Entra Tu e Tua Família na Arca II

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Texto Base: Gênesis 7:1 - "Disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração."

INTRODUÇÃO

Amados irmãos, imagine por um momento a cena: um homem de 600 anos, cercado por sua família, contempla uma gigantesca embarcação que ele mesmo construiu durante décadas. Não há oceano à vista, não há tempestade no horizonte, mas há uma voz - a voz do Deus Todo-Poderoso - ecoando com autoridade absoluta: "Entra na arca, tu e toda a tua casa!"
Esta não era uma sugestão. Não era um convite casual. Era um decreto divino que separaria para sempre aqueles que obedeceriam daqueles que permaneceriam em rebeldia. Era o momento crucial entre a vida e a morte, entre a salvação e a perdição, entre a preservação e a destruição.
Mas por que Noé? Em meio a uma geração onde "toda imaginação dos pensamentos do coração do homem era só má continuamente" (Gênesis 6:5), por que este homem foi escolhido? A resposta está clara no texto: "porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração." Não era perfeição - era consistência. Não era ausência de falhas - era presença de fé.
Queridos, as palavras que Deus dirigiu a Noé naquele dia não ficaram enterradas na história antiga. Elas atravessaram milênios, cruzaram culturas e chegaram até nós hoje com a mesma urgência, com a mesma autoridade, com o mesmo poder transformador. Jesus mesmo nos alertou: "Como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem" (Mateus 24:37).
Olhemos ao nosso redor. Vivemos em uma época marcada pela mesma corrupção moral, pela mesma violência desenfreada, pelo mesmo desprezo às coisas sagradas que caracterizaram a geração de Noé. A humanidade, em sua arrogância, declara sua independência de Deus, constrói suas próprias torres de Babel e zomba daqueles que ainda creem na Palavra do Senhor.
Mas no meio desta geração perversa, Deus ainda tem Seus Noés. Homens e mulheres que, mesmo sendo imperfeitos, escolheram andar com Deus. Pessoas que, mesmo sendo incompreendidas, mantêm sua fé inabalável. Famílias que, mesmo sendo minoria, decidem servir ao Senhor.
E para cada um destes, o mesmo chamado ressoa hoje: "Entra na arca!" Não uma arca de madeira revestida de betume, mas Cristo Jesus, nossa Arca da salvação, nosso refúgio seguro, nossa única esperança de escape do juízo vindouro.
Esta mensagem não é apenas histórica - é profética. Não é apenas informativa - é transformadora. Nas próximas palavras que compartilharemos juntos, descobriremos quatro verdades fundamentais que podem mudar o destino eterno de nossa vida e de nossa família.

1. O CHAMADO À OBEDIÊNCIA RADICAL

A Singularidade de Noé em Uma Geração Corrompida

"Porque reconheço que tens sido justo diante de mim no meio desta geração" (Gênesis 7:1)
Irmãos, para compreendermos a magnitude do chamado de Deus a Noé, precisamos primeiro entender a profundidade da corrupção de sua época. A Escritura nos revela que "a terra estava corrompida diante da face de Deus e cheia de violência" (Gênesis 6:11). Não era corrupção superficial ou violência esporádica - era um estado generalizado de rebeldia contra o Criador.
Imagine viver em uma sociedade onde a maldade não era exceção, mas regra. Onde a violência não era acidente, mas estilo de vida. Onde a justiça não era valorizada, mas desprezada. Onde mencionar o nome de Deus não gerava respeito, mas escárnio. Era neste ambiente hostil que Noé mantinha sua integridade.
A palavra "justo" aqui não significa impecável. Significa alguém que estava em relacionamento correto com Deus, alguém cuja vida estava alinhada com a vontade divina. Era um homem que "andava com Deus" (Gênesis 6:9), expressão que indica intimidade, comunhão constante e obediência consistente.

