Felicidade segundo Jesus - Part. 2

Sermão da Montanha  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Mateus 5.7–12 “Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. “Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.”
Introdução:
Fala, galera! Tudo bem com vocês? Na última vez que a gente se encontrou, a gente começou a mergulhar no manual de felicidade mais radical e contra-cultural que já existiu: o Sermão do Monte.
A gente descobriu que, para Jesus, felicidade não é sobre status, sucesso ou sorriso permanente. É sobre coisas que o mundo nunca entenderia: reconhecer que somos pobres em espírito (que não damos conta sozinhos), chorar pelo que entristece a Deus, viver com a mansidão de quem confia no controle dEle e ter fome e sede de uma justiça que só vem dEle.
E aí? Como foi a semana de vocês tentando viver isso? (Pausa para deixar o questionamento no ar). Pois é, não é fácil, né? É um choque total com a lógica do nosso feed, dos nossos grupos e da nossa escola.
E se as quatro primeiras bem-aventuranças foram um terremoto na nossa auto-suficiência, as próximas quatro que vamos ver hoje vão virar de cabeça para baixo a forma como nos relacionamos com os outros. Vamos a elas:
7. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.
“Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia.” É assim que Jesus continua as bem-aventuranças no Sermão do Monte. Depois de falar sobre reconhecer nossa falência espiritual, chorar pelo pecado, viver em mansidão e ter fome e sede de justiça, agora Ele nos mostra que a vida do cidadão do Reino também se expressa na forma como tratamos as pessoas ao nosso redor.
Mas o que é ser misericordioso? A misericórdia, na Bíblia, não é apenas sentir pena ou dó de alguém. É mais do que uma emoção, é uma ação. É quando vemos a necessidade do outro – seja sofrimento, carência ou até mesmo uma culpa – e agimos para aliviar aquilo. Graça é o amor imerecido de Deus; misericórdia é essa graça colocada em movimento, alcançando os miseráveis, os feridos e os culpados. Por isso ela sempre tem duas dimensões: de um lado, é ajudar quem está em necessidade; do outro, é perdoar quem nos ofendeu.
No tempo de Jesus, essa visão era radical. Os romanos valorizavam a dureza, a força, a lei da vingança. Muitos religiosos da época acreditavam que agradar a Deus era só seguir regras com rigidez, sem compaixão pelo próximo. Misericórdia era vista como sinal de fraqueza. E, vamos ser sinceros, até hoje a lógica do mundo é parecida: só ajuda quem “merece”, só perdoa quem pediu desculpas, só mostra bondade se tiver algo em troca. Mas Jesus está quebrando esse paradigma. Ele está dizendo: felizes são os misericordiosos. No Reino, não é a vingança que traz felicidade, mas a compaixão; não é a dureza que traz realização, mas o perdão.
E por que devemos ser misericordiosos? Porque já recebemos misericórdia de Deus. A cruz é a maior prova disso. Deus não apenas sentiu pena da nossa condição; Ele agiu. Ele viu a miséria do nosso pecado e enviou Seu Filho para morrer por nós. Nós recebemos toda a misericórdia que precisávamos quando Cristo se entregou. Se entendemos isso, se experimentamos isso de verdade, não há como não sermos também misericordiosos. E se não conseguimos perdoar, talvez seja porque não entendemos a grandeza da misericórdia que já recebemos.
Agora, deixa eu trazer isso para a vida de vocês. Imagina a situação: um colega de sala espalha uma mentira sobre você ou posta algo nas redes sociais para te zoar. A primeira reação é revidar. Fazer um post contra ele, expor alguma falha dele, se vingar. Mas ser misericordioso é justamente o contrário: é escolher perdoar, é não pagar na mesma moeda, é segurar a raiva e abrir espaço para a graça. Não porque a pessoa merece, mas porque você já recebeu perdão de Deus quando não merecia. Outro exemplo: tem aquele aluno que sempre fica sozinho, que sofre bullying ou que todos ignoram. Misericórdia é quando você tem coragem de se aproximar, conversar, incluir, ajudar. Não é só sentir dó, é agir de verdade para aliviar a dor do outro.
E como isso se aplica no dia a dia de vocês? Na escola, significa não entrar na zoeira quando alguém é ridicularizado, mas ser um apoio. Em casa, significa perdoar seu irmão ou irmã quando eles falham com você, em vez de ficar planejando como se vingar. Nas redes sociais, significa não compartilhar prints para expor alguém, mas conversar em particular e tratar com amor. Misericórdia é viver contra a cultura da dureza, contra essa lógica de sempre querer ter razão, de sempre querer se vingar, de sempre buscar vantagem. É escolher o caminho de Jesus, mesmo que pareça fraqueza para os outros.
