A raiz de todas as misérias

Uma anatomia da dor  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução à Série
O mês de setembro, a partir do ano de 2015, ficou conhecido como “setembro amarelo”, ocasião na qual a atenção da sociedade brasileira se volta para um tema extremamente sensível e que se apresenta como a causa do sofrimento de milhares, talvez até mesmo, milhões de famílias: o suicídio. Segundo estimativas, anualmente cerca de 700 mil pessoas cometem suicídio em todo o mundo. Em uma reportagem publicada por um grande portal de notícias no final do ano passado, no Brasil entre 2000 e 2019 mais de 195 mil pessoas deram fim a sua própria vida. Esses dados estabelecem o fato de que anualmente 11.000 brasileiros desistem da vida. Esse número é o equivalente a 32 óbitos por dia. O tema em si é complexo e há uma combinação de multiplos fatores que levam pessoas a atentarem contra a própria existência. Entre eles há grande destaque para enfermidades diversas, tais como ansiedade, depressão, abuso e dependência de substâncias entorpecentes, além de questões como traumas emocionais, problemas familiares ou desilusões amorosas.
Se observamos a vida a partir de uma cosmovisão cristã, inevitavelmente concluímos que todas essas questões mencionadas ainda a pouco, somente tiveram entrada na história da humanidade com a queda, que alterou profundamente a vida. Com o pecado, as dores, as misérias e os problemas passaram a figurar na história. Deus, por sua graça, não nos deixou à mercê dessas circunstâncias. Manifestando sua graça comum Ele nos dá bênçãos como a medicina que nos auxilia a lidar com as dores e enfermidades do corpo e da mente. Revelando sua graça especial, Ele nos dá Cristo, que não apenas trata os sintomas que nos afetam, antes, soluciona o problema principal da existência, a saber, o pecado, que tornou a vida em algo miserável.
Durante esse mês olharemos para as Sagradas Escrituras, buscando compreender porque sofremos, qual é a causa primária das misérias que nos assolam e como lidar com as dores inerentes à vida, ancorados sobretudo na graça de Deus. Antes de lermos o texto que direcionará na reflexão dessa noite, um lembrete é importante: Doenças físicas existem e devem ser adequadamente tratadas. Transtornos mentais e emocionais, também existem e devem ser adequadamente tratados. Portanto, se você suspeita que está enfrentando algum problema médico, procure ajuda.
Gênesis 3.1–19 “1 Mas a serpente,mais sagazque todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? 2 Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, 3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. 4 Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. 6 Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. 7 Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. 8 Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. 9 E chamou o Senhor Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? 10 Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. 11 Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. 13 Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 14 Então, o Senhor Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. 15 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 16 E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. 17 E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. 18 Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. 19 No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.”
Introdução
No texto que acabamos de ler, Moisés relata o mais triste evento da hiistória da humanidade: a Queda. Adão e Eva deliberadamente romperam a aliança que Deus havia estabelecido. Como consequência de sua desobediência, o homem e sua melher receberam a triste sentença da morte não apenas sobre si, mas sobre toda a sua posteridade. Fato importante, no entanto, é que Deus, manifestando sua graça e seu amor, em meio ao anúncio do juízo, revela também seu plano redentor, naquela que se estabeleceu como a primeira profecia sobre Jesus, a semente do Evangelho. Em meio à desordem cósmica gerada pelo pecado, relegando a criação outrora perfeita a um estado de miséria, começa a brotar a expectativa pelo advento daquele que resgataria o povo de Deus e reverteria as consequências perniciosas do pecado sobre a Criação.
Frase de Transição
Com isso em vista, chamo sua atenção para o tema de nossa reflexão nessa noite: A raiz de todas as misérias. Minha intenção não é esgotar o texto, mas mostrar que o pecado é a raiz de todos os problemas que assolam a humanidade e apresentar três de suas consequências, que sintetizam bem o estado miserável no qual o homem se encontra após a Queda.
