O discipulado na vida da igreja

Entre todos os povos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução
Chegamos hoje ao fim de nossa série especial sobre missões. Até aqui já aprendemos, entre outras coisas, que Deus é o autor e o Senhor da missão. Ele, exclusivamente devido ao seu amor, enviou Cristo ao mundo para resgate do seu povo. Jesus, no ato derradeiro de seu ministério terreno comissionou sua igreja, fazendo dela participante da missão, cooperando com o próprio Deus, por meio da pregação do Evangelho para que o beneplácito proposto por Ele em Cristo se torne conhecido entre todos os povos, tribos, línguas e nações. Vimos ainda que a missão da igreja tem o seu foco no discipulado, ação por meio da qual pessoas recebem a proclamação do Evangelho, são batizadas e instruídas na obediência das ordenanças de Cristo. Hoje veremos mais dois aspectos do discipulado, que fecharão, por assim dizer, a sequência de reflexões que iniciamos há um mês, e nos mostrarão que o discipulado deve ser ato contínuo na vida da igreja.
Frase de Transição
Dessa forma, consideraremos nessa noite o seguinte tema: O discipulado na vida da igreja. Esse tema será abordado em duas frentes que evidenciarão o caráter do discipulado e sua relação com a vida das igrejas locais.
1. O discipulado é um processo gradual
Desde que começamos a refletir sobre os aspectos fundamentais da missão outorgada por Cristo, já assimilamos o fato que o discipulado é a tarefa principal a ser cumprida pela comunidade cristã. Essa atividade ocorre necessariamente como um ato cooperativo na missão do próprio Deus, que por sua graça, se dignou a ir ao encontro do homem pecador e rebelde. Ao contemplar o cerne dessa missão como ela foi dada por Cristo e como se encontra relatada na Escritura, é possível concluir que pelo menos parte das igrejas locais precisam corrigir, em alguma medida, tanto sua visão como sua práxis missionária. A ordem de Jesus no texto em questão é clara: façam discípulos. O sentido de fazer discipulos é instruir uma pessoa nos ensinamentos de um lider. No caso do texto, temos como conclusão evidente que devemos discipular pessoas, instruindo-as nos ensinamentos de Jesus, para que elas se tornem seus discípulos. Instrução é algo que demanda tempo. A instrução contempla estudo, aprendizado, dedicação, compromisso, trabalho. Entenda que o discípulo não nasce pronto e não é formado do dia para noite. Um homem não se torna discípulo pela simples recebimento de um folheto com uma mensagem bíblica. Um discípulo não é formado meramente por ouvir um “Jesus te ama” ou participar de um “Culto especial de Evangelismo”, como se todo culto da igreja não devesse se estabelecer com uma perspectiva evangelística. Para que alguém seja feito discípulo é necessário tempo, envolvimento, comprimisso, ação.
Quero destacar algumas palavras nesse texto: a) fazei discípulos; b) batizando-os; c) ensinando-os. Essas palavras nos ajudam a compreender o fato de que o discipulado é um processo gradual. Gostaria de pedir sua atenção de maneira breve para algumas tecnicidades do texto grego. A expressão verbal “fazei discípulos” está em tempo da lígua grega chamado aoristo, que mostra uma ação de maneira resumida, com um aspecto pontilear. Nesse caso é como se observássemos o ato de fazer discípulos como um único ponto no espaço, sem indicação dos processos que levaram essa ação ao seu término. Os dois verbos seguintes, batizando e ensinando, estabelecem justamente os processos que levam o discipulado à sua execução. Eles se encontram no tempo presente, que mostram ações que estão em processo e que se repetem de maneira habitual. Veremos a seguir que o batismo e o ensino nas ordenanças de Cristo ocorrem no âmbito da igreja, por hora é importante, que compreendamos o seguinte fato: o discipulado é um processo gradual em que a igreja - pela pregação da Palavra - anuncia a boa nova da salvação de forma intencional, sistemática, gradual e habitual à pessoas, para que pelo chamado ao arrepedimento e a fé, essas pessoas creiam em Cristo e então sejam direcionadas ao batismo, integradas ao Corpo de Cristo e assim sejam permanentemente instruídas nas ordenanças do Senhor. À exceção da conversão, que ocorre de forma imediata quando uma pessoa crê em Cristo, todas as demais atividades associadas ao discipulado se desenvolvem de maneira habitual ao longo da vida cristã, por isso o discipulado é ato contínuo, um processo gradual.
