Instruções Apostólicas Rm 15.1-33

O Evangelho do Cristo Ressurreto  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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1️⃣ Introdução

Conexão com o capítulo 15

Romanos 15 é o fechamento da seção prática da epístola (caps. 12–15).
Paulo une doutrina e vida, mostrando que o evangelho não é apenas crença, mas é sobre se tornar seguidor de Cristo.
O pano de fundo deste capítulo é um contraste: o evangelho do Reino apresenta o homem espiritual como expressão da imago Dei, enquanto a cultura hedonista, humanista e materialista trata o homem como fim em si mesmo, sedento por sensações, prazer e bem estar.
Esse choque cultural explica a insistência de Paulo na edificação mútua. Pois Uma comunidade dividida não glorifica a Deus, seja pelo ego inflado de líderes carnais, seja pela rebeldia de quem rejeita a sã doutrina.

Direção para o sermão

A partir desse cenário, Romanos 15 oferece instruções apostólicas para três áreas vitais:
Confrontar a mentalidade hedonista e abraçar a cultura do Reino (vv.1–13);
Viver a práxis missional de uma igreja apostólica (vv.14–33);
Responder ao chamado de Deus com maturidade, generosidade e oração.

2️⃣ A Cultura do Reino x a Cultura Hedonista (Rm 15.1-13)

1 - Ora, nós que somos fortes na fé temos de suportar as debilidades dos fracos e não agradar a nós mesmos.
2 - Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.
3 - Porque também Cristo não agradou a si mesmo; pelo contrário, como está escrito: “Os insultos dos que te insultavam caíram sobre mim.”
4 - Pois tudo o que no passado foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
5 - Ora, o Deus da paciência e da consolação lhes conceda o mesmo modo de pensar de uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,
6 - para que vocês, unânimes e a uma só voz, glorifiquem o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
7 - Portanto, acolham uns aos outros, como também Cristo acolheu vocês para a glória de Deus.
8 - Pois digo que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais
9 - e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia, como está escrito: “Por isso, eu te glorificarei entre os gentios e cantarei louvores ao teu nome.”
10 - E também diz: “Alegrem-se, ó gentios, com o povo de Deus.”
11 E ainda: “Louvem o Senhor, todos vocês, gentios, e todos os povos o louvem.”
12 - Também Isaías diz: “Virá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar os gentios; nele os gentios esperarão.”
13 - E o Deus da esperança encha vocês de toda alegria e paz na fé que vocês têm, para que sejam ricos de esperança no poder do Espírito Santo.

1. Contraste de cosmovisões

Paulo apresenta um choque entre duas lógicas de vida:
O evangelho do Reino, que vê o homem como portador da imago Dei, chamado a viver para Deus e servir ao próximo.
A cultura hedonista, que transforma o homem em fim último, buscando sensações e satisfação pessoal, inclusive no ambiente religioso.
Quando essa mentalidade entra na igreja, surgem divisões, disputas e carnalidade — seja pelo ego inflado de líderes, seja pela rebeldia contra a sã doutrina.

2. O chamado dos fortes (vv.1–2)

Os “fortes” são convidados a usar maturidade para edificar, não para esmagar consciências. Suportar os fracos significa carregar seus pesos, não desprezá-los.
Força espiritual não é liberdade irrestrita, mas renúncia voluntária em favor da edificação.
Aplicação: no Reino, quem tem mais luz é chamado a servir, não a dominar.

3. Cristo como modelo (v.3)

Jesus não viveu para agradar a si mesmo, mas suportou injúrias por amor ao Pai e à humanidade. Sua cruz revela um estilo de vida: renúncia para salvar.
A maturidade cristã se mede pela disposição de seguir o caminho do servo.
Aplicação: abrir mão de conveniências para promover comunhão e cuidado.

4. A Escritura como fonte de esperança (v.4)

A Palavra alimenta paciência, ânimo e esperança. Quem bebe das Escrituras não vive refém do prazer imediato, mas aprende a perseverar com propósito eterno.

