O Movimento que Nasce da Crise

Igreja em Movimento  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Objetivo: Levar a igreja a entender que Deus usa crises e adversidades para impulsionar o seu plano, removendo barreiras humanas e confirmando a sua presença, a fim de levar o Evangelho a todos os povos.
Introdução
Nossa série 'Igreja em Movimento' tem nos mostrado que a fé cristã não é estática, mas dinâmica. E muitas vezes, o movimento de Deus não acontece em tempos de calmaria, mas de crise. Em Atos 8, após a morte do diácono Estêvão, uma grande perseguição se levanta em Jerusalém. Os cristãos são forçados a fugir. Aparentemente, era o fim de um movimento que mal havia começado. Mas o que parecia um freio, na verdade, foi o catalisador que Deus usou para acelerar a missão.
Em Atos 11, vemos o resultado dessa dispersão. O que parecia uma tragédia se torna o maior avanço missionário da história até então. A perseguição dispersou a igreja, mas não a silenciou. Este texto nos ensina que a crise não é o fim da história; é a oportunidade para o verdadeiro mover de Deus.
“A crise que ameaça paralisar pode ser a mesma que Deus usa para impulsionar.”
Romanos 8.28 “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”
“A perseguição não destruiu a igreja; pelo contrário, foi o vento que espalhou a chama.” John Stott

1. O Movimento que Rompe as Fronteiras

A primeira coisa que notamos nesse movimento é que ele não se limita mais a um único povo. O Evangelho atravessou o muro da tradição e do preconceito.
O primeiro muro como vemos é um muro interno - a barreira precisa ser quebrada primeiramente em nós, é isso que acontece com Pedro.
O começo do cap 11 é pedro contando a sua visão aos outros apóstolos e discipulos - houve uma resistencia inicial a esse movimento de Deus.
Atos dos Apóstolos 11.18 “E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida.”
Os discípulos que fugiram de Jerusalém levaram a mensagem, mas inicialmente apenas aos judeus (v. 19). No entanto, um grupo de homens de Chipre e de Cirene teve uma ousadia diferente.
Atos 11:20 (NVI): "Alguns deles, todavia, homens de Chipre e de Cirene, quando chegaram a Antioquia, começaram a falar também aos gregos, pregando-lhes o Senhor Jesus."
O termo "gregos" aqui se refere aos gentios de cultura grega. Este era um passo radical! Eles entenderam que o plano de Deus era maior do que a bolha cultural em que viviam. Essa atitude de romper barreiras não era nova na história bíblica.
Apontamento Bíblico: A intenção de Deus sempre foi salvar "outros povos".
Abraão foi chamado para ser uma bênção para "todas as famílias da terra" (Gênesis 12:3).
Jonas foi repreendido por Deus por se recusar a pregar aos gentios de Nínive, mostrando o coração de Deus para todos os povos (Jonas 4:10-11).
Isaías profetizou sobre um Servo que seria "luz para os gentios, para que a salvação de Deus atinja os confins da terra" (Isaías 49:6).
O próprio Jesus deixou claro que a mensagem deveria ser levada a "todas as nações" (Mateus 28:19).
A verdadeira "Igreja em Movimento" é aquela que não tem medo de quebrar seus próprios muros, sejam eles de classe social, etnia, política ou qualquer outro.
O Evangelho não é nosso para ser retido, mas para ser compartilhado. A crise da perseguição os forçou a ir além de seu círculo de conforto, e a visão de Deus os encorajou a pregar a todos.
“Se você quer ver a igreja crescer, saia da sua zona de conforto e vá até os confins da terra, ou até a esquina da sua rua.” Charles Spurgeon

2. A Mão do Senhor, o Motor do Movimento

A ousadia desses crentes de Antioquia não era algo que vinha da força humana ou da inteligência estratégica. O texto bíblico é enfático em nos dar a razão do sucesso.
Atos 11:21 (NVI): "A mão do Senhor estava com eles, e muitos creram e se converteram ao Senhor."
A mão do Senhor não é apenas uma expressão poética; ela representa a presença ativa, o poder e a providência de Deus.
A mão que estava com Moisés no deserto, que curou leprosos e que abriu o Mar Vermelho, agora estava com um grupo de crentes anônimos, impulsionando a missão.
Essa é a promessa do próprio Jesus. Ele sabia que os seus discípulos seriam espalhados e passariam por tribulações. João 16.33 “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”
Por isso, a Grande Comissão não termina com o comando "Ide", mas com a garantia da Sua presença: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:20). A presença de Cristo, que se manifesta através do Espírito Santo, é a força motriz que sustenta a igreja em missão, mesmo em meio às crises mais severas.
Zacarias 4.6 “Prosseguiu ele e me disse: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.”
“O sucesso da missão não está na genialidade dos homens, mas na presença de Deus.”
A mão do Senhor nos alcança na crise para que sejamos instrumentos Dele. A perseguição fez com que eles fugissem, mas a mão de Deus os dirigiu e os capacitou. Sua presença é o que torna o nosso testemunho poderoso, a nossa fé inabalável e a nossa missão frutífera. Não é o nosso esforço que converte, mas a mão do Senhor que age através de nós.
“A obra de Deus feita à maneira de Deus nunca ficará sem o sustento de Deus.” Hudson Taylor (missionário na China)

3. O Crescimento que Confirma o Movimento

O resultado da ousadia humana e da presença divina foi o crescimento da igreja.
O texto diz que "muitos creram e se converteram ao Senhor" (v. 21).
A notícia desse crescimento chegou até Jerusalém, o que levou a igreja a enviar Barnabé para Antioquia.
Atos 11:24 (NVI): "Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muita gente se uniu ao Senhor."
O crescimento de Antioquia não foi um acidente. Foi a consequência natural de uma igreja que estava em movimento, quebrando barreiras e vivendo sob a mão de Deus.
A chegada de Barnabé, um "filho da consolação", só reforçou o trabalho que já estava em andamento.
1Coríntios 3.6–7 “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.”
Uma igreja saudável não se preocupa em construir muros, mas em derrubá-los. Uma igreja em movimento não se limita a um grupo, mas busca alcançar a todos.
O crescimento, então, não é um objetivo em si, mas a prova de que a mão do Senhor está com a Sua igreja, capacitando-a a cumprir a missão. O crescimento é a resposta de Deus à nossa obediência e dependência Dele, mesmo em tempos de crise.

CONCLUSÃO E APLICAÇÃO

A história de Antioquia nos desafia. Onde estamos construindo muros hoje, em nossa vida e em nossa igreja? Qual crise Deus está usando para nos impulsionar para um novo nível de obediência e missão?
A mensagem de Atos 11 é clara:
A crise não é o fim, mas a oportunidade de Deus para um novo movimento.
O Evangelho não é um tesouro para ser guardado, mas para ser compartilhado com todos.
O sucesso da missão não depende de nós, mas da mão do Senhor que está conosco.
2Coríntios 12.9–10 ARA
Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.
Que, em tempos de crise, possamos nos lembrar da mão do Senhor e ter a ousadia de romper os nossos próprios muros, para que o Evangelho continue a avançar.
A crise pode nos empurrar para longe da zona de conforto, mas também pode ser instrumento que nos aproxima do centro da missão.
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