Do Deserto ao Rio da Vida

Cristianismo do dia-a-dia  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Na Festa dos Tabernáculos, Jesus se apresenta como a verdadeira fonte que sacia a sede espiritual. Quem nele crê encontra satisfação e se torna um canal de bênçãos, pois rios de água viva fluem de seu interior. Essa promessa se cumpre pelo Espírito Santo, dado após a glorificação de Cristo. Assim, o crente é transformado de alguém vazio em alguém que transborda vida, esperança e amor ao mundo.

Notes
Transcript

Introdução

Continuamos com nossa série Cristianismo do Dia a Dia, onde apresentamos as mais básicas doutrinas cristãs através da exposição de textos bíblicos selecionados. Hoje vamos olhar de perto um belíssimo texto no Evangelho segundo João.
Mas antes, uma pergunta: Como você gostaria de ser conhecido? Como uma pessoa triste e sem propósito? Como alguém feliz, mas egoísta? Ou como alguém que, por onde passa, melhora a vida das pessoas?
É claro que não devemos viver para a opinião dos outros, mas a verdade é que nossas atitudes moldam a forma como seremos lembrados.
Vejam os apóstolos: Paulo, que antes era temido como perseguidor, terminou conhecido como aquele que edificou a igreja. Mateus, que era odiado como cobrador de impostos, passou a ser lembrado como evangelista dos judeus. João, o ‘filho do trovão’, hoje é o ‘apóstolo do amor’.
Eles terminaram a vida de uma maneira muito melhor do que começaram. Mas como conseguiram isso?
Aqui está a resposta que nos guiará esta noite: Jesus nos ensina que aquele que está em Cristo vira um doador de vida.
É justamente essa lição que encontramos em João 7:37-39. Vamos ver como Jesus mostra que, nele, a vida é saciada, transformada e transbordante.

Exposição

v.37 - No último dia, o grande dia da festa, Jesus se levantou e disse em voz alta: “— Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”

(Desenho: Um homem ou menino segurando um copo vazio, olhando para cima e uma água caindo do céu no copo.)
Aqui, Jesus Cristo estava participando da Festa dos Tabernáculos (Jo 7.2), uma das três principais comemorações judaicas (Dt 16.16). Esta festa é um memorial de que, quando Deus libertou o povo de Israel da escravidão no Egito, Deus os guiou pelo deserto, alimentando-os e sustentando-os por quarenta anos.
Essa festa tinha esse nome porque durante todo o período dos israelitas no deserto, o povo viveu em tendas (tabernáculos) e dependia de Deus para obter tanto comida como água. Mesmo quando eles passaram a morar em casas fixas, eles tinham que, uma vez no ano, dormir com toda a família em tendas.
Inclusive, com o tempo, acrescentaram um ritual em Jerusalém para se fazer durante esta festa, que consistia em pegar um pouco de água no tanque de Siloé e derrama-la no altar, como lembrança das vezes em que fez surgir água da rocha quando o povo estava com sede no deserto (Ex 17.6; Nm 20.2-13). Este ritual também envolvia pedidos a Deus para que a época de chuvas fosse boa o suficiente para a agricultura. No último dia, esse ritual era feito com sete voltas em torno do altar e, ao que tudo indica, foi provavelmente neste momento que Jesus falou ao povo no templo.
Falou não, clamou.
Imagina só: bem no momento em que todos lembravam de Deus como aquele que saciou a sede no passado e que garante as colheitas do futuro, Jesus chama atenção para si mesmo, dizendo que é Ele quem tem poder de saciá-los. Era uma declaração de que Ele próprio é Deus.
Não foi a primeira vez que Jesus fez isso. Para uma mulher samaritana que buscava água num poço Ele disse:
João 4.14 “mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.”
No evangelho de João, a água é constantemente retratada como um símbolo do vida espiritual e Jesus, tanto nesse texto que acabamos de ler quanto no texto que estamos estudando esta noite fala da água neste sentido. Ele é o autor da vida (At 3.15), sem Ele, a vida não existiria (João 1.3), então, quem tem sede de vida, só ficará satisfeito em Cristo.
Quando alguém se aproxima de Cristo para beber, não encontra apenas alívio momentâneo. Jesus nos ensina que aquele que está em Cristo vira um doador de vida. Ele enche nosso interior daquilo que realmente precisamos.

v.38 - “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”

