Ser e fazer

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O Poder do Evangelho: Uma Carta de Amor

Romanos 1:1-15

Irmãos, durantes os meses de outubro teremos como tema central a Reforma protestante e basearemos os nossos sermões em Romanos.
Neste ano vamos focar os estudos no primeiro capitulo de Romanos.
Para nos, este mês de outubro eh um período muito especial: Como eu ja disse, eh o mês da Reforma Protestante. Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero fixou na porta da igreja em Wittenberg as 95 teses que desafiaram os erros da sua época e reacenderam a chama do evangelho. O lema que guiou esse movimento e que continua ecoando até hoje é "Ecclesia semper reformanda", a igreja precisa estar sempre se reformando, sempre voltando ao evangelho, sempre sendo corrigida e moldada segundo a Palavra de Deus.
E se existe um texto bíblico que ecoa esse lema, é justamente a carta de Paulo aos Romanos. Lutero mesmo disse que Romanos é “a porta aberta para o céu”. Foi lendo esse texto que ele finalmente entendeu que a justiça de Deus não é apenas o padrão que nos condena, mas a graça que nos salva em Cristo. Foi aqui que ele descobriu que o justo viverá pela fé.
E pra gente entrar um pouco no contexto sobre a carta: Paulo nunca havia estado em Roma.
Ele não tinha ligação pessoal com aquela igreja. Nao foi ele quem fundou aquela igreja. E isso eh interessante, porque Paulo escreve uma introdução longa, cuidadosa e muito profunda, uma característica que nao vemos em nenhuma outra carta. Facilmente eu poderia ficar pregando horas apenas nessa introdução de Paulo.
Mas o que Paulo quer passar com essa introdução longa e detalhada é: “Vocês não me conhecem, mas precisam saber quem eu sou, a quem eu pertenço, por que escrevo a voces, e principalmente, precisam sentir o quanto eu amo vocês”. Ele não se apresenta primeiro como um grande intelectual, nem como cidadão romano, mas como servo de Cristo, chamado e separado para o evangelho de Deus. Essa é a sua identidade. E eh a partir dela que ele fala sobre a sua prática: orar pelos irmãos, desejar comunhão, ansiar por frutificar no meio deles.
Claramente, nessa introdução, Paulo nos apresenta um princípio fundamental para a vida cristã:
Que primeiro você precisa entender quem você é — e isso só é possível quando você entende a quem pertence. É um processo de identidade antes de ação. Nossa prática nasce da nossa posição em Cristo. O evangelho não começa com uma lista de tarefas, mas com quem somos em Jesus: comprados, chamados, separados, amados de Deus e santos. Só a partir dessa identidade é que fazemos: oramos, servimos, proclamamos, suportamos as lutas.
Isso era central também para a Reforma. Lutero vivia atormentado tentando “fazer” para ser aceito por Deus — jejuns, penitências, confissões intermináveis. Até que em Romanos ele descobriu que não é o nosso fazer que define quem somos, mas o contrário: quem somos em Cristo nos capacita a viver. Foi nesse ponto que Lutero se libertou do peso da justiça própria e entendeu que a justiça de Deus é provisão de graça em Cristo, como disse John Murray: “A justiça de Deus, revelada no evangelho, é a provisão de sua graça que satisfaz as exigências de sua ira. Nenhum outro fato demonstra melhor a glória e a eficácia do evangelho.” - Em palavras simples, isso quer dizer que Deus exige de nós uma justiça perfeita — mas nós nunca poderíamos dar. Então Ele mesmo, em Cristo, providenciou aquilo que exige. Na cruz, a ira de Deus foi satisfeita e a justiça de Cristo foi colocada sobre nós. O que era impossível para o homem, Deus fez por graça.
Meus irmãos, não se enganem: nada do que façamos seria suficiente para alcançar essa graça. Nem a pessoa mais correta que você conhece. Nem aquela vizinha que parece tão generosa. Nem aquele amigo que é honesto, trabalhador, exemplar. Nem mesmo nós, com todos os nossos esforços religiosos, com nossas boas intenções e obras. Se dependesse de nós, estaríamos todos perdidos. É graça, e apenas graça!
E essa sempre foi a maneira de Deus agir. Desde o Antigo Testamento, Tudo apontava para Cristo como a única esperança. Toda a história preparava o caminho para Ele. E é isso que Paulo nos mostra nessa introdução: que Cristo é o Filho de Deus com poder, ressurreto, e que o evangelho é a mensagem e a verdade que transforma. Irmãos, O evangelho não é uma novidade isolada, mas a continuidade das promessas de Deus, cumpridas em Jesus.
Por isso, Paulo escreve com tanto zelo: porque o evangelho é o poder de Deus para a salvação e precisa ser conhecido, vivido e compartilhado.
Assim como Paulo, nós também vivemos num mundo cheio de ansiedades, dúvidas e desafios para testemunhar. Mas esse texto nos lembra: não precisamos temer, porque a identidade em Cristo nos dá coragem para viver a fé, e o poder do evangelho nos capacita a proclamar.

