A MORTE É UMA UNANIMIDADE! 1 Samuel 25
A nossa vida é uma dádiva de Deus, por isso não temos o direito de estarmos vivos. É graça.
Em relação ao dinheiro, Nabal era o que Saul era em relação ao poder: era corrupto a tal ponto que seu nome significava “insensato”. Isso não significa uma pessoa boba, simplória, mas “implica corrupção, ateísmo e materialismo”. Walter Brueggemann comenta: “Sua vida é determinada pela sua propriedade. Nabal vive para defender sua propriedade e morre numa orgia, desfrutando de sua propriedade. Somente depois de sermos informados sobre suas riquezas é que somos informados sobre seu nome”.
A. W. Pink comenta:
Ninguém fica de pé um momento além do que a graça divina o sustenta. Os mais fortes são fracos como água imediatamente depois que o poder do Espírito é retirado; o cristão mais maduro e experiente age insensatamente no momento em que é deixado por si mesmo; nenhum de nós tem qualquer reserva de força ou sabedoria em si mesmo para se manter: nossa fonte de suficiência está toda guardada para nós em Cristo. Assim que a comunhão com ele é quebrada, assim que deixamos de olhar somente para ele, ficamos desamparados
25.32,33 Aqui podemos observar que coisa abençoada é quando, nas horas de crise, o Deus de toda a graça tem o prazer de interpor-se para nos preservar de cometer certo pecado no qual quase caímos. Nossos passos estavam bem próximos de escorregar, mas, naquele momento, o Senhor nos enviou um mensageiro angelical, assim como Abigail veio a Davi. Por esse Amor Todo-Poderoso que se manifestou em graça impeditiva, rendamos canções de gratidão enquanto olhamos para a nossa vida no passado, pois dificilmente podemos dizer quantas vezes teríamos desonrado nosso caráter e nossa profissão de fé, se Deus não tivesse vindo em nosso auxílio e impedido Seus servos de cometer pecados pretensiosos.
Abigail não perdeu tempo em agir para salvar seu marido e sua família. Alguns podem questionar sua insubmissão, visto que ela tratou com Davi pelas costas de Nabal. Porém, essa preocupação não leva em conta a severa ameaça à sua sobrevivência. Keddie comenta: “A submissão da esposa não se estende a argumentos infrutíferos, muito menos a uma demora potencialmente suicida”.
Quando homens importantes e piedosos morrem, até mesmo seus detratores são forçados a prantear sua morte. Por isso, “todos os filhos de Israel se ajuntaram, e o prantearam, e o sepultaram na sua casa, em Ramá” (
Pink resume: “Ela pediu a Davi que deixasse sua glória futura regular suas ações presentes, de modo que, naquele dia, sua consciência não o reprovaria por tolices anteriores”. Pink aplica essa verdade a nós: “Se mantivermos mais diante de nós o trono de juízo de Cristo, certamente nossa conduta será mais controlada”.
Assim como Abigail salvou Nabal da fúria pecaminosa de Davi, Jesus Cristo nos salvou da justa ira do Deus santo. Aproveitemos o exemplo gracioso de Abigail, como Davi, mas também vejamos no seu exemplo um apelo gracioso à salvação pela fé em Jesus Cristo.
Observe que Nabal não morreu simplesmente de “causas naturais” como resultado de sua convulsão anterior. Foi o Senhor que lhe tirou a vida. Deus havia feito vingança pelo pecado de Nabal contra Davi, o rei ungido de Deus, assim como certamente fará no juízo final contra todos que desprezam Jesus Cristo, de quem o reino de Davi era um tipo. O pecado de Nabal havia sido cometido pessoalmente contra Deus, e seu juízo havia sido executado pessoalmente por Deus contra ele. A morte de Nabal não foi o resultado de regras impessoais da providência divina: o próprio Deus tirou a vida de Nabal em retribuição pelo seu pecado. A impiedade de Nabal havia sido retribuída no tempo de Deus, um tempo que era e é muito mais rápido do que pecadores como Nabal insensatamente esperam.
Do mesmo modo, o homem ganancioso hoje não meramente recusa-se a suprir as necessidades do pobre, mas acrescenta comentários abusivos a respeito da sua preguiça; mantém a carteira fechada quando são pedidos recursos para a obra do evangelho, reclamando que a igreja fala muito em dinheiro. De fato, a verdadeira razão para a ganância é a idolatria (
Davi percebeu o que John Murray resumiria mais tarde: “A essência da impiedade é que presumimos tomar o lugar de Deus, tomar tudo em nossas mãos. É fé entregar-nos a Deus, lançar sobre ele todo o cuidado por nós mesmos e entregar a ele todas as nossas preocupações”.
