Aula 10

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Introdução

Exponha a grandeza de Deus
“Deus é santo, eterno, infinito. Ele habita em luz inacessível, diante da qual até os anjos cobrem o rosto. Ele é puro, perfeito e soberano em tudo. Nenhuma criatura pode compreender toda a sua glória. Como diz Jó: ‘Eis que Deus é grande, e nós não o conhecemos’ (Jó 36.26).”
Exponha nossa miséria e arrogância
“Mas nós, homens finitos, pequenos e pecadores, ousamos levantar a voz contra esse Deus, exigindo explicações. Quantas vezes tratamos o Senhor como um garçom celeste, como se Ele devesse nos servir prontamente, trazendo bênçãos na bandeja do nosso querer? Quando não recebemos o que pedimos, reclamamos. Quando sofremos, cobramos respostas. Quando não entendemos, murmuramos, como se Deus tivesse que prestar contas a nós.”
Confronto direto
“Quantos aqui já se pegaram perguntando: ‘Senhor, por que comigo? Por que não mudaste meu filho? Por que não tiraste essa dor?’ Essas perguntas brotam de corações aflitos, sim, mas muitas vezes também revelam nosso orgulho — como se Deus estivesse obrigado a nos explicar cada passo do seu plano eterno.”
Cristo como resposta
“Mas o Senhor, em vez de nos dar todas as respostas, nos deu algo muito maior: Ele nos deu a Si mesmo em Cristo. Em Jesus, vemos a glória de Deus que não conseguimos compreender; vemos o amor de Deus que não merecíamos experimentar; vemos a resposta final de todas as perguntas que ainda não temos. A cruz nos lembra que Deus não nos deve explicações, mas Ele nos deu salvação.”

A infinitude de Deus

1. Deus é infinito em Seu ser

Texto: Jó 36.26 – “Eis que Deus é grande, e nós não o conhecemos; o número dos seus anos não se pode calcular.”
Salmo 90.2 “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.”
Apocalipse 1.8 “Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso. A visão de Jesus glorificado”
Argumento: Deus não tem limites. Ele não começou em algum ponto, nem terá fim. Ele não cabe em medidas humanas.
Ilustração: assim como um copo nunca comporta o oceano inteiro, nossa mente finita nunca abarcará o ser do Deus infinito.

2. Deus é infinito em santidade

Texto: Isaías 6.3 “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.”
Apocalipse 4.8 “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir.”
Habacuque 1.13 “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?”
Levítico 11.44 “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra.”
Êxodo 15.11 “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?”
1Samuel 2.2 “Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus.”
Argumento: Nós somos pecadores, Ele é absolutamente puro. Sua santidade é tão infinita que até os serafins cobrem o rosto diante dEle.

3. Deus é infinito em sabedoria e conhecimento

Texto: Romanos 11.33–34 “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?”
Jó 12.13 “Não! Com Deus está a sabedoria e a força; ele tem conselho e entendimento.”
Jó 28.20–24 “Donde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar do entendimento? Está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu. O abismo e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama. Deus lhe entende o caminho, e ele é quem sabe o seu lugar. Porque ele perscruta até as extremidades da terra, vê tudo o que há debaixo dos céus.”
Salmo 147.5 “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir.”
Isaías 40.28 “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.”
Argumento: O que para nós parece confuso, em Deus é perfeito. Nada escapa ao Seu controle. Ele não tem conselheiros, não depende da nossa lógica.
Aplicação: Quando não entendemos porque um filho está no vício, ou porque a dor nos acompanha, devemos lembrar: aquilo que não compreendemos está nos juízos insondáveis do Deus infinitamente sábio.

