JOSÉ DE ARIMATÉIA E A IGREJA DE CRISTO
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José de Arimatéia e a Igreja de Cristo
José de Arimatéia e a Igreja de Cristo
José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, enchendo-se de coragem, foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
Pilatos admirou-se de que ele já estivesse morto e, chamando o centurião, perguntou-lhe se, de fato, ele havia morrido.
E, depois de informado pelo centurião, cedeu o corpo a José;
este, comprando um pano de linho, tirou o corpo da cruz, envolveu-o no pano e colocou-o num sepulcro aberto na rocha. E rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro.
INTRODUÇÃO
Nos momentos finais da crucificação, quando o cenário era de abandono, vergonha e aparente derrota, surge um personagem que, até então, era quase invisível nas páginas do Evangelho: José de Arimateia.
Ele não era um dos doze discípulos, não esteve em destaque nos milagres, nem aparece nos grandes debates com os fariseus.
Mas quando o corpo de Cristo estava ferido, exposto e rejeitado, José se levantou com ousadia, fé e honra.
A Escritura nos apresenta José como um “senador honrado”, membro do Sinédrio, a mesma instituição que condenou Jesus à morte. No entanto, Marcos e Lucas destacam que ele “esperava o Reino de Deus”.
José era, em segredo, um discípulo, alguém que cria, mas ainda não havia se posicionado publicamente.
E foi exatamente no momento em que muitos discípulos fugiram, que ele se posicionou.
Isso já nos mostra algo poderoso:
A fidelidade a Cristo não se mede pelos momentos de glória, mas pelas atitudes nos dias de dor e silêncio.
A fidelidade a Cristo não se mede pelos momentos de glória, mas pelas atitudes nos dias de dor e silêncio.
José fez o que ninguém ousou fazer:
Foi até Pilatos e pediu o corpo de Jesus, algo extremamente arriscado, pois se identificava como seguidor de um “condenado político e religioso”.
Comprou um lençol novo, um ato de honra e reverência.
Retirou o corpo de Jesus da cruz, o envolveu cuidadosamente e o colocou num sepulcro lavrado numa rocha, onde ainda ninguém havia sido colocado.
O que parece um simples gesto fúnebre, na verdade, é um ato profético.
Isaías 53:9 declara que o Messias seria sepultado “com o rico na sua morte”, e José, um homem de posses, foi instrumento de cumprimento dessa profecia.
Mas mais do que isso: ele nos ensina algo profundo sobre como devemos tratar o Corpo de Cristo hoje.
Hoje, o corpo físico de Jesus não está mais aqui, mas a Igreja é o Seu Corpo vivo na terra.
Eu e você, somos a igreja, representamos a igreja, representamos Cristo, representamos o seu corpo.
E assim como Jesus foi ferido, ensanguentado, despido e rejeitado na cruz, a Igreja também tem sido ferida, exposta e criticada.
Em vez de cuidarmos dela com honra, muitos hoje expõem suas falhas, zombam de suas imperfeições e esquecem que ela continua sendo a Noiva de Cristo.
José de Arimateia não se preocupou com quem estava assistindo.
Ele não se envergonhou de tocar o corpo morto, ferido e ensanguentado.
Ele não ficou esperando que outros fizessem o trabalho difícil.
Ele agiu com amor, coragem e reverência.
E isso nos confronta:
Como temos tratado o Corpo de Cristo hoje - a Igreja?
Como temos tratado o Corpo de Cristo hoje - a Igreja?
Estamos cuidando dela com reverência ou expondo suas fraquezas ao mundo?
Estamos honrando o que Cristo ama ou repetindo a voz daqueles que zombam do que não entendem?
A atitude de José nos chama a uma reflexão profunda:
Num tempo em que tantos querem se afastar da Igreja por causa de suas falhas, será que Deus não está nos chamando para fazer o oposto, nos aproximarmos, servirmos e restaurarmos com honra aquilo que ainda é o Corpo do Seu Filho?
1. José de Arimatéia: um discípulo corajoso e discreto
1. José de Arimatéia: um discípulo corajoso e discreto
José de Arimateia é um dos personagens mais enigmáticos e surpreendentes da narrativa da crucificação.
Segundo João 19:38, ele era discípulo de Jesus, ainda que em oculto, por medo dos judeus.
Era um homem influente, membro do Sinédrio, o conselho religioso mais poderoso de Israel. Um lugar de prestígio, status e influência.
Entretanto, mesmo ocupando uma posição dentro do sistema que condenou Jesus, José carregava em seu coração algo diferente: ele esperava sinceramente o Reino de Deus.
Ele não se deixou corromper pela religiosidade que o cercava.
