Ele não precisa, Ele nos chama: a honra de participar
Deus não depende do homem para Sua causa; escolheu envolver-nos para formar em nós um coração semelhante a Cristo. O sermão mostra (I) por que Deus nos chama a dar (beneficência que molda o caráter), (II) o perigo espiritual do devoção ao ganho, (III) o grande conflito com o eu e a prioridade do Reino, (IV) a prova da mordomia e a prestação de contas, e (V) práticas que aceleram a missão por meio de dádivas fiéis e compassivas.
Introdução — “Se Ele quisesse, usaria anjos…”
Em termos simples, a mordomia nos impele a perguntar: qual o propósito de Deus para mim, nas minhas relações interpessoais, no meu uso de recursos, em minha atitude para com o universo criado e no uso que faço dessa criação?
I. POR QUE DEUS NOS CHAMA A DAR? — Beneficência que forma (2Co 8:9; 1Cr 29:13–14; 1Pe 4:10)
Somos mordomos fiéis quando reconhecemos que nada nos pertence. Tendemos a pensar que os bens materiais nos pertencem e que podemos usá-los e empregá-los para os fins que desejamos. Contudo, já vimos que nada nos pertence de fato. Deus é dono de tudo e como tal deseja que usemos nossos bens para sua glória.
Somos mordomos fiéis quando usamos os bens materiais para a glória de Deus. O dinheiro em si não é bom nem mau; o que é bom ou mau é o uso que fazemos dele. Um bom uso do dinheiro, como mordomos fiéis, é empregá-lo no sustento da família, no alívio dos pobres e na manutenção da obra de Deus. Não significa, porém, que não podemos usar recursos para o lazer, por exemplo, mas ele deve glorificar a Deus.
Somos mordomos fiéis quando contribuímos para a obra de Deus. Como bons mordomos dos bens concedidos por Deus, devemos empregar parte deles no sustento da obra do Senhor, o que se traduz na entrega do dízimo de tudo que recebemos, além de ofertas em tempos de necessidade.
Em suma, boa parte dos problemas que enfrentamos no mundo decorre do uso errôneo que fazemos do tempo, do corpo, dos dons e dos recursos financeiros. A doutrina da mordomia cristã nos ajuda a enxergar o mundo da perspectiva bíblica: não vivemos para nós mesmos; em vez disso, somos gerentes encarregados de administrar o que recebemos com uma única finalidade, que é a glória de Deus.
Quando nos conscientizamos disso, nossa vida toma outra direção, independentemente dos eventos do dia a dia. Viver para a glória de Deus é o maior e melhor propósito de nossa existência.
PARA REFLETIR
1. Você já planejou o uso que fará de seu tempo amanhã? O que fará em cada hora de seu dia? Reservou tempo para ler a Bíblia e orar?
2. Você vê seu corpo como um templo onde Deus habita? Como isso afeta o cuidado e o uso que você dispensa a ele?
3. Ciente de que Deus pedirá contas da administração de seus recursos financeiros, você acha que tem usado seu dinheiro de modo agradável a Deus?
II. O PERIGO DO DEVOTAMENTO AO GANHO — O doador é maior que a dádiva (Mt 6:33)
Livramento no dia do mal (41:1b). O homem generoso não é poupado do dia do mal, mas livrado por Deus nesse dia. Assim como o generoso acode o pobre e necessitado, Deus acode o generoso no dia do mal. Nas palavras de Spurgeon, “o amante e compassivo dos pobres cuidou dos outros e, então, Deus cuidará dele. Deus nos mede com a nossa própria medida”.
2. Proteção divina (41:2a). Há muitos inimigos que espreitam e muitos males que encurralam o homem generoso, mas Deus o protege e não permite que seus inimigos vejam cumprido seu desejo contra ele.
3. Preservação e felicidade (41:2b). São muitos os inimigos que tentam tirar-lhe a vida e fazer amargar sua peregrinação na terra, mas o Senhor preserva-lhe a vida e o faz feliz na terra. Nas palavras de Spurgeon, “a prosperidade o atenderá. O jarro de óleo não se secará, porque ele alimentou o pobre profeta. Ele cortará o rolo de tecido e descobrirá que está mais comprido em ambas as pontas”.
4. Assistência na enfermidade (41:3a). O homem generoso também fica doente, mas o Senhor promete assisti-lo, dando-lhe alívio e conforto. Spurgeon é oportuno quando escreve: “Não há médico como o Senhor, não há tônico como a sua promessa, não há bálsamo como o seu amor”.
5. Cura da enfermidade (41:3b). Afofar a cama na enfermidade significa levantar-se do leito da enfermidade e ser curado. Nas palavras de Purkiser, “Deus transforma o leito da enfermidade em saúde e descanso restaurador”. Quando cuidamos dos outros, Deus cuida de nós, e, quando aliviamos os fardos dos outros, Deus alivia a nossa bagagem.
III. O MAIOR INIMIGO: O EU — Prioridade do Reino (Mt 6:33; 2Co 3:4–6; Tg 1:5)
Que desafio para uma era materialista como a nossa, em que nada importa exceto quanto se ganha ou se consegue acumular! Quando sua segurança financeira é ameaçada, as pessoas descobrem que não conseguem lidar com a situação. Enquanto isso, enfrentamos confiantemente a vida. Com firmeza, podemos afirmar que o Senhor está do nosso lado, que não há nada a temer; que, no final, ninguém poderá nos prejudicar. Tendo a Deus, sempre teremos o suficiente.