A Natureza Radical da Obediência

Quando Deus ordenou a Noé que construísse a arca, não estava pedindo um pequeno favor. Estava exigindo uma transformação completa de vida. Pense nas implicações práticas: abandonar suas atividades normais, investir décadas em um projeto aparentemente absurdo, enfrentar a zombaria constante de seus contemporâneos e manter a fé quando não havia sinais visíveis da necessidade daquela embarcação gigantesca.
A obediência de Noé era radical porque ia contra toda lógica humana. Construir um navio onde não havia mar. Pregar sobre um dilúvio quando talvez nunca tivesse chovido intensamente. Falar de juízo divino quando tudo parecia continuar normalmente. Como Pedro mais tarde escreveria, havia escarnecedores dizendo: "Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação" (2 Pedro 3:4).

O Testemunho Silencioso da Fé

Hebreus 11:7 nos diz que "pela fé, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam, sendo temente a Deus, preparou uma arca para a salvação de sua casa, pela qual condenou o mundo e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé."
Observe esta frase poderosa: "pela qual condenou o mundo." Noé não precisou pregar sermões inflamados ou fazer campanhas evangelísticas grandiosas. Sua obediência radical foi um testemunho silencioso mas poderoso que expôs a incredulidade de seus contemporâneos. Cada martelo batido, cada tábua colocada, cada dia de trabalho na arca era uma declaração profética do juízo vindouro.

Aplicação para Nossa Geração

Amados, vivemos em uma geração que, em muitos aspectos, espelha os dias de Noé. A corrupção moral é celebrada como liberdade. A violência é entretenimento. A justiça é relativizada. O temor a Deus é considerado fanatismo. Neste contexto, Deus procura Seus Noés modernos - pessoas dispostas à obediência radical.
O que significa obediência radical hoje? Significa viver de acordo com os princípios bíblicos mesmo quando isso nos torna diferentes. Significa manter nossa integridade mesmo quando isso nos custa oportunidades. Significa permanecer fiéis à Palavra de Deus mesmo quando somos chamados de antiquados ou intolerantes.
Como Noé, nossa obediência pode parecer absurda aos olhos do mundo. Dedicar tempo à oração quando poderíamos estar "fazendo networking". Dar nossos dízimos quando poderíamos estar investindo. Perdoar ofensas quando poderíamos estar nos vingando. Falar de Jesus quando poderíamos estar falando de qualquer outra coisa.
Mas lembrem-se, irmãos: não somos chamados para ser populares - somos chamados para ser fiéis. Não somos chamados para agradar o mundo - somos chamados para agradar a Deus. E quando o dilúvio do juízo final vier, apenas aqueles que estiveram na Arca da obediência radical serão preservados.
A pergunta que cada um de nós precisa responder hoje é: "Estou disposto a ser radicalmente obediente a Deus, mesmo que isso me torne singular em minha geração?"

2. A RESPONSABILIDADE PELA FAMÍLIA

O Princípio da Liderança Espiritual Familiar

"Entra na arca, tu e toda a tua casa" (Gênesis 7:1)
Irmãos, uma das verdades mais profundas reveladas no chamado divino a Noé é que Deus não pensa apenas em indivíduos isolados - Ele pensa em famílias inteiras. Quando o Senhor disse "tu e toda a tua casa", estava estabelecendo um princípio fundamental: a salvação tem dimensões familiares e o líder da casa tem responsabilidades espirituais específicas sobre aqueles que estão sob seu cuidado.
Noé não era apenas um homem justo - era o sacerdote de seu lar. Não era apenas um construtor de arca - era um intercessor familiar. Sua obediência a Deus criou uma cobertura espiritual que se estendeu sobre sua esposa, seus três filhos (Sem, Cam e Jafé) e suas três noras. Oito pessoas foram salvas porque uma pessoa assumiu sua responsabilidade espiritual familiar.

O Modelo Bíblico da Autoridade Familiar

A Escritura nos mostra consistentemente que Deus trabalha através da estrutura familiar. Quando chamou Abraão, disse: "Sai-te da tua terra... e abençoarei os que te abençoarem" (Gênesis 12:1-3). A promessa não era apenas para Abraão, mas para sua descendência. Quando libertou Israel do Egito, a Páscoa foi celebrada por famílias inteiras, com o pai da casa aspergindo o sangue nos umbrais das portas.
No Novo Testamento, este padrão continua. Quando o carcereiro de Filipos perguntou a Paulo e Silas: "Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?", a resposta foi: "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" (Atos 16:30-31). Paulo não estava pregando salvação automática para a família, mas estava reconhecendo que a fé genuína do chefe da família tem poder para influenciar e impactar toda a casa.

