Eclesiastes 1:3-18

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Notes
Transcript

Preparando

Quantos estão lendo o livro?
E durante a leitura, como vocês tem se sentido?
Estão tentando refletir mais sobre a vida, sobre o sentido da vida?

Leitura bíblica

Eclesiastes 1:2-18
Vamos relembrar, gente. Estamos assumindo que o Pregador é muito provavelmente Salomão. Uma figura conhecida mundialmente por sua sabedoria e riqueza, não é mesmo?
Sendo assim, percebam o que ele diz logo de início. Tudo é “vaidade”. Lembram da palavra hebraica? Hevel ou, como vi em um comentário, hebel (aportuguesado).
Se Salomão, que foi o homem mais rico da sua época, o homem mais conhecido, o homem mais sábio, chegou a uma conclusão dessas. O que dirá nós hoje? Nós somos a geração mais conectada, com mais acesso à informação (especialmente agora com o uso das IAs que ajudam em praticamente tudo no que se refere à aquisição, depuração e tratamento de informações), mas também somo uma das gerações mais ansiosas e vazias. Nós somos movidos pelos nossos interesses, pelas nossas paixões, por aquilo que nos agrada e nos enche os olhos. Mas ao mesmo tempo, nada disso nos preenche por completo. Logo se desfaz. É hevel.
Okay, vamos olhar para o texto mais uma vez e partes por partes, vamos tentar extrair verdades para nós.
O Pregador vai a partir de agora, expor suas palavras e propor um exercício mental, filosófico na busca por procurar um significado nesta vida “debaixo do sol”.

1. Conquistar tudo não traz realização (vs 2-3).

Ecclesiastes 1:2–3 “Vaidade de vaidades, diz o Pregador. Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito alguém tem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?”
Percebam aqui que trabalho é todo esforço empreendido para alcançar um resultado, beleza?
Então, a primeira coisa que o Pregador coloca de frente para nós é que. De que adianta se esforçar tanto? (Seja nos estudos, seja na vida profissional, seja num relacionamento, em sua vida espiritual, na igreja...?)
E aqui merece a primeira reflexão, de cara. No que você tem empreendido mais seu esforço e sua energia?
Agora pensa, por que você tem se esforçado tanto nisso? Qual é o teu objetivo final? E quando você alcançar isso?
O Pregador joga essa pergunta e logo em seguida ele vai mostrar duas coisas que ele observou enquanto busca entender essa vaidade.
A primeira coisa que ele observa é a natureza. Seu ciclo perpétuo e nossa finitude diante de tudo isso.

2. A vida é repetitiva e sem propósito (vs. 4-11)

Ecclesiastes 1:4–11 “Geração vai e geração vem, mas a terra permanece para sempre. O sol se levanta, e o sol se põe, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo. O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; dá voltas e mais voltas e retorna aos seus circuitos. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá eles voltam a correr. Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol. Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós. Já não há lembrança das coisas que se foram; e das coisas que ainda virão também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.”
Esse ciclo, ele observa em quatro aspectos da natureza. E o quinto, é aquilo que engloba os outros quatro.
Primeiro é a terra (v.3). Aquilo que está debaixo do sol.
Segundo, ele observa o ciclo do sol. Ecclesiastes 1:5 “O sol se levanta, e o sol se põe, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo.”
Em seguida, ele observa o ciclo do vento. Ecclesiastes 1:6 “O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; dá voltas e mais voltas e retorna aos seus circuitos.”
Em quarto lugar, ele observa o ciclo dos rios. Ecclesiastes 1:7 “Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá eles voltam a correr.”
É quase o Avatar. Os quatro elementos que compõem o mundo físico. Mas tem um quinto, que é o mais angustiante para ele. O tempo.
Vejam Ecclesiastes 1:8–11 “Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; não há nada de novo debaixo do sol. Será que existe alguma coisa de que se possa dizer: “Veja! Isto é novo!”? Não! Já existiu em tempos passados, muito antes de nós. Já não há lembrança das coisas que se foram; e das coisas que ainda virão também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.”
Assim como a natureza, nós estamos procurando, dentro deste ciclo, um significado, nos sentir completos. Mas a natureza e o que ela oferece não pode nos preencher.
Nossos olhos veem tantas coisas, mas não se cansam de ver. Querem ver mais.
Nossos ouvidos querem ouvir e saber de mais e mais coisas. Nunca estam satisfeitos.
E quando a gente pensa que conseguiu descobrir algo novo. Algo que aparentemente nos satisfaz. Logo descobrimos: isso já existia. Muito antes de mim.
Eu já tive uns momentos desses. Com música, com jogos… achava que tinha descoberto uma banda que ninguém tinha ouvido falar para logo descobrir que já tem uns bons milhões de pessoas seguindo, ouvindo e curtindo.
Uma frustração grande que tive na universidade. Caso LabTEVE.
E vocês não concordam que esses versículos são a descrição da nossa realidade hoje?
Esse último verso me pega muito… Ecclesiastes 1:11 “Já não há lembrança das coisas que se foram; e das coisas que ainda virão também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas.”
Ou seja, vaidade… Suas buscas, suas conquistas, o reconhecimento… como é sempre a mesma coisa. Vai ser apenas uma coisa pontual. Acho interessante esse pensamento também porque a gente tem dia para tudo. Já perceberam? Sai ano e entra ano. Comemoramos pai, mãe, criança, amigo, dentista, animal… É interessante de perceber isso porque Deus ensina o povo de Israel a contar os dias e a relembrar as bençãos do Senhor por meio de festas, festivais e afins…