1. O pecado é a raíz da ruptura entre o homem e Deus - v.8-12
Deus criou o homem para si, para o desfrute de uma comunhão perfeita. No contexto do Jardim do Éden, o homem deveria amar a Deus sobre todas coisas, levando esse amor até as últimas consequências, obedecendo perfeitamente ao Senhor. Sabemos que isso não aconteceu. Adão e Eva transgrediram o ordenamento que lhes fora divinamente comunicado, e segundo o texto que lemos, nesse momento o pecado teve entrada no curso da história. Como bem sabemos o pecado afeta a criação como um todo, não se limitando apenas ao homem. Tempos depois, o apóstolo Paulo, atestando esse fato e reconhecendo a realidade histórica da queda, bem como as suas consequências desastrosas sobre a criação afirmou em sua epístola aos Romanos: Romanos 8.20Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou,” . A Escritura deixa, então, evidente que é o pecado, com sua influência perniciosa e suas consequências desastrosas, a raíz de todas as misérias às quais hoje estamos sujeitos. E entre todas as consequências da entrada do pecado no mundo a mais desastrosa é a ruptura provocada na comunhão com Deus.
Avaliando cuidadosamente o texto temos por certo que a presença de Deus no Jardim era algo habitual. Uma ação por meio da qual o Senhor revelava sua natureza pessoal e seu interesse na sua boa criação, sobretudo, no homem que fora feito à sua imagem e semelhança. Antes da queda a relação entre Criador e Criatura era deleitosa, harmoniosa, perfeita. O fato é que em face do pecado, quando Adão e sua mulher perceberam a presença de Deus no jardim, imediatamente tentaram se esconder. A relação que anteriormente existia de maneira bela e perfeita sofreu uma ruptura. Essa ruptura ocorreu não porque Deus mudou. Ele não mudou. Como habitualmente fazia, ele fez naquele dia. Ele desceu ao Jardim. Nesse cenário, o elemento que mudou foi o homem. Ao desobedecer a Deus, Adão deliberadamente rompeu sua aliança com o Senhor e ainda que não tenha direcionado nenhuma palavra a Deus até o v.10, suas ações gritavam, mesmo em face do seu silêncio. A medida desesperada de fugir da presença de Deus, como se houvesse um lugar em que fosse possível se ausentar de sua face, se estabeleceu como o paradoxo de um discurso silencioso mas extremamente eloquente. A tentativa de se esconder, a alienação deliberada, eram uma admissão de culpa e uma demonstração de vergonha, humilhação e medo.
As afirmações do v.10 mostram o quão profunda foi a ruptura causada na relação entre o homem e Deus em face do pecado. Sabemos que o cumprimento da Lei de Deus é o amor. Jesus afirmou isso. João (1Jo. 4. 18-19), no mesmo sentido nos ensina que o verdadeiro amor lança fora todo o medo. O fato é que no Jardim, no trágico dia relatado por Moisés em Gn.3, o pecado entrou em curso e a vida foi transformada. Adão se escondeu do Senhor porque teve medo. A obediência foi substituída pela rebeldia, a santidade pelo pecado, a comunhão pela alienação, o amor pelo medo. Os efeitos dessa ruptura relacional ficam ainda mais evidentes e delineada com tons mais dramáticos no v.12, quando Adão em uma tentativa ainda mais desesperada de justificar sua transgressão e fugir de suas responsabilidades pactuais, de maneira ainda mais desesperada e totalmente pueril, resolve de alguma forma creditar a sua culpa a Deus, afirmando que fora a mulher, lhe dada como esposa por Deus, o pivô de seu pecado. O fato é que Adão é o responsável. Ele, ainda que tenha recebido diretamete do Senhor uma única ordem, escolheu, mesmo consciente de sua punição, desobedecer. E assim, o pecado, com a promessa de conhecimento perfeito, deu ao homem apenas a miséria manifesta aqui na ruptura da relação com Deus.