E qual a promessa? Jesus diz: “eles obterão misericórdia.” Isso não significa que, se você for misericordioso, Deus então vai decidir se deve ter misericórdia de você. Não é uma troca. O que Jesus está dizendo é que os misericordiosos já provaram da misericórdia de Deus e, porque têm esse coração aberto para dar, também têm o coração aberto para receber. É um passivo divino: é o próprio Deus quem promete derramar ainda mais misericórdia sobre aqueles que vivem assim. Quem fecha o coração para perdoar e ajudar, fecha também a porta para receber. Mas quem abre espaço para a compaixão, abre espaço para experimentar o perdão, a restauração e o cuidado de Deus.
Então, eu quero te perguntar: como as pessoas que convivem com você te enxergam? Como alguém rancoroso, que nunca esquece uma ofensa, ou como alguém misericordioso, que escolhe perdoar e agir com compaixão? A verdadeira felicidade, segundo Jesus, não está em se vingar, em ganhar a discussão ou em expor alguém. Está em viver a misericórdia que já recebemos dEle.
8. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus.
Na Bíblia, o coração não significa só sentimentos, mas o centro de tudo o que somos: pensamentos, desejos, vontades e até as motivações mais escondidas. Quando Jesus fala de pureza de coração, Ele não está dizendo que precisamos ser perfeitos, sem nunca pecar. Isso seria impossível. O que Ele está pedindo é um coração íntegro, sincero, sem duplicidade, totalmente devotado a Deus. É o contrário da hipocrisia. É um coração não dividido, como diz o salmista: “Unifica o meu coração para temer o teu nome” (Sl 86:11).
O contraste aqui é enorme. Jesus está confrontando diretamente a espiritualidade de fachada dos fariseus. Eles se preocupavam com a limpeza exterior – com as mãos lavadas, os rituais cumpridos e a imagem de santidade diante dos outros – mas o coração deles estava sujo. Ele mesmo vai denunciar isso mais tarde, dizendo que eles limpavam o lado de fora do copo, mas dentro estavam cheios de podridão (Mt 23:25-28). Era como viver de aparência: por fora uma imagem bonita, por dentro vazio. O que Jesus quer é transformação de dentro para fora, não uma religião de filtros que só engana os outros.
E como é que um coração pode ser puro assim? Não é por esforço humano. Nenhum de nós consegue purificar o próprio coração. Essa pureza só é possível porque Deus nos dá um novo coração em Cristo. É o novo nascimento, quando Ele tira o coração de pedra e coloca um coração de carne (Ez 36:26). Deus começa a obra e, a partir daí, somos chamados a viver essa nova realidade, a crescer em santidade, a alinhar o que mostramos por fora com o que realmente temos por dentro. O cristão puro de coração é aquele que já foi lavado por Cristo e agora busca viver sem duplicidade, sem mistura, com lealdade indivisa a Deus.
E a promessa que Jesus dá é épica: “verão a Deus”. Isso é uma promessa futura. Na eternidade, finalmente veremos Deus face a face. Isso é tão grandioso que, no Antigo Testamento, até Moisés não pôde ver a Deus diretamente e viver. Mas Jesus garante que, no novo céu e na nova terra, todos os que foram purificados O verão plenamente em Sua glória.
Agora, deixa eu trazer isso para a vida de vocês. O mundo em que vocês vivem é cheio de pressão por aparência. Nas redes sociais, tudo é filtrado. Existe o “modo story”: aquele conteúdo editado, com música, com filtro, só com os melhores momentos. É a versão pública da vida, que esconde falhas e mostra apenas o que a gente quer que os outros vejam. E existe o “modo live”: ao vivo, sem edição, sem cortes, com todas as imperfeições aparecendo. Jesus está dizendo que não adianta viver só no “modo story” espiritual, mostrando uma fachada bonita para os outros. Deus não se impressiona com stories editados. Ele quer a nossa live, a realidade crua do coração, mesmo que cheia de falhas, mas sincera diante dEle. Ele não se interessa pelo personagem que a gente cria, mas pela autenticidade de quem somos de verdade.