5. Unidade e acolhimento (vv.5–7)

Paulo não escreve para vencer debates, mas para ganhar corações.
O “mesmo modo de pensar” é obra do Deus da perseverança, não ferramenta de controle.
É de um “mesmo modo de pensar” que nascem a unidade e maturidade.
Pastores e líderes precisam encarnar a Palavra no cotidiano, tornando-se exemplo vivo do ensino.
A função do ministro não é manipular consciências, mas conduzir pessoas a Cristo por meio de uma vida coerente.
“Acolher” significa abrir espaço para o outro em nossa vida, e não tentar encaixá-lo no nosso molde.
Olhares desconfiados criam feudos religiosos estéreis; já um olhar bom reconhece que o próximo, embora pecador, foi criado para refletir a imagem de Deus.
Uma igreja saudável vê pessoas antes de ver problemas, e esperança antes de ver riscos.

6. Cristo, Servo e Salvador de todos (vv.8–13)

Paulo cita várias passagens do AT para mostrar que Cristo veio para cumprir promessas a Israel e estender misericórdia aos gentios. O Reino une povos e culturas na adoração ao mesmo Deus.
O vs 13 se condensam os grandes eixos do capítulo:
E o Deus da esperança encha vocês de toda alegria e paz na fé que vocês têm, para que sejam ricos de esperança no poder do Espírito Santo.”
Esperança: porque Deus governa a história;
Alegria e paz: frutos da fé em Cristo;
Poder do Espírito: força para viver e servir.
Aplicação: comunidades saudáveis celebram diversidade sob o senhorio de Cristo, vivendo alegria, paz e esperança pelo poder do Espírito.

7. Síntese pastoral

O Reino se opõe ao hedonismo humanista e materialista porque chama a:
Renunciar ao ego para servir o próximo;
Enxergar o outro com um olhar bom;
Viver da esperança que o Espírito produz.
O prazer do Reino não é o consumo, mas a alegria de ver Deus sendo glorificado através de vidas edificadas.

3️⃣ A Práxis Missional de uma Igreja Apostólica (Rm 15.14-33)

14 - E eu mesmo, meus irmãos, estou certo de que vocês estão cheios de bondade, têm todo o conhecimento e são aptos para admoestar uns aos outros.
15 - Entretanto, eu lhes escrevi, em parte mais ousadamente, como para fazer com que vocês se lembrem disso outra vez, por causa da graça que me foi dada por Deus,
16 - para que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus, de modo que a oferta deles seja aceitável, uma vez santificada pelo Espírito Santo.
17 - Tenho, pois, motivo de gloriar-me em Cristo Jesus nas coisas concernentes a Deus.
18 - Porque não ousarei falar sobre coisa alguma, a não ser sobre aquelas que Cristo fez por meio de mim, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras,
19 - por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito de Deus. Assim, desde Jerusalém e arredores até o Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo,
20 - esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já foi anunciado, para não edificar sobre alicerce alheio.
21 - Pelo contrário, como está escrito: “Aqueles que não tiveram notícia dele o verão, e os que nada tinham ouvido a respeito dele o entenderão.”
22 - Essa foi a razão por que também, muitas vezes, fui impedido de visitá-los.
23 - Mas, agora, não tendo mais campo de atividade nestas regiões e desejando há muitos anos visitá-los,
24 - penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha. Pois espero que, de passagem, eu possa vê-los e que vocês me encaminhem para lá, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a companhia de vocês.
25 - Mas agora estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos.
26 - Porque a Macedônia e a Acaia resolveram levantar uma coleta em benefício dos pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém.
27 - Isto lhes pareceu bem, e de fato lhes são devedores. Porque, se os gentios têm sido participantes dos valores espirituais dos judeus, devem também servi-los com bens materiais.
28 - Tendo, pois, concluído isto e havendo-lhes consignado este fruto, irei à Espanha, passando por aí.
29 - E bem sei que, ao visitá-los, irei na plenitude da bênção de Cristo.
30 - Irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, peço que lutem juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor,
31 - para que eu me veja livre dos rebeldes que vivem na Judeia, e que este meu serviço em Jerusalém seja bem-aceito pelos santos.
32 - Isto para que, pela vontade de Deus, eu chegue à presença de vocês com alegria e possa ter algum descanso na companhia de vocês. 33E o Deus da paz esteja com todos vocês. Amém!

1. Excelência no ministério (vv.14–16)

Paulo elogia a comunidade de Roma por sua bondade, conhecimento e capacidade de aconselhar.
Essa tríade revela que maturidade não é apenas domínio doutrinário, mas serviço amoroso que edifica o outro.
O apóstolo se apresenta como um sacerdote, oferecendo os gentios convertidos como “oferta aceitável, santificada pelo Espírito”.
Uma igreja apostólica não trata pessoas como estatísticas, mas como frutos santos da graça.

