Santidade: a identidade do discípulo
Cristianismo do dia-a-dia • Sermon • Submitted • Presented
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· 9 viewsEm 1 Pedro 1:14-16, Pedro chama os cristãos à santidade, não como mera obediência, mas como identidade de filhos de Deus. Salvos, somos adotados, deixando paixões e ignorância para viver sob o caráter santo de Deus, como em um novo lar. Santidade é pureza e separação, refletindo o Pai em ações e palavras. Que nossa vida revele ao mundo a diferença de pertencer à família divina, atraindo outros a Cristo.
Notes
Transcript
Nova Almeida Atualizada Capítulo 1
14
Introdução
Introdução
Dando prosseguimento à nossa série de pregação Cristianismo do Dia a Dia, onde, através da exposição de diversos textos bíblicos, conhecemos algumas da principais doutrinas cristãs.
Antes de explorarmos o texto de hoje, vamos dar um pouco de contexto. Pedro escreveu a cristãos espalhados pelo mundo, tanto judeus quanto gentios (1Pe 1.1; 2.10). Ele lembra que temos uma herança viva em Cristo (1Pe 1.3–5), que nos dá alegria mesmo em meio ao sofrimento (1Pe 1.6–8). Essa salvação, prevista pelos profetas e admirada até pelos anjos (1Pe 1.12), agora nos chama a viver em santidade.
E, após falar dessa grande salvação, o apóstolo Pedro trata da santidade. E hoje vamos ver que, mais que obediência a regras, santidade é uma questão de pertencimento à família de Deus.
Exposição
Exposição
v.14 - Como filhos obedientes, não vivam conforme as paixões que vocês tinham anteriormente, quando ainda estavam na ignorância.
v.14 - Como filhos obedientes, não vivam conforme as paixões que vocês tinham anteriormente, quando ainda estavam na ignorância.
Verso 14 – Antes e depois (família antiga x nova família). Desenho: uma linha dividindo a folha no meio. Do lado esquerdo: uma pessoa com correntes nos pés, andando atrás de um “monstro” ou de uma “paixão” desenhada como sombra escura. Do lado direito: a mesma pessoa agora de mãos dadas com um pai sorridente (representando Deus). 👉 Isso mostra que agora vivemos como filhos obedientes, não mais dominados pelos desejos antigos.
E, para falar de “santidade”, Pedro começa usando a expressão “filhos obedientes”, ou como está no original grego “filhos da obediência”. E dois detalhes devem nos chamar a atenção aqui:
O primeiro detalhe, que a salvação nos torna filhos de Deus (Jo 1.12). Não é apenas sermos inocentados, mas adotados: saímos do domínio de Satanás (éramos chamados de “filhos do diabo”, cf. 1Jo 3.10) e passamos ao domínio gracioso de Deus (somos agora chamados de “filhos de Deus”, cf.Rm 8.14–17; Gl 4.4–7).
O segundo detalhe, Antes, dominados por desejos maus (ἐπιθυμία, um desejo intenso, geralmente mau) e ignorantes da vontade de Deus (ἄγνοια, no caso, um desconhecimento moral ou redentivo), vivíamos sob outra família. Agora, como filhos de Deus, ouvimos a Ele, não às paixões.
O casamento reflete essa mudança. Solteiros, seguimos os hábitos de nossa casa: dormir tarde, ouvir música alta ou deixar a toalha molhada em qualquer lugar. Ao casar, descobrimos que esses hábitos podem irritar o cônjuge. Então, ajustamo-nos às novas regras da nova família, criadas junto com o parceiro. Da mesma forma, ao sermos adotados por Deus, abandonamos velhos hábitos pecaminosos e seguimos Seus mandamentos, que refletem Seu caráter santo.
Com Deus é similar. A diferença é que as regras (mandamentos de Deus) são extensões do caráter dele, então, seguir as regras de Deus é tanto reconhecer a bondade, a santidade e a sabedoria dele, como dizer “eu faço parte desta família”. Como diz o apóstolo João:
João 14.21 “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.”