4. Deus é infinito em amor

Jeremias 31.3 “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.”
Deuteronômio 7.7–8 “Não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.”
Argumento: Mesmo infinito, Deus se revelou em Cristo. O amor dEle é tão grande que nos alcança apesar da nossa pequenez.
Aplicação: Não conseguimos medir a grandiosidade de Deus, mas podemos confiar que Seu amor não falha. Quem tem Cristo não precisa ter todas as respostas.
Como a infinitude do Pai aponta para o Filho?
1João 1.1–4 “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa.”
Vemos a infinitude do Pai na pessoa de Cristo
Hebreus 7.26 “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus,”
Vemos a mesma santidade do Pai no Filho
1Coríntios 1.24 “mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.”
Vemos no Filho a sabedoria do Pai
Romanos 5.8 “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”
Vemos o amor do Pai no próprio Filho
“Tudo o que Deus é em Sua infinitude, Ele mostrou em Cristo. A santidade que nos condenaria foi satisfeita na santidade de Cristo; a sabedoria que não compreendemos brilhou na cruz; o amor que não merecíamos se derramou no sacrifício do Filho; e o ser infinito que não podíamos alcançar, veio até nós em carne. Por isso, contemplar a infinitude de Deus deve sempre nos levar à adoração de Cristo.”

Como o impacto de estudar um Deus infinito deve nos preparar para evitarmos exageros doutrinários?

Quando olhamos para a infinitude de Deus, aprendemos duas coisas ao mesmo tempo:
Ele é inesgotável — sempre podemos crescer no conhecimento dEle.
Ele é incompreensível em plenitude — nunca vamos esgotar o conhecimento dEle nesta vida.
Essas duas verdades nos protegem dos exageros de doutrina de dois lados:

1. O perigo da soberba teológica

Quando alguém esquece que Deus é infinito, pode cair na arrogância de pensar: “Eu já conheço tudo, eu tenho a doutrina perfeita, eu não erro.”
Mas a infinitude de Deus lembra: todo o nosso conhecimento é parcial 1Coríntios 13.9 “porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.”
Aplicação: Isso nos mantém humildes. Estudamos, sim, mas nunca com espírito de superioridade.

2. O perigo da especulação sem limites

Alguns, ao verem que Deus é infinito, inventam explicações além da Escritura, tentando “completar” o que Deus não revelou.
Mas Dt 29.29 nos lembra: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus; porém as reveladas nos pertencem.”
Aplicação: O infinito de Deus nos ensina a ficar dentro da Palavra, sem criar doutrinas fantasiosas ou exageradas.

3. O equilíbrio que Cristo traz

Cristo é a revelação suficiente da infinitude de Deus (Cl 2.9).
Isso significa que não precisamos nem de orgulho (achando que sabemos tudo), nem de invenções (querendo saber o que não foi revelado).
Aplicação: Toda doutrina que nos afasta da centralidade de Cristo é um exagero. O cuidado é sempre manter Cristo como a chave de toda teologia.

A revelação finita

1. O que significa revelação finita?

Quem sabe o dia da volta de Cristo?
Quem é capaz de compreender os detalhes dos decretos eternos de Deus no decorrer da história?
Quem explica a Trindade?
Quem são os eleitos que estão no livro da vida?
Porque passamos por certos problemas? Pq alguém que amamos muitas vezes morre sem Cristo? Pq Deus escolheu a mim?
O que aconteceria se Adão não tivesse pecado ou se o diabo não tivesse se rebelado?
agora outras perguntas
Como faço pra ser salvo?
Como devo me relacionar com minha esposa, filhos, com a igreja, com meu marido?
Posso viver a vida como eu quiser se quero agradar ao Senhor? Eu sei como agradar ao Senhor?
Texto: Deuteronômio 29.29 “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.”
a quem pertence as coisas ocultas?
A quem pertencem as coisas reveladas?
Explicação:
Há verdades que Deus decidiu não nos revelar nesta vida.
Mas aquilo que Ele revelou nas Escrituras é suficiente para a fé e a obediência.
Aplicação: Nosso problema não é falta de revelação, mas falta de obediência ao que já foi revelado.