Não se deixou cegar pelo poder, nem endurecer pela política.
Mesmo em silêncio, ele mantinha viva sua fé no Messias.
Mas o momento que o define não foi durante os milagres, nem nas multidões.
Foi na hora da dor, da morte, do silêncio e do escândalo.
Quando todos se calaram.
Quando os discípulos fugiram.
Quando Pedro negou.
José se levantou.
E ele não fez isso em meio a aplausos, mas no meio da vergonha.
Foi até Pilatos, identificou-se como seguidor de Jesus e pediu o corpo crucificado do Mestre.
Isso foi mais do que coragem, foi um ato de fé profunda e honra inabalável.
Ele arriscou sua reputação, sua posição e talvez até sua segurança, para não deixar o corpo de Cristo exposto à humilhação.
Aplicação:
Em tempos como os nossos, onde a fé está sendo banalizada e a Igreja muitas vezes é atacada ou escandalizada, precisamos de crentes como José de Arimateia:
Que não precisam estar nos holofotes para serem relevantes no Reino. Que não precisam estar nos altares, nos microfones, não precisam de cargos (o que muitos até brigam dependo do cargo e da função).
Que não se escondem atrás do medo, mas se levantam na hora certa.
Que não se vendem ao sistema, mas mantêm seu coração firme na promessa.
Que não se aproveitam das falhas do Corpo de Cristo para atacar, mas se colocam como intercessores e restauradores.
O corpo de Cristo hoje, a Igreja, ainda enfrenta abandono, escárnio e feridas.
Muitos a deixam na cruz, exposta e desacreditada.
Mas Deus está levantando discípulos discretos, porém corajosos, que assumem a responsabilidade de honrar e cuidar da Noiva de Cristo, mesmo quando isso custa caro.
Nem todo herói da fé tem um microfone. Alguns têm um lençol nas mãos e coragem no coração.
Nem todo herói da fé tem um microfone. Alguns têm um lençol nas mãos e coragem no coração.
Nem todo discípulo é visto nas multidões. Alguns aparecem quando a cruz está vazia e o corpo está ferido.
Nem todo discípulo é visto nas multidões. Alguns aparecem quando a cruz está vazia e o corpo está ferido.
2. Cobrir a nudez do corpo de Cristo
2. Cobrir a nudez do corpo de Cristo
este, comprando um pano de linho, tirou o corpo da cruz, envolveu-o no pano e colocou-o num sepulcro aberto na rocha. E rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro.
Jesus morreu nu na cruz.
Sua nudez exposta falava de vergonha, humilhação, dor pública.
O Criador do universo, totalmente vulnerável, entregue ao desprezo humano — rejeitado, sangrando, envergonhado.
Mas José de Arimateia não o deixou assim.
Ele não permitiu que o corpo do Salvador ficasse exposto ao escárnio de todos.
Ele foi, comprou um pano de linho, o melhor tecido da época, e cuidadosamente cobriu o corpo de Jesus com honra e dignidade.
Ele o tirou da cruz com reverência. Ele cuidou das feridas. Ele fez o que era necessário — porque ele entendeu o valor daquele Corpo.
A Igreja: o Corpo de Cristo hoje
A Palavra de Deus é clara:
“Ora, vocês são o corpo de Cristo, e individualmente, membros desse corpo.” (1 Coríntios 12:27)
Hoje, o corpo físico de Jesus não está mais na cruz — mas a Igreja é a expressão viva do Seu corpo na terra.
E, assim como naquela época, esse corpo ainda está sujeito a feridas, fraquezas, quedas e vergonha.
A Igreja falha.
Líderes erram.
Crentes se desviam.
Escândalos acontecem.
Feridas se abrem.
E em vez de honrar e cuidar, muitos hoje escolhem expor a nudez do Corpo de Cristo:
Compartilhando fofocas como se fossem notícias.
Viralizando escândalos como se fosse justiça.
Criticando líderes e ministérios com fúria, mas sem oração.
Sentando para julgar o Corpo que Cristo deu Seu sangue para salvar.
O chamado de José ainda ecoa
José de Arimateia nos ensina que cuidar do Corpo de Cristo é um ato de adoração e coragem.
Ele não expôs, ele cobriu.
Ele não julgou, ele serviu.
Ele não abandonou, ele honrou.
Cobrir a nudez do corpo de Cristo não significa esconder pecado, significa tratar com graça e verdade.
Cobrir a nudez do corpo de Cristo não significa esconder pecado, significa tratar com graça e verdade.
Significa confrontar com amor, restaurar com misericórdia, e proteger com discernimento.
Significa confrontar com amor, restaurar com misericórdia, e proteger com discernimento.
