Uma fé que resiste, Um chamado que permanece
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Introdução
Introdução
Irmãos, muita cidade do Nordeste pega fogo no período de São João né verdade? É uma tradição cultural muito forte, que mexe com muita gente, de todas as idades. Conta-se uma história de que numa dessas cidades pequenas, mas que lota nesse período de festa, tinha um jovem/adolescente (18 anos) - Mateus, um menino que cresceu na igreja desde muito novo, e sempre nesse período ele trabalhava com a tia numa barraca de comidas típicas. Durante os dias de festa ele ficava ali na barraca da tia na praça principal até o meio da noite, depois participava de um projeto de evangelismo com outros jovens da igreja, onde eles montavam um ponto de apoio oferecendo água, caldo e oração a quem estava voltando da festa.
Num desses dias comuns de trabalho na barraca e depois avangelismo, enquanto ele ainda estava na barraca da tia, um produtor de uma banda apressado que conhecia Mateus vem até a barraca e lhe aborda dizendo que o zabumbeiro da banda passou mal, e chamando Mateus pra cobrir, seriam dois shows na noite, dois cachês generosos… e aí? vai ou não vai? O coração acelerou… alguns minutos de fama e sucesso… o menino balançou… A tia dele cochicou no ouvido: “Vá menino! É oportunidade! Deus entende”. Na mesma hora, o grupo de evangelismo no Whatsapp vibrou: “Três voluntários desistiram, precisamos de reforço. Quem confirma presença?”
Ao mesmo tempo amigos de infância do bairro marcando um “rolê” depois do show, uma baguncinha, tocar umas espadas escondido… “só hoje”… Outro da escola manda: “e esse after hoje?”
O vento soprou literalmente na vida de Mateus aquele dia… De forma bem discreta e “sem graça” ele meneia a cabeça negativamente para o produtor da banda, chega no grupo do evangelismo e digita “tô dentro”… os outros convites ficaram sem resposta. Chega no local do evangelismo, passa um rapaz com cheiro de álcool dizendo querer fazer uma besteira, porque saiu na noite pra ter um momento de alegria, mas até ali só vazio. Mateus encosta naquele rapaz oferece um copo d’água, estende o casaco e fica ali ouvindo o desabafo… Em seguida, de forma simples, sem precisar uma rajada de versículos, ele ora baixinho pelo rapaz, o pessoal chega perto cantando uma música baixinho.
O dia amanheceu, chega outra mensagem do produtor chamando para o São Pedro. Mateus sorri. Não porque recebeu outro convite, mas porque uma coisa só ficou nítida ali no final de tudo: no meio da festa mais barulhenta da cidade, a fé não gritou. Ela resistiu em silêncio à medida que ele era fiel na simplicidade, e o seu coração foi aquecendo e se satisfazendo em Deus. O chamado não levou ele a um palco, mas permaneceu na calçada, no ouvido e numa simples oração.
E é assim que comumente acontece… ninguém vê, ninguém aplaude, mas Deus aquece o coração de quem decide alimentar a chama com ações simples de fidelidade quando o vento sopra e diz “é só hoje, não tem nada não”, “todo mundo faz”, “Deus entende”.
Desenvolvimento e Aplicação
Desenvolvimento e Aplicação
Timóteo era um jovem alcançado pelo Evangelho. Recebeu a mensagem do evangeho desde o berço. Sua vó e sua mãe eram crentes fiéis. Timóteo cresceu como um filho de crente que em algum momento teve seu prórpio encontro com Jesus, e a partir de então desenvolveu uma fé que foi crescendo e amadurecendo, ao ponto de surgir a necessidade de um pastor/supervisor para a igreja de Éfeso, e Paulo enxerga em Timóteo esse chamado, impõe as mãos sobre Timóteo e comissiona-o para esse ofício.
Na segunda carta de Timóteo, Paulo está preso, já na reta final do seu ministério, e quer se certificar de que Timóteo vai dar continuidade de forma fiel à propagação do Evangelho ali em Éfeso. Paulo então passa a compartilhar com Timóteo todas as lutas que a fidelidade ao Evangelho pode trazer: traições, falta de apoio, falta de mão de obra, sofrimentos, etc… Paulo chega a afirmar em 2Tm 3.12-13 que todo aquele que desejar viver fielmente ao Evangelho será perseguido, mas que destino pior terão os infiéis. Então ele chega no verso 15 , e diz a Timóteo o que cabe a ele, como alguém que foi chamado para ser portavoz da mensagem do Evangelho ( 2Tm 3.14).
