Complementarismo: Homens e Mulheres na Igreja
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Introdução
Introdução
Meus irmãos, é uma alegria poder estar com vocês nesta conferência e falar sobre um tema que, mais do que nunca, exige clareza teológica e coragem pastoral: os papéis de homens e mulheres na igreja de Cristo.
Durante esse tempo quero usar como referência três obras:
Homem e Mulher: Seu Papel Bíblico no Lar, na Igreja e na Sociedade - John Piper e Wayne Grudem
Homens e mulheres na igreja: Uma introdução breve, prática e bíblica - Kevin DeYoung
Jesus, Justiça e Papéis de Gênero | Mulheres no Ministério | Kathy Keller
Além disso, antes de entrarmos em alguns textos bíblicos sobre os papéis de gênero, permita-me olhar para essa tensão entre os papéis de gênero a luz da cultura contemporânea:
Nós vivemos em um tempo marcado por intensas transformações culturais. Durante boa parte da história recente, falava-se em “guerra de classes” no sentido marxista — proletariado contra burguesia. Hoje, essa guerra assumiu novas formas: ela se tornou uma guerra identitária. As disputas não giram mais somente em torno da economia, mas em torno de questões de gênero, raça, sexualidade e identidade pessoal. Essa mudança se reflete em toda a sociedade e, inevitavelmente, também exerce pressão sobre a igreja.
Em nome da justiça e da igualdade, muitos movimentos têm buscado abolir qualquer distinção entre homens e mulheres. O discurso que domina é: “para sermos iguais, precisamos ser idênticos”. E é aqui que a igreja é tentada a se alinhar com narrativas seculares de empoderamento, que muitas vezes se aproximam mais do feminismo ideológico do que da Palavra de Deus.
Mas a Escritura nos dá uma resposta completamente diferente: a igualdade de valor entre homens e mulheres não precisa ser conquistada por revolução cultural, porque ela já foi estabelecida por Deus na criação e confirmada por Cristo na redenção.
E Deus disse:
— Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra.
Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Em Gênesis 1:26-27, vemos que Deus criou homem e mulher à sua imagem. Ambos são igualmente portadores de dignidade, valor e propósito.
Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.
Em Gálatas 3:28, Paulo deixa claro que em Cristo não há distinção de valor ou acesso a Deus entre homem e mulher. Ambos têm plena igualdade diante de Deus.
Aqui está a diferença:
O mundo prega igualdade pela desconstrução das diferenças.
A Bíblia prega igualdade afirmando as diferenças como parte do plano bom de Deus.
John Piper e Wayne Grudem lembram que “homens e mulheres não são intercambiáveis; suas diferenças foram criadas por Deus para refletir algo da Sua glória, e é nesse contexto que a verdadeira igualdade é experimentada” (Piper & Grudem, Homem e Mulher, cap. 1).
Kevin DeYoung vai na mesma direção quando afirma que “a complementaridade não diminui a dignidade, mas a realça. A diferença de papéis não é um problema a ser resolvido, mas um dom a ser recebido” (DeYoung, Homens e Mulheres na igreja, cap. 2).
Portanto, queridos pastores, irmãos e amigos, antes de falarmos sobre papéis distintos, precisamos começar aqui: homens e mulheres são iguais em valor, dignidade e acesso à graça de Cristo. Isso é fundamental para não cairmos em dois erros comuns:
O erro do machismo religioso, que desvaloriza a mulher e confunde liderança com dominação.
O erro do igualitarismo secular, que tenta apagar as diferenças estabelecidas por Deus.
A visão que defendemos — e que está expressa na declaração da Atos 29 — é a visão do evangelho: igualdade ontológica, distinção funcional, missão comum.
Ponto 1: Igualdade entre homem e mulher
Ponto 1: Igualdade entre homem e mulher
Queridos irmãos, partimos de uma convicção fundamental: homens e mulheres são igualmente portadores da imagem de Deus, com a mesma dignidade, o mesmo valor e o mesmo acesso à graça de Cristo.
Essa verdade é o alicerce de toda a nossa reflexão. Se não começarmos por aqui, corremos o risco de distorcer a diferença de papéis, seja diminuindo a mulher, seja apagando as distinções dadas por Deus.
