Independentes do Pecado
Cristianismo do dia-a-dia • Sermon • Submitted • Presented
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· 5 viewsRomanos 8.1–4 proclama a verdadeira independência: em Cristo não há condenação. A lei do Espírito liberta-nos do poder do pecado e da morte. O que a Lei não pôde realizar por causa da carne, Deus fez enviando o Filho, que cumpriu a justiça por nós. Agora, justificados, somos chamados a viver não segundo a carne, mas segundo o Espírito, experimentando liberdade real para amar e obedecer a Deus.
Notes
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Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte. Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne, isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no que diz respeito ao pecado. E assim Deus condenou o pecado na carne, a fim de que a exigência da lei se cumprisse em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
Introdução
Introdução
Continuamos com a série de pregações Cristianismo do Dia a Dia. Nessa série, através da exposição de diversos textos bíblicos, queremos apresentar as doutrinas mais básicas da fé cristã.
E o texto de hoje é um dos mais ricos doutrinariamente em toda a Escritura. Tão rico que, decidi expor visando somente alguns dos pontos mais importantes.
Mas para termos um pouco de contexto, tenha em mente que Paulo vem expondo aos cristãos romanos a situação caída do ser humano e a solução de Deus para isso, ou seja, o próprio Evangelho.
No capítulo anterior (Rm 7), ele expôs a luta que há dentro do ser humano, que, por vezes, até deseja fazer o bem, mas possui dentro de si uma força, uma “lei” que o leva a pecar.
O homem, ali, não é uma pessoa com plena liberdade. Ele não escolhe “livremente” o caminho que quer. Ao contrário, às vezes toma decisões que sabe que são ruins.
Há uma discussão sobre se Romanos 7 está falando do homem sem Cristo (o ímpio) ou do homem com Cristo (o salvo), mas a resposta para o problema do pecado, em ambos os casos, vem no capítulo 8.
Por isso, veremos que a verdadeira liberdade é fruto da obra de Cristo, não de nossos esforços.
Exposição
Exposição
v.1 - Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.
v.1 - Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.
👉 Desenho: Um juiz sorridente levantando a mão e mostrando um papel escrito “INOCENTE”
Ele passou os dois primeiros capítulos da carta dizendo que tanto gentios quanto judeus estavam escravizados pelo pecado. Passou o terceiro capítulo falando que todos nós estamos inclinados para o pecado e o pecado leva à condenação. Esse é o problema: pecamos porque queremos; porque nosso coração se inclina para isso.
Depois ele falou que o pecado entrou na humanidade através do primeiro homem, Adão e que não poderíamos ser salvos por nosso esforço, mas que seria uma salvação baseada baseada na graça, como um presente que nos é dado através da vida e morte de Cristo.
Aí o capítulo 7 pinta a terrível situação de que, mesmo quando nós temos vontade de fazer o certo, existe uma vontade maior em nós, que nos leva a pecar e que há esperança para a situação em Jesus.
Mas, se o capítulo 7 termina com uma ponta de esperança diante da escravidão do pecado, o capítulo 8 começa com uma declaração de vitória definitiva: “NENHUMA CONDENAÇÃO” existe para os que estão em Cristo.
Ele começa com um “Agora, pois”, que é a maneira de Paulo dizer que o que ele vai dizer agora é a conclusão ou solução de tudo o que ele havia dito até aqui.
E a conclusão é similar ao que o Evangelho de João diz em:
João 3.18 “Quem nele crê não é condenado; mas o que não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”
Ou como na fala do próprio Jesus em:
João 8.36 Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres.
Mas por que ele chega nessa conclusão? Como que nos tornamos livres do pecado? Porque conseguimos nos esforçar e vencer nossos pecados? Se estávamos presos no pecado e nosso coração só nos inclinava para mais pecado, como conseguimos nossa liberdade?
v.2 - Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte.
v.2 - Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, livrou você da lei do pecado e da morte.
👉 Desenho: Um coração cheio de luz e uma corrente quebrada ao lado.
Paulo, em seguida explica como vem essa liberdade. Antes estávamos sob a “lei do pecado e da morte”, mas agora “sob a lei do Espírito e da vida”. E sobre isso, três realidades chamam a atenção:
Primeiro, e mais importante, é que Paulo faz um contraste entre a “lei do pecado” com “lei do Espírito”, o que mostra que a maneira de ser liberto do pecado não é tentando ser bom ou virtuoso. A lei de quem é verdadeiramente é uma lei guiada pelo Espírito, não por nosso esforços.
Segunda, é que a partir deste versículo, Paulo vai citar o Espírito de Deus o tempo todo no capítulo 8, enquanto, no capítulo 7 ele havia feito somente uma menção indireta ao Espírito Santo, porque a atenção toda estava nos esforços humanos para vencer o pecado. Vemos que, quando o “eu” está no centro, o resultado é só derrota e condenação, mas quando o Espírito Santo está no centro desta batalha, a história muda de figura.
Terceira realidade que chama atenção neste trecho é que a palavra lei é usada com significados diferentes por Paulo ao longo da carta aos Romanos.
Aqui, no versículo 2, “lei” significa um tipo de força ou princípio que atua em nós. É como se fosse uma espécie de poder que nos influencia. Então, a “lei do pecado e da morte” (v.2b) é essa força que te leva ao pecado, enquanto a “lei do Espírito e da vida” é essa nova força que o Espírito dá, que nos liberta e nos permite fazer o que Deus quer.
