda assim, não se arrependeram. Embora convencidos por suas próprias consciências, estavam endurecidos no pecado.
Desse horrível fato, aprendamos que o conhecimento e a convicção, por si mesmos, não salvam alma alguma. É perfeitamente possível alguém estar cônscio de que está errado, ser incapaz de negar o fato e, apesar disso, apegar-se obstinadamente aos seus pecados, vindo a perecer miseravelmente no inferno. Aquilo que todos nós precisamos é de uma mudança no coração e na vontade. Oremos intensamente pedindo essa mudança. Não tenhamos descanso enquanto não a houvermos recebido. Sem ela, jamais seremos crentes verdadeiros e nunca chegaremos ao céu. Sem essa mudança, poderemos viver toda a nossa vida como os judeus, reconhecendo interiormente que estamos errados e, à semelhança deles, perseverando em nosso próprio caminho e morrendo em nossos pecados.
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