1. Ser (Identidade)

Romanos 1:1-5
E meus irmãos, logo no versículo 1 Paulo nos dá uma aula sobre identidade.
Ele começa dizendo: “servo de Cristo Jesus”. Essa palavra servo, no grego, não significa alguém que servia voluntariamente num ministério. Não é sobre ser ajudante ou voluntário. É sobre pertencer. Paulo se apresenta como alguém que pertence totalmente a Cristo.
E para quem se lembra da nossa série em Atos, vimos nas últimas pregações, em Atos 7, que Paulo — ainda chamado Saulo — aprovou a morte de Estêvão. E você pode me perguntar: o que isso tem a ver com o sermão de hoje? Eu respondo: tudo!
O mesmo homem que foi perseguidor, implacável, cúmplice de assassinato, agora diz: “Eu pertenço absolutamente a Cristo”. Antes eu era servo do pecado, servo de um sistema. Agora sou servo daquele que me libertou do pecado.
E Paulo vai continuar dizendo: “…chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus.”
Aqui ele faz um contraste muito interessante. A palavra fariseu significa literalmente “separado”. E para quem nao sabe, os fariseus eram um grupo que se separava do povo, criava tradições e regras extras para tentar se manter “puros”. E Paulo conhecia isso muito bem. Ele não era apenas fariseu. Ele era dos mais zelosos entre os fariseus.
Mas agora ele está dizendo: “O que antes eu tinha como zelo em práticas religiosas, agora eu tenho zelo em Cristo.”
Antes, o zelo dele destruía vidas. Agora, o zelo dele anuncia vida.
Antes, o zelo era para uma religião morta. Agora, o zelo é para o evangelho vivo de Jesus.
E a verdade, meus irmãos, é que quando não sabemos quem somos, quando não sabemos a quem pertencemos, acabamos colocando o nosso zelo em todas as coisas — menos em Cristo.
Colocamos zelo no trabalho. Zelo na carreira. Zelo em manter uma boa imagem diante dos outros. Zelo em defender tradições humanas. Até zelo em outras coisas boas, mas que não podem salvar.
Mas a realidade eh que Quem conhece sua identidade em Cristo direciona seu zelo para a glória de Deus.
Este assunto de certa maneira eh intrigante, porque, quando a gente fala de identidade, quase sempre vamos procurar nos lugares errados. Nos blogs, nos influenciadores, nas redes sociais, no psicólogo X.
E vem sempre aquelas coisas: “Descubra quem você é em cinco passos.” “Você pode ser o que você quiser.” “Basta acreditar em si mesmo.”
Só que o último lugar onde vamos buscar identidade é na Palavra de Deus. No evangelho que foi prometido desde os profetas. O evangelho que aponta para Cristo.
E dos versículos 2 até o versículo 5 Paulo explica esse evangelho que mudou completamente a vida dele.
A primeira coisa que ele diz é: “Este evangelho diz respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi"
O que Paulo está nos mostrando aqui é que o evangelho não é uma invenção humana. Não é uma moda religiosa que apareceu no meio do judaísmo. Não é uma ideia nova dos apóstolos.
O evangelho é o cumprimento de uma esperança antiga. Uma esperança que já havia sido anunciada pelos profetas do Antigo Testamento. Desde Moisés, Isaías, Jeremias, Habacuque… todos apontavam para a vinda de um Messias.
O cristianismo, portanto, não é novidade. É o culminar daquilo que Deus já vinha prometendo desde o passado. É a continuidade da história que Deus estava escrevendo.
E isso é muito importante, meus irmãos, porque até hoje há quem olhe para a fé cristã como se fosse só mais uma religião entre tantas. Como se fosse apenas mais uma filosofia, mais uma ideia bonita, mais uma moda espiritual.
Mas Paulo está dizendo o contrário: o evangelho não é uma tendencia. É a revelação de um Deus que cumpre o aquilo que promete. É o cumprimento de tudo o que os profetas anunciaram. É o desfecho da esperança, agora revelada em Cristo.
E é por isso que nós dizemos aqui que é tudo sobre Jesus. Porque não existe nada mais importante, nada que mereça mais a nossa atenção, do que Cristo.
E Paulo conclui essa introdução incluindo os irmãos de Roma nessa mesma realidade.
Versículo 6: “Entre esses se encontram também vocês, que foram chamados para pertencerem a Jesus Cristo.”
Paulo esta dizendo: Isso não eh so para mim. Isso eh para voces também. E Também é para nós hoje.
Nós fomos chamados para pertencer a Cristo.
O verbo usado aqui é muito forte — não é apenas seguir regras, não é simplesmente simpatizar com uma religião.
É pertencer a uma Pessoa.
A nossa identidade não está em algo que fazemos, mas em alguém a quem pertencemos.
E Paulo continua dizendo no versículo 7: “A todos os amados de Deus que estão em Roma, chamados para ser santos.”
Perceba primeiro o termo: “amados de Deus”. Paulo não está apenas usando uma saudação simpática. Esse é um dos títulos mais ricos da Bíblia. Ser “amado de Deus” significa viver sob a ternura e a intimidade do amor do Pai. Significa que a nossa identidade não começa naquilo que fazemos por Deus, mas naquilo que Deus sente por nós.
Depois ele diz: “chamados para ser santos.” Essa palavra “santos” aqui não é no sentido popular — de gente perfeita, impecável, quase inatingível. Não. Aqui “santos” significa separados por Deus, consagrados a Ele. E o comentário nos lembra de algo fundamental: Paulo não está dizendo que os cristãos de Roma se fizeram santos. Ele está dizendo que foram colocados no status de santos pelo chamado eficaz de Deus. É uma obra da graça, não do mérito.
Isso é precioso, meus irmãos. Porque muitos de nós olhamos para a palavra “santo” e já pensamos: “isso não é pra mim”. Mas Paulo nos lembra: santidade não começa no nosso desempenho, começa no chamado de Deus. Somos santos porque fomos chamados, e porque o Espírito Santo nos separa para Deus.
E agora chegamos ao segundo bloco do texto. Se no início Paulo nos mostrou quem somos em Cristo, agora ele começa a mostrar o que fazemos a partir disso. Uma vez que sabemos quem somos, entendemos o que precisamos fazer.
As vezes podemos nos perguntar:
Qual é o meu papel como cristão? O que eu faço com a minha vida, uma vez que Cristo mudou tudo por dentro?