Ser de Deus é igual a ouvi-lo. Ouví-lo é seguir os mandamentos dEle. Seguir os mandamentos de Deus é igual a amá-lo e e fazer parte da família dEle. E isso é confirmado no versículo seguinte.
v.15 - Pelo contrário, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,
v.15 - Pelo contrário, assim como é santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em tudo o que fizerem,
Verso 15 – Parecidos com o Pai. Desenho: o pai (Deus) com roupas bem limpas (camisa ou túnica branca bem simples) e o filho imitando: levantando as mãos, sorrindo, andando atrás dele. As crianças podem fazer linhas simples (palitinhos) para mostrar semelhança. 👉 Isso ensina: ser santo é imitar nosso Pai em tudo.
A santidade de Deus é a justificativa pra a obediência a Deus. É muito importante perceber que isto é mais que mandamento, é identidade. Nós devemos obedecer por que Deus mandou? Claro que sim, mas devemos obedecer, principalmente, por que ficamos mais parecidos com Ele.
É similar ao que acontece com crianças que são adotadas. Ainda que elas venham de culturas muito distantes (caso dos adotados Jolie-Pitt ou dos Ewbank-Gagliasso) ou de situações sociais muito diferentes (filhos de viciados que foram postos à adoção), naturalmente as crianças são mais parecidas culturalmente com os pais adotivos que com sua família de sangue.
Deus é “santo” e é isto o que devemos ser, mas o que é ser santo? Esta palavra pode ter tanto a ideia de estar “separado para” algo, ou “dedicado”, como pode se referir a ideia de pureza, o estado sem pecado.
Por exemplo, às vezes, a Bíblia usa a palavra “santo” para se referir a nós como já sendo santos (At 26.10; Rm 8.27, Hb 3.1), pois a palavra está com o sentido de separado (separado para Deus ou separado do mundo). Neste caso, já somos santos. Mas em outros momentos, a Bíblia nos dá o mandamento de sermos santos (1Pe 1.16), pois a palavra está com o sentido de puros. Esta santidade é um processo que dura toda a vida do cristão e só se completará com a volta de Cristo.
No caso deste texto, se referindo a Deus, a palavra santo é claramente uma referência à pureza de dEle.
E, da mesma maneira que Deus é santo (puro) em tudo, essa pureza deve fazer parte de cada ação, pensamento, sentimento, reação, desejo e decisão nossa.
Esse sempre foi o objetivo de Deus. E Pedro deixa claro que é o Espírito de Deus que nos leva a santificação (1Pe 1.2). Aliás, mesmo antes do mundo existir, Ele te escolheu para ser santo como Ele.
Efésios 1.4 “Antes da fundação do mundo, Deus nos escolheu, nele, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele. Em amor”
E o apóstolo Pedro lembra que isto está revelado há muito tempo.
v.16 - porque está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo.”
v.16 - porque está escrito: “Sejam santos, porque eu sou santo.”
Verso 16 – Por que obedecemos? Desenho: um pai e um filho. O pai fala (balão simples com coração dentro ♥). Não precisa escrever palavras, só o coração dentro do balão indica que o pai fala com amor. O filho obedece sorrindo. 👉 A imagem ensina que obedecemos porque somos filhos amados, não apenas porque “mandaram”.
Pedro cita aqui o texto de
Levítico 11.44 “Eu sou o Senhor, o Deus de vocês; portanto, consagrem-se e sejam santos, porque eu sou santo; e não se contaminem por nenhuma dessas criaturas que rastejam sobre o chão, entre todas as criaturas que se movem sobre a terra.”
Naquele contexto, e também em Lv 19.2; 20.7; 20.26, Moisés está trazendo algumas leis ao povo, referente ao culto, à moralidade sexual e comunitária. E, em todas as ocasiões, Deus diz que o motivo para a obediência é que eles (o povo israelita que havia sido liberto da escravidão no Egito) deveria parecer com Deus.