A Preservação das Gerações

Dentro da arca, três gerações foram preservadas: Noé (a geração da experiência), seus filhos (a geração da transição) e suas noras (a geração do futuro). Esta composição não era acidental - era profética. Deus estava preservando não apenas pessoas, mas gerações. Estava garantindo que a história humana continuasse, que o conhecimento do Senhor fosse transmitido e que Sua promessa messiânica se cumprisse.
Noé havia investido em seus filhos não apenas como pai biológico, mas como pai espiritual. Ele havia ensinado a eles sobre o caráter de Deus, sobre a seriedade do pecado e sobre a necessidade da obediência. Quando chegou o momento da crise, eles confiaram no discernimento espiritual do pai e entraram na arca.

A Influência do Exemplo Paterno

É importante notar que a Bíblia não registra Deus falando diretamente com os filhos de Noé sobre a arca. O Senhor falou com o pai, e os filhos seguiram o pai. Isso nos ensina sobre o poder do exemplo e da liderança espiritual familiar. Os filhos de Noé podem ter tido suas dúvidas privadas - afinal, eles também viviam em uma cultura que zombava do projeto de seu pai - mas escolheram confiar na integridade e no discernimento espiritual daquele que os havia criado e liderado.
Imagine as conversas familiares na casa de Noé. Imagine os filhos chegando em casa após serem ridicularizados pelos amigos por causa do "projeto maluco do papai". Imagine as noras enfrentando a pressão social por estarem casadas com os "filhos do fanático que está construindo um barco no quintal". Mas a firmeza da convicção de Noé, demonstrada através de décadas de obediência consistente, criou uma confiança familiar que os sustentou até o dia em que a chuva começou a cair.

A Intercessão Familiar de Noé

Embora a Bíblia não registre explicitamente as orações de Noé por sua família, podemos inferir que ele intercedia constantemente por eles.
Um homem que "andava com Deus" certamente passava tempo em oração, e é impossível imaginar que ele não incluísse sua família nessas intercessões.
A salvação dos oito membros da família de Noé não aconteceu por acidente. Foi resultado de anos de investimento espiritual, de ensino consistente, de exemplo íntegro e de intercessão fervorosa.
Noé entendeu que sua responsabilidade não era apenas construir uma arca física, mas também construir uma arca espiritual ao redor de sua família.

Aplicação para os Pais de Hoje

Pais e mães que me ouvem hoje: vocês são os Noés de suas famílias. Deus os estabeleceu como líderes espirituais de seus lares, e esta é uma responsabilidade sagrada que não pode ser terceirizada para a igreja, para a escola ou para outras instituições. Vocês são os principais responsáveis pela formação espiritual de seus filhos.
Como Noé, vocês precisam "andar com Deus" para poder liderar seus filhos neste caminho. Não podem dar aquilo que não possuem. Não podem ensinar aquilo que não praticam. Não podem modelar uma fé que não vivem. A integridade de sua vida espiritual privada determinará a autoridade de sua liderança espiritual familiar.
Isso significa tempo devocional consistente, não apenas nos domingos, mas diariamente. Significa oração familiar, onde vocês ensinam seus filhos a falar com Deus e os incluem em suas intercessões. Significa estudo bíblico familiar, onde a Palavra de Deus é honrada, ensinada e aplicada. Significa disciplina amorosa, onde os princípios bíblicos são aplicados na correção e formação do caráter.

