Como ser cristão em um mundo caído?

Cristianismo do dia-a-dia  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 3 views

Deus ordenou aos exilados na Babilônia que construíssem, trabalhassem, casassem e buscassem o bem da cidade, lembrando-lhes que o exílio também fazia parte de Seus planos. Assim, o cristão é chamado a viver com fé, produtividade e amor, mesmo em um mundo caído. A verdadeira santidade não está em fugir do mundo, mas em ser luz dentro dele — servindo, frutificando e confiando que Deus reina soberanamente sobre todas as circunstâncias.

Notes
Transcript

4Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia:

5“Construam casas e morem nelas; plantem pomares e comam o seu fruto. 6Casem e tenham filhos e filhas; escolham esposas para os filhos de vocês e deem as suas filhas em casamento, para que tenham filhos e filhas. Aumentem em número e não diminuam aí na Babilônia! 7Procurem a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao SENHOR; porque na sua paz vocês terão paz. 8Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Não se deixem enganar pelos profetas e adivinhos que vivem no meio de vocês. Não deem ouvidos aos sonhadores, que sempre sonham segundo o desejo de vocês. 9Porque eles profetizam falsamente em meu nome; eu não os enviei”, diz o SENHOR.

Introdução

Estamos em nossa série Cristianismo do Dia a Dia, apresentando diversas doutrinas cristãs através da exposição de alguns textos bíblicos. Já vimos por exemplo, acerca da santidade (tanto ser como tornar-se santo), como fruto da presença do Espírito Santo em nós.
Ao longo da história, muitos cristãos pensaram que para ser santo era preciso fugir do mundo — isolando-se em mosteiros ou vilas).
Ao contrário das pessoas que se dizem cristãs, mas são idênticas aos não-crentes, para estes grupos, a melhor maneira de viver a fé cristã neste mundo é isolando-se dele ou diminuindo o contato com este mundo ao máximo.
E você, já se perguntou como você deveria viver nesta terra para agradar a Deus? Que tipo de vida você deve ter para obedecer a Deus? Será que você tem que fazer algo especial para servir ao Senhor, como se tornar pastor ou não se envolver com descrentes?
Veremos que, ao contrário, Deus chama seu povo a viver de modo fiel e produtivo mesmo em meio a circunstâncias adversas, buscando o bem da cidade onde está.
E para começar, vamos aos últimos versículos do nosso texto de hoje.

Exposição

v.8,9 - Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Não se deixem enganar pelos profetas e adivinhos que vivem no meio de vocês. Não deem ouvidos aos sonhadores, que sempre sonham segundo o desejo de vocês. Porque eles profetizam falsamente em meu nome; eu não os enviei”, diz o SENHOR.

🖊️ Desenho: Um ouvido humano ouvindo uma Bíblia aberta, enquanto de outro lado há uma nuvem com palavras erradas e um “X” sobre ela.
Invertemos a ordem para entender melhor o contexto. Jeremias estava enviando uma carta para o povo do reino de Judá que havia sido levado à força para a Babilônia. Esta foi a primeira leva de judeus levados ao cativeiro.
Lá chegando, haviam alguns falsos profetas entre eles dizendo que o cativeiro seria curto, que Deus havia dito que duraria no máximo dois anos (Jr 28.3).
Jeremias estava lidando com falsos profetas há muito tempo. Antes, esses mesmos profetas garantiram que Jerusalém nunca cairia — erraram, mas o povo continuou ouvindo, porque diziam o que ele queria ouvir..
Agora, diziam que o cativeiro seria curto.
Mas porque, apesar de errar nas profecias anteriores eles continuavam sendo ouvidos pelo povo? Simples, porque eles profetizavam de acordo “com os desejos do povo”, em outras palavras, eles falavam coisas que o povo queria ouvir. No caso, o povo queria coisas aparentemente muito justas: queria ser liberto do cativeiro, queria que o reino mau de Nabucodonosor não tivesse poder sobre o povo de Deus… E os profetas diziam que tudo isso ia se realizar, que essa era a vontade de Deus.
Mas Jeremias, o verdadeiro profeta, disse que ia acontecer justamente o contrário.
Por vezes, nossos desejos podem nos cegar para aquilo que a Bíblia diz e quando isso acontece, somos alvos fáceis para o engano. E esse é o principal truque de todos os falsos profetas: falar o que já queremos ouvir

v.4 - Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que eu deportei de Jerusalém para a Babilônia:

