Ressuscitando a Compaixão

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Neste sermão, exploramos João 11 a partir da ressurreição de Lázaro, destacando que o milagre não é apenas um ato de amizade ou poder, mas uma revelação cristológica: Jesus se apresenta como a própria ressurreição e a vida. A narrativa é iluminada por uma ilustração contemporânea — a sobrevivência de William Rodríguez nos atentados de 11 de setembro —, permitindo uma reflexão pastoral sobre o “tempo de Deus”, a compaixão de Cristo que chora conosco e o chamado pessoal que vence a morte. O sermão articula exegese bíblica, aplicação prática e teologia pastoral, reafirmando a esperança escatológica em Cristo, que tem as chaves da morte e do Hades (Ap 1.18).

Notes
Transcript

Estrutura do Sermão

Introdução
História fictícia de um médico sendo indiferente
Desenvolvimento
1) Jesus vê o nosso sofrimento (v.13)
2) Jesus toca o impossível (v.14)
3) Jesus restitui alegria (v.15)
Conclusão
Chamado para permitir que Jesus ressuscite a nossa esperança

INTRODUÇÃO

Havia um médico renomado, bem-sucedido e respeitado na cidade.
Tinha dinheiro, status e uma carreira invejável.
Mas já fazia tempo que seu coração não se movia mais pela compaixão.
A ambição havia tomado o lugar do amor ao próximo.
Sua rotina era sempre a mesma: corrida matinal na orla da praia, depois trabalho em um dos maiores hospitais da cidade.
Mas, naquela manhã, algo diferente aconteceu.
Logo à frente, uma aglomeração de pessoas interrompia seu trajeto.
Ele diminuiu a velocidade da corrida, tirou o fone para entender o que estava acontecendo
Ao se aproximar, alguém, em desespero, olhou diretamente para ele e gritou: “Um médico, por favor! Esse garoto acabou de ser atropelado!”
Mas pensou consigo mesmo: “Isso vai atrapalhar minha rotina… além disso, não vou trabalhar de graça. Daqui a pouco os paramédicos chegam.”
Colocou o fone novamente, e voltou sua corrida normalmente, como se nada estivesse acontecendo
Afinal:
Se tem quem faz por que eu vou fazer?
Se tem quem contribui por que eu vou contribuir?
Se tem quem ajuda por que eu vou ajudar?
Terminada a corrida, entrou em seu luxuoso carro e foi direto ao hospital.
Ao entrar na recepção, encontrou sua esposa chorando copiosamente.
Ao vê-lo, ela correu ao seu encontro e, soluçando, disse: “Nosso filho… ele foi atropelado… na orla da praia!”
O coração do médico gelou. Seu estômago se revirou, como se tivesse levado um soco.
A esposa continuou:
“Como vocês não têm muito tempo juntos, ele quis te fazer uma surpresa, correr com você pela orla da praia, mas antes mesmo de te encontrar, um motorista bêbado o atropelou”
“Graças a Deus, uma pessoa que passava parou, mesmo sem muito conhecimento, deu os primeiros socorros, e chamou o serviço de emergência, e ainda o acompanhou até aqui. Foi isso que salvou a vida dele!”
Com lágrimas nos olhos, o médico foi ao encontro daquele desconhecido para agradecer.
Mas, ao chegar perto, ficou paralisado!
Era a mesma pessoa que, algum tempo atrás, estava na orla da praia, olhando diretamente para ele e gritando por socorro.
[TRANSIÇÃO]
Meus irmãos, essa história fictícia nos mostra como a indiferença pode custar caro.
Aquele médico tinha conhecimento, tinha recursos, tinha poder de agir — mas deixou de se importar.
E se não fosse a compaixão de alguém, a vida daquele garoto teria se perdido
Mas qual a diferença entre aquele que faz e o que não faz?
Rotina, trabalho, falta de tempo, problemas, situações difíceis, todos nós temos
A diferença não está nas coisas externas, mas nas internas
A diferença está naquilo que move o seu coração.
Aquele que faz tem o seu coração movido pela compaixão, amor ao próximo, assim como Jesus nos ensina!
Agora olhemos para a Bíblia.
Em Lucas 7, que iremos ler mais adiante, encontramos uma situação parecida.
Jesus está fazendo sua caminhada, e também se depara com uma aglomeração, uma multidão
Mas diferente do médico da nossa história, Jesus não passou indiferente.
Ele viu algo que o fez parar e agir diante dessa situação
O que o médico da nossa história se negou a fazer, Jesus fez, mesmo sem que ninguém pedisse.
Onde muitos estão indiferentes, fingindo não enxergar, Jesus vê.
Onde muitos se afastam, Jesus se aproxima.
Onde muitos não querem tocar, Ele toca e traz vida!
“Enquanto o mundo segue em frente indiferente, Jesus para, olha e se enche de compaixão.”