3. Conhecimento por conhecimento não traz satisfação (vs 12-18)

A segunda observação do Pregador e o nosso terceiro e último ponto é sobre a sabedoria. Como a natureza não trouxe satisfação a ele. Ele agora vai dizer que experimentou a sabedoria, o conhecimento.
Para você, o que é ser sábio? Como você identifica que alguém é sábio?
Percebam no texto que sabedoria não é apenas conhecimento. É isso e mais um pouco. Percebem isso quando ele diz Ecclesiastes 1:13 “Dediquei-me a investigar e a me informar com sabedoria a respeito de tudo o que se faz debaixo do céu. Que enfadonho trabalho Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir!”
Essa sessão pode ser dividida em duas partes. E elas são divididas em mais duas partes.
A primeira parte são os versículos 13-14. E a conclusão da observação dela está no versículo 15.
A segunda parte são os versículos 16-17. E a conclusão da observação dela está no versículo 18.
Se vocês colocarem elas lado a lado vão perceber um paralelismo no texto.
O Pregador utiliza desse recurso literário para nos expor ao seguinte pensamento: ter conhecimento, buscar sabedoria, ser o mais inteligente também não é suficiente para nos satisfazer. Isso pode me trazer um conforto, um certo reconhecimento, uma certa fama, mas também pode afastar as pessoas, pode trazer a ira, a inveja e o ciúme de outras pessoas. E no fim, fica só o vazio de algo que não foi suficiente para satisfazer o desejo de uma alma sedenta.
Tá, o texto foi explicado. Falamos algumas coisas sobre o que pudemos observar do ponto de vista do Pregador, mas e para nós? Terminar o texto assim deixa um certo sabor desagradável na boca, não? Pelo menos eu me senti assim enquanto li o texto e me perguntei: é isso? O que esse texto tá tentando me ensinar, então?
Qual é a expressão mais repetida só nesse bloquinho de texto que lemos aqui? “É vaidade” e “é correr atrás do vento”. Em determinado momento ele utiliza até as duas expressões juntas, no mesmo versículo, não é? Então, o que isso significa?
Que nem na natureza, nem na sabedoria o homem consegue encontrar significado na vida. Eles podem até brevemente nos dar um certo consolo e inspiração, mas no “long run”, na extensa estrada da vida. Eles não são suficientes. Precisamos de mais alguma coisa. E o Pregador tem mais coisa para nos apresentar… ah se tem, mas por hoje vamos tentar preencher esse vazio?