Então, como isso se aplica na prática? Significa começar a checar nossas motivações. Antes de postar algo ou de fazer uma escolha, a pergunta deve ser: “Por que estou fazendo isso? É para ganhar likes, para impressionar alguém, ou é para honrar a Deus?” Significa também parar de esconder pecados pequenos que a gente acha que ninguém percebe – inveja, mentira, raiva nos jogos online, ódio disfarçado nas conversas. É levar isso em oração, confessar diante de Deus e, quando necessário, prestar contas a alguém de confiança. Pureza de coração é tirar o filtro, parar de fingir. Também significa buscar ser a mesma pessoa na igreja, em casa, no quarto sozinho e no grupo do WhatsApp. Integridade é alinhar quem eu sou em público com quem eu sou em privado.
Mas nunca podemos esquecer: pureza não é resultado de tentar mais, mas de confiar mais. É pedir todos os dias, como Davi orou: “Cria em mim um coração puro, ó Deus” (Sl 51:10). É confiar que Jesus já nos purificou na cruz e que o Espírito Santo continua a nos transformar. Assim, pouco a pouco, o coração dividido vai sendo unificado.
E aí vem a promessa. Quem é puro de coração “verá a Deus”. No futuro, terá o privilégio eterno de contemplar o próprio Deus face a face, algo tão glorioso que até Moisés não pôde experimentar plenamente. Essa é a felicidade radical que Jesus está prometendo: não uma vida perfeita aos olhos do mundo, mas a visão mais incrível de todas, a visão de Deus.
9. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” Note como Jesus não disse “pacíficos”, como se fosse elogio para quem evita problema e finge que nada aconteceu. Ele falou “pacificadores”: gente que age para construir reconciliação onde há briga. É trabalho de fabricar paz, entrar na confusão não para aumentar o barulho, mas para desmontar a bomba. Isso combina com todo o ensino bíblico sobre paz: não é só ausência de briga, é restabelecer relacionamento quebrado.
E ninguém dá o que não tem. Antes de tentar costurar a paz entre as pessoas, precisamos ter paz com Deus. Essa é a base: fomos reconciliados com o Pai por meio de Cristo — justificados pela fé, Deus encerrou a nossa inimizade e nos acolheu (Rm 5:1). A partir dessa reconciliação vertical, nasce a missão horizontal: porque recebemos paz, passamos a trabalhar pela paz com os outros.
O nosso modelo não é um influencer zen; é Jesus. Ele fez paz “pelo sangue da cruz” (Cl 1:20), pagando um preço real. Na hora da injustiça, “quando insultado, não revidava” (1Pe 2:23); na cruz, orou pelos inimigos (Lc 23:34), cumprindo o anúncio de Isaías: “o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele” (Is 53). Ou seja, pacificação, do jeito de Jesus, não é covardia nem tapar o sol com a peneira; é força moral que enfrenta o conflito com amor, disposto a ceder direitos, a suportar ofensas e a dar passos difíceis para que a reconciliação aconteça.
Por isso a promessa é gigante: “serão chamados filhos de Deus.” Esse “serão chamados” é um passivo divino — é Deus quem vai dizer publicamente, no último dia, “esses são da minha família”. Não quer dizer que viramos filhos por fazer obras de pacificação; quer dizer que, quando fabricamos paz, mostramos a família a que pertencemos. Filhos se parecem com o Pai, e o Pai é o Deus da paz.
No mundo real, isso é contra a corrente. O Sermão do Monte sabe que existe guerra, injustiça, perseguição e cancelamento, e mesmo assim chama a gente a se envolver nesse cenário de ódio promovendo paz — às vezes em posição de fraqueza, crendo que no fim o Reino de Deus vai prevalecer. Jesus falou isso num ambiente carregado de fervor político (zelotes), quando muitos queriam o Messias chamando para a briga; Ele valorizou mansidão e pacificação como sinais de verdadeira força e confiança em Deus.
Agora traz isso para o nosso cotidiano. Pensa numa partida ranqueada: dois do mesmo time começam a se xingar no chat, jogam a culpa um no outro e ameaçam trolar a partida. Quem é o pacificador? Não é o que só silencia o chat e finge que não viu. É o que chama no pv e diz: “Gente, respira. A gente perde junto e ganha junto. O que dá para ajustar na próxima jogada? Bora focar no objetivo.” Ele intervém para acalmar, reorganiza a estratégia, puxa o time de volta para a missão. O pacificador de Jesus é esse “mediador do chat da vida real”: não entra para bater, entra para parar a briga.
