O DEVER DE AMAR

DEUS É LUZ E SEUS FILHOS DEVEM VIVER NA LUZ  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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O sermão “O Dever de Amar”, baseado em 1 João 4.7-10, nos confronta com a realidade de que, muitas vezes, buscamos viver a vida cristã segundo nossos próprios interesses, ignorando os deveres revelados na Palavra de Deus. O apóstolo João ensina que o amor é essencial à identidade do cristão, pois procede de Deus, faz parte de Sua natureza e é evidência de novo nascimento e de um relacionamento verdadeiro com Ele. João também mostra que o amor de Deus foi manifestado de forma suprema ao enviar Seu Filho para nos dar vida e pagar por nossos pecados. Esse ato revela que não fomos nós que O amamos primeiro, mas Ele quem nos amou e tomou a iniciativa. Portanto, como povo de Deus, devemos viver em amor — não por conveniência, mas por convicção e obediência — escolhendo amar e agindo com amor, refletindo assim quem Deus é e o que Ele fez por nós.

Notes
Transcript

O DEVER DE AMAR

Introdução:
Muitas vezes, queremos viver a vida cristã do nosso próprio jeito. Desconhecendo as Escrituras — ou mesmo as conhecendo —, insistimos em fazer as coisas segundo nossos desejos e interesses. Seguimos nossas próprias ideias ou filosofias humanas.
Quando somos confrontados pela Palavra de Deus, fechamos os ouvidos aos nossos deveres. E assim, ignoramos o que Deus deseja de nós. Rejeitamos verdades importantíssimas e abraçamos apenas aquilo que nos agrada ou que está de acordo com nossos interesses. Mas não é assim que devemos viver.
Como povo de Deus, a Bíblia nos apresenta deveres que precisamos cumprir. Por exemplo, o dever de “suportar uns aos outros” (Ef 4.2), ou de “sujeitar-nos uns aos outros” (Ef 5.21), entre outros.
Na Primeira Carta de João, capítulo 4, versículos 7 a 10, o apóstolo João apresenta um dever de suma importância para a vida cristã. Esse dever faz parte da natureza de Deus, reflete quem Ele é, e é crucial para a unidade da Igreja, seu crescimento, seu testemunho e a glória de Deus. Esse dever é o dever de amar: O povo de Deus deve viver em amor.
Lição: O Povo de Deus Deve Viver em Amor.
Texto: 1João 4.7-10.
Desde o capítulo 3, a partir do versículo 11, João vem tratando do tema do amor. Ele já mostrou que o amor é uma característica dos filhos de Deus (1Jo 3.11-12), e não do mundo (1Jo 3.13); que é um sinal da nova vida em Cristo (1Jo 3.14-18); um alívio para o coração quanto à salvação (1Jo 3.19-22); e uma evidência da presença de Deus na vida do cristão (1Jo 3.23-24).
Ao iniciar o capítulo 4, o apóstolo continua tratando do amor, mas retoma a questão dos falsos profetas. Neste trecho, João mostra que amar não significa dar crédito a tudo o que o outro diz. Para ele, o povo de Deus, que possui a habitação do Espírito Santo, deve ser cuidadoso e discernir com atenção ao avaliar pessoas ou ensinamentos, buscando determinar se vêm de Deus ou não.
Nos versículos de 1 a 6 do capítulo 4, João apresenta duas grandes lições:
O verdadeiro povo de Deus não dá crédito a qualquer ensino ou pessoa sem antes examinar, à luz das Escrituras, se é realmente de Deus (1Jo 4.1-3).
O povo de Deus tem vencido os falsos mestres (1Jo 4.4-6).
Após esse parêntese sobre os falsos profetas (vv. 1-6), João volta a tratar do amor. Seu desejo é conduzir os cristãos ao amor mútuo e constante. Para isso, no restante do capítulo 4, ele apresenta o amor de Deus, a confiança que se tem diante d'Ele ao viver em amor e o amor como marca da vida com Deus.
O apóstolo João, neste trecho que acabamos de ler, apresenta o amor de Deus como a razão pela qual o povo de Deus deve viver em amor. Ele faz isso mostrando: (1) Quem Deus é (vv. 7-8), e (2) o que Deus fez (vv. 9-10).
Quem Deus é (7-8).
7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. 
João começa reconhecendo que os seus ouvintes são “amados” — amados por ele (João), pelos outros cristãos e, principalmente, por Deus. Ou seja, eles são o povo de Deus.
Em seguida, ele expressa o seu desejo tanto para eles quanto para si mesmo: “amemo-nos uns aos outros”. João se inclui nesse dever de amar mutuamente. O dever de amar não é apenas dos outros, mas de todos nós.
A razão que João apresenta para amarmos uns aos outros é dupla: A origem do amor e a natureza de Deus.
A origem do amor.
João afirma: “o amor procede de Deus”. Portanto, devemos amar uns aos outros, pois, se estamos em Cristo e pertencemos a Deus, o amor d'Ele — que vem diretamente d’Ele — está em nós.
Viver em amor indica duas coisas:
Ter nascido de novo e de Deus (“e todo aquele que ama é nascido de Deus”):
Se realmente nascemos de novo e somos filhos de Deus, nossa vida será marcada pelo amor. Deus é amor e comunica esse amor aos Seus filhos.
Aquele que é nascido de Deus ama os irmãos; por outro lado, quem ainda não nasceu de Deus, ou seja, não tem Deus em sua vida, não pode amar verdadeiramente, pois o amor procede de Deus.
Conhecer a Deus (“conhece a Deus”):
Quem ama, ama porque sabe que Deus é amor. O amor é a evidência de um relacionamento íntimo e pessoal com Deus.
A natureza de Deus.
João declara: “Deus é amor”. Portanto, aquele que não ama demonstra que não conhece a Deus, pois Deus é, em sua natureza, amor.
Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.
É incoerente professar ser filho de Deus e não amar os irmãos. Isso é, na prática, uma contradição.
Amar é uma escolha e uma ação, como está em 1Coríntios 13.4-7. Deus escolheu nos amar e agiu em amor. Do mesmo modo, devemos escolher amar os irmãos e agir com amor.
Aplicação:
Será que temos demonstrado que nascemos de Deus e que conhecemos a Deus por meio do amor fraternal?
O amor fraternal é coerente com caráter amoroso de Deus.
Será que temos demonstrado nosso amor por Deus em nossas escolhas e atitudes?
Quem Deus é? Deus é amor. O amor faz parte da natureza de Deus, e também da nossa nova vida, porque nascemos d’Ele e O conhecemos. Por isso, como povo de Deus que somos, devemos viver em amor.
O que Deus fez (9-10).
9 Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. 10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
O apóstolo João inicia esses dois versículos com a expressão “nisto”: no versículo 9, ele expõe a manifestação do amor de Deus; no versículo 10, revela a essência desse amor. Em ambos os casos, João destaca a ação de Deus, que escolheu nos amar.
A manifestação do amor.
A manifestação do amor de Deus foi em nosso favor:
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós”.
A expressão “em nós” aqui pode ser entendida como “por nós” — ou seja, Deus agiu em benefício do Seu povo.
Mas como se deu essa manifestação? João explica:
em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo”.
E com qual propósito Deus enviou o Seu único Filho?
para vivermos por meio dele”.
Observação:
João 3.16 afirma que Deus amou o mundo. No entanto, aqui, em 1 João 4.9, a manifestação do amor de Deus — o envio de Seu Filho — é aplicada especificamente “em nós”, ou seja, por nós, o Seu povo.
A implicação é que sem Cristo não tínhamos vida, e sem essa vida, não tínhamos o verdadeiro amor. Agora, em Cristo, temos vida — e não apenas no sentido de salvação eterna, mas também de qualidade de vida. E uma das qualidades da vida em Cristo é o amor.
A essência do amor.
A essência do amor não consiste em nosso amor por Deus:
Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus...
Pelo contrário, o verdadeiro amor consiste em:
“...em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.
O que João nos ensina aqui é profundo e confrontador. Ele derruba a ideia de que Deus nos amou porque primeiro O amamos. Muitos acreditam que a eleição divina se baseia em Deus ter “previsto” quem O amaria e, com base nisso, os teria escolhido. Mas João mostra que Deus nos amou primeiro, sem depender de qualquer amor prévio da nossa parte (ver também 1Jo 4.19).
Sem Cristo, não teríamos nem a capacidade de amar a Deus.
Deus decidiu nos amar — a nós, pecadores:
Em que Ele nos amou...”
E demonstrou esse amor por meio de uma ação concreta:
“...e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados.”
Com qual propósito? Pagar pelos nossos pecados:
“...como propiciação pelos nossos pecados.”
O que significa “propiciação”? A palavra “propiciação” traz a ideia de expiação, conciliação, apaziguamento da ira, perdão. Significa que Deus, em Cristo, apaziguou a Sua própria ira, pagou o preço dos nossos pecados, removeu nossa culpa e nos ofereceu perdão. Por exemplo, Números 5.8 e Salmo 130.4. Paulo mostra isso em Romanos 3.25. Como também o autor de Hebreus em Hebreus 2.17.
Esse era o desejo do publicano, na parábola contada por Jesus: O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (Lc 18.13).
Deus fez o inimaginável: amou pecadores e deu o Seu único Filho para pagar pelos pecados deles. Que amor extraordinário!
Aplicação:
A vida que Deus nos deu em Cristo vai além da eternidade. Ela inclui uma qualidade de vida aqui e agora — uma vida marcada pelo amor mútuo e contínuo.
Será que o amor de Deus por nós não nos constrange a amar aqueles que também são amados por Ele?
Cristo amou pecadores e morreu por eles, para que, como pecadores regenerados, amemos uns aos outros.
O que Deus fez por nós, em amor, é mais do que suficiente para nos motivar a agir uns pelos outros, com amor.
Conclusão:
Irmãos, precisamos lembrar que é nosso dever amar uns aos outros. E temos, pelo menos, dois grandes motivos:
Quem Deus é, e
O que Ele fez por nós.
A natureza amorosa de Deus e Sua ação salvadora em nosso favor devem ser suficientes para destruir nosso orgulho, interesses egoístas, desejos carnais, ira, ódio, inveja, entre outros, e nos conduzir ao amor fraternal.
Se isso não for suficiente, talvez ainda não conheçamos a Deus, e talvez nossos pecados ainda não tenham sido pagos por Cristo.
Lembre-se: Amar é uma escolha e uma ação. É nosso dever, como povo de Deus, amar uns aos outros. Portanto, como povo de Deus, escolhamos nos amar mutuamente e ajamos em amor.
7 Amados, amemos uns aos outros, porque o amor é de Deus, e todo aquele que está amando é nascido de Deus e conhece a Deus. 8 Quem não está amando não conheceu a Deus, porque Deus é amor. 9 Nisto o amor de Deus foi manifestado por nós, a saber: Deus enviou o Seu único Filho ao mundo, para que vivamos por meio d’Ele. 10 Nisto está o amor: não que tenhamos amado a Deus, mas que Ele nos amou e enviou o Seu único Filho para fazer expiação dos nossos pecados.
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