“O amor cobre uma multidão de pecados.” (1 Pedro 4:8)
Não para ignorá-los, mas para não expor à vergonha pública aquilo que pode ser restaurado no secreto com Deus.
Aplicação prática:
Quando você vê a fraqueza da Igreja, qual é sua reação?
Você ora ou compartilha?
Você se compadece ou critica?
Você se afasta ou se aproxima como José?
A Igreja é imperfeita, sim, mas continua sendo a Noiva amada de Cristo.
E quem ama o Noivo, honra a Noiva.
Não seja mais um que aponta a cruz, seja aquele que desce dela o Corpo ferido e cuida com amor.
Não seja mais um que aponta a cruz, seja aquele que desce dela o Corpo ferido e cuida com amor.
3. Jesus é o dono da Igreja
3. Jesus é o dono da Igreja
O corpo que José de Arimateia tirou da cruz não era qualquer corpo.
Não era o de um simples profeta, nem de um homem justo entre tantos.
Era o corpo do próprio Filho de Deus, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
Um corpo ferido, ensanguentado, humilhado, mas santo, precioso, divino.
E José tratou esse corpo com reverência.
Não por causa da aparência. Não pelas circunstâncias. Mas porque ele sabia de quem era aquele corpo.
A Igreja é o Corpo de Cristo, e ela tem um Dono
Tem gente que diz: “O pastor quer mandar na igreja sozinho.”
Preste atenção: Eu não mando, eu obedeço um direcionamento divino.
Os diáconos não mandam.
O conselho não manda.
Por quê? Porque esta igreja tem um dono: JESUS CRISTO.
A Igreja não é uma organização humana, nem uma associação comum.
Ela é o Corpo de Cristo, e tem um Dono soberano.
O Novo Testamento é claro e cristalino ao afirmar isso:
“Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, que ele comprou com o seu próprio sangue.” (Atos 20:28)
“Cristo amou a igreja e se entregou por ela.” (Efésios 5:25)
Esses versículos são um lembrete inegociável:
A Igreja tem dono - e seu Dono é Jesus.
Ela foi comprada não com ouro, não com influência, mas com o sangue do próprio Filho de Deus.
Por isso, liderança fiel não é busca de poder, mas submissão ao Senhor da Igreja.
Eclesiásticos não são tiranos, mas servos chamados a cuidar do rebanho que pertence a Deus.
Por que isso é tão sério?
Porque ao falar da Igreja com desdém, ao criticar de forma destrutiva, ao zombar ou abandonar a comunhão, não estamos apenas ferindo pessoas, estamos desonrando aquilo que pertence a Cristo.
A Noiva pode estar ferida, mas é ainda a Noiva do Cordeiro.
O corpo pode estar com cicatrizes, mas é ainda o corpo do Senhor.
Quando alguém despreza a Igreja por causa de suas imperfeições, está esquecendo de olhar com os olhos do Noivo, que a ama, a purifica, a sustenta e voltará para buscá-la.
Aplicação prática:
Não critique a Igreja como quem fala de uma empresa que não agradou.
Não trate a Igreja como um produto que você pode trocar se não te satisfaz.
Não exponha a Noiva que Cristo amou a ponto de morrer por ela.
Quem ama a Jesus, honra aquilo que pertence a Jesus.
Quem ama a Jesus, honra aquilo que pertence a Jesus.
E sim, a Igreja tem falhas, pois é feita de gente.
Mas a resposta bíblica às falhas não é o abandono, mas a intercessão.
Não é a condenação, mas a restauração.
Zombar da Igreja é zombar do que foi comprado com o sangue de Jesus.
Zombar da Igreja é zombar do que foi comprado com o sangue de Jesus.
Se José cuidou com honra do corpo morto de Cristo, quanto mais nós devemos honrar o corpo vivo (igreja) que Ele ainda ama!
Se José cuidou com honra do corpo morto de Cristo, quanto mais nós devemos honrar o corpo vivo (igreja) que Ele ainda ama!
4. Expor a Igreja no seu lado positivo
4. Expor a Igreja no seu lado positivo
e depositou-o em seu sepulcro novo, que havia escavado na rocha; e, fazendo rolar uma grande pedra sobre a entrada do sepulcro, retirou-se.
José de Arimateia não apenas cuidou do corpo de Jesus com reverência, ele escolheu um lugar digno para depositá-lo.
Um sepulcro novo, cavado na rocha, reservado, provavelmente para si e sua família.
Um ato de honra. Um gesto silencioso, mas carregado de significado.
Ele não escondeu Jesus em qualquer canto, ele o apresentou com dignidade.
