Esboço de Estudo Bíblico: O Livro de Obadias m título Sermão (2)

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1. Introdução ao Livro de Obadias
O livro de Obadias é o menor livro do Antigo Testamento, contendo apenas 21 versículos. Apesar de sua brevidade, ele carrega uma mensagem poderosa de juízo divino e redenção. A profecia é uma condenação direta a Edom, um povo intimamente ligado a Israel.
Os edomitas, povo que morava no país de Edom, ao sul de Judá, não somente se alegraram com a derrota dos israelitas, mas também ajudaram o inimigo e aproveitaram a oportunidade para roubar e levar consigo os bens dos moradores de Jerusalém. O profeta Obadias denunciou o pecado dos edomitas e anunciou que seriam castigados e derrotados, junto com os outros povos que eram inimigos do povo de Deus. E Israel voltaria a ser próspero e poderoso novamente.
OBADIAS narra a saga de uma família e a amarga trajetória de um povo que nunca aprendeu a amar. Obadias denuncia os pecados de Edom, os descendentes de Esaú. Os pecados de Edom foram orgulho e crueldade. A soberba econômica e política, associada a uma posição geográfica privilegiada fez dos edomitas um povo altivo e soberbo. Além da soberba, Edom entregou-se à crueldade, associando-se aos caldeus na matança do povo de Judá, seus parentes. Essa atitude abriu feridas no coração de seus irmãos e também atingiu o coração de Deus. A retribuição divina não se fez esperar. Edom semeou o que plantou.
O livro mostra os frutos amargos dos erros cometidos no passado por uma família piedosa. Os edomitas eram descendentes de Esaú, e Judá, era a descendência de Jacó. Esaú e Jacó eram irmãos gêmeos, portanto essas duas nações nasceram do mesmo ventre. Vieram do mesmo ancestral. Mas a inabilidade de Isaque e Rebeca, pais de Esaú e Jacó, acabou provocando ciúmes nos filhos e abrindo uma brecha para o ódio, que não cessou de arder por cerca de dois mil anos.
Tudo começou quando Isaque e Rebeca cometeram o grave erro de ter preferências por um filho em detrimento do outro. Isaque amava mais a Esaú, e Rebeca, a Jacó (Gn 25.28). Isso plantou nos filhos a semente da inimizade, do ódio e da competição, o que trouxe profundas feridas na vida dos pais, separou os irmãos e atravessou as gerações, desembocando em uma atitude de maldade dos edomitas, ao associar-se com os invasores que arrasaram seus irmãos judeus. Essa atitude perversa e cruel dos edomitas unindo-se aos caldeus para oprimir, escravizar e matar os judeus foi a gota que transbordou do cálice, trazendo o juízo peremptório de Deus sobre eles (Ob 10).
A vida é uma semeadura. Colhemos o que plantamos. Aquilo que fazemos aqui determinará nosso destino amanhã. A mensagem de Obadias, portanto, é um brado de Deus às nações, às instituições humanas, às igrejas, e a todos os homens, alertando a todos nós que Deus resiste ao soberbo e o mal que praticamos contra os outros cairá sobre nossa própria cabeça. Odiar faz muito mal. Faz mais mal a quem odeia do que àquele que é odiado. O ódio arruinou Edom.
2. Contexto Histórico e Datação
O livro de Obadias foi escrito em um período de grande turbulência para o povo de Israel. A profecia se concentra em um evento específico: a destruição de Jerusalém e a atitude hostil de Edom nesse momento. Edom, descendente de Esaú, irmão gêmeo de Jacó (Gênesis 25), era um povo que, em vez de ajudar seus "irmãos" israelitas, se juntou aos invasores, saqueou Jerusalém e se regozijou com a desgraça de Israel (Obadias 10-14).
A evidência interna aponta a autoria de Obadias (1). Quem foi esse Obadias? Não se sabe ao certo. Nada sabemos sobre sua família, sua cidade e sua ocupação. Há pelo menos doze indivíduos no Antigo Testamento com esse nome, e nenhum deles se encaixa como o autor. O nome Obadias significa “servo” ou “adorador do Senhor”, uma indicação de que ele era filho de pais piedosos.
A data da composição do livro continua sendo tema de muito debate. Este é o maior problema do livro: situá-lo no tempo. Não há consenso entre os eruditos acerca da data exata em que foi escrito. Diversos palpites e opiniões vão desde o século nono até o século terceiro a.C. Há quem diga que a data deve mediar entre a devastação dos árabes e filisteus, quando estes atacaram e, em certa medida, despojaram Jerusalém, no reinado de Jeorão, em 845 a.C., e a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 586 a.C. Alguns eruditos entendem que argumentos apoiando a data mais antiga são os mais fortes. Por outro lado, outros estudiosos optam pela segunda data, ou seja, 586 a.C., data que parece mais viável.
