Fundamentos da Fé Cristã - Aula 2
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Introdução
Introdução
Cristologia ou Doutrina de Cristo é a matéria que estuda de modo racional e sistemático a pessoa de Jesus Cristo. É derivado do termpo grego “Christos” (Ungido), e “Logia”, estudo, sendo portanto o estudo sobe Cristo.
Podemos resumir da seguinte maneira o ensino bíblico acerca da pessoa de Cristo: Jesus Cristo foi plenamente Deus e plenamente homem em uma só pessoa e assim o será para sempre.(Grudem)
O Antigo Testamento predizia a vinda de Jesus Cristo através de tipos (representação em histórias e pessoas), símbolos (a serpente no deserto, a arca da aliança, as festas hebraicas, os sacrifícios) e profecias diretas.
O ensino de Jesus é transmitido através do evangelho (boa notícia) e reforçado no ensino dos Apóstolos.
A humanidade de Cristo
A humanidade de Cristo
Jesus Cristo, embora seja o nosso salvador, foi também um ser humano igual a nós, porém não sujeito ao pecado Hb 4.15. Seu nascimento milagroso através da concepção pelo Espírito Santo demonstra que o pecado nao tinha poder sobre ele como sobre o resto da humanidade Mt 1.18; Lc 1.35; Lc 1.35.
Sobre seu nascimento virginal
Sobre seu nascimento virginal
O nascimento virginal de Cristo é um lembrete inequívoco de que a salvação jamais pode vir por meio do esforço humano, mas precisa ser obra do próprio Deus. Nossa salvação deve-se apenas à obra sobrenatural de Deus, e isso ficou evidente logo no início da vida de Jesus, quando “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5).
O nascimento virginal possibilitou a união da plena divindade e da plena humanidade em uma só pessoa. Esse foi o meio empregado por Deus para enviar seu Filho (Jo 3.16; Gl 4.4) ao mundo como homem.
O nascimento virginal também torna possível a verdadeira humanidade de Cristo sem a herança do pecado. Todos os seres humanos herdaram culpa legal e uma natureza moral corrompida do seu primeiro pai, Adão (às vezes designado de “pecado herdado” ou “pecado original”). Mas o fato de Jesus não ter tido um pai humano significa que a linha de descendência de Adão é parcialmente interrompida. Jesus não descendeu de Adão exatamente da mesma maneira que todos os outros seres humanos descenderam de Adão. E isso nos ajuda a compreender por que a culpa legal e a corrupção moral que pertencem a todos os outros seres humanos não fizeram parte de Cristo.
A humanidade de Jesus é uma realidade
A humanidade de Jesus é uma realidade
Negar que Jesus realmente nasceu em um corpo humano e viveu como nós, é aderir a uma heresia existente desde o primeiro século chamada Docetismo (do grego dokein = parecer, aparentar) que dizia que Jesus apenas “parecia” ter um corpo mas que não era de fato um ser humano.
A esta heresia o Apóstolo João escreveu:
1João 4.2–3 “Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo.”
2João 7 “Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo.”
Provas Bíblicas da Humanidade de Jesus
Provas Bíblicas da Humanidade de Jesus
Ao nascer, Jesus Cristo sujeitou-se às condições da vida humana, bem como do corpo humano. Sua humanidade é demonstrada:
Nasceu de uma mulher: Gálatas 4.4–5 “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”
Cresceu como uma pessoa normal: Lucas 2.52 “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.”
Sentiu sofrimento e dor: Lucas 22.44 “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.]”
Sentiu Cansaço: João 4.6 “Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.”
Teve Fome: Mateus 4.2 “E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome.”
Teve Sede: João 19.28 “Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!”
Tinha Emoções: João 11.33 “Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se.”
Possuía um corpo físico (sujeito à morte): Mateus 26.11–12 “Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes; pois, derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento.”
Mateus 27.57–60 “Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue. E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou.”
Possuía Alma Racional: Mateus 26.38 “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo.”
Possuía espírito humano: Lucas 23.46 “Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.”
A Divindade de Jesus
A Divindade de Jesus
Deus revelou pela primeira vez o seu nome a Moisés em Êxodo 3.14. No hebraico, aparece a expressão ’ehyeh ’asher ’ehyeh, que pode ser traduzida como “EU SOU O QUE SOU”, derivada do verbo hayah, que significa “ser” ou “existir”. Esse nome comunica a ideia do ser eterno, autoexistente e independente de Deus. A Septuaginta, que é a versão grega do Antigo Testamento, traduziu essa frase como “egō eimí ho ōn”, isto é, “Eu sou o que existe”. A forma abreviada desse nome foi registrada como YHWH (Yahweh), o nome divino pelo qual Israel passou a conhecer o Senhor.
