Os fracos e os fortes na fé

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Introdução

Paulo entendeu que seu trabalho evangelístico havia acabado na região da Ásia, Macedônia, Acaia e Capadócia. Então, ele queria levar o evangelho à outros locais, por exemplo à Espanha. Mas ele teria a oportunidade de passar em Roma e desfrutar da comunhão com os irmãos.
Romanos 15.23–24 NVI
23 Mas agora, não havendo nestas regiões nenhum lugar em que precise trabalhar, e visto que há muitos anos anseio vê-los, 24 planejo fazê-lo quando for à Espanha. Espero visitá-los de passagem e dar-lhes a oportunidade de me ajudarem em minha viagem para lá, depois de ter desfrutado um pouco da companhia de vocês.
Paulo escreveu essa carta para a igreja de Roma com dois propósitos:
Preparar os irmãos de Roma para sua chegada.
Romanos 1.11–13 NVI
11 Anseio vê-los, a fim de compartilhar com vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los, 12 isto é, para que eu e vocês sejamos mutuamente encorajados pela fé. 13 Quero que vocês saibam, irmãos, que muitas vezes planejei visitá-los, mas fui impedido até agora. Meu propósito é colher algum fruto entre vocês, assim como tenho colhido entre os demais gentios.
2. Apresentar a doutrina do evangelho de Cristo para a igreja de Roma que é descrita nos capítulos 1-11.
Ele escreveu essa carta por volta de 56-58 d.C, quando estava na cidade de Corinto.
Nos capítulos 12 até o 16, o apóstolo Paulo traz exortações práticas a respeito do evangelho de Cristo, ou seja, como devemos colocar em prática o que foi ensinado nos capítulos 1-11.
Na mensagem anterior vimos que “É hora de despertar do sono” (Rm 13.11-14). Vimos que os cristãos precisam estar preparados pois o dia da vinda de Cristo se aproxima.
No capítulo 14 versículos 1-12 veremos sobre “Os fracos e os fortes na fé”.

Ideia Central

Os irmãos na fé não devem julgar e nem desprezar uns aos outros.

Transição

Veremos duas exortações sobre o relacionamento dos irmãos fortes e fracos na fé.

Desenvolvimento

1ª Acolher os fracos na fé (v. 1-9)

Antes de caminharmos para a exposição do texto bíblico, devemos entender porque o apóstolo Paulo está exortando a igreja de Roma em relação aos fracos e fortes na fé. Na época, os irmãos Romanos estavam com problemas de relacionamento e por isso estavam tendo divergências de pensamentos em algumas questões espirituais.
A divergência desses irmãos estava chegando ao ponto de desprezar e julgar uns aos outros. Pois, a causa dos conflitos eram por coisas secundárias e não essenciais, como alimento e dias sagrados. Na época alguns entendiam que deviam se abster de certos tipos de alimentos, pois causavam escândalo. Outros compreendiam que não havia necessidade de deixar de comer alimentos.
Mas, em relação a nossa liberdade cristã, precisamos separar as coisas imorais e morais ou coisas secundárias e essenciais, ou seja, existem coisas que são erradas em todo o tempo, em todo contexto e em todo o lugar. Por exemplo, adulterar, fornicar, sensualidade, embriaguez. Porém, existem coisas que não são pecaminosas, mas podem ocorrer divergências de pensamentos.
Diante disso, veremos quatro razões para acolhermos os fracos na fé:

1ª É uma ordem de Deus (v. 1)