Aplicações

A primeira coisa que eu quero, baseado nessas três verdades que observamos anteriormente:
Conquistar tudo não traz realização
cuidado para não construir sua identidade em cima de conquistas, desejos, pessoas, reconhecimento...
A nossa identidade deve estar firmada na verdade de quem Jesus é e do que Ele fez por nós. Sem Deus, nós não podemos existir e se não existismos nem identidade temos. O que temos são tentativas de firmar, fincar as raizes, do nosso EU em solos e terrenos que não dão sustentação. Que quando saem de cena, a gente desmorona. Porque no fim, o tempo vai levar tudo: pais, amigos, filhos, conjuge, beleza, bens materiais, o conhecimento, as memórias, as alegrias, as lutas… Isso só vai ter sentido quando tudo for resignificado debaixo do prisma do Evangelho de Jesus Cristo. (John 10:10 “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” )
A vida é repetitiva e sem propósito
Sem Deus na equação, nossa vida parece um ciclo que não acaba. Até a própria ideia do ciclo da vida humana (tá no nome): nascer, crescer, reproduzir e morrer. Geração vai e geração vem e a Terra continua girando, o tempo passando, as estações se repetindo...
Ou Deus faz parte da nossa história, para redimir o nosso tempo, nosso propósito de existir, ou entramos em parafuso. E a vida realmente não vai fazer sentido.
Lembra qual é a máxima que Paulo ensina aos Coríntios? 1 Corinthians 10:31 “Portanto, se vocês comem, ou bebem ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” Tudo o que somos, tudo o que temos, tudo o que conquistamos. Em tudo isso, a glória de Deus deve ser destacada.
O conhecimento por si só não traz satisfação
Buscar a sabedoria é bom. É ótimo e devemos busca-la. Olha o que Provérbios nos ensina:
Proverbs 2:12–14 “A sabedoria o livrará do caminho do mal e do homem que diz coisas perversas; dos que abandonam as veredas da retidão, para andarem pelos caminhos das trevas; dos que têm prazer em fazer o mal e se alegram com as perversidades dos maus,”
Proverbs 3:13–18 “Feliz é quem acha a sabedoria; feliz é aquele que alcança o entendimento. Porque o lucro que a sabedoria dá é melhor do que o lucro da prata, e a sua renda é melhor do que o ouro mais fino. A sabedoria é mais preciosa do que as joias, e tudo o que você possa desejar não se compara com ela. Em sua mão direita ela oferece vida longa, e na sua mão esquerda ela tem riquezas e honra. Os seus caminhos são caminhos agradáveis, e todas as suas veredas são paz. Ela é árvore de vida para os que a alcançam, e felizes são todos os que a retêm.”
Proverbs 24:13–14 “Meu filho, coma mel, porque é saudável, e o favo, porque é doce ao seu paladar. Saiba que assim é a sabedoria para a sua alma. Se você a encontrar, haverá um futuro, e a sua esperança não será frustrada.”
Mas até esses textos foram escolhidos propositalmente porque:
Proverbs 2:1–9 “Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no seu coração os meus mandamentos; se você der ouvidos à sabedoria e inclinar o seu coração ao entendimento; sim, se você pedir inteligência e gritar por entendimento; se buscar a sabedoria como a prata e a procurar como se procuram tesouros escondidos, então você entenderá o temor do Senhor e achará o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, e da sua boca vem o conhecimento e a inteligência. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; é escudo para os que andam com integridade, guardando as veredas da justiça e conservando o caminho dos seus santos. Então você entenderá a justiça, o juízo e a equidade — todas as boas veredas.”
Sendo assim, como buscamos a sabedoria e o conhecimento e a inteligência? Paulo nos diz assim: Philippians 3:8–11 “Na verdade, considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, mas aquela que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé. O que eu quero é conhecer Cristo e o poder da sua ressurreição, tomar parte nos seus sofrimentos e me tornar como ele na sua morte, para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.”
Será que estamos dispostos a isso meus amigos?
Será que realmente não estamos apenas nos perdendo em vaidade e correndo atrás do vento?
Eu fico pensando, meu amigo… eu nunca vou alcançar essa fé de Paulo! Mas quer saber? Isso é vaidade da minha parte. O que eu preciso alcançar é Cristo. Se Jesus não for o autor e consumador da minha fé, eu nunca serei como Ele. Nunca viverei o verdadeiro evangelho e toda a minha vida vai ter sido um sopro sem sentido e vazio, um hevel.
Vamos orar.
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