(Desenho: Um coração com rios saindo dele e irrigando pequenas plantinhas em volta.)
Mas Cristo mostra que o tipo de vida que Ele quer nos dar é uma que transborda. Ele quer transformar pessoas que não davam conta de ajustar a própria vida em pessoas que serão uma verdadeira benção para outros.
Veja como Jesus age: [1] Primeiro Ele chama uma multidão cheia de pessoas diferentes. Certamente algumas com medo do futuro, outras sem paz com o próprio passado, outras com problemas na família, outras escravas de vícios… vários tipos de problemas. [2] E quando essas pessoas chegam a Ele, Ele as muda por dentro, sacia a sede de amor, sede de sabedoria, sede de propósito. Mas Ele não para por aí, pois [3] Ele faz com que essas pessoas que antes tinham uma vida seca, agora levem vida por onde passam.
Imagine um açude ou represa que ficou totalmente vazio por causa da seca. Agora imagine que caiu uma chuva muito forte nesse açude, tão forte que a terra enxarcou, o açude encheu e transbordou, vazando na direção de outros açudes secos.
Assim é o coração cheio de Cristo: não retém a água para si, mas transborda. Jesus nos ensina que aquele que está em Cristo vira um doador de vida. Onde havia sequidão, agora há rios que abençoam outros.
Mas o que é essa água viva que Cristo nos dá e que transborda? Riquezas materiais? Saúde inabalável? Uma vida sem problemas? Na verdade, algo muito maior!

v.39 - Isso ele disse a respeito do Espírito que os que nele cressem haviam de receber; pois o Espírito até aquele momento não tinha sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado.

(Desenho: lâmpada acesa no alto de um poste iluminando várias casinhas pequenas)
Não é necessário criar uma interpretação porque o próprio texto bíblico responde. É o Espírito Santo habitando em nós que faz com que nossa vida deixe de ser um açude seco para virar uma fonte de águas vivas.
Nas pregação anteriores citamos como o Espírito Santo de Deus passa a habitar no crente no momento da conversão e que Ele, não somente nos liberta da escravidão do pecado, como também nos capacita e nos conduz a fazer a vontade de Deus. Por assim dizer, o Espírito funciona como nossa carteira de identidade cristã diante de Deus (habitação) e diante dos homens (santificação progressiva).
Pois bem, além de mudar a nossa vida por dentro e por fora, Ele também é quem faz o crente se tornar um apoio para outras pessoas, seja quando pregamos sobre a salvação em Cristo, seja quando, por amor, socorremos os necessitados, consolamos os aflitos, orientamos os perdidos e confusos e outras coisas semelhantes.
Por causa do Espírito, cada crente vira como um farol em meio ao oceano. Quando o mar fica muito agitado ou se as embarcações precisam de segurança em uma rota, eles sabem que o farol está lá para orientar.
Como podemos ver, Deus é a fonte de todo o bem em nós. Ele que nos salva, Ele quem nos santifica/purifica e também é Ele quem nos faz sábios e capazes de socorrer. De fato,
Romanos 11.36 “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre. Amém!”
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Aplicações

Pessoal: Só Jesus pode matar a sede da alma. Onde você tem buscado saciar sua sede? (diversão, aprovação dos outros)
Andar diariamente em dependência do Espírito (oração, Palavra, obediência).
Familiar: O Espírito Santo enche lares com perdão, paciência e amor prático.
Esposo/esposa, Pais/filhos servindo uns aos outros. (Como você pode servir melhor?).
Comunitária (igreja): Cada crente é chamado a ser um “canal de vida” na igreja: encorajar, consolar, servir.
Ser um “farol” para quem sofre — visitando, consolando, encorajando.
Missional (sociedade): O mundo seco precisa da água viva que flui do cristão.
Testemunho pessoal e serviço compassivo como reflexo do Espírito. Não guardar só para si, mas deixar fluir (evangelismo, misericórdia, justiça).

Conclusão

Jesus não nos chamou apenas para beber, mas para transbordar. O Espírito Santo nos transforma de açudes secos em rios caudalosos.
Hoje, Cristo chama cada um de nós: ‘Se alguém tem sede, venha a mim e beba’.
Você tem sede? Então venha. Você já bebeu? Então deixe transbordar.
A promessa é clara e certa: Jesus nos ensina que aquele que está em Cristo vira um doador de vida.
Porque o mundo sedento precisa da vida que só Jesus pode dar — e Ele decidiu derramá-la através de você.
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