E isso fala conosco hoje de forma poderosa.
Muitos, hoje, só mostram o lado quebrado, feio e doloroso da Igreja.
Só falam de escândalos, feridas, imperfeições e divisões.
Apontam o dedo para líderes caídos, abusos espirituais e estruturas falhas, e sim, infelizmente, isso existe. Mas isso não é tudo o que existe.
A Igreja ainda é o lugar onde a graça opera.
Ela é, como Paulo escreveu, “a coluna e baluarte da verdade” (1 Timóteo 3:15).
Ela é o ambiente onde vidas são transformadas, pecadores são salvos, lares são restaurados, vocações são despertadas e feridos são curados.
O mundo já vê os defeitos da Igreja, o que ele precisa ver agora é o poder de Deus agindo nela.
O mundo já vê os defeitos da Igreja, o que ele precisa ver agora é o poder de Deus agindo nela.
Quem ama a Igreja, a honra.
Não de forma cega ou alienada, mas com discernimento e fé.
Você pode confrontar falhas e ainda assim valorizar o que Deus está fazendo.
José de Arimateia não negou que Jesus estava morto, mas ele o tratou com honra.
E nós, mesmo vendo uma Igreja em luta, em processo, em amadurecimento, ainda devemos apresentá-la ao mundo com dignidade.
Aplicação prática:
Quando você fala da Igreja, você apresenta um cadáver ou uma promessa viva?
Você é do tipo que repete as críticas do mundo, ou aquele que mostra o que Deus ainda está fazendo no meio do Seu povo?
Você está construindo um “sepulcro digno” — um espaço de honra e respeito — ou espalhando sujeira que obscurece a beleza da Noiva?
A Igreja tem feridas, mas também tem frutos.
Tem escândalos, mas também tem milagres.
Tem homens falhos, mas tem um Senhor perfeito que continua a governá-la.
Criticar é fácil. Construir é raro. Honrar é espiritual.
Criticar é fácil. Construir é raro. Honrar é espiritual.
Não seja mais uma voz que aponta falhas, seja alguém que revela a glória escondida no meio da lama.
Não seja mais uma voz que aponta falhas, seja alguém que revela a glória escondida no meio da lama.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
José de Arimateia nos ensina que a verdadeira fé não se limita ao discurso — ela se manifesta em gestos concretos de honra, coragem e compromisso.
Ele não abandonou o corpo ensanguentado de Jesus na cruz, como muitos fizeram.
Ele não se envergonhou de ser associado ao Crucificado.
Pelo contrário, ele cuidou com reverência, envolveu com dignidade e sepultou com honra.
Esse é o chamado para nós hoje: cuidar da Igreja, o Corpo de Cristo na terra, com a mesma honra, fé e sensibilidade.
Mesmo ferida, a Igreja ainda é a Noiva do Cordeiro.
Mesmo imperfeita, ela continua sendo o lugar onde Deus age, fala, salva, cura e transforma.
Em tempos de críticas públicas, escândalos dolorosos e crescente desprezo pela fé, Deus está levantando discípulos como José: discretos, mas cheios de coragem; ocultos, mas cheios de honra.
Que sejamos esses — que cobrem, intercedem, restauram e mostram ao mundo que, apesar de suas lutas, a Igreja continua sendo a amada do Senhor.
E como disse Jesus:
"...as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mateus 16:18)
APLICAÇÃO PRÁTICA
Em meio ao materialismo, ao individualismo e ao ceticismo crescente contra a fé cristã, o verdadeiro discípulo:
Ora mais do que critica.
Constrói mais do que destrói.
Ama mais do que acusa.
Defende mais do que expõe.
A crítica não edifica. A fofoca não cura. O abandono não transforma.
O que transforma é a intercessão, a compaixão e o compromisso com a verdade em amor.
A crítica não edifica. A fofoca não cura. O abandono não transforma.
O que transforma é a intercessão, a compaixão e o compromisso com a verdade em amor.
Lembre-se: a Igreja não é um projeto humano, mas propriedade exclusiva de Cristo, adquirida com Seu sangue (At 20:28).
Ela não pertence a pastores, denominações ou placas. Ela pertence ao Cordeiro.
Assim como José cobriu a nudez do Salvador, cubremos hoje a Igreja com oração, jejum, honra e compromisso.
Sejamos aqueles que levantam o Corpo, não os que o deixam exposto à vergonha.
A fé madura não abandona o corpo ferido, ela o restaura com amor e reverência.
A fé madura não abandona o corpo ferido, ela o restaura com amor e reverência.
E quem honra a Igreja, honra o Noivo.
E quem honra a Igreja, honra o Noivo.