🖊️ Desenho: Um vaso de barro sobre uma mesa, com as mãos de uma criança moldando-o (representando o povo sendo formado e dirigido).
Aí que voltamos ao início do nosso texto. E quando Jeremias começa a dar as instruções aos exilados, a mensagem de Deus lembra a cada um deles que, na verdade, não foi Nabucodonosor que os levou ao cativeiro, mas o próprio Senhor dos Exércitos quem o fez.
Para não ficar dúvidas disso, o Senhor usa a expressão “Senhor dos Exércitos” para se identificar. Em geral, esse nome de Deus (יְהוָ֥ה צְבָא֖וֹת) é utilizado na Bíblia para dar conforto e segurança ao povo de Israel, comunicando que o poder de Deus para sustentá-los é superior ao de qualquer perigo ou nação que se levante contra seu povo (1Sm 17.45; Is 1.9; 6.3,5; 31.5; Jr 10.16; 31.35).
Contudo aqui, Deus está reafirmando sua soberania sobre todos os exércitos, o que significa que os exércitos de Nabucodonosor estavam a seu serviço. Aquela parte do povo de Israel estava exilada por vontade de Deus, então eles tinham que aceitar a situação.
Não há circunstância que nós vivemos que esteja fora do controle de Deus. E isto prepara para os próximos versículos.

v.5 - “Construam casas e morem nelas; plantem pomares e comam o seu fruto.

🖊️ Desenho: Uma casinha simples e duas árvores frutíferas com frutas penduradas e raízes visíveis no chão.
O recado de Deus através do profeta continua, dando instruções sobre a vida produtiva e sobre a economia pessoal.
Ao invés de se isolar na terra da Babilônia, esperando o dia da libertação, os israelitas deveriam iniciar negócios (plantar pomares), ganhar dinheiro e construir suas próprias casas.
Quem já plantou uma árvore frutífera sabe: demora para dar frutos. Deus dizia que o exílio seria tão longo que haveria tempo de plantar, colher e prosperar.
Deus, dá uma ordem para viver na Babilônia, como viviam em Israel: sendo produtivos.

v.6 - Casem e tenham filhos e filhas; escolham esposas para os filhos de vocês e deem as suas filhas em casamento, para que tenham filhos e filhas. Aumentem em número e não diminuam aí na Babilônia!

🖊️ Desenho: Uma família sorridente de mãos dadas (pais e filhos) ao lado da casa, com um coração acima deles.
Outro mandamento de Deus aos exilados também envolve algo muito comum e que gasta muito do nosso tempo: a família.
Deus deliberadamente ordenou que o povo de Deus formasse família lá na Babilônia, casando e tendo filhos. Aqui é necessário destacar que eles deveriam casar entre judeus, não com os Babilônios. A Palavra de Deus constantemente adverte que o povo de Deus só deve casar com pessoas que também fazem parte do povo de Deus (Êx 34:15–16; Dt 7:3–4; Ne 13:23–27).
Então, ao chegar na Babilônia, eles deveriam manter sua identidade de povo, não se isolando, mas formando famílias genuinamente israelitas/judaicas. E não eram somente para formar famílias, era para crescer em número.
Hoje alguém diria: “não tenham filhos, os tempos são difíceis”. Mas Deus manda o contrário: "multipliquem-se e ensinem seus filhos a me servir”.
Na Bíblia, filhos são um dos mais frequentes sinais das bençãos de Deus, mesmo quando o povo estava em situação de pobreza e escravidão. Além disso, o povo de Deus era instruído a ensinar os caminhos do Senhor para seus filhos, de maneira que eles também aprenderiam a amar a Deus (Dt 6.4-7; 11.18-21; Sl 78.4-7; Ml 2.15).
Então, ao mandar os israelitas no exílio a terem filhos, Deus estava trabalhando para que o povo que crê nele aumentasse.
Deus, dá uma ordem para viver na Babilônia, como viviam em Israel: tendo filhos e ensinando-os a servir a Deus.

v.7 - Procurem a paz da cidade para onde eu os deportei e orem por ela ao SENHOR; porque na sua paz vocês terão paz.