2. O pecado é a raíz da ruptura do homem consigo mesmo - v. 7,10
Quando Adão deliberadamente se entregou à alienação e se afastou do Criador rompendo a comunhão perfeita com a desobediência, ele se viu distante, perdido do referencial que imprimia sentido à sua própria existência. Nesse momento o homem, invariavelmente, passa a experimentar um segundo tipo de miséria que se abate sobre ele em uma perspectiva pessoal. O que está em tela agora, como vemos principalmente nos v.7 e 10, é uma ruptura interna que afeta a percepção do homem à respeito de si mesmo. A partir da queda Adão e Eva se vêem confrontados com o desconforto em relação a si mesmos, no âmago do seu ser, o que fica muito claro no sentimento de vergonha.
Calvino em seu comentário sobre Gênesis expõem a questão da seguinte maneira: “O homem e sua mulher, imediatamente após a queda, se vêem confundidos com o senso de sua própria ignomínia, e então fogem do Senhor. O problema não é a nudez em si, mas o sentimento de culpa e medo que os deixou profundamente desconfortáveis consigo mesmos”. O que entendemos sobre isso? A ruptura do homem consigo, se demonstra na afetação da consciência que o leva a estar desconfortável com o seu eu, o que afeta sua relação com os semelhantes e com Deus. A primeira reação subjetiva ao pecado foi a vergonha. Aquilo que é mais íntimo ao homem, seu próprio corpo, passou a constrangê-lo. A segunda reação subjetiva ao pecado foi o medo, seguido pelo desejo de fuga. Esse medo foi manifesto em face presença divina, mas nasceu de uma desordem interior. Em outras palavras, a consciência ferida pelo pecado já não suporta a sua própria condição, nem a presença Santa de Deus.
No ato criacional, Deus fez o homem à sua própria imagem. Isso quer dizer que Deus compartilhou com ele certas características e habilidades que o faz parecido com Ele e diferente do restante da criação. Entre essas características a moral, que pode ser resumida na condição de saber o que é certo e o que é errado, figura como uma das principais. O fato é que a queda permite ao homem conhecer o mal na prática. O pecado despertou a consciência de culpa e a ruptura do homem consigo se torna inevitável, pois, ao perder a retidão original, ele perdeu também a paz consigo mesmo. Vergonha, medo e fuga tornam-se parte de sua vida, e sua própria consciência o acusa. E então mais uma vez vemos que o pecado, com a promessa de conhecimento perfeito, deu ao homem apenas a miséria, manifesta nesse ponto, na ruptura do homem consigo. Internamente ele está desfigurado, sua consciência o acusa e sua alma não encontra paz.
3. O pecado é a raíz da ruptura entre a própria humanidade - v. 11-12
Deus é um ser pessoal, que desde a eternidade desfruta de comunhão perfeita na Trindade. No ato criacional, ao formar o homem à sua imagem, o Senhor o dotou com a pessoalidade e o faz para desfrutar de comunhão. A realidade e a necessidade relacional do homem fica claramente ilustrada na fala do próprio Deus, à respeito da condição de Adão antes da criação de Eva (Gn. 2. 18). Eva foi criada para dar fim à solidão do homem, como uma dádiva abençoadora. Logicamente, em um mundo sem pecado, a relação entre ambos, tal qual a relação com Deus era perfeita. Com a queda, no entatno, essa relação que precede, e de uma forma muito estrita prefigura todas as demais relações interpessoais, sofre uma profunda ruptura. E vemos isso em 2 perspectivas:
alienação deliberada (v.7): homem e mulher, após à queda se sentiram envergonhados e desconfortáveis um na presença do outro. O que ocorre aqui é a reversão do quadro de um relacionamento perfeito, puro e santo, que existia anteriormente (Gn. 2. 25);
quebra da harmonia relacional (v.16): há em vista agora uma perturbação tão preocupante quanto à alienação que gera vergonha e “separa” em certa medida aqueles que foram criados para ser uma só carne. A partir da queda a mulher, criada por Deus como auxiliadora idônea, desejaria a posição de liderança confiada por Deus a seu marido. Nada obstante ela deveria se submeter à liderança de Adão. Esse desequilibrio relacional se estenderia para outras relações além do matrimônio. Vemos o desenvolvimento trágico disso no capítulo seguinte, quando Caim se levanta contra seu irmão Abel, cometendo assim o primeiro homicídio.