Quando chegamos ao Novo Testamento, percebemos que Jesus assume essa mesma identidade divina ao usar repetidamente a expressão grega “egō eimí” (“Eu sou”). Ele não estava apenas dizendo “sou eu” de forma cotidiana, mas evocando diretamente a revelação de Deus a Moisés. Isso fica claro em várias passagens:
Em João 8.24, Jesus diz: “se não crerdes que eu sou (egō eimí), morrereis nos vossos pecados”.
Em João 8.28, afirma: “quando levantardes o Filho do Homem, então sabereis que eu sou (egō eimí)”.
Em João 8.58, declara: “antes que Abraão existisse, eu sou (egō eimí)”.
Em João 18.5-6, quando os soldados vão prendê-lo e perguntam por “Jesus, o Nazareno”, Ele responde: “Sou eu (egō eimí)”, e imediatamente todos recuam e caem por terra, reconhecendo a força divina dessa revelação.
Essas afirmações de Jesus não deixam dúvida: ao empregar o “egō eimí”, Ele estava se identificando com o próprio Deus que se revelou no Antigo Testamento. Por isso, os judeus entenderam suas palavras como uma reivindicação de divindade — e essa foi uma das razões que levaram à rejeição e perseguição contra Ele.
Atributos divinos
Atributos divinos
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O ofício de Jesus
O ofício de Jesus
No Antigo Testamento havia três funções muito importantes: o profeta, que levava a palavra de Deus ao povo; o sacerdote, que oferecia sacrifícios e orações a Deus em favor do povo; e o rei, que governava como representante de Deus. Esses três papéis apontavam para Cristo. Ele é o profeta que revela Deus a nós, o sacerdote que entregou a si mesmo como sacrifício e intercede por nós, e o rei que governa a igreja e todo o universo. Em Jesus, esses três ofícios se cumprem de forma perfeita.
Jesus como profeta
Jesus como profeta
No Antigo Testamento, os profetas eram porta-vozes de Deus para o povo, sendo Moisés o primeiro grande profeta, autor do Pentateuco, e aquele que predisse a vinda de um profeta semelhante a ele (Dt 18.15–18). Os Evangelhos registram que muitos reconheceram Jesus como profeta em situações específicas (Lc 7.16; Jo 4.19; Jo 9.17), mas geralmente de forma limitada, sem perceber sua verdadeira identidade. Após a multiplicação dos pães, alguns identificaram-no como o profeta prometido (Jo 6.14; 7.40), e Pedro também confirmou essa profecia em Atos 3.22–24.
Contudo, as cartas do Novo Testamento evitam chamar Jesus de profeta, preferindo títulos como Apóstolo e Sumo Sacerdote (Hb 3.1). Isso porque, embora ele seja o profeta prometido por Moisés, é infinitamente maior que todos os profetas do Antigo Testamento em dois sentidos. Primeiro, porque ele é o cumprimento de todas as profecias, como mostrou no caminho de Emaús (Lc 24.25–27; cf. 1Pe 1.11). Segundo, porque não apenas transmitiu mensagens de Deus, mas falou com autoridade própria, declarando: “Eu, porém, vos digo” (Mt 5.22), sendo ele mesmo a Palavra eterna (Jo 1.1) que revela plenamente o Pai (Jo 14.9; Hb 1.1–2).
Assim, no sentido amplo, Cristo é plenamente profeta, pois revela Deus e transmite sua palavra. Mas sua obra profética é única: ele é a fonte da revelação, aquele a quem todos os profetas apontavam, e em quem as promessas se cumprem de forma definitiva.
Jesus como sacerdote
Jesus como sacerdote
No Antigo Testamento, os sacerdotes eram designados por Deus para oferecer sacrifícios, orações e louvores em favor do povo, tornando-o aceitável diante de Deus de forma limitada. No Novo Testamento, porém, Jesus é apresentado como o grande sumo sacerdote, sobretudo na Carta aos Hebreus. Ele ofereceu a si mesmo como sacrifício perfeito e definitivo: “Mas agora ele se manifestou de uma vez por todas no fim dos tempos para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26; cf. Hb 7.27; 9.12,24-28; 10.1-14). Diferente dos sacerdotes do Antigo Testamento, que apenas apontavam para a realidade, Cristo é ao mesmo tempo o sacerdote e o sacrifício. Sua morte abriu o acesso direto a Deus, simbolizado pelo rasgar do véu do Templo (Lc 23.45), de modo que todos os crentes podem agora se aproximar confiadamente da presença de Deus: “Temos confiança para entrar nos lugares santos por meio do sangue de Jesus” (Hb 10.19-22).