1 Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos.
O texto diz: “Aceitem” ou “Acolhei”. Isso significa receber e dar boas vindas a alguém na própria presença, ou seja, ter uma aceitação pessoal e voluntária. O texto está nos ensinando que precisamos aceitar de todo o coração. O verbo “aceitar” está no imperativo, isso quer dizer que é uma ordem de Deus para nós.
Mas a quem nós devemos aceitar e acolher? O texto diz: “o que é fraco na fé”. Os fracos na fé eram pessoas cristãs, salvas em Jesus, mas que eram incapazes de abandonar algumas práticas religiosas do passado. Na igreja de Roma tinha os judeus e os gentios. Os judeus fracos na fé tinham dificuldades de abandonar os rituais da antiga aliança, como circuncisão, não comer certos alimentos e guardar o sábado. Já os gentios tinha dificuldades em relação a comer carne sacrificada a ídolos.
Em relação a carne sacrificada aos ídolos, o apóstolo Paulo tratou desse assunto na igreja de Corinto:
1Coríntios 8.7–13 NVI
7 Contudo, nem todos têm esse conhecimento. Alguns, ainda habituados com os ídolos, comem esse alimento como se fosse um sacrifício idólatra; e como a consciência deles é fraca, fica contaminada. 8 A comida, porém, não nos torna aceitáveis diante de Deus; não seremos piores se não comermos, nem melhores se comermos. 9 Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. 10 Pois, se alguém que tem a consciência fraca vir você que tem este conhecimento comer num templo de ídolos, não será induzido a comer do que foi sacrificado a ídolos? 11 Assim, esse irmão fraco, por quem Cristo morreu, é destruído por causa do conhecimento que você tem. 12 Quando você peca contra seus irmãos dessa maneira, ferindo a consciência fraca deles, peca contra Cristo. 13 Portanto, se aquilo que eu como leva o meu irmão a pecar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.
A orientação de Paulo é não comer carne sacrificada aos ídolos, se porventura vier a escandalizar o mais fraco na fé.
Então, os fracos na fé tinham suas consciências sensíveis em relação a alguns assuntos. Por isso a exortação de Paulo é de acolhê-los “sem discutir assuntos controvertidos”, ou seja, o cristão maduro na fé não deve ficar discutindo com o propósito de julgar a opinião do mais fraco na fé, mas com o propósito de ensiná-lo com mansidão a verdade bíblica.

2ª Deus já aceitou os fracos (v. 2-3)

2 Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. 3 Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou.
O irmão forte na fé era aquele que tinha entendimento correto das Escrituras, então ele compreendia que podia comer todos os alimentos. Mas o fraco na fé comia alimentos vegetais, para evitar comer carne impura, no caso dos judeus e carne sacrificada a ídolos no caso dos gentios.
A exortação de Paulo é “aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come”, os fortes na fé não devem desprezar os mais fracos. Paulo também exorta os mais fracos na fé dizendo “e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come”, os mais fracos na fé ficavam julgando os crentes fortes como mundanos já que eles comiam de tudo.
Não deve haver julgamento e nem desprezo “pois Deus o aceitou”.

3ª Deus sustenta os fracos (v. 4)

4 Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E ficará em pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar.
O apóstolo Paulo traz uma pergunta importantíssima para a reflexão “Quem é você para julgar o servo alheio?” O fraco na fé não deve julgar o forte e nem o forte deve julgar o fraco na fé, porque “é para o seu senhor que ele está em pé ou cai”, ou seja, Deus julgará se estão de pé ou caído. Deus é aquele que é “capaz de o sustentar”.
Em relação ao julgamento existe o “julgamento permitido” e o “julgamento proibido”. O proibido é aquele tipo de julgamento hipócrita, ou seja, olhar somente para o pecado do irmão e não olhar para si mesmo, esse foi o tipo de julgamento que Jesus condenou:
Mateus 7.1–2 NVI
1 “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. 2 Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
O julgamento permitido é aquele que é feito com discernimento e de forma justa. Isso significa que precisamos discernir o que é correto e errado.
Paulo está condenando o julgamento no que diz respeito ao pensamento diferente de coisas que são secundárias, ou seja, não posso julgar e nem condenar alguém porque está comendo ou deixando de comer certos alimentos. Mas se for um irmão fraco na fé, o nosso dever é de ensiná-lo conforme a palavra de Deus.