O NT aponta para esse fato, evidenciando em diversos textos a conversão como ponto de partida de uma jornada integrada à igreja local, na qual o crente é instruído e aperfeiçoado. Vejamos dois textos a esse respeito:
João 8.31 “31 Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos;”
Nas palavras de Jesus o verdadeiro discípulo é aquele que permanece em sua palavra. Colocando isso na linguagem da grande comissão, o discípulo é aquele que conhecendo a graça é integrado ao corpo da igreja por meio do batismo e permanece sob a instrução da comunidade, aprendendo a guardar tudo o que Jesus ordenou.
Atos dos Apóstolos 2.42 “42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
Esse talvez seja o exemplo mais claro da ideia bíblica do discípulado. Na Igreja Primitiva os conversos eram integrados à comunidade da fé, e todos cotidianamente perseveram unidos nos pontos mais básicos da vida, a saber, na doutrina dos apóstolos - que é exatamente o ensino daquilo que Jesus ordenou-, na comunhão e nas orações.
Dessa forma, como igreja, precisamos compreender que a missão que recebemos não se limita a anunciar esporadicamente o Evangelho a uma pessoa, a falar sobre o amor de Deus de maneira despretensiosa, e muito menos acompanhar essas pessoas até o momento inicial de sua caminhada com Cristo, por ocasião da conversão. O discipulado é um ato contínuo, é um processo gradual em que pessoas são conduzidas à Cristo para que permaneçam nEle em fortalecimento e crescimento. Nesse processo o batismo marca a entrada visível na comunidade, e o ensino contínuo é o meio pelo qual os discípulos são amadurecidos na fé, conformados à imagem de Cristo e capacitados para viver em obediência, estando radicados e edificados no Senhor.
2. O discipulado deve ser executado no contexto da igreja local
O evento narrado nesse texto, ao qual nos dedicamos no último mês, ocorreram em um momento muito particular da história. Após três anos de ministério público Jesus, que executou a perfeita obediência a tudo quanto lhe foi proposto pelo Pai, está prestes a ser asssunto ao céu. Ali diante dele, na Galiléia, local onde desenvolveu parte significativa de seu ministério, estão os seus discípulos, que constituem logicamente o grupo base da Igreja Primitiva. A ordem para fazer novos discípulos foi dada por Jesus em uma perspectiva coletiva e não individual. Isso direciona nossa atenção e nos conduz a uma conclusão importante: a obra missionária, o discipulado, deve ser executado no contexto da igreja local, porque o “grande objetivo da Grande Comissão é manifestar a glória de Deus em sua igreja”.
Essa igreja, que é mencionada na Escritura como o Corpo, do qual Cristo é o Cabeça, é o âmbito comunitário no qual a vida cristã é vivida. O discipulado a Cristo, portanto, deve ocorrer em e através da igreja local. Isso não quer dizer que individualmente os crentes não possam e não devam discipular outras pessoas, de fato podem e devem, mas para que uma pessoa seja de fato um discípulo de Jesus, da forma como Ele mesmo ordenou, é necessário que essa pessoa seja integrada a Ele, e portanto, à membresia em uma comunidade cristã, ou seja, uma igreja local. Isso fica mais claro quando percebemos as ações contempladas no desenvolvimento do discipulado, que são destacadas no texto: o batismo e o ensino. Consideremos brevemente essas questões:
O batismo é um ponto importante do discipulado, funcionando como o sinal visível de uma graça invisível. Em termos mais simples, o batismo como meio de graça representa a purificação realizada pelo Espírito Santo, executada no cumprimento da nova aliança. Ele é administrado àqueles que expostos à pregação do Evangelho, são levados pelo Espírito Santo à fé em Jesus. Ele é realizado no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significando que o batizado pertence àquele que carrega esse nome;
O ensino, segue o batismo e dá continuidade ao discipulado. O que se tem em vista nesse ponto? O que deve ser ensinado? Jesus explica, que integrados ao Corpo pelo batismo, os novos discípulos devem ser ensinados a guardar suas ordenanças. Aqui está em tela não apenas o ensinamento doutrinário, mas também o ensinamento moral. O ensino visa a formação completa do discípulo para que ele seja obediente em tudo o que Jesus ensinou, desde os princípios mais básicos da vida cristã, destacados e.g no Sermão do Monte, até a própria ordem de fazer discípulos.