Além disso, Cristo não apenas abriu esse acesso, mas também continua a nos conduzir à presença de Deus. Enquanto os sacerdotes do Antigo Testamento entravam no Lugar Santíssimo uma vez ao ano, Jesus entrou no santuário celestial “na presença de Deus em nosso favor” (Hb 9.24), tornando-se “sumo sacerdote para sempre” (Hb 6.19-20). Assim, já não precisamos de um templo terreno ou de mediadores humanos, pois Cristo, exaltado nos céus, é quem nos garante o privilégio de estar continuamente diante do Pai.
Outra função sacerdotal essencial é a intercessão, que Jesus realiza sem cessar. “Ele é capaz de salvar perfeitamente os que se aproximam de Deus por meio dele, visto que vive sempre para interceder por eles” (Hb 7.25; cf. Rm 8.34). Essa intercessão não é apenas representativa, mas envolve pedidos específicos diante de Deus em favor do seu povo, como indica o termo grego “entygchanō”. Por ser plenamente Deus e plenamente homem, Cristo pode compreender nossas necessidades humanas e ao mesmo tempo levá-las ao Pai de forma perfeita. Como afirma Berkhof: “É um consolo pensar que Cristo está orando por nós, mesmo quando somos negligentes em nossa vida de oração; que ele está apresentando ao Pai aquelas necessidades espirituais que não estavam presentes em nossa mente e que nós com frequência deixamos de incluir em nossas orações; e que ele ora por nossa proteção contra os perigos dos quais não temos nem sequer consciência, e contra os inimigos que nos ameaçam, apesar de não os percebermos. Ele está orando para que a nossa fé não se acabe e para que no fim sejamos vitoriosos.” Isso deve encher os crentes de encorajamento e segurança diante de Deus.
Jesus como Rei
Jesus como Rei
No Antigo Testamento, o rei governava Israel com autoridade, mas no Novo Testamento vemos que Jesus é o verdadeiro Rei prometido. Embora tenha nascido como o “Rei dos judeus” (Mt 2.2), ele rejeitou qualquer tentativa de ser um rei terreno com poder político ou militar (Jo 6.15), deixando claro diante de Pilatos: “Meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36). Seu reino foi anunciado em sua pregação desde o início: “Arrependei-vos, pois o reino do céu chegou” (Mt 4.17), e confirmado quando foi aclamado pelos discípulos na entrada triunfal em Jerusalém: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor!” (Lc 19.38).
Após a ressurreição, o Pai lhe concedeu autoridade suprema sobre a igreja e sobre todo o universo, assentando-o à sua direita “muito acima de todo principado, autoridade, poder e domínio” (Ef 1.20-22; Mt 28.18). Esse reinado, já real e presente, será plenamente revelado na sua volta em glória, quando todos reconhecerão Jesus como o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19.16), e “todo joelho se dobrará” diante dele (Fp 2.10).
Heresias acerca de Jesus
Heresias acerca de Jesus
Gnosticismo
Os gnósticos consideravam a matéria má e negavam a encarnação real e a ressurreição corporal do Filho de Deus. Seus ensinos sobre criação, Cristo e salvação eram contrários à pregação apostólica e à fé cristã, sendo chamados de “cristianismo esotérico”. Exemplos modernos são a Ciência Cristã, que separa “Jesus” de “Cristo” e nega a encarnação.
A palavra gnose vem do grego e significa “sabedoria” ou “conhecimento superior”. Os gnósticos afirmavam possuir segredos espirituais que os cristãos comuns não tinham. Nos primeiros séculos, esse conhecimento secreto estava ligado à ideia de que “Cristo” habitava em “Jesus”, mas não se identificava plenamente com Ele. Assim, o espírito humano seria apenas uma centelha da plenitude divina (semelhante a ideias difundidas hoje pela Nova Era).
Docetismo
O termo vem do grego dokeō, que significa “parecer”. Os docetas afirmavam que Jesus não possuía um corpo real, mas apenas aparência de humanidade. Para eles, Cristo não sofreu de verdade e sua crucificação teria sido apenas ilusão.
Esse pensamento negava a realidade da encarnação e da obra redentora de Cristo, tornando-o um “fantasma” que não partilhava plenamente da condição humana.
A Primeira Carta de João e outros escritos do Novo Testamento foram escritos justamente para combater essa ideia, enfatizando que “o Verbo se fez carne” (Jo 1.14) e que negar que Jesus veio em carne é sinal do espírito do anticristo (1Jo 4.2-3; 2Jo 7).