1. Fundamento bíblico da igualdade
1. Fundamento bíblico da igualdade
E Deus disse:
— Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os animais que rastejam pela terra.
Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.
Em Gênesis 1:26-27, o texto é explícito: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. O termo “homem” aqui (’adam) é usado no sentido genérico da humanidade. A imagem de Deus não é privilégio masculino; é dom igualmente compartilhado.
Assim sendo, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vocês são um em Cristo Jesus.
Em Gálatas 3:28, Paulo declara: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”. Esse texto não elimina distinções funcionais, mas garante igualdade no que diz respeito à salvação e ao acesso a Deus.
Isso significa que nenhum ministério na igreja deve tratar a mulher como cidadã de segunda classe. Pelo contrário, a dignidade da mulher é inegociável porque vem da própria criação e redenção.
2. Referências teológicas
2. Referências teológicas
Piper & Grudem afirmam: “Homens e mulheres são iguais em essência, mas distintos em papel. A diferença funcional não anula a igualdade de valor, assim como o Filho se submete ao Pai sem ser inferior a Ele” (Homem e Mulher, introdução).
Kevin DeYoung reforça: “O problema não está em a Bíblia colocar limites, mas em nós acreditarmos que limites significam desvalorização. As Escrituras afirmam ao mesmo tempo igualdade e distinção como parte do bom plano de Deus” (Homes e Mulheres na Igreja).
3. Correção dos erros culturais
3. Correção dos erros culturais
Aqui é importante destacar como a igualdade bíblica contrasta com as narrativas contemporâneas:
A agenda secular afirma que, para haver igualdade, não pode haver distinções. Mas isso leva a uma uniformidade artificial que destrói a beleza do masculino e do feminino.
O machismo religioso distorce a liderança masculina, transformando-a em opressão. Isso também é pecado, porque nega a dignidade da mulher criada à imagem de Deus.
4. Aplicações pastorais
4. Aplicações pastorais
Como pastores e líderes, precisamos criar uma cultura de igreja que:
Valorize e celebre o ministério feminino, encorajando mulheres a usarem seus dons (Atos 18:26; Tito 2:3-5; Romanos 16).
Evite qualquer forma de desprezo ou marginalização, pois isso é contrário ao evangelho.
Ensine a igreja a enxergar igualdade e diferença como harmonia, não como contradição.
Em resumo, irmãos: a igualdade entre homem e mulher é uma verdade teológica que deve moldar nossa prática pastoral. Sem esse fundamento, corremos o risco de aplicar o complementarismo de forma distorcida, ou cair na armadilha do igualitarismo secular.
Ponto 2: Papéis no lar
Ponto 2: Papéis no lar
Irmãos, depois de afirmar a igualdade fundamental entre homem e mulher, precisamos falar sobre como essa igualdade se expressa em papéis distintos dentro do lar. Aqui encontramos uma das áreas mais atacadas pela cultura contemporânea e, infelizmente, também uma das mais distorcidas dentro da própria igreja.
1. Fundamento bíblico dos papéis no lar
1. Fundamento bíblico dos papéis no lar
Em Efésios 5:22–25, Paulo escreve:
Efésios 5:22-25
Esposas, que cada uma de vocês se sujeite a seu próprio marido, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da esposa, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também a esposa se sujeite em tudo ao seu próprio marido.
Maridos, que cada um de vocês ame a sua esposa, como também Cristo amou a igreja e se entregou por ela,
Igualmente vocês, esposas, estejam sujeitas, cada uma a seu próprio marido, para que, se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho sem palavra alguma, por meio da conduta de sua esposa, ao observar o comportamento honesto e cheio de temor que vocês têm. Que a beleza de vocês não seja exterior, como tranças nos cabelos, joias de ouro e vestidos finos, mas que ela esteja no ser interior, uma beleza permanente de um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus. Pois foi assim também que, no passado, costumavam se enfeitar as santas mulheres que esperavam em Deus, estando cada qual sujeita a seu próprio marido. Foi o que fez Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-o de “senhor”, da qual vocês se tornaram filhas, praticando o bem e não temendo perturbação alguma.
Maridos, vocês, igualmente, vivam a vida comum do lar com discernimento, dando honra à esposa, por ser a parte mais frágil e por ser coerdeira da mesma graça da vida. Agindo assim, as orações de vocês não serão interrompidas.
