Despindo-se da Túnica: A História de José

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INTRODUÇÃO

Texto-base: Gênesis 37:2-4
Gênesis 37.2–4 NAA
2 Esta é a história de Jacó. Quando José tinha dezessete anos, apascentava os rebanhos com os seus irmãos. Sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai. 3 Ora, Israel amava mais José do que todos os seus outros filhos, porque era filho da sua velhice; e mandou fazer para ele uma túnica talar de mangas compridas. 4 Quando os seus irmãos viram que o pai o amava mais do que todos os outros filhos, odiaram-no e já não podiam falar com ele de forma pacífica.

DESENVOLVIMENTO

Houve três etapas na trajetória da vida de José:
1. José da túnica.
2. José escravo e na prisão.
3. José governador – o José dos sonhos.
I - JOSÉ DA TÚNICA
ASPECTOS POSITIVOS: ele era o escolhido (filho da velhice); vida de privilégios; proteção; conforto; comodidade; segurança; ausência de problemas; tranquilidade.
ASPECTOS NEGATIVOS: achar que o sucesso é alcançado sem esforço; dificuldade para aceitar a derrota; egoísmo; achar que é o centro das atenções; dependência; indulgência; senso de incapacidade; fraqueza diante de desafios.
Uma túnica de várias cores – Naquele tempo, as roupas indicavam posição social. A púrpura era reservada aos reis. A túnica de José era uma expressão aberta e declarada de puro favoritismo.
José usava a túnica com bastante frequência e sentia-se especial. No entanto, toda vez que a usava, José lembrava aos irmãos que eles nunca seriam amados pelo pai como ele era amado.
José e os sonhos – Naquela época, os sonhos eram considerados proféticos, e José não teve o bom senso de manter seus sonhos em segredo.
Verso 6: “Ouçam meu sonho [...]”
Verso 8: “[...] vocês se curvarão em expressão de humilde obediência à minha autoridade.” “[...] E o odiaram ainda mais, por causa do sonho e do que havia dito.”
II - JOSÉ ESCRAVO
Salmo 105.17–19 NAA
17 Adiante deles enviou um homem, José, que foi vendido como escravo. 18 Apertaram os seus pés com correntes e puseram uma coleira de ferro no seu pescoço, 19 até cumprir-se a profecia a respeito dele, e tê-lo provado a palavra do Senhor.
Um dia José caiu na emboscada de seus irmãos. Mudança de situação: sem família, sem lar, sem amigos, sem pai, sem as vantagens que tinha, sem liberdade, sem futuro e sem a túnica.
Foi aí que José iniciou a grande trajetória de sua vida, uma jornada de crescimento e preparo. Para vencer as provas, é necessário despir-se da túnica. O coração é revelado, e o caráter é forjado quando a vida não sai conforme planejamos.
Muitos prisioneiros de guerra e reféns relatam que a pior coisa em sua experiência foi perceber que haviam perdido o controle da própria existência.
Observadores dos campos de prisioneiros da Coreia na década de 1950 concluíram que aqueles que se refugiavam em um estado de aceitação passiva tinham menor probabilidade de sobreviver e se recuperar.
Por outro lado, os que conseguiram restabelecer o senso de controle sobre o próprio futuro triunfaram sobre a adversidade.
Os prisioneiros resgatados no Vietnã afirmaram que se impunham programas de exercícios vigorosos, memorizavam histórias e desenvolveram sinais secretos por meio de leves batidas nas paredes para cada letra do alfabeto.
José também era um prisioneiro, longe de casa, traído pelos irmãos, raptado por mercadores de escravos, cercado de estranhos. Mas, a Bíblia diz, em Gênesis 39:2, que “o Senhor Deus estava com José”.
Apesar de ter perdido a liberdade, José recusou-se a pensar em si mesmo como alguém impotente. A fé crê que, com Deus, jamais somos vítimas indefesas.