4ª Jesus é o Senhor dos fracos e dos fortes (v. 5-9)

5 Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. 6 Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus.
Alguns judeus mais fracos na fé ainda estavam presos a considerar o dia de sábado mais sagrado que os outros dias. Por outro lado, os gentios mais fracos se separavam dos dias das festas pagãs. Diante disso, o apóstolo diz: “cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente”, ou seja, cada um deve fazer aquilo que faz para agradar ao Senhor.
Aquele que considera um dia mais especial, deve fazer para o Senhor. E aquele que come carne, deve fazer para o Senhor e aquele que deixar de comer, deve fazer para o Senhor.
Diante disso, precisamos compreender que aqueles assuntos secundários que não são proibidos na bíblia, nós podemos fazer ou praticar de acordo com a nossa consciência.
7 Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si.
8 Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.
O foco principal do cristão é de viver a vida para agradar a Deus.
1Coríntios 10.31 NVI
31 Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
Isso quer dizer que todas as nossas ações devem estar voltadas para o Senhor, porque morremos para Ele e vivemos para Ele. A nossa vida pertence ao Senhor.
9 Por esta razão Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos.
Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos para ser tornar o Senhor daqueles que estão nessa terra e dos santos que já estão no céu na presença de Cristo. Por isso, tanto os fracos e os fortes na fé, não devem julgar e condenar por práticas secundárias, que não são pecaminosas.

2ª Não desprezar os irmãos na fé (v. 10-12)

Apesar das divergências de pensamento em relação à comida e ao dia sagrado, o apóstolo afirma que não deve julgar e nem desprezar os irmãos na fé. Perante isso, veremos dois motivos para não desprezarmos os irmãos na fé:

1° Todos são irmãos na fé (v. 10 a)

10 Portanto, você, por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão?
Paulo direciona as suas palavras para os fracos e os fortes na fé, trazendo uma reflexão importante “por que julga seu irmão? E por que despreza seu irmão?”, percebe-se que o apóstolo não usa a expressão “fraco”, mas sim irmão, pois ambos são irmãos na fé e não devem ficar brigando por questões secundárias que não edificam, mas trazem divisões.

2º Todos irão comparecer no tribunal de Deus (v. 10 b - 12)

10 Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.
11 Porque está escrito: “‘Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’”. 12 Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.
Cada um de nós iremos comparecer diante do tribunal de Deus. Para comprovar essa afirmação, o apóstolo Paulo usa as Escrituras: “Porque está escrito: “Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus”. Paulo cita Isaías:
Isaías 45.23 NVI
23 Por mim mesmo eu jurei, a minha boca pronunciou com toda a integridade uma palavra que não será revogada: Diante de mim todo joelho se dobrará; junto a mim toda língua jurará.
Nós iremos comparecer diante de Deus para “prestar contas de si mesmo a Deus”, isso inclui todas as nossas ações, atitudes, palavras decisões que fizemos nessa terra. Isso prova que ninguém escapará do juízo de Deus. Por isso, ninguém deve julgar e nem condenar o irmão por práticas secundárias, que a Bíblia não proíbe.

Conclusão

Para concluir, os irmãos fracos e fortes na fé não devem julgar e nem desprezar uns aos outros, pois ambos são irmãos em Cristo. Mesmo diante das divergências de pensamentos em algumas questões que são secundárias, devemos viver unidos, porque um dia iremos ser julgados pelo Senhor.
Infelizmente nos dias atuais, muitos discutem e brigam por causa de dia de culto, por causa de uso e costumes, por exemplo, uso de maquiagem, uso de brinco, cabelo comprido ou cabelo curto, uso de bermuda ou calça no caso dos homens, uso de saia ou calça no caso das mulheres. Também a cor da parede do templo, dentre outras coisas. Essas coisas são secundárias, o que não devemos mexer é na essência, isto é, aquilo que é inegociável, mas a forma pode ser mudada.
Portanto, independente dos irmãos que são fracos ou fortes na fé, ambos precisam praticar o amor fraternal, a fim de agradar a Deus e ter um bom relacionamento com os irmãos.

Aplicações

Precisamos acolher todos os irmãos na fé, principalmente os fracos, os quais precisam ser ensinados e discipulados.
Devemos aprender a viver uns com os outros, mesmo pensando diferente.
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