Em 1 Pedro 3:1–7, Pedro reforça a mesma dinâmica: esposas chamadas à submissão, maridos chamados a viver com compreensão, honrando suas esposas como coerdeiras da graça da vida.
O que a Bíblia descreve não é dominação masculina, mas liderança servil; não é inferioridade feminina, mas parceria ativa e honrosa.
2. Referências teológicas
2. Referências teológicas
Piper & Grudem afirmam: “O chamado do marido é exercer liderança espiritual que reflita o caráter de Cristo: humilde, sacrificial, amoroso. O chamado da esposa é refletir a submissão alegre e confiante da igreja a Cristo” (Homem e Mulher).
Kevin DeYoung observa: “O casamento é o palco onde o evangelho se torna visível. A diferença entre marido e esposa não é apenas funcional, mas tipológica: ela aponta para Cristo e a Igreja. Desfazer esses papéis é obscurecer o evangelho” (Homens e Mulheres na Igreja).
3. Correção dos erros culturais
3. Correção dos erros culturais
O machismo religioso distorce esse ensino e faz da liderança masculina um instrumento de abuso. Esse não é o modelo bíblico, mas uma caricatura pecaminosa.
O igualitarismo secular rejeita a ideia de submissão, vendo-a como opressão. Mas a submissão bíblica é voluntária, alegre e fruto de confiança no Senhor, não de inferioridade.
4. Aplicações pastorais
4. Aplicações pastorais
Como pastores, precisamos discipular homens a liderarem como servos, não como ditadores do lar. O exemplo é Cristo, que lavou os pés dos discípulos (João 13:14-15).
Precisamos encorajar mulheres a verem na submissão bíblica não uma perda de identidade, mas uma forma de glorificar a Cristo por meio de seu casamento.
Nas pregações, aconselhamentos e cursos de casais, precisamos reforçar que o lar cristão é um espelho do evangelho. Quando o marido lidera com amor sacrificial e a esposa responde com respeito e confiança, o mundo vê em miniatura o relacionamento de Cristo com a Igreja.
Tópico 3: Papéis na Igreja
Tópico 3: Papéis na Igreja
Queridos irmãos, depois de ver os papéis no lar, precisamos olhar para a igreja. Aqui entramos numa das áreas mais sensíveis: quem deve exercer a liderança pastoral e o ensino com autoridade na assembleia da igreja?
1. Fundamento bíblico dos papéis na igreja
1. Fundamento bíblico dos papéis na igreja
A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o homem; esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Mas ela será salva tendo filhos, se permanecer em fé, amor e santificação, com bom senso.
Em 1 Timóteo 2:11–15, Paulo é fala: “Não permito que a mulher ensine, nem que exerça autoridade sobre o homem; esteja, porém, em silêncio.”
Esse texto não impõe silêncio absoluto, mas restringe o ensino com autoridade e o governo da igreja aos presbíteros homens.
Se alguém ainda acha que a instrução de Paulo sobre homens e mulheres é apenas fruto de uma cultura machista do primeiro século, aqui está a refutação.
Paulo não baseia seu argumento no contexto de Éfeso, mas na criação.
Ele não diz: “Mulheres não devem ensinar porque, naquela época, as mulheres não tinham estudo.”
Ele diz: “Primeiro foi formado Adão, depois Eva.”
Ou seja, Paulo volta ao Gênesis, ao plano original de Deus.
Essa é uma das passagens mais importantes do Novo Testamento porque mostra que a distinção funcional entre homem e mulher não é cultural, é teológica.
Ela não nasce do patriarcado; nasce do paraíso. Como disse John Piper:
“O pecado não criou a diferença entre homem e mulher; o pecado corrompeu a maneira como essa diferença deveria funcionar.”
Deus criou complementaridade; o pecado gerou competição.
Deus criou harmonia; o pecado gerou guerra.
Em 1 Timóteo 3:1–7 e Tito 1:5–9, a descrição do ofício de presbítero/pastor é explicitamente direcionada a homens qualificados (“marido de uma só mulher”).
Em Atos 14:23, vemos Paulo e Barnabé estabelecendo presbíteros em cada igreja, sempre homens.