TEXTO BASE

Lucas 7.11–17 NVI
11 Logo depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim, e com ele iam os seus discípulos e uma grande multidão. 12 Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e uma grande multidão da cidade estava com ela. 13 Ao vê-la, o Senhor se compadeceu dela e disse: “Não chore”. 14 Depois, aproximou-se e tocou no caixão, e os que o carregavam pararam. Jesus disse: “Jovem, eu lhe digo, levante-se!” 15 O jovem sentou-se e começou a conversar, e Jesus o entregou à sua mãe. 16 Todos ficaram cheios de temor e louvavam a Deus. “Um grande profeta se levantou entre nós”, diziam eles. “Deus interveio em favor do seu povo.” 17 Essas notícias sobre Jesus espalharam-se por toda a Judéia e regiões circunvizinhas.

DESENVOLVIMENTO

1) Jesus vê o nosso sofrimento (v.13)

Naim é um pequena cidade que fica a 50 km de Cafarnaum (1 dia e meio de caminhada), de onde Jesus estava vindo
Mas é no portão daquela desconhecida cidade, que duas curiosas multidões se encontram
Saindo da cidade, a multidão que acompanha a viúva, o cortejo fúnebre
Entrando na cidade, a multidão que acompanha Jesus, o cortejo do Noivo
De um lado, a multidão da morte/tristeza/dor
Do outro, a multidão da vida/alegria/cura
Essas duas distintas multidões se encontram, e em comum é que ali havia dois filhos unigênitos
O filho unigênito da viúva, já sem vida
E Jesus, o filho unigênito de Deus, o autor da vida
E, de repente, as duas multidões param.
A multidão do luto e a da vida se encaram.
O silêncio toma conta do lugar
O céu parece prender o fôlego para ver o que o Filho de Deus fará…
Para muitos religiosos que estavam ali, aquela mulher poderia estar sendo alvo do juízo de Deus: “Com certeza uma pecadora, ela merece passar por isso!”
Para muitos legalistas esses 3 elementos de aflição apontavam para um juízo divino:
Uma pessoa morrer na sua juventude
A morte do filho único
A morte do marido, a deixando viúva
Mas onde muitos enxergam condenação, Jesus enxerga compaixão, misericórdia
Naquele cortejo de morte, não há registro de que alguém tenha clamado por Jesus
Ninguém pediu ajuda. Mas o texto diz: “Quando o Senhor a viu, compadeceu-se dela.”
Esse é o coração do nosso Salvador: Ele vê aquilo que os outros não enxergam.
Enquanto muitos passariam por aquela cena com indiferença, Jesus enxergou a dor profunda daquela mulher.
A viúva, mesmo calada, gritava por socorro em sua alma despedaçada, e diante dela estava alguém que podia fazer algo
Aquele cortejo não era apenas do seu filho, mas um pouco seu também, uma viúva, naquela cultura/tempo, agora sem filho, estava totalmente desamparada
Ela não tinha protetor, provedor ou herdeiro
Você já passou por situações tão dolorosas que não tinha forças nem para clamar por socorro? Por ajuda? Nem mesmo para fazer uma oração?
Jesus ouviu o clamor da alma daquela mulher, e também pode ouvir o seu clamor, mesmo que seja silencioso
Ele ouviu o clamor e foi ao seu encontro
O olhar de Jesus atravessa a multidão e encontra o coração ferido que precisa de consolo.
APLICAÇÕES PRÁTICAS
Jesus não fez esse milagre apenas para mostrar que Ele é misericordioso.
Ele fez também para nos ressuscitar a nossa compaixão, que muitas vezes está sufocada pelas preocupações desse mundo
Quando você, no seu trabalho, vê aquele colega mal-humorado, evitado pelas pessoas, e, em vez de criticar, você tenta entender o que o faz sofrer, pergunta como ele está e dá uma palavra de encorajamento — você está sendo um pouco de Cristo.
Quando você enxerga aquele aluno problemático, que ninguém quer por perto, e decide compreender sua realidade, seu lar muitas vezes desestruturado — você está sendo um pouco de Cristo.
Quando você escolhe parar diante da dor de alguém, em vez de simplesmente seguir em frente com indiferença, você está sendo um pouco de Cristo
Pergunta para reflexão:
Qual multidão você segue? A da morte, que passa indiferente, ou a da vida, que se move em compaixão?
Convite à prática:
Por onde você passar, leve palavras de bênção, de alegria e de cura! Seja a compaixão de Cristo para alguém...

2) Jesus toca o impossível (v.14)