Isto é muito importante, porque, após mais de 400 anos vivendo entre os egípcios, os israelitas aprenderam a ser como eles, mas agora que foram libertos, precisam aprender a ter o caráter de Deus.
Pense em dois pais diante do mesmo problema: o filho quer voltar da festa à hora que quiser. Um responde: “Não, porque eu mandei.” O outro diz: “Não, porque você é meu filho.”
Deus é como esse segundo pai. Seus mandamentos não são apenas ordens de autoridade, mas expressões de amor e identidade. Ele nos chama à santidade porque pertencemos a Ele. Não é que o primeiro pai não tenha direito de exercer a autoridade sobre o filho, mas é que a relação de pai e filho é mais profunda que isso.
E essa é uma excelente notícia, pois da mesma maneira que nós não deixamos de ser filhos de nossos pais terrenos porque falhamos em algo (mesmo quando um pai passa a não considerar um filho rebelde como seu filho, na prática, ele continua sendo pai), nós também não deixamos de ser filhos de Deus quando erramos.
Ao contrário, é justamente porque somos filhos de Deus, que queremos obedecê-lo. Isto significa que, ao pecar, nos arrependemos e queremos nossa comunhão com Ele, nosso Pai, restaurada. Queremos obedecê-lo porque Ele é o Pai, porque somos da família dele e, ser como Ele, é ser santo.
Esta é, no final das contas, a nossa identidade visível como filhos de Deus. É verdade que é ser habitado pelo Espírito de Deus que é nossa identidade como filhos de Deus diante do próprio Deus (Rm 8.9). Mas as pessoas não conseguem ver o Espírito em nós. O que as pessoas podem ver é nosso comportamento, podem ouvir nossas falas e como tratamos ou outros.
Nossos atos podem fazer as pessoas desejar conhecer mais a Deus (Mt 5.16) ou pode faze-las se afastar do Senhor (Tt 2.3-5).
Se a presença do Espírito diz ao mundo espiritual quem nós somos, a santidade diz ao mundo material que somos filhos de Deus.
Aplicações
Aplicações
Viver o controle dos desejos (v.14)
Aplicação: identifique uma “paixão” que vive em você (p. ex., consumo, pornografia, cobiça, ira).
Passo prático: esta semana, escolha um hábito para substituir por um hábito santo (ex.: em vez de meia-hora de scroll noturno, 15 minutos de leitura bíblica e oração). Peça a alguém da igreja para prestar contas.
Mostrar a identidade (v.15) — ética visível
Aplicação: haja de tal forma que vizinhos vejam diferença. Exemplos concretos: honestidade no trabalho; respeito em casa (com cônjuge, com os pais/filhos); falar bem dos outros; suportar zombaria de maneira agradável a Deus.
Passo prático: durante 7 dias, pratique uma ação específica de bondade ou honestidade no trabalho/família e peça ao Senhor que lhe mostre consequência.
Ser formados pela Palavra & Espírito (v.16; 1:22–25)
Aplicação: a santidade se constrói pela Palavra e pela vida comunitária.
Passo prático: combine com alguém de estudar a Bíblia; comece a criar o hábito de confessar pecados e pedir auxílio para maior santidade aos irmãos, pois somos um grupo.
Conclusão
Conclusão
Irmãos, Pedro nos mostra que santidade não é uma lista fria de proibições, mas a marca de quem pertence à família de Deus. Somos filhos, não apenas servos; adotados, não apenas perdoados.
Isso significa que nossa vida deve refletir o caráter do nosso Pai. O mundo precisa ver em nós a diferença que só o Espírito Santo pode produzir.
Portanto, a cada decisão, palavra e ação, lembremos: “Sejam santos, porque eu sou santo.”
Que essa não seja apenas uma ordem, mas o reflexo natural da nossa identidade em Cristo. E que, ao olharem para nós, as pessoas desejem conhecer o Deus que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.