2. Fazer (Proposito)

Romanos 1:8-15
Paulo começa essa segunda parte mostrando como a identidade gera prática. Uma vez que ele sabe quem é em Cristo, agora ele mostra o que faz em Cristo.
Versículo 8: “Primeiramente, dou graças ao meu Deus, mediante Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é proclamada a vossa fé.”
Perceba aqui, meus irmãos: Paulo começa com gratidão. Mas há algo ainda mais profundo.
Ele dá graças por pessoas que ele nem conhecia pessoalmente. Ele nunca tinha ido a Roma, nunca tinha se sentado com eles, nunca tinha comido na mesa deles.
E mesmo assim, o coração dele transborda de gratidão a Deus por causa da fé deles.
Isso nos mostra duas coisas.
Primeiro: a fé deles não apenas era comentada no Império, mas encorajava o próprio Paulo. A notícia de que eles permaneciam firmes sustentava e animava o apóstolo em sua caminhada. É como se a fé dos romanos alimentasse a perseverança de Paulo.
E segundo: isso revela um amor pastoral profundo. Ele não está agradecendo porque os romanos lhe beneficiaram de alguma forma, mas porque a obra de Deus neles trazia glória ao Senhor. Paulo amava gente porque amava o evangelho em ação na vida das pessoas.
E isso fala muito sobre o começo da nossa igreja.
Se queremos crescer como família, como corpo de Cristo, precisamos ser intencionais uns com os outros.
Não faz sentido estarmos juntos e vivermos como estranhos. Não viemos aqui apenas para assistir uma pregação, como quem dá play no YouTube. Estamos aqui porque a comunhão é parte da nossa adoração. É juntos que louvamos, juntos que oramos, juntos que engrandecemos o nome de Jesus.
E meus irmãos, nao eh atoa que nos temos o cafezinho as 9h30. Claro que como bons crentes, gostamos de comer.
Mas eh uma maneira de sermos intencionais, de podermos receber um visitante e perguntarmos sobre ele, eh sobre vermos os irmãos e perguntarmos como foi a semana e poder saber pelo que orar pelo seu irmão.
Só nos tornamos íntimos quando caminhamos juntos; comunhão não se vive sozinho.
Nao existe comunhão assistindo culto da sua casa.
A gente sabe que tem irmãos que sao mais tímidos que outros, mas pega la seu cafezinho, entra numa roda, fica ali próximo, certamente alguém vai chegar em você.
Eu quero te incentivar a estar aqui este horário. Isso nao eh estrategia para atrair pessoas, eh intencionalidade para a comunhão do corpo.
Esse eh o amor pratico que Paulo fala aqui neste texto e que os versículos 9-10 complementam perfeitamente.
Versículos 9–10
Paulo diz que ora continuamente pelos irmãos.
Isso nos mostra que o fazer cristão não é ativismo vazio, mas vida de oração.
Paulo diz que servia a Deus “em espírito”, ou seja, não eh algo forcado, não eh um ritual, eh uma devoção sincera, movido por amor a Cristo.
O comentário de Murray sobre esses versículos ressalta que essa constância em oração não era algo mecânica, mas sim, a expressão de um coração consumido pelo evangelho.
E a frase que ecoa dessa leitura é: A quem você pertence?
Porque se você pertence a Cristo, o seu coração tem que arder por Ele. Você tem que ter sede de estar na presença dEle.