🖊️ Desenho: Um grande coração com uma cidade dentro (casinhas, árvores e sol), e duas mãos simples postas em oração abaixo.
Por fim, Deus manda buscar a paz das cidades onde eles estavam. A palavra para paz é shalom (שָׁלוֹם), que é mais do que “ausência de conflito”, mas engloba muitas outras coisas como bem-estar, sensação de completude, prosperidade material, sentir-se seguro...
Veja bem, Deus está dizendo que, apesar do povo estar lá contra a vontade, em uma terra inimiga, eles deveriam querer esse tipo de paz para a Babilônia. Isto deve ter soado muito estranho aos israelitas, porque eles foram ensinados a buscar a paz/shalom de sua própria terra, representada por Jerusalém (Sl 122.6). A shalom da Babilônia significa que Jerusalém, a capital do reino judeu não teria shalom. A prosperidade da Babilônia seria às custas da derrota total de Jerusalém.
Então, o povo judeu da Babilônia deveria trabalhar, tendo prosperidade e dando prosperidade à Babilônia. Devia casar e ter filhos, fortalecendo a família da fé e fortalecendo a Babilônia. Deveria buscar ativamente que o lugar onde eles vivem fique bem.
Deus, dá uma ordem para viver na Babilônia, como viviam em Israel: querendo o bem do país.
Tudo isto aponta para a vida de Cristo que, fazendo a vontade de Deus, deixou sua terra (deixou a glória que tinha com o Pai), para habitar entre pessoas que o tinham por inimigo, mas, enquanto esteve aqui, viveu a vida comum de todos, trabalhando primeiro como carpinteiro, depois anunciando as boas novas, enquanto aguardava o momento de retornar ao Pai.
Jesus é o verdadeiro exilado, o verdadeiro Israel e nos dá exemplo para imitá-lo.

Aplicações

Primeiro: agradeça por onde você está.
Deus é soberano sobre sua vida e você está onde deveria estar. A questão é: você pode viver lamentando porque queria estar em outro lugar, pode viver insatisfeito, amargurado e ingrato por tudo o que viveu. Ou, você pode reconhecer que, apesar de tudo, Deus tem te guiado e Ele é mais sábio que você.
O primeiro passo para glorificar a Deus é ter um coração submisso, que confia na vontade de Deus.
Segundo: frutifique onde você está.
Lembre-se que cada atividade produtiva nossa trás benefícios para nós mesmos, para nossas famílias e para a cidade onde estamos. Trabalhe para seu sustento, mas também trabalhe para servir os outros.
Seja luz no local onde você trabalha ou estuda. Seja o mais honesto lá (dinheiro, provas), seja aquele que não fala mal dos outros, nem faz brincadeiras indevidas. Trabalhe como Cristo, se comporte como Ele.
Terceiro: construa um lar onde você está.
Tanto faz se você é solteiro, casado ou viúvo, seja luz e trabalhe para que mais gente conheça a Jesus.
O solteiro ou viúvo, dedique-se a pregar o evangelho para seus colegas, vizinhos e parentes.
O casado, tenha filhos e os eduque nos caminhos do Senhor, mesmo que a cultura diga o contrário.
Quarto: busque a paz onde você está.
Orando, servindo e participando da vida da cidade. Acha que a cidade está suja? Limpe sua rua! Acha que precisa de mais sombra? Plante uma árvore! Acredita que o político não está fazendo um bom trabalho? Vote com sabedoria ou vá no gabinete dar ideias! Muitos são rápidos para procurar um vereador quando precisa de uma ajuda médica ou outro benefício próprio; poderíamos começar a ter a mesma disposição para buscar o bem comum.
Quinto: não acredite nas promessas de onde você está.
Por falar em política, não acredite em promessas vazias — de políticos ou pregadores que dizem o que queremos ouvir. Busque o que se alinha à Palavra de Deus.

Conclusão

Somos peregrinos num mundo caído. Como Israel na Babilônia, aguardamos a nova Jerusalém, mas até lá devemos construir, trabalhar, criar filhos, orar e servir. A santidade cristã floresce no envolvimento fiel com o mundo sob o reinado soberano de Deus.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.