O ensino bíblico é claro: o ofício de presbítero/pastor é restrito a homens qualificados, não por convenções culturais, mas por ordem da criação (cf. 1Tm 2:13).
No caítulo seguinte vemos as qualificações para o ofício pastora. Paulo começa dizendo em 1 Timóteo 3: “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja.”
Note: ele chama o episcopado — ou presbiterato — de “obra”, não de posição.
E ele diz que é “excelente” não porque dá status, mas porque exige sacrifício. O problema do nosso tempo é que confundimos dons com ofícios. Vivemos numa geração em que basta alguém ter “carisma” para ser chamado de líder.
Mas carisma não é caráter.
Talento não é chamado.
E dom não é ofício.
A Bíblia é clara: todos têm dons (1Co 12:7), mas poucos são chamados para ofícios.
O dom é um presente; o ofício é um peso.
O dom é uma dádiva; o ofício é uma responsabilidade.
Uma mulher pode ter o dom de ensinar — e deve exercê-lo em contextos bíblicos e supervisionados.
Um jovem pode ter o dom da liderança — e deve ser treinado, mentoreado.
Mas o ofício de presbítero/pastor, que envolve governo e ensino autoritativo, é restrito a homens qualificados, conforme a ordem da criação e o padrão da Escritura.
2. O lugar vital das mulheres na igreja
2. O lugar vital das mulheres na igreja
Isso não significa exclusão. Pelo contrário, mulheres desempenharam papéis fundamentais na igreja do NT:
Priscila, que junto com Áquila instruiu Apolo (At 18:26). Atos dos Apóstolos 18.26 “Apolo começou a falar ousadamente na sinagoga. Quando Priscila e Áquila o ouviram falar, levaram-no consigo e, com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus.”
Mulheres mais velhas ensinando as mais jovens (Tito 2:3–5). Tito 2.3–5 “Do mesmo modo, quanto às mulheres idosas, que tenham conduta reverente, não sejam caluniadoras, nem escravizadas a muito vinho. Que sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amar o marido e os filhos, a serem sensatas, puras, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada.”
Febe, serva/diaconisa da igreja (Rm 16:1). Romanos 16.1 “Recomendo-lhes a nossa irmã Febe, diaconisa na igreja de Cencreia,”
Colaboradoras fiéis de Paulo na missão (Rm 16:3–7). Romanos 16.3–7 “Saúdem Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios. Saúdem igualmente a igreja que se reúne na casa deles. Saúdem meu querido Epêneto, primeiro fruto da fé em Cristo na província da Ásia. Saúdem Maria, que muito trabalhou por vocês. Saúdem Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são bem conhecidos entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim.”
Mulheres são chamadas a usar plenamente seus dons espirituais em edificação, discipulado e serviço — sempre de maneira consistente com a Palavra de Deus.
3. Panorama histórico e pressões culturais
3. Panorama histórico e pressões culturais
Até o século XX, a prática quase unânime da igreja — tanto na tradição católica quanto nas igrejas protestantes — foi a restrição do ofício pastoral a homens.
As primeiras ordenações femininas surgiram no início do século XX em alguns ramos protestantes, e se intensificaram a partir dos anos 1960–1970, em paralelo com a segunda onda do feminismo e os movimentos pelos direitos civis.
Igreja Metodista Unida (EUA): começou a ordenar mulheres em 1956.
Igreja Presbiteriana (PCUSA): abriu o presbiterato às mulheres em 1956 e o ministério pastoral em 1965.
O ponto é este: essas mudanças foram impulsionadas mais por pressões sociais do que por convicções exegéticas.
E o que aconteceu depois?
A mesma UMC, em 2024, removeu a proibição da ordenação de clérigos assumidamente homossexuais e revisou seus documentos para eliminar a linguagem de que a prática homossexual seria “incompatível com o ensino cristão”.
A PCUSA já há anos permite ordenação de pessoas LGBTQ e em 2025 aprovou emenda para incluir “orientação sexual” e “identidade de gênero” entre as categorias protegidas no seu Book of Order.
Não podemos afirmar que aceitar a ordenação feminina leva necessariamente a aceitar ideologias de gênero ou homoafetividade. Mas precisamos reconhecer que quando a igreja começa a ceder sua hermenêutica às pressões culturais, abre-se uma porta para outras concessões.