Quantas vezes, no entanto, nós trocamos o melhor tempo de estarmos na presença de Deus, de intercedermos por nossos irmãos, por distrações que não alimentam a nossa fé?
Quantas vezes buscamos em tantas coisas aquilo que só a presença dEle pode nos dar?
Nos vendemos por migalhas de entretenimento barato, quando temos à mesa o banquete da presença de Deus.
E percebam, meus irmãos: o objeto da oração de Paulo não eram pedidos pessoais. Ele não estava centrado em si mesmo.
Paulo intencionalmente se colocava em posição de compaixão, de amor para com aqueles irmãos.
Ele desejava de verdade estar com eles, não por conveniência, mas porque os amava em Cristo.
E Paulo ainda nos mostra uma terceira característica de quando sabemos a quem pertencemos.
O Desejo de Comunhão e Edificação Mútua.
Versículos 11 e 12:
“Porque muito desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confirmados; isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha.”
Ele tem o desejo de estar com os irmãos. O coração dele pulsa por comunhão.
Paulo queria estar com eles para fortalecê-los na fé, mas também reconhece que seria fortalecido por eles.
Há humildade. Ele não se coloca como alguém superior, que só tem a dar.
Ele diz: “quando estivermos juntos, a fé de vocês vai me encorajar, assim como a minha vai encorajar vocês.”
Não se engane achando que maturidade te torna independente. Ter quarenta anos de igreja não te faz completo. O corpo de Cristo não funciona por hierarquia, mas por dependência mútua. O mesmo irmão que chegou há pouco tempo pode ser o instrumento que Deus vai usar para acrescentar algo novo à sua caminhada — e até para fortalecer a sua fé.
Isso se chama edificação mútua.
É o ferro afiando o ferro (Pv 27:17). "O ferro se afia com ferro, e uma pessoa, pela presença do seu próximo."
É o Espírito Santo usando cada um para abençoar e sustentar o outro.
Meus irmãos, a comunhão cristã nunca é uma via de mão única.
Nós não nos reunimos apenas para receber, nem apenas para dar.
Nos reunimos para compartilhar — para sermos confirmados na fé juntos.
Que maravilhoso eh estar com os irmãos, e ver o que Deus tem feito na vida deles.
Muitas vezes pensamos na comunhão como algo abstrato ou apenas como estar sentado no mesmo lugar no domingo.
Mas Paulo nos mostra que comunhão é mais profundo: é sermos instrumentos de Deus uns na vida dos outros.
E sabe como isso acontece? Muitas vezes em pequenos gestos.
Uma conversa sincera no café antes do culto.
Uma oração feita de coração com alguém que está passando por luta.
Um convite para almoçar junto e repartir não só a comida, mas a vida.
Esses gestos simples se tornam meios pelos quais o Espírito nos confirma na fé.
meus irmãos, quando sabemos quem somos em Cristo, não vivemos como consumidores espirituais, mas como devedores do evangelho. A pergunta não é se eu tenho tempo para servir, mas se estou pronto a obedecer. Não é se as circunstâncias estão fáceis, mas se o meu coração arde pelo chamado que recebi.