O outro significado para a palavra “lei” é uma referência à Lei de Moisés, como os 10 Mandamentos e outros. Ele usa esse significado no v.3. Mas pra que serve a Lei do Antigo Testamento, então? O que ela tem a ver com nossa liberdade?
v.3 - Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne, isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no que diz respeito ao pecado. E assim Deus condenou o pecado na carne,
v.3 - Porque aquilo que a lei não podia fazer, por causa da fraqueza da carne, isso Deus fez, enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no que diz respeito ao pecado. E assim Deus condenou o pecado na carne,
👉 Desenho: Jesus de braços abertos, com uma cruz atrás, e um presente na frente.
Paulo já havia dito que a Lei de Moisés é boa (Rm 7.16), mas aqui ele mostra a função dessa Lei é limitada pela nossa carne. Mas, apesar de os mandamentos de Deus serem bons, vimos no versículo anterior que aquele que está sem Cristo tem outra lei dentro de si, que o faz querer o mal.
Então, a solução para nossa realidade não poderia ser baseada nos nossos esforços, mas em uma intervenção divina: Cristo assume a nossa carne (mas sem a inclinação pecaminosa), obedece toda a Lei em nosso lugar e recebe a punição em nosso lugar.
Se todo o pecado precisa de condenação (Romanos 6.23), a condenação caiu em Cristo, não em nós.
v.4 - a fim de que a exigência da lei se cumprisse em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
v.4 - a fim de que a exigência da lei se cumprisse em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
👉 Desenho: Uma criança caminhando de mãos dadas com uma pomba branca.
Se você ler o Novo Testamento, verá que existem muitas passagens que chamam os crentes em Jesus de “justos” (ex.: Rm 5.19; 1Pe 3.12), mas, se mesmo após a pessoa entregar a vida a Jesus continua lutando contra os próprios pecados, como podemos ser chamados de justos? Que justiça é essa que Deus vê em nós?
A resposta é simples: a justiça de Cristo.
Veja o que Paulo está dizendo aqui: que a “exigência da Lei” de Moisés de obediência ou morte é cumprida em nós, através de Cristo. Jesus não nos substituiu somente quando morreu na cruz. Ele também nos substituiu na obediência à Lei.
Imagine que você fizesse um negócio com alguém. Você e um sócio vão comprar um carro 0km, mas, nesse acordo você fica responsável por pagar todas as manutenções, documentos, multas, seguro e o combustível, enquanto o seu sócio fica responsável por passear com o carro por todas as praias do Brasil. Parece um bom negócio para você? Bom, pro seu sócio é um excelente negócio. Imagino que você só faria esse acordo se tivesse muito dinheiro e amasse muito esse seu sócio.
A nossa “justificação” é semelhante a essa troca: a justiça (a obediência) de Jesus é atribuída a nós e a nossa culpa (desobediência) é atribuída a Cristo. Nós ficamos com tudo de bom, enquanto Ele ficou com tudo de ruim. Ele fez isso porque tem poder para cumprir a Lei e porque nos ama muito.
Nesse momento você pode pensar: “então eu não preciso obedecer mais a Lei e posso pecar à vontade, porque meu pecado já está punido na cruz e eu recebi a justiça de Cristo.”
Nada mais errado do que isso. Paulo termina dizendo que não vivemos mais “segundo a carne”, ou seja, escravos do pecado. O crente quer cumprir a Lei por uma razão diferente, porque ama a Deus, que é outra forma de dizer que vivemos “segundo o Espírito”. Paulo fala sobre isso em
Romanos 6.17–18 “Mas graças a Deus que, tendo sido escravos do pecado, vocês vieram a obedecer de coração à forma de doutrina a que foram entregues. E, uma vez libertados do pecado, foram feitos servos da justiça.”
Em outro lugar ele ainda diz
2Coríntios 3.6,17–18 “o qual nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, mas o Espírito vivifica.” “Ora, este Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, que é o Espírito.”
Aquele que se entrega a Cristo é realmente livre. Livre da culpa e livre da escravidão do pecado. O pecado tem poder muito limitado em nós, porque o Espírito Santo passa habitar em nós e Ele mesmo, o Espírito, trabalha para que a gente passe a amar os mandamentos de Deus e também nos capacite a, de pouco em pouco (ou de glória em glória), irmos vencendo cada pecado que ainda existe em nós até o dia em que Jesus voltar.
Percebem? A verdadeira liberdade é fruto da obra de Cristo, não de nossos esforços. Em Cristo que conquistamos nossa independência do pecado, pois podemos depender do Espírito.
Aplicações
Aplicações
Para os que ainda carregam culpa:
Se você já está em Cristo, não viva como se fosse ainda condenado. A cruz já decidiu seu veredito. Viva em gratidão, não em medo.
Para os que ainda lutam contra vícios ou pecados recorrentes:
A libertação não vem da força de vontade, mas do Espírito que habita em você. Dependência do Espírito é o caminho para experimentar vitórias reais.
Para os que confundem liberdade com licença:
A verdadeira independência do pecado não é viver “do meu jeito”, mas viver “no Espírito”. Quanto mais você ama a Deus, mais deseja obedecê-Lo.
Para a comunidade como corpo:
Uma igreja que vive no Espírito é um espaço de liberdade verdadeira — não de julgamento, mas de encorajamento mútuo para vencer o pecado.]
Conclusão
Conclusão
Meu irmão, minha irmã, você pode até estar vivendo como se fosse condenado, mas hoje o Evangelho proclama: nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. A liberdade que o Espírito oferece é maior do que a culpa do passado, maior do que o pecado que ainda tenta te dominar. Não viva mais acorrentado. Entregue-se de verdade a Cristo, dependa do Espírito, e experimente a única independência que dura para sempre: ser livre para amar e obedecer a Deus.
Neste feriado, muitos celebram independência política; mas só Cristo dá a independência definitiva: libertos da culpa, libertos do poder do pecado, e livres para viver no Espírito. A verdadeira liberdade não é fazer o que quero, mas finalmente poder viver como Deus quer.