É, portanto, inegável o fato de que o pecado causa uma desordem cósmica completa. O homem se vê afetado não apenas em sua relação com Deus e consigo mesmo. As relações interpessoais, que são parte essencial de sua vida, uma vez que foi formado por Deus como um ser sociável, são profundamente afetadas. A relação matrimonial de uma certa maneira prefigura e ilustra todas as demais relações humanas. A união entre um homem e sua mulher é o vínculo humano mais profundo e mais sólido existente, afinal, o casamento faz com que homem e mulher se tornem uma só carne. O fato é que o texto de Gênesis 3 revela o fato de que a queda produziu uma profunda desordem nos desejos do coração, minando a paz e harmonia relacional, provoncando uma ruptura interna na humanidade criada como imagem de Deus. O casamento é a relação humana que dá origem à sociedade e antecipa todas as demais relações sociais. Se ela foi afetada pelo pecado, as demais interações que surgem como seus desdobramentos certamente também o foram. Essa realidade miserável se tornou claramente perceptível na queda e se exacerbou paulatinamente, ao ponto de vermos nos capítulos seguintes de Gênesis, não apenas o primeiro homicídio, mas o anúncio de que a maldade do homem se generalizou, culminando assim no julgamento de Deus no dilúvio.
Como essas misérias oriundas do pecado afetam a vida?
Todas as misérias causadas pelo pecado estão em grande parte associadas diretamente às rupturas que surgem nas relações do homem com Deus, consigo ou com o próximo afetam a vida e contribuem para que a maldição contra o pecado, preanunciada em Gn. 2. 17 seja consumada. O caráter bondoso de Deus e a severidade da maldição contra a transgressão da lei, mostram o quão odiosa foi a desobediência de Adão e Eva. Nem a bondade de Deus, nem o horror da morte, os dissuadiram da desobediência. A partir da queda, a morte passa a vigorar, pois, a santidade e a retidão de Deus, exigem que o pecado seja devidamente punido. Mas o que Deus quis dizer quanto afirmou que a desobediêcia levaria à morte? Como isso influenciaria a vida do homem? Para compreender isso é necessário que consideremos de que tipo de vida o homem caiu. Antes da queda Adão e Eva eram felizes em todos os aspectos de sua vida, portanto, sua bem-aventurança se relacionava tanto ao seu corpo, quanto à sua alma. Em seu corpo não havia defeitos, portanto, ele estava totalmente livre das doenças e da morte. A morte em si é uma punição severa e causa horror ao homem, pois, não é apenas um estado, mas também um processo, que enfraquece gradativamente o corpo e finalmente o aniquila. E embora o pecado não possa matar a alma, ele a afeta e a adoece profundamente. Então a punição da morte, não contempla apenas a morte espiritual, nem apenas a morte eterna, nem ainda a morte física de maneira isolada. Pelo contrário, sob o conceito de morte estão todas as misérias que se abateram sobre Adão, Eva e seus descendentes em decorrência do pecado. A morte abrange todos os males do corpo e da alma, com os quais o homem é assediado nessa vida, a degradando em algo miserável e perdido.
Pensemos por exemplo na questão enfermidades que assolam a humanidade. Segundo o CID, que é a Classificação Internacional de Doenças, há atualmente aproximadamente 9 mil doenças distintas que afetam os seres humanos. No DSM, que é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, há cerca de 300 doenças que afetam a mente do homem. É lógico que não podemos ser nem reducionistas e nem taxativos ao ponto de dizer que todas e cada uma das doenças que uma pessoa enfrenta está relacionada a um pecado específico. Definitivamente não. Mas não podemos negar duas questões importantes: a) as doenças, inegavelmente, são contempladas pelo conceito de “morte” como maldição do pecado; b) existem enfermidades que estão diretamente associadas a pecados específicos, sobretudo, no que tange às enfermidades da mente.