Conclusão

Nós cantamos antes da palavra:
“Tanto tempo fui vazio Numa vida sem temor Pra minha alma achei descanso Só na cruz do meu Senhor.”
E essa música é uma verdade tão grande, porque quando não sabemos quem somos, somos vazios. Quando não pertencemos a Cristo, vivemos em busca de significado — mas só encontramos vazio. A alma que não descansa em Cristo sempre procura algo para preencher o que só Ele pode preencher.
E talvez você tenha chegado aqui cansado… Cansado de tentar ser alguém que você não é. Cansado de querer controlar tudo na sua vida. Cansado de agradar pessoas à sua volta. Cansado de buscar algo que nem você sabe o que é.
Talvez você tenha chegado aqui carregando capas. Capas que foram colocadas sobre você ao longo da vida. Capas de tradições religiosas. Capas de convicções erradas. Capas de um evangelho distorcido, que não é o evangelho de Cristo.
Mas a verdade é que essas capas não apenas pesam — elas escondem quem você realmente é. E só existe um caminho para arrancar essas capas e encontrar descanso verdadeiro: Jesus Cristo.
Na cruz, Ele tomou sobre si a capa da nossa vergonha e do nosso pecado. E, em troca, nos vestiu com a Sua justiça. Ele nos mostrou quem realmente somos: amados, chamados e santos em Cristo. Ele não apenas nos tirou o peso do pecado — Ele nos deu um novo nome, uma nova identidade e uma nova história.
Por isso Ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.” É nEle que encontramos descanso. É nEle que encontramos identidade. É nEle que encontramos vida nova.
Mas eu sei que há pessoas aqui que já caminham com Cristo há muito tempo… E ainda assim estão cansadas. Cansadas de lutar contra o pecado e cair nas mesmas falhas. Cansadas de tentar corresponder às expectativas dos outros. Cansadas de crises de identidade, esquecendo quem são em Jesus.
Essa palavra também é pra você. A sua identidade não está nas suas vitórias ou derrotas. Não está nas obras das suas mãos. Está em Cristo — o mesmo Cristo que te chamou, te separou e te ama.
Então, seja você alguém que ainda não entregou sua vida a Cristo, ou alguém que já caminha com Ele há anos, a resposta continua sendo a mesma: só Cristo. É nEle que o cansaço encontra descanso. É nEle que a vergonha encontra graça. É nEle que a identidade é restaurada.
E, meus irmãos, neste primeiro domingo do mês da Reforma, não haveria texto melhor para nos lembrar do que ela aponta: Porque é somente pela fé (Sola Fide) que recebemos essa graça (Sola Gratia). E quando somos alcançados por essa graça, concedida por meio de Cristo somente (Solus Christus), somos feitos novas criaturas, recebemos uma nova identidade. E como novas criaturas, proclamamos em tudo o que fazemos que toda a glória pertence somente a Deus (Soli Deo Gloria). E é por meio do Seu evangelho revelado nas Escrituras (Sola Scriptura) que sabemos quem somos e a quem pertencemos.
E é isso que nós celebramos agora, à mesa do Senhor. Aqui não precisamos de capas. Aqui somos recebidos como filhos. Aqui nós confessamos juntos: só em Cristo há graça, só em Cristo há descanso, só em Cristo há esperança.
Porque foi só nEle que encontramos o que a música declarou:
“Pra minha alma achei descanso, Só na cruz do meu Senhor.”
E é por isso que hoje, diante da cruz e diante da mesa, nós podemos dizer com convicção:
🕊️ “Só em Ti, só em Ti, graça e amor fluem por mim.”
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