Ler sobre o resultado de sua atitude em Gênesis 39:3, 4.
Os que se despem da túnica permanecem fiéis aos seus valores mesmo quando tentados a transigir.
Tentação em três etapas e três abordagens:
a. Uma abordagem direta, nada sutil Gênesis 39:7: “Assim, depois de algum tempo, a mulher de Potifar pôs os olhos em José e lhe disse: — Venha para a cama comigo.”
Eis a resposta de José - Gênesis 39:8, 9: “Ele, porém, recusou e disse à mulher do seu dono: — Escute! O meu senhor não se preocupa com nada do que existe nesta casa, pois eu estou aqui; tudo o que tem ele passou às minhas mãos. Não há ninguém nesta casa que esteja acima de mim. Ele não me vedou nada, a não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?”
b. Abordagem persistente Gênesis 39:10: “Ela falava com José todos os dias.”
Mesmo assim José recusava. “É perigoso deter-nos considerando as vantagens que poderemos ganhar cedendo às sugestões de Satanás” (O Maior Discurso de Cristo, p. 83).
c. Abordagem pela força Ler Gênesis 39:11, 12.
Quando a tentação se apresenta forte, a única saída é a fuga imediata. Na verdade, fugir significa enfrentar.
Em que momento estamos mais vulneráveis à tentação? Quando descemos ao vale e os problemas emprestam ao pecado uma aparência irresistível.
“Toda tentação resistida, toda provação valorosamente suportada, traz-nos uma nova experiência, levando-nos avante na obra da edificação do caráter. A pessoa que, mediante o poder divino, resiste à tentação, revela ao mundo e ao universo celestial a eficácia da graça de Cristo” (O Maior Discurso de Cristo, p. 83).
III – JOSÉ PRISIONEIRO
Gênesis 39.21 NAA
21 O Senhor, porém, estava com José, foi bondoso com ele e fez com que encontrasse favor aos olhos do carcereiro.
José resolveu que seria melhor encarar a vida com o Senhor e não ter nada a encarar a vida sem o Senhor e ter tudo.
Os que se despem da túnica encontram sentido e propósito no sofrimento e na provação.
Estudos de bilhetes deixados por suicidas concluíram que a falta de propósito e significado para a vida é uma das razões mais importantes que levam essas pessoas a esse ato. Incontáveis pessoas devastadas por traumas descrevem como problema básico uma existência sem sentido.
Contudo, é possível encontrar um propósito numa prisão? Pode uma situação dessas ser considerada uma bênção? A resposta está em Gênesis 39:22.
Na época de sua vida que esperaríamos vê-lo ocupado exclusivamente consigo mesmo, José demonstrou sincera preocupação com o bem-estar de outros (Gn. 40:7). Ele fez isso sem esperar nada em troca. E, assim, deu sentido à sua vida na prisão.
Não foi obra do acaso José passar anos como escravo e prisioneiro antes de ser elevado a uma posição de destaque e ser usado por Deus.
“É nesse processo de encontrar e resolver problemas que a vida acha seu significado. Só os problemas nos fazem crescer mental e espiritualmente. Esse é o motivo pelo qual os sábios aprendem a não temer, mas a aceitar os problemas, bem como a dor que os acompanha” (Scott Peck, Formação da Personalidade).
IV - O JOSÉ GOVERNADOR – “O JOSÉ DOS SONHOS”
Gênesis 41:1: “Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho [...]”
Ler Gênesis 41:14 e 33-40.

CONCLUSÃO

Despido da túnica, José encontrou seu sonho.
“A formação do caráter não é obra de um dia, nem de um ano, mas de uma existência. A luta pela conquista do eu, pela santidade e o Céu, é uma luta que se prolonga por toda a vida. Sem contínuo esforço e atividade constante, não pode haver progresso nem ganho da coroa da vitória” (A Ciência do Bom Viver, p. 452).
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