E como isso se parece na segunda-feira? Nas redes, quando estoura um exposed e a galera corre para os stories com print e ironia, o pacificador se recusa a virar soldado de guerra digital. Em vez de espalhar a fofoca, manda mensagem privada para quem está sendo cancelado: “Ei, você tá bem? Quer conversar?” e, se errou, chama para arrependimento com graça, não com humilhação pública.
No conflito pessoal, não espera a notificação de “desculpa” chegar primeiro; toma a iniciativa: “Eu não quero que a gente fique assim. O que eu fiz te feriu? Vamos conversar?” — porque foi isso que Cristo fez conosco: Ele deu o primeiro passo.
Ser pacificador também tem duas frentes que andam juntas: anunciar o evangelho da paz — ajudando pessoas a fazerem as pazes com Deus em Cristo — e trabalhar pela paz entre pessoas — mediando brigas, perdoando ofensas, construindo unidade. Isso custa. Às vezes você perde razão, leva comentário atravessado, é mal-interpretado. Mas esse é o caminho do Filho, e filhos se parecem com o Pai.
No final, quem fabrica paz não coleciona troféus de discussão vencida; coleciona reconciliações. E quando o julgamento do último dia chegar, Deus vai dizer o que mais importa: “Eles — eles mesmos — são meus filhos.”
10. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. 11. "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. 12. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".
Repara como Jesus encerra as bem-aventuranças mostrando o que acontece quando a gente vive de verdade tudo o que Ele acabou de ensinar. Se você caminha em humildade, pureza, misericórdia e pacificação, não espere aplausos do “sistema” deste mundo; espere colisão. Isso não é acidente de percurso, é o resultado natural de exibir o caráter de Cristo num mundo caído. É choque de reinos. Por isso Jesus já nos prepara: perseguição faz parte da normalidade do discipulado fiel.
Mas Ele também deixa claro o tipo de perseguição de que está falando. Não é bênção ser provocado porque fomos arrogantes, tóxicos ou porque gostamos de ser do contra. Não é sobre ser excluído só por não curtir as mesmas modas. A bem-aventurança é para quem sofre “por causa da justiça” e “por causa de Jesus” — quando a lealdade a Cristo e à ética do Reino coloca você na contramão dos valores dominantes. Mateus registra três formas comuns: insultos, hostilidade ativa e calúnia — e Jesus destaca “mentindo”: se a acusação é verdadeira (mau caráter, pecado, grosseria), não há bem-aventurança. Quarles resume bem: trata-se do custo de viver como discípulo de verdade. E note a promessa que volta a soar como na primeira bem-aventurança: “deles é o Reino dos céus”. O pronome é enfático: deles — e só deles — é o Reino. Quem paga esse preço mostra a quem pertence.
A resposta que Jesus ordena é surpreendente: “Alegrai-vos e exultai.” Não é alegria masoquista na dor, é alegria antecipatória, teologicamente fundamentada. Primeiro, porque “grande é o vosso galardão nos céus”. Tudo o que você perde aqui — status, risadinhas de aprovação, convites para o rolê — Deus transforma em ganho eterno. Boice lembra que essa recompensa não é troféu de ego, mas um desfrutar mais profundo de Deus e da glória de Cristo. Segundo, porque você entrou na melhor companhia possível: “assim perseguiram os profetas”. Quando a zombaria chega, você está na fila de Isaías, Jeremias, João Batista — e, acima de todos, Jesus. Carson chama isso de marca normal do discípulo: não sinal de derrota, e sim selo de identificação com Cristo. É um “badge de honra” que o céu reconhece.
Agora imagina a sua escola como um “sistema” que repete sem parar: “Seu valor é a quantidade de seguidores”, “vale tudo para se enturmar”, “o importante é ser feliz do seu jeito, custe o que custar”. Viver as bem-aventuranças nesse ambiente é como ser um agente secreto de outro Reino. Você opera por regras diferentes: humildade em vez de autopromoção, pureza em vez de duplicidade, misericórdia em vez de cancelamento, pacificação em vez de treta. O sistema não vai só te ignorar; ele vai contra-atacar. Vai tentar te pressionar a seguir a onda, te zoar, te cancelar, te excluir do grupo. E, paradoxalmente, isso é sinal de que a sua missão está funcionando. Se a luz está incomodando, é porque está brilhando.