A Esperança da Salvação Familiar

Mas alguns de vocês podem estar pensando: "Pastor, meus filhos já são adultos e se afastaram da fé. Já é tarde demais?" Lembrem-se de que Deus honra a fidelidade. Continue intercedendo, continue amando, continue sendo exemplo. As sementes que vocês plantaram na infância e juventude deles podem parecer mortas, mas Deus pode fazê-las germinar mesmo décadas depois.
Outros podem pensar: "Meus filhos ainda são pequenos, mas o mundo está tão corrompido. Como posso protegê-los?" Façam como Noé: construam uma arca espiritual ao redor deles através do ensino consistente, do exemplo íntegro, do amor incondicional e da intercessão fervorosa. Deus é fiel para preservar aqueles que estão sob Sua cobertura.
A promessa divina ainda vale hoje: quando vocês se posicionam em obediência radical a Deus, quando assumem sua responsabilidade de liderança espiritual familiar, quando intercedem consistentemente por sua casa, Deus pode dizer também sobre sua família: "Entra na arca, tu e toda a tua casa!"

3. A URGÊNCIA DO TEMPO DE GRAÇA

O Decreto Divino do Prazo Final

"Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites" (Gênesis 7:4)
Amados irmãos, uma das características mais impressionantes do caráter de Deus revelada na narrativa de Noé é a precisão com que Ele comunica Seus prazos. Deus não disse "em breve" ou "quando Eu achar conveniente". Ele disse "passados ainda sete dias". Esta especificidade revela algo profundo sobre a natureza divina: Deus é soberano sobre o tempo, e Sua paciência, embora longânima, não é infinita.
Estes sete dias representavam a última oportunidade de arrependimento para a humanidade antediluviana. Era o tempo final de graça antes do juízo inevitável. Durante este período, a porta da arca permaneceu aberta, mas não permaneceria para sempre. Havia um momento determinado quando seria tarde demais, quando a misericórdia daria lugar à justiça, quando a oportunidade se tornaria impossibilidade.

A Longanimidade Divina Antes do Juízo

Mas estes sete dias não representavam toda a paciência de Deus com aquela geração. A Escritura nos revela que Noé foi "pregador da justiça" (2 Pedro 2:5) durante todo o tempo da construção da arca. Considerando que Noé tinha 500 anos quando seus filhos nasceram (Gênesis 5:32) e 600 anos quando o dilúvio veio (Gênesis 7:6), e que seus filhos já eram casados, podemos inferir que ele pregou por décadas, possivelmente por mais de cem anos.
Imagine: mais de um século de pregação, mais de um século de testemunho através da construção da arca, mais de um século de oportunidades para arrependimento. Como Pedro escreveu: "A longanimidade de nosso Senhor reputai como salvação" (2Pedro 3:15). Deus não deseja que ninguém pereça, mas que todos venham ao arrependimento (2Pedro 3:9).

A Realidade do Juízo Inevitável

Contudo, a paciência de Deus, por mais extensa que seja, tem um limite determinado. Chegou o momento quando Ele disse: "Basta!" Os sete dias passaram, a chuva começou a cair e "o Senhor o fechou por fora" (Gênesis 7:16). Esta frase é uma das mais solenes de toda a Escritura. Quando Deus fechou a porta, Ele mesmo selou o destino daqueles que escolheram permanecer fora da arca.
Podemos imaginar o desespero daqueles que, talvez pela primeira vez, perceberam que Noé estava certo. Quando as primeiras gotas começaram a cair, quando as "fontes do grande abismo" se romperam (Gênesis 7:11), quando perceberam que aquilo que haviam zombado por décadas estava realmente acontecendo. Mas era tarde demais. A porta estava fechada, não pela crueldade humana, mas pela justiça divina.

O Paralelo com Nossos Dias

Jesus estabeleceu um paralelo direto entre os dias de Noé e os últimos dias: "Como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem" (Mateus 24:37-39).
A característica marcante da geração de Noé não era apenas sua maldade, mas sua normalidade aparente. Eles continuavam com suas atividades rotineiras - comendo, bebendo, casando - como se nada fosse acontecer. Havia uma sensação de que a vida continuaria para sempre como sempre havia sido. Esta normalidade aparente criava uma falsa segurança que impedia o arrependimento.