Naquela época, ninguém se atreveria a tocar um caixão.
A Lei considerava impuro quem encostasse em algo ligado à morte
Números 19.11 “11 “Quem tocar num cadáver humano ficará impuro durante sete dias.”
Era uma barreira religiosa, social e cultural
Mas Jesus rompeu essa barreira: Ele se aproximou e tocou o caixão
Naquele instante, tudo parou
O cortejo que caminhava rumo ao sepulcro foi obrigado a parar diante do toque do Mestre
Jesus não tinha medo da morte — antes, a morte é que deveria temê-Lo.
A morte era uma inimiga que em breve seria vencida por Ele na cruz
Onde qualquer pessoa recuaria, Jesus avançou.
Onde todos viam apenas impureza, Jesus trouxe pureza.
Onde parecia o fim, Ele revelou um novo começo.
Esse gesto mostra que Jesus não só vê nossa dor (v.13):
Mas também toca o que ninguém mais se atreve a tocar
Ele se aproxima daqueles que ninguém quer se aproximar
Ele enxerga os invisíveis
Ele cura as feridas que ninguém consegue curar
Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1:29)
Qual área da sua vida precisa ser tocada por Jesus?
APLICAÇÕES PRÁTICAS
Talvez você também tenha áreas na sua vida que parecem ser “intocáveis”:
feridas tão profundas
pecados tão enraizados
culpas que você guarda no silêncio
Mas Jesus pode tocar justamente aí — no lugar onde ninguém mais consegue chegar
Muitas vezes, nós mesmos temos medo de nos envolver na dor dos outros, porque parece pesado demais
Mas seguir a Cristo é se aproximar, é tocar, é ajudar.
Quando você visita um enfermo que todos já abandonaram
Quando se dispõe a ouvir alguém que todos já desistiram
Você está tocando o impossível junto com Jesus.
Onde o mundo vê impureza e recua, o cristão deve ver oportunidade de levar a graça de Deus e avançar sobre os portões do inferno!

3) Jesus restitui alegria (v.15)

Jesus ao olhar para a viúva e se compadecer disse algo inesperado para o momento: “Não chore!”
Como não chorar diante de tão grande tragédia
Mas fico a imaginar a troca de olhares, entre a viúva e Jesus
Jesus com o olhos cheio de compaixão, diz: “Não, chores!”
A viúva ao levantar a cabeça e olhar para Jesus, é como se uma pequena chama de esperança acendesse em seu coração
Ela creu que Jesus podia fazer algo
Depois da troca silenciosa de olhares, um toque inesperado, e o silêncio foi quebrado com a voz poderosa de Jesus: “Jovem, eu te digo, levanta-te!”
E a Palavra de Cristo fez o impossível
O morto se levantou e começou a falar!
E o texto diz: “E Jesus o restituiu à sua mãe.”
Imagine que cena linda: uma mãe, que minutos antes estava despedaçada pela dor, agora recebe nos braços novamente o seu filho, cheio de vida!
A tristeza havia se transformado em alegria, o luto em celebração, o pranto em cântico de louvor
Esse é sempre o resultado da compaixão de Jesus:
Ele não apenas interrompe a morte, Ele restaura o que foi perdido
Ele não apenas consola, Ele devolve alegria.
Agora, as duas multidões, antes separadas pela morte, estavam unidas pela vida => Um só povo, um só Espírito, um só Deus
Onde Jesus chega, a alegria invade o ambiente, e que era divisão, agora é comunhão, unidos em um só Espírito
APLICAÇÕES PRÁTICAS
O mesmo Cristo que restituiu o filho àquela mãe pode também restituir a alegria dentro da sua casa!
Ele pode transformar lares quebrados, relacionamentos partidos, corações sem esperança.
Muitas vezes o mundo tira, o pecado rouba, a morte leva — mas Jesus é especialista em restituir
Ele devolve vida, devolve dignidade, devolve esperança.
Em Jesus a nossa família é restaurada!
O filho, morto em seus pecados, na droga, no vício, agora, em Cristo, é reconduzido a vida e restaurado ao seio familiar
Quando você escolhe viver em compaixão, você também se torna um instrumento de restituição:
Um abraço pode devolver alegria a quem se sente sozinho
Uma palavra pode ressuscitar a esperança de quem já desistiu
Uma visita pode restaurar a fé de quem pensa que Deus o esqueceu

CONCLUSÃO

Naquela pequena cidade chamada Naim, Jesus mostrou que a compaixão não é apenas um sentimento, mas uma ação que transforma realidades.
Ele viu a dor daquela viúva, tocou o impossível que ninguém ousaria tocar, e restituiu a alegria que parecia perdida para sempre.
As duas multidões — a da morte e a da vida — se encontraram diante do portão da cidade
E a pergunta que fica para nós é: qual multidão nós seguimos?
A multidão da indiferença, da frieza, do olhar que não enxerga, do coração que não se move?
Da multidão que diz: “Se tem que faça, por que eu vou fazer?”
Ou a multidão de Jesus, que vê, toca e restaura?
Da multidão que faz, mesmo sem precisar pedir!
Assim como aquela viúva, talvez você tenha chegado aqui hoje:
Com dores que ninguém vê
Com lágrimas que ninguém consegue enxugar
Com feridas que ninguém consegue curar
A boa notícia é que Jesus continua o mesmo
Ele ainda vê, ainda toca, ainda restitui.
E Ele faz isso porque a Sua maior obra de compaixão aconteceu na cruz
Ele, o Filho unigênito de Deus, se aproximou de nós, tocou em nossa impureza, carregou a nossa morte para nos dar vida eterna
Na cruz, Ele trocou de lugar conosco:
Ele assumiu a nossa condenação para nos dar Salvação
Simbolicamente é a mesma coisa que Ele fez em Naim: trocou de lugar com aquele jovem morto!
Ele morreu, para eu e você pudéssemos ter Vida Eterna!
Venceu a morte de uma vez por todas para nos dar vida!
Apelo final: Que a nossa compaixão seja ressuscitada essa noite!
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