Então, como fechar essa conversa com coragem prática para a sua segunda-feira? Primeiro, faz uma checagem de motivação: a rejeição que você está sentindo é por ser um “cristão chato” — crítico, sem amor, que vive cutucando os outros — ou por ser um cristão autêntico que ama, perdoa, fala a verdade com graça e se recusa a negociar a consciência? Se for a primeira opção, arrependa-se. Se for a segunda, fique firme: é disso que Jesus está falando. Depois, troque a perspectiva. Quando você for deixado de lado por não ir na festa errada, ou zoado por não espalhar a fofoca, ou pressionado a “só dessa vez” trair o que crê, lembra: isso é um sinal. Não é vergonha; é honra. É o sistema dizendo “você não é dos nossos”, enquanto o céu diz “você é dos meus”.
A coragem para isso não vem do “força, guerreirinho”. Vem de duas fontes que Jesus nos deu. A primeira é a comunhão: você não está sozinho. Você caminha com os profetas, com a igreja de todos os tempos, com irmãos e irmãs ao redor do mundo — e com o próprio Cristo, que disse: “Se me perseguiram, perseguirão vocês também”, e ainda assim nos prometeu Sua presença. A segunda é a recompensa: a opinião dos haters no stories vale menos do que um like do Rei. A aceitação de Deus pesa infinitamente mais do que qualquer validação instantânea. Quando essa matemática entra no coração, a vergonha vira alegria, e o medo se transforma em fidelidade.
E, por favor, não confunda: Jesus não nos manda procurar perseguição, causar treta ou ser provocador para “provar ponto”. Ele nos chama a responder com fidelidade e alegria quando a oposição vier justamente por causa dEle. É um convite à vida significativa, não à vida fácil. Então a pergunta que fica é simples e séria: você prefere a paz superficial de ser como todo mundo, ou a bem-aventurança profunda de sofrer por causa dAquele que te ama e diz: “o Reino é de vocês”? Se for por Cristo e pela justiça, não se envergonhe. Levante a cabeça. O céu está vendo — e sorrindo.
Conclusão
"Então, galera, a gente chega ao final dessa nossa jornada pelas oito bem-aventuranças. E olha só que retrato Jesus pintou para gente do que é um cidadão do Reino, um seguidor dEle:
É alguém que reconhece que não é autossuficiente, que chora pelo que dói no coração de Deus, que entrega o controle para Ele e que tem fome de ser como Jesus.
E isso transborda em misericórdia prática, em uma pureza sem filtros, em uma missão ativa de promover paz... e tudo isso, inevitavelmente, vai gerar oposição.
Jesus não nos prometeu uma vida de likes, popularidade e facilidade. Pelo contrário. Ele foi totalmente honesto: ser feliz no Reino dEle é nadar contra a correnteza.
Mas Ele também não nos deixou sem motivação. A cada passo, Ele nos deu uma promessa gloriosa: o Reino dos Céus, o consolo, a herança, a satisfação, a misericórdia, a visão de Deus, a filiação e uma recompensa eterna.
No fim das contas, tudo se resume a uma escolha entre dois tipos de felicidade.
felicidade do mundo é como um story do Instagram: é curta, editada, cheia de filtros e some em 24 horas. É baseada em circunstâncias. Quando a likeada acaba, a frustração volta.
felicidade do Reino é como assinar o próprio nome numa obra de arte que Deus está pintando na história. É profunda, eterna, e não depende das circunstâncias porque está ancorada no caráter do próprio Deus.
A pergunta que fica para cada um de nós hoje é: em qual felicidade você está investindo? Você está buscando a felicidade de curto prazo, que depende das opiniões dos outros, dos seus resultados na escola, dos seus seguidores? Ou você está buscando a bem-aventurança, a felicidade radical que Jesus oferece, que custa tudo mas que vale tudo?
Não é uma escolha fácil. Vai significar tomar decisões que vão te fazer parecer estranho. Vai significar abrir mão de algumas coisas. Vai significar, talvez, ser excluído de alguns grupos. Mas eu te garoto, com base na Palavra de Deus que a gente estudou: vale a pena. Vale a pena porque aquele que te chama é fiel. A recompensa dEle é certa. E a alegria dEle é a nossa força. Que Deus nos dê a coragem de não apenas admirar o Sermão do Monte, mas de vivê-lo. Não como uma regra pesada, mas como o retrato da vida verdadeira e abundante que Jesus veio nos dar. Vamos orar
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