A Ilusão da Permanência

Paulo advertiu que nos últimos dias as pessoas diriam: "Paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição" (1 Tessalonicenses 5:3). Esta é a ilusão da permanência - a crença de que as coisas sempre continuarão como estão. Como Pedro profetizou, haveria escarnecedores nos últimos dias dizendo: "Onde está a promessa da sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação" (2 Pedro 3:4).
Esta ilusão é perigosa porque gera complacência espiritual. Quando as pessoas acreditam que têm tempo infinito, tendem a adiar decisões espirituais importantes. "Amanhã eu me acerto com Deus." "Na próxima oportunidade eu aceito Jesus." "Quando eu estiver mais velho, aí sim vou pensar na eternidade." Mas a Escritura nos adverte: "Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que produzirá o dia" (Provérbios 27:1).

A Urgência do "Hoje"

Por isso, a Escritura enfatiza consistentemente a urgência do presente momento. "Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação" (2 Coríntios 6:2). "Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações" (Hebreus 3:7). "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto" (Isaías 55:6).
A palavra "hoje" aparece repetidamente nas Escrituras porque Deus sabe que a procrastinação espiritual é uma das estratégias mais eficazes de Satanás. O diabo não precisa fazer as pessoas se tornarem ateus militantes - basta fazê-las adiarem suas decisões espirituais. "Amanhã" é uma das palavras mais perigosas no vocabulário espiritual.

A Responsabilidade dos Que Conhecem a Verdade

Para aqueles de nós que já estamos na "arca" - que já conhecemos Jesus como Salvador - a urgência do tempo nos convoca para a evangelização. Como Noé, somos pregadores da justiça em nossa geração. Como ele, podemos parecer alarmistas ou fanáticos para aqueles que vivem na ilusão da permanência. Mas nossa responsabilidade é clara: precisamos avisar outros sobre o juízo vindouro e convidá-los para a arca da salvação.
Paulo expressou esta urgência quando disse: "Ai de mim se não anunciar o evangelho!" (1 Coríntios 9:16). Ele entendia que tinha uma responsabilidade solene diante de Deus e diante dos perdidos. Como ele disse aos presbíteros de Éfeso: "Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus" (Atos 20:26-27).

O Tempo de Graça Atual

Irmãos, ainda estamos no tempo de graça. A porta da salvação ainda está aberta. O convite ainda está sendo feito: "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10:13). Mas este tempo não durará para sempre. Jesus voltará, e quando Ele voltar, será tarde demais para aqueles que não estiverem preparados.
Para você que ainda não entregou sua vida a Jesus, lembre-se dos sete dias de Noé. Deus está sendo paciente, mas Sua paciência não é eterna. Hoje você ainda pode escolher entrar na arca. Hoje você ainda pode aceitar Jesus como seu Salvador. Mas não sabemos se teremos amanhã.
Para nós que já conhecemos a Jesus, lembremo-nos de nossa responsabilidade. Há pessoas ao nosso redor que ainda estão fora da arca, vivendo na ilusão da permanência, acreditando que têm todo o tempo do mundo. Nossa missão é alertá-las, convidá-las, interceder por elas enquanto ainda há tempo.
O relógio profético continua avançando. A volta de Jesus está mais próxima hoje do que ontem. A urgência do tempo deve nos motivar tanto à santificação pessoal quanto à evangelização fervorosa. Como Jesus disse: "É necessário que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar" (João 9:4).

4. A PROMESSA DE PRESERVAÇÃO DIVINA

O Selo da Proteção Soberana

"E os que entraram, macho e fêmea de toda carne entraram, como Deus ordenara a Noé; e o Senhor o fechou por fora" (Gênesis 7:16)
Irmãos, chegamos ao momento mais sublime e reconfortante de toda a narrativa do dilúvio: o momento em que o próprio Deus fecha a porta da arca. Esta não foi uma ação humana - não foi Noé que fechou a porta por dentro, preocupado com sua segurança. Foi Deus quem a fechou por fora, estabelecendo um selo divino de proteção que nenhuma força na terra ou no inferno poderia romper.
Quando a Escritura diz "o Senhor o fechou por fora", está revelando uma verdade profunda sobre a natureza da salvação: ela não depende de nossa capacidade de nos mantermos seguros, mas da fidelidade de Deus em nos preservar. A porta da arca não tinha fechadura do lado de dentro porque a segurança daqueles que estavam dentro não dependia de seus próprios esforços, mas da proteção soberana do Criador.