Quem batiza pessoas? A igreja. Os batizados são incorporados à que? Ao Corpo de Cristo que é a igreja. Onde eles são ordinariamente ensinados sobre as ordenanças de Jesus? Mais uma vez a resposta é, na igreja! Quando olhamos para o início do desenvolvimento dessa missão no livro de Atos dos Apóstolos, percebemos que a história da propagação do Evangelho, a história do discipulado é a história do desenvolvimento da igreja. Onde quer que o Evangelho era anunciado as igrejas apareciam. Os novos discípulos eram congregados à igreja. O discipulado claramente pode ser iniciado e desenvolvido até certo ponto de maneira individual, mas de maneira profunda e atendendo à todas as demandas impostas pela Escritura acerca da missão outorgada por Jesus, o discipulado precisará prioritariamente ter em vista o ajuntamento de pessoas à igreja.
A vida cristã não é vivida de maneira individual. A ordem de fazer discipulos, batizar e ensinar pessoas, intenciona que todo esse processo, que toda a nossa práxis missional seja desenvolvido em um contexto de comunhão, de pastoreio, supervisão, e da administração correta das ordenanças, o que só pode ocorrer de maneira plena no contexto da igreja. As igrejas locais são o plano de evangelismo de Deus, onde a autoridade do seu Cristo é exercida, tanto para a expansão de seu Reino, quanto para a glória de seu Nome. A igreja local é onde os discípulos são formados, batizados e ensinados. É na igreja que a autoridade de Cristo e o Espírito Santo se manifestam capacitando e estimulando os crentes para que a comissão seja cumprida.
Conclusão
Como igreja devemos nos empenhar para estabelecer em nosso meio uma cultura de discipulado. Converter pessoas é uma obra exclusiva de Deus. É do interesse do Senhor que pessoas sejam salvas, e todos quantos foram por Ele destinados a vida certamente serão levados a Cristo pelo Espírito Santo e salvos por Ele. À igreja cabe obedecer a ordem do discipulado, pregando o Evangelho, acompanhando pessoas, ministrando aos convertidos os sacramentos do batismo e da ceia, perseverando com eles no ensino das ordenanças de Cristo, a fim de que todo crente seja um missionário ativo e capacitado, cooperando na missão de Deus.
Aplicação
Às vezes nos perguntamos porque a igreja não é mais bem sucedida em ganhar mais pessoas para a fé, ou porque o número de crentes confessos não está crescendo em uma cidade ou em um país onde o Evangelho já floresceu, como é o caso da nossa cidade e do nosso país. A resposta para isso pode estar na falta de vontade dos crentes, no sentido de se arrependerem verdadeiramente de seu estilo de vida não bíblico, sobretudo no que tange à desobediência e ao desinteresse em pregar o Evangelho, como testemunhas da fé verdadeira. Deus ainda age no mundo. Ele não será limitado por nossa infidelidade. Mas, quão maior seria o impacto do cristianismo bíblico e a glória ao Nome de Deus, se nós - o povo de Deus - nos mostrássemos instrumentos úteis? Portanto, já está mais do que na hora de você avaliar o seu coração e o seu comprometimento com o Deus da missão, levando o seu compromisso com o Senhor a uma nova dimensão, a dimensão de um compromisso verdadeiro, que redunda em obediência e trabalho. Saiba que evangelizar pessoas, que fazer discípulos de Cristo, é um processo gradual que exige interesse e trabalho em favor de outras pessoas - em uma demonstração de amor. Não cumpriremos essa missão falando de Cristo esporádica ou ocasionalmente. Não cumpriremos essa missão proferindo um “Jesus te ama” aleatório às pessoas com quem nos encontramos na rua. É preciso que como igreja amemos o Senhor e o amemos até o fim, levando esse amor até às últimas consequências, até o ponto em que o nosso coração se submeta em obediência ao Senhor e com alegria trabalhemos por Ele e para Ele, sobretudo atendendo ao chamado para testemunharmos o Evangelho da Salvação para a alegria dos povos e para a glória do nome do nosso Deus. O nosso campo missionário é aqui, onde estamos, nossa cidade. O tempo de trabalho é agora. Lancemos, pois, as mãos no arado, sem olhar para trás. Há milhares de pessoas ao nosso redor que precisam conhecer a Cristo. Quem irá a elas? Que em nossos corações exista a disposição de Isaías: Eis-nos aqui Senhor! Envia-nos a nós!
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