4. Referências teológicas
4. Referências teológicas
Piper & Grudem: “As restrições para o ofício pastoral são fundamentadas na ordem da criação, não em meras convenções culturais. Negar isso é abrir a Escritura à manipulação cultural” (Homem e Mulher, cap. sobre 1Tm 2).
Kevin DeYoung: “A igreja precisa de coragem para afirmar o que a Bíblia diz, mesmo quando o mundo a chama de retrógrada. Quando cedemos a pressões sociais, trocamos a contracultura do evangelho pela relevância momentânea da sociedade” (Homens e Mulheres na Igreja, cap. 5).
5. Aplicações pastorais
5. Aplicações pastorais
Precisamos ensinar que restringir o ofício de presbítero a homens não diminui a dignidade da mulher, mas honra a ordem da criação e a beleza do evangelho.
Precisamos encorajar mulheres a servirem plenamente nos ministérios que a Palavra abre, para que a igreja seja fortalecida.
Precisamos lembrar aos nossos líderes: uma visão bíblica clara sobre papéis de gênero é uma barreira de proteção contra pressões culturais que podem levar a concessões muito mais profundas no futuro.
6. O que a Bíblia restringe e o que a Bíblia permite
6. O que a Bíblia restringe e o que a Bíblia permite
Ofício de presbítero/pastor
Restrito a homens qualificados (1Tm 2:11–15; 3:1–7; Tt 1:5–9).
Trata-se de um ofício de governo e ensino autoritativo da igreja.
Nenhuma mulher deve ser colocada nesse encargo — e, atenção, nenhum homem não ordenado também deve assumir a função de ensino autoritativo no culto da igreja.
Ofício de diácono
Entendo, assim como muitos na tradição reformada, que pode ser exercido tanto por homens como por mulheres (Rm 16:1 menciona Febe como diákonos).
Os diáconos são oficiais de serviço e apoio à liderança dos presbíteros, não de governo espiritual.
Ensino na igreja
O ensino autoritativo e público da Palavra, que envolve governo da igreja, é papel dos presbíteros.
Isso não significa que mulheres não possam ensinar:
Elas podem e devem se dedicar ao estudo teológico.
Elas podem ensinar em contextos diversos — discipulado, ensino de crianças, ensino de mulheres, ensino misto em determinadas ocasiões — desde que sob a supervisão e autoridade dos presbíteros.
O mesmo princípio se aplica a homens não ordenados: podem ensinar, mas sempre sob a autoridade pastoral.
Dons espirituais
Homens e mulheres são igualmente portadores de dons (1Co 12:7; At 2:17–18).
A diferença não está na presença de dons, mas no exercício das funções de governo.
4: Aplicações práticas e missão
4: Aplicações práticas e missão
Queridos irmãos, depois de vermos a igualdade de valor entre homem e mulher, os papéis no lar e na igreja, chegamos ao ponto de pensar em como isso afeta a vida prática da igreja e sua missão no mundo.
1. O impacto de confundir dons e ofícios
1. O impacto de confundir dons e ofícios
Quando confundimos dons com ofícios, a igreja sofre.
Erro 1 – Igualitarismo eclesiástico: qualquer pessoa que demonstre dom de ensino reivindica para si o ofício de presbítero/pastor. Existem qualificações que envolvem sim a diferença de gênero, da mesma forma que existem qualificações que indicam também questões de caráter que vem antes da
Erro 2 – Clericalismo restritivo: apenas presbíteros podem ensinar em qualquer contexto, sufocando o exercício saudável dos dons de homens e mulheres.
O equilíbrio bíblico é: todos têm dons para servir (1Co 12:7), mas nem todos exercem o mesmo ofício (1Tm 3:1-7; Tt 1:5-9).
2. Como isso fortalece a missão da igreja
2. Como isso fortalece a missão da igreja
Uma igreja que entende a diferença entre dons e ofícios se torna mais saudável e mais frutífera.
Homens e mulheres servem lado a lado, cada um dentro dos parâmetros estabelecidos pela Palavra, refletindo a ordem da criação e a beleza do evangelho.