A data mais provável, portanto, para a escrita do livro é após a invasão e saque de Jerusalém por Nabucodonosor da Babilônia, ocorrida em 586 a.C. Isso se baseia nas referências à “violência contra seu irmão Jacó” e ao “dia em que os estrangeiros levaram o exército cativo”, que apontam para a queda de Jerusalém. Obadias provavelmente profetizou logo após esse evento traumático.
3. Objetivo do Autor e Público-Alvo
O profeta Obadias tinha dois objetivos principais:
1. Denunciar e Sentenciar Edom: A mensagem central é a condenação do orgulho de Edom e sua traição a Israel. Obadias anuncia o juízo inevitável de Deus sobre Edom por sua crueldade e arrogância. A profecia serve como uma resposta divina à injustiça e à violência.
2. Consolar e Garantir a Esperança a Israel: Embora o foco seja a destruição de Edom, a profecia também visa encorajar os israelitas que estavam sofrendo. O profeta reafirma a soberania de Deus e promete que Ele defenderá Seu povo. A última parte do livro traz uma promessa de restauração e a certeza de que "o reino será do Senhor".
O público-alvo primário de Obadias era o povo de Israel, que precisava de uma palavra de consolo e justiça em meio ao seu sofrimento. Eles precisavam saber que Deus estava atento às ações de Edom e que a injustiça não ficaria impune.
4. Aplicação para a Igreja Hoje
O livro de Obadias, apesar de ser uma profecia antiga, contém princípios atemporais que são altamente relevantes para a Igreja de hoje.
A. Cuidado com o Orgulho (v. 3-4)
A profecia de Obadias começa com a arrogância de Edom. Eles se sentiam seguros e inatingíveis por causa de sua localização estratégica. Deus, no entanto, declara: "Ainda que subas e habites entre as estrelas, de lá te derrubarei". Isso nos lembra que a arrogância é um dos maiores perigos espirituais. A Igreja e os crentes individualmente devem se guardar contra o orgulho de sua força, conhecimento ou posição, lembrando que toda a glória pertence a Deus.
B. As Consequências da Indiferença e da Traição (v. 11-14)
A atitude de Edom é um forte aviso para a Igreja. Eles não apenas se mantiveram neutros, mas se regozijaram e participaram da destruição de Israel. Da mesma forma, a Igreja não pode ser indiferente ao sofrimento de seus irmãos na fé ou à injustiça no mundo. O livro nos exorta a ter empatia, a defender os que estão sendo oprimidos e a não permitir que a discórdia nos divida. A traição ou a hostilidade contra outros cristãos é uma ofensa grave aos olhos de Deus.
C. A Certeza do Juízo Divino (v. 15)
Obadias 15 afirma: "Porque o dia do Senhor está perto sobre todas as nações". A profecia nos assegura que Deus é um juiz justo que não permite que a injustiça prevaleça para sempre. Isso nos dá esperança e confiança de que, no final, a justiça de Deus prevalecerá. Para a Igreja, isso serve como um lembrete da santidade de Deus e da importância de viver de forma justa.
D. A Esperança da Restauração (v. 17, 21)
O livro não termina com o juízo, mas com uma promessa de restauração para o povo de Deus. Versículo 17: "No monte Sião, porém, haverá livramento, e ele será santo". Isso aponta para a salvação e a soberania final de Deus. O último versículo proclama que "o reino será do Senhor". Para a Igreja, essa é uma promessa poderosa de que, não importa quão difíceis sejam as circunstâncias, Deus reinará soberano. Nossa esperança não está nas circunstâncias terrenas, mas na certeza de que Cristo voltará e estabelecerá Seu reino plenamente.
Ob. 21
“O povo de Deus, vitorioso, subirá o monte Sião e dali governará o povo de Edom. E o SENHOR será o Rei.”
Ap. 11.15
“Então o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu vozes fortes, que diziam:— O poder para governar o mundo pertence agora a Deus, que é o Senhor nosso, e ao Messias que ele escolheu. E Deus reinará para todo o sempre!”
Conclusão
Obadias é um pequeno livro com uma mensagem monumental sobre a justiça de Deus, as consequências do orgulho e da indiferença, e a certeza da restauração e do reino divino. Ele nos desafia a examinar nosso próprio coração e nossa atitude em relação aos outros, nos exortando a viver com humildade, empatia e confiança na soberania de Deus.
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