2. Deus não revelou tudo porque Ele é infinito

Texto: João 21.25 – “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas fossem relatadas uma por uma, creio eu que nem no mundo inteiro caberiam os livros que seriam escritos.”
Explicação: Nem a vida de Cristo foi registrada em sua totalidade. A revelação é intencionalmente limitada para o nosso bem.
Aplicação: Isso nos ensina humildade. Em vez de exigir todas as respostas, confiamos que o Pai revelou o que era necessário para nossa salvação.

3. O que foi revelado é suficiente

Texto: 2Timóteo 3.16-17 – “Toda a Escritura é inspirada por Deus… a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”
Explicação: A Bíblia não responde todas as nossas curiosidades, mas responde tudo o que precisamos saber para viver em santidade e conhecer a Cristo.
Aplicação: Se um irmão luta com um filho nas drogas, a Bíblia pode não explicar “o porquê”, mas mostra como perseverar em oração, amar em meio à dor e confiar em Cristo. Quando não aceitamos os limites da revelação, corremos atrás de teorias humanas, doutrinas estranhas ou promessas falsas de respostas secretas.
Aplicação: Muitos hoje caem em heresias porque querem “ir além da Bíblia”.

5. A revelação plena está em Cristo

Texto: Hebreus 1.1-2 – “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes… nestes últimos dias nos falou pelo Filho.”
Explicação: Toda a revelação da Escritura aponta para Cristo, que é a plenitude de Deus revelada aos homens.
Aplicação: Isso significa que, mesmo sem saber todas as coisas, sabemos a principal: Deus se revelou em Jesus para nos salvar.
Frase: “A revelação é finita, mas Cristo é a plenitude dessa revelação.”

A finitude humana

1. O que é a nossa finitude?

Texto: Salmo 103.15-16 – “Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece, e não conhecerá daí em diante o seu lugar.”
Explicação: Nossa vida é curta, frágil, passageira. Somos limitados em anos, forças, sabedoria e santidade.
Aplicação: Isso deveria nos lembrar que somos dependentes e não senhores da nossa própria vida.

2. A finitude nos confronta diante da santidade de Deus

Texto: Isaías 6.5 – “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros…”
Explicação: Quando Isaías viu a glória de Deus, percebeu sua pequenez e pecado. Nossa limitação moral (pecado) e existencial (fragilidade) nos impedem de permanecer diante de Deus.
Aplicação: Isso quebra o orgulho. Não estamos diante de Deus como negociadores, mas como mendigos de graça.

3. Nossa limitação em compreender os caminhos de Deus

Texto: Eclesiastes 3.11 – “Fez tudo formoso no seu tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.”
Explicação: Queremos controlar, mas não conseguimos. Nossos olhos não alcançam o todo.
Aplicação: Em vez de rebeldia, isso deve gerar confiança humilde: se não entendo, descanso em Cristo que entende.

4. A finitude nos conduz a Cristo

Texto: Mateus 11.28 – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”
Explicação: Nossa finitude nos esmaga com cansaço, fraqueza e dor. Mas é justamente aí que Cristo nos chama: não a sermos fortes em nós, mas a descansarmos nEle.
Aplicação: Estar de joelhos não é derrota, é posição de vitória: reconheço minha fraqueza e dependo do poder de Cristo.

Conclusão desse ponto

“A nossa finitude nos lembra que somos pó. Não temos forças em nós mesmos, não temos respostas em nós mesmos, não temos vida em nós mesmos. Mas quando reconhecemos isso, caímos de joelhos — e lá nos encontramos com Cristo, que é a plenitude de Deus, a sabedoria de Deus, a santidade de Deus e o amor de Deus. A nossa finitude só encontra sentido quando se curva diante da infinitude de Cristo.”

Aplicações práticas

Diante das lutas da vida (filhos afastados, vícios, enfermidades), não temos poder para mudar tudo. Mas Cristo pode.
Diante da dor sem explicação, Cristo é suficiente.
Diante do pecado, Cristo é a nossa justiça
Diante da morte Cristo é a ressurreição e a vida.
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