2. Poder e integridade no serviço (vv.17–19)

Paulo se gloria apenas em Cristo. Seu ministério se destaca por coerência: mensagem, testemunho e poder do Espírito convergem.
Sinais e prodígios confirmavam o evangelho, mas seu verdadeiro selo era uma vida íntegra, centrada em Cristo.
Ministérios que buscam autopromoção perdem autoridade; os que dependem do Espírito geram transformação real.

3. Pioneirismo missionário (vv.19b–22)

Paulo traça um mapa de sua missão: de Jerusalém ao Ilírico, sempre abrindo caminho onde Cristo ainda não era conhecido.
Ele semeava para que outros regassem, obedecendo ao chamado de avançar para novos campos.
A missão do Reino não é rotina, mas movimento ousado que rompe barreiras culturais.

4. Generosidade e mordomia (vv.23–29)

A transição é natural: depois de relatar seu ardor missionário, Paulo apresenta o uso responsável dos recursos como parte dessa vocação.
Antes de seguir para a Espanha, ele organiza uma coleta em favor dos santos em Jerusalém. Essa oferta tinha um significado duplo:
Missional: Israel foi chamado para ser canal de bênção aos gentios; agora, os gentios expressam gratidão honrando aqueles por quem Deus iniciou o plano redentor.
Comunitário: a coleta era “fruto” (v.28), um gesto de koinonia que unia culturas e gerações na mesma graça.
Paulo também demonstra integridade: embora tivesse direito ao sustento, ele trabalhava com as próprias mãos quando necessário, evitando acusações de interesse financeiro.
Ainda assim, ensina que é princípio bíblico a igreja honrar os que se dedicam integralmente à Palavra (1Co 9.7–14; Gl 6.6; 1Tm 5.17).
Generosidade no Reino não é caridade fria, mas reconhecimento, gratidão e participação ativa na missão de Deus.

5. Intercessão e dependência (vv.30–33)

Paulo encerra pedindo oração por sua viagem e pela aceitação da oferta, submetendo tudo à vontade do “Deus da paz”. Mesmo ciente de riscos, ele confia na providência divina.
Planos missionais florescem quando sustentados por oração perseverante e coração rendido ao Senhor.

6. Síntese pastoral

Uma igreja apostólica vive um fluxo harmonioso entre:
Serviço santo, que oferece vidas a Deus;
Integridade e poder, que confirmam a mensagem;
Expansão ousada, que leva Cristo a novos lugares;
Generosidade madura, que honra a história da fé e fortalece a unidade;
Dependência orante, que rende planos ao Deus da paz.
A práxis missional é mais que estratégia: é vida no Espírito, amor encarnado e compromisso com a glória de Cristo em todos os povos.

4️⃣ Conclusão – Chamados a viver as Instruções Apostólicas (Rm 15.33)

Paulo termina seu discurso invocando sobre os crentes a bênção do “Deus da paz” (v.33).
Essa despedida não é mera formalidade; ela resume todo o caminho percorrido no capítulo: unidade, missão e esperança só florescem quando a paz de Deus governa os relacionamentos e os planos.
O apóstolo mostrou que:
A cultura do Reino nos chama a suportar os fracos, acolher o próximo e viver da esperança que vem do Espírito (vv.1–13).
A práxis missional revela que maturidade não é fim em si, mas serviço sacerdotal, missão ousada, generosidade responsável e oração dependente (vv.14–33).
Tudo isso aponta para um estilo de vida centrado em Cristo: um povo que serve, reparte, avança e ora, sempre para a glória de Deus.

Aplicação final:

Examine seu coração: você vive mais segundo a lógica do prazer imediato ou segundo o chamado do Reino?
Onde Deus está pedindo que você carregue pesos alheios ou abra espaço para acolher alguém?
Que parte da missão precisa da sua participação — seja indo, sustentando ou orando?
A bênção apostólica nos lembra: não caminhamos sozinhos. A paz do Senhor é mais que ausência de conflitos; é a presença do próprio Deus guiando sua igreja a viver as instruções apostólicas em cada esfera da vida.
Desafio: Que cada um de nós saia deste texto com a disposição de viver como comunidade apostólica — unida, generosa, missionária e firmada no Deus da paz.
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