A Arca Como Projeto Divino

É importante lembrar que a arca não foi uma invenção humana - foi um projeto divino executado com especificações celestiais. Deus disse a Noé exatamente como construí-la: as dimensões, os materiais, a estrutura interna.
"Farás a arca de madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume" (Gênesis 6:14).
Cada detalhe foi planejado pelo Arquiteto Supremo para garantir não apenas a flutuabilidade da embarcação, mas a preservação de seus ocupantes. O betume por dentro e por fora criava uma dupla proteção contra a água. Os compartimentos garantiam a organização e segurança dos animais. A janela permitia ventilação e luz. A porta lateral facilitava o acesso. Nada foi deixado ao acaso.
Esta precisão divina nos ensina que nossa salvação também não é improvisada. Ela foi planejada "antes da fundação do mundo" (Efésios 1:4). Jesus não foi um plano B quando o plano A falhou. Ele foi "o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (Apocalipse 13:8).
Nossa redenção foi arquitetada pela sabedoria infinita de Deus com cada detalhe pensado para nossa preservação eterna.

A Proteção Durante a Tempestade

Por quarenta dias e quarenta noites, enquanto a tempestade mais violenta da história humana assolava a terra, a família de Noé permaneceu segura dentro da arca. As águas que trouxeram morte para o mundo trouxeram vida para eles - a arca flutuava sobre as mesmas águas que destruíam tudo ao seu redor.
Imagine as ondas gigantescas, os ventos furiosos, a escuridão total que deve ter prevalecido durante aqueles dias terríveis. Dentro da arca, eles ouviam o rugir das águas, sentiam o balanço constante da embarcação, mas estavam protegidos. Não pela força da madeira - por mais resistente que fosse - mas pela promessa dAquele que havia fechado a porta.
Esta imagem é profundamente profética. As tempestades da vida - doenças, perdas, perseguições, tribulações - podem rugir ao nosso redor, mas aqueles que estão "em Cristo" permanecem seguros. Como Paulo declarou:
"Estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Romanos 8:38-39).

A Fidelidade de Deus em Lembrar

Após meses sobre as águas, quando talvez a família de Noé começasse a se perguntar se algum dia voltariam a pisar em terra firme, a Escritura registra uma das frases mais belas da Bíblia: "E lembrou-se Deus de Noé, e de todo o gado, e de todas as alimárias que estavam com ele na arca" (Gênesis 8:1).
Deus não havia se esquecido - Ele nunca se esquece de Seus filhos. O "lembrar-se" aqui não significa que Deus tinha perdido a memória e de repente se recordou de Noé. Significa que chegou o tempo determinado para Deus agir em favor de Seus servos. Era o momento de fazer cessar as águas, de fazer soprar o vento, de preparar a terra para uma nova habitação.
Esta é uma promessa preciosa para todos nós que às vezes nos sentimos esquecidos por Deus. Quando passamos por longos períodos de dificuldade, quando parece que nossas orações não são ouvidas, quando sentimos que estamos flutuando sem direção, lembre-se: Deus não esqueceu de você. Como Ele disse através do profeta:
"Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti" (Isaías 49:15).

A Segurança Eterna em Cristo

O Novo Testamento utiliza a imagem da preservação divina para falar sobre nossa segurança eterna em Cristo. Jesus declarou:
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai" (João 10:27-29).
Esta é uma dupla segurança: estamos nas mãos de Jesus e nas mãos do Pai. Como a arca tinha betume por dentro e por fora, nossa salvação tem uma dupla proteção divina. Não podemos nos salvar por nossos méritos, mas também não podemos nos perder por nossos deméritos. Nossa segurança está fundamentada na obra acabada de Cristo e na fidelidade imutável de Deus.
Paulo expressou esta confiança quando escreveu:
"Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia" (2 Timóteo 1:12).
Ele não disse "eu espero que Deus me guarde" - ele disse "estou certo de que é poderoso para guardar".
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