Tomemos como base as próprias rupturas que vimos no texto que Gênesis 3. As rupturas que o homem enfrenta, em face do pecado, tanto em sua relação com Deus, quanto no que tange ao seu eu interior, podem facilmente progredir dando origem ao sentimento de vazio, medo da morte, ao sentimento de abandono, ao sentimento de falta de sentido na vida. É inegável, então, que as rupturas provocadas pelo pecado nas relações interpessoais, por sua vez, se degeneram em situações como hostilidade, inveja e solidão. Todos esses fatores contribuem diretamente para o adoecimento do corpo e principalmente, para o adoecimento da mente, ou da alma, se você preferir. Diante desse fato uma pergunta é importante
Há uma solução definitiva para as misérias humanas?
Deus, não deixou a humanidade de maneira definitiva à mercê das misérias oriundas da queda. Na manifestação de sua graça comum o próprio Deus capacita e direciona o homem na criação e no desenvolvimento de instrumentos, técnicas e terapias para o tratamento de sua vida, como é o caso por exemplo da medicina em todas as suas vertentes e ramificações. O desenvolvimento de tecnicas diagnósticas, a descoberta de medicamentos, contribuem para que o homem, mesmo em face das misérias do pecado possa viver de maneira adequada. Apesar disso, a ação humana é limitada e se mostra capaz de contornar, ou reverter ainda que temporariamente os sintomas externos de um problema que é interno e muito maior. Quando olhamos para Gênesis 3, compreendemos porque o homem enfrenta mazelas de corpo e alma, que o enfraquecem um pouco a cada dia. E mais uma vez é importante salientar que embora nem sempre existam pecados específicos cometidos por nós e que estejam associados a cada uma das enfermidades que suportamos, ou dos problemas que passamos, o pecado original é a raiz de todos esses problemas. O pecado foi o ponto de entrada para todas essas degradações da vida na história, e como uma herança maldita, as suas influências e consequências afetam nossa vida ainda hoje. Embora o homem, munido da graça comum, possa atacar apenas a superfície do problema, lidando com as consequências e com os sintomas externos do pecado, há uma saída, um remédio que trata o problema em si e não apenas as suas manifestações.
No relato da queda, o próprio Deus preanunciou o resgate do homem dessa condição na qual ele passa a experimentar todas essas rupturas que vimos anteriormente e as consequências que lhe são naturais. No v.15 a semente da mulher, que esmagaria a cabeça da Serpente, é Jesus, o Filho de Deus, que no tempo oportuno foi dado por resgate mediante a sua perfeita obediência a Deus, feito como o segundo Adão, realizando aquilo que no Éden nossos pais não conseguiram. Segundo a Escritura, Ele foi escolhido por Deus para realizar o seu propósito redentor, e levou sobre si as dores, as enfermidades e o pecado de seu povo, sofrendo em seu lugar e garantindo ao seu povo, a vida, ao derramar, segundo ensina Isaías, a sua própria alma na morte. O sofrimento que o homem experimenta nessa vida, inclusive o sofrimento emocional é um sintoma da desordem cósmica provocada pelo pecado. Todos os aspectos dessa desordem, inclusive as doenças que nos afetam, são um lembrete doloroso da queda e da necessidade de redenção. Por meio de Cristo, as rupturas causadas pelo pecado são revertidas. Na relação com Deus, por meio de Jesus, recebemos perdão e paz (Rm. 5. 1). No que tange ao eu interior, em Cristo a vida é refeita e a consciência purificada (Hb. 9. 14). Na relação com nossos semelhantes, Jesus promove amor e reconciliação (Ef. 2. 14-16). A salvação em Cristo não elimina a realidade do adoecimento nesta vida, mas oferece esperança, consolo e os recursos necessário para lidar com a dor, enquanto aguardamos a plena restauração na ressurreição (Ap 21.4).
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