Essa clareza liberta a igreja de dois perigos:
De um lado, a pressão cultural que quer moldar a igreja à imagem do mundo.
De outro, a tradição distorcida que marginaliza as mulheres e sufoca seus dons.
3. A contracultura do evangelho
3. A contracultura do evangelho
Nossa cultura atual é marcada por confusão de identidade e redefinições constantes.
A igreja, quando vive a verdade bíblica sobre homens e mulheres, se torna um testemunho contracultural:
O mundo diz que igualdade exige apagar diferenças; a igreja mostra que verdadeira igualdade floresce na diferença criada por Deus.
O mundo vê liderança como poder; a igreja mostra liderança como serviço sacrificial.
O mundo vê submissão como opressão; a igreja mostra submissão como expressão de fé e confiança em Cristo.
4. Um reflexo do evangelho
4. Um reflexo do evangelho
O lar e a igreja, quando obedecem à ordem de Deus, tornam-se vitrines do evangelho:
O marido que ama sacrificialmente reflete Cristo.
A esposa que responde em respeito reflete a igreja.
O presbítero que lidera com humildade reflete o Bom Pastor.
A mulher que serve e ensina sob supervisão pastoral mostra a beleza de usar dons com fidelidade ao Senhor.
5. Aplicação final para pastores e líderes
5. Aplicação final para pastores e líderes
Ensinem suas igrejas com clareza: igualdade de valor não significa igualdade de papéis.
Formem homens piedosos que entendam liderança como cruz, não como trono.
Honrem e equipem mulheres para usarem seus dons sem medo, mas com discernimento bíblico.
Lembrem-se: quando a igreja cede à cultura, perde sua força profética; quando a igreja obedece à Palavra, torna-se sinal vivo do reino de Deus.
Resumo do Tópico 4:
A diferença entre dons e ofícios não é detalhe secundário, mas parte do plano de Deus para a igreja. Uma igreja que entende isso será contracultural, saudável e missionária. O mundo precisa ver em nós não apenas palavras sobre o evangelho, mas uma comunidade que vive a ordem criada por Deus e refletida em Cristo.
Conclusão da Palestra
Conclusão da Palestra
Meus irmãos, chegamos ao fim desta reflexão. O que vimos nesta tarde não é apenas um debate teológico sobre papéis de gênero; é uma questão de fidelidade ao Senhor da igreja.
Nós vivemos em um tempo de confusão, em que até as categorias mais básicas de masculino e feminino têm sido questionadas. A sociedade quer moldar a igreja à sua imagem. E quando cedemos à pressão cultural, inevitavelmente deixamos de ser sal da terra e luz do mundo.
Mas a Palavra de Deus permanece. Desde o início, ela nos mostra que:
Homens e mulheres foram criados em igual dignidade e valor.
No lar, Deus chamou o homem para liderar com amor sacrificial, e a mulher para responder com respeito e parceria.
Na igreja, Deus chamou homens qualificados para o presbiterato, sem desvalorizar o papel vital das mulheres na edificação do corpo de Cristo.
E em tudo, Ele nos deu dons espirituais para servirmos lado a lado na missão de anunciar o evangelho.
O mundo precisa ver em nossas igrejas a beleza da ordem de Deus. Quando homens e mulheres vivem seus papéis com alegria, mostramos algo maior: o próprio evangelho de Jesus Cristo. O marido que ama sacrificialmente aponta para Cristo. A esposa que responde em confiança aponta para a igreja. O presbítero que lidera com humildade aponta para o Bom Pastor. A mulher que serve com seus dons aponta para a noiva que se prepara para o Noivo.
Irmãos, este é o chamado: plantar/edifcar igrejas que sejam profundamente bíblicas, centradas no evangelho e que mostrem ao mundo uma alternativa diferente — não a caricatura do machismo, nem a ideologia igualitarista, mas a verdade libertadora do Deus Criador e Redentor.
Portanto, sejamos fiéis. Sejamos corajosos. Sejamos pastores que não se envergonham da Palavra, mesmo quando ela contradiz o espírito da época. E que nossas igrejas, pela graça de Deus, sejam comunidades onde homens e mulheres sirvam juntos, de acordo com a vontade do Senhor, para a glória de Cristo e o avanço do Seu evangelho.