Arianismo
Arianismo
O arianismo surgiu no séc. IV com Ário, presbítero de Alexandria. Ele ensinava que o Verbo (Jesus Cristo) não era eterno, mas a primeira criatura de Deus. Assim, Cristo não seria da mesma substância divina do Pai, mas um ser criado, superior às demais criaturas.
Essa heresia negava a plena divindade de Jesus e comprometia a salvação, pois, se Cristo não fosse Deus verdadeiro, não poderia reconciliar os homens com Deus.
A resposta da Igreja veio no Concílio de Niceia (325 d.C.), que declarou que o Filho é “da mesma substância” (homoousios) do Pai, reafirmando sua plena divindade.
Seitas e movimentos atuais com traços de arianismo
Seitas e movimentos atuais com traços de arianismo
1. Testemunhas de Jeová
1. Testemunhas de Jeová
São o exemplo mais direto de arianismo moderno.
Ensinam que Jesus é o arcanjo Miguel encarnado, a primeira criatura de Deus.
Negam a Trindade e afirmam que Cristo é um ser poderoso, mas não Deus eterno.
2. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons)
2. Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons)
Afirmam que Jesus é filho literal de Deus Pai e irmão espiritual de Lúcifer.
Ensinam que Pai, Filho e Espírito Santo são três deuses distintos, unidos apenas em propósito.
Assim como Ário, negam que o Filho compartilhe da mesma substância divina do Pai.
3. Adventistas do Sétimo Dia (no início)
3. Adventistas do Sétimo Dia (no início)
No século XIX, os primeiros adventistas (como James White) tinham forte influência antitrinitária e alguns assumiam posições semi-arianas.
Porém, a denominação oficial hoje rejeita o arianismo e adota uma confissão trinitária clássica. Ainda assim, creem que Jesus Cristo é o Arcanjo Miguel, assim como os TJ.
Ainda assim, existem grupos dissidentes adventistas (conhecidos como adventistas antitrinitários) que sustentam visões próximas do arianismo.
4. Unitarianismo moderno
4. Unitarianismo moderno
Grupos unitaristas em geral rejeitam a Trindade e veem Jesus apenas como homem especial ou como ser criado por Deus.
Incluem movimentos independentes e alguns grupos ligados ao liberalismo teológico.
Nestorianismo
Nestorianismo
Os nestorianos eram seguidores de Nestório, bispo de Constantinopla. Ele defendia a teologia de Antioquia, que ensinava que a natureza divina e a humana em Cristo não poderiam ser confundidas. Mas, em sua ênfase nessa separação, Nestório acabou ensinando que havia duas pessoas em Cristo: uma humana e outra divina.
Essa teoria explicava, por exemplo, que quando Cristo tinha fome era a parte humana; quando andava sobre as águas ou fazia milagres, era a parte divina. Assim, Jesus seria como duas pessoas distintas habitando em um mesmo corpo.
Nestório rejeitava também o título de Theotokos (“Mãe de Deus”) aplicado a Maria, preferindo o termo Christotokos(“Mãe de Cristo”). Para ele, Maria dera à luz apenas a natureza humana de Jesus, e não ao Deus encarnado.
O Sínodo de Éfeso (431 d.C.) condenou Nestório como herege, o depôs de seu cargo e o exilou. Apesar disso, suas ideias deram origem a comunidades que se espalharam, formando igrejas nestorianas, como a Igreja de São Tomé, na Índia, que persistem até hoje.
Posteriormente, no Concílio de Calcedônia (451 d.C.), a Igreja declarou a doutrina da união hipostática, afirmando que Jesus Cristo é uma única pessoa em duas naturezas (divina e humana), sem confusão, sem divisão, sem mudança e sem separação.
Declaração de Fé de Calcedônia
Declaração de Fé de Calcedônia
(...) Todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial [hommoysios] ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; “em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus [Theotókos];
Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis;[1] a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência [hypóstasis]; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu.
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Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), p. 101.
Textos para memorizar e meditar:
João 1.14 “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”
Perguntas:
Perguntas:
1. Por que o nascimento virginal de Jesus foi essencial para que Ele fosse plenamente humano, mas sem herdar o pecado de Adão?
2. Como Jesus usou a expressão “Eu sou” para mostrar que é Deus?
3. Qual foi a principal heresia combatida pelo apóstolo João no primeiro século, e de que maneira ele respondeu a ela em suas cartas?
4. O que a Igreja disse em Calcedônia (451 d.C.) sobre Jesus ser Deus e homem ao mesmo tempo?