Nós poderímos trazer várias coisas aqui que encontramos no texto bíblico como coisas que Timóteo aprendeu com Paulo e que ele precisaria guardar dali por diante. Mas eu vou me ater a algumas que considero muito importantes. As demais vocês podem aprofundar ao ler e estudar as duas cartas de Timóteo.
A primeira coisa que Timóteo recebeu e precisa guardar é a sua fé genuína (2Tm 1.5). Crer no Evangelho e ser fiel a Cristo trouxe a maior benção da vida de Timóteo, mas tabém colocou ele dentro de lutas que ele nunca imaginaria um dia enfrentar. E diante de tamanhas lutas e dificuldades, a fé precisa permanecer firme e inabalável. Guardar e fé é entender que a mensagem e as verdades do Evangelho não podem ser adulteradas de acordo com o contexto para minimizar o desconforto. O cristão precisa reter fimemente a sua confissão nas verdades do Evangelho, mesmo quando isso significar algum tipo de prejuízo. Mesmo quando significar o escárnio dos amigos, a rejeição do não crente, a perseguição religiosa, o abandono da família. Não podemos negociar a nossa fé e as marcas do Evangelho que a gente confessa por causa das circunstâncias.
A segunda coisa que O Evangelho trouxe para Timóteo e ele precisa guardar é sensibilidade (2Tm 1.4). Veja, o Evangelho transformou Timóteo ao ponto de Timóteo ser alguém que chora quando vê alguém importante para ele e para o Evangelho se afastar. Não só porque Paulo era alguém querido, mas porque era alguém que levava ele para mais perto de Cristo, além de ser alguém importante para a obra. Timóteo sente isso: alguém importante para minha vida cristã vai ficar mais distante, e a obra aqui vai ficar mais difícil. Ele chora por isso. Todo mundo é sensível com alguma coisa, mas o Evangelho nos convida a sermos sensíveis com o que relamente é importante. Não podemos perder a sensibilidade em relação aos nossos familiares que estão perdidos, porque eles são importantes para o Evangelho. Não podemos perder a sensibilidade para com as pessoas que estão perto de nós - crentes ou descrentes, porque o amor de Jesus precisa alcançar essas pessoas através de nossa vida. O Evangelho genuíno ele desperta em nós sensibilidade!
A terceira coisa que Timóteo recebeu e precisa guardar é o dom em fervor (2Tm 1.6-7). Deus derramou dons sobre a vida de Timóteo e colocou um fogo no coração de Timóteo. Os dons e o fogo precisam ser guardados. Timóteo trabalha, serve, prega, visita os irmãos, opera nos dons abençoando outras pessoas, mas o coração de Timóteo precisa estar constantemente pegando fogo. O que Timóteo faz pra igreja não é uma prestação de serviço fria, sem alma, sem vida. É trabalhar, se dedicar, é sevir, mas com o coração em chamas, sem desistir, sem deixar a peteca cair, avançando… Porque? Porque Deus compartilhou do seu espírito, das suas motivações interiores, com Timóteo… E esse espírito, esse impulso interior que vem de Deus, não é covarde, não se retrai para as coisas de Deus, não se esfria. O impulso do Espírito de Deus no nosso espírito está sempre sustentado num tripé: poder, amor e disciplina. Poder fala sobre a capacidade de fazer as coisas na obra de Deus. Amor fala sobre sensibilidade e moderação ao fazer as coisas. Disciplina fala sobre o controle do Espírito sobre nós para nos manter firmes e constantes. Poder, amor e disciplina. Quais são as desculpas que mais a gente arruma pra não fazer? O espírito de poder que está sobre nós nos leva a deixar as desculpas de lado e fazer! Quais são as desculpas que a gente arruma pra fazer as coisas passando por cima dos outros (sem amor)? O espírito de amor que está sobre nós nos impulsiona a fazer, ser intenso, mas com amor! E o que é que está impedindo a gente de ser constante? O espírito de disciplina que está sobre nós nos mantém motivados a nunca esmorecer e parar.
Conclusão
Conclusão
Irmãos, nós fomos chamados por Jesus, para o evangelho, para perseverar e guardar a fé genuína, manter a sensibilidade com as coisas que realmente importam para Deus, e usar o que Deus nos Deus para fazer na obra com fervor, com a chama acesa no coração. Mas os ventos vão sempre soprar para adulterar a fé, tirar a sensibilidade e apagar a chama. Lembra do jovem Mateus? De que forma os ventos deste mundo estão soprando na sua vida pra tentar apagar a chama da sua fé e do seu chamado? Lembre do jovem Mateus, a gente não precisa necessariamente gritar em meio aos ventos, a gente só precisa ser fiel. Nossa fé precisa resistir e nosso chamado precisa permanecer no meio da tempestade, mesmo que em silêncio.
