Mateus 5:17-20

Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 39 views
Notes
Transcript
Texto Mateus 5:17-20: ¹⁷ "Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir. ¹⁸ Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. ¹⁹ Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus. ²⁰ Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus".
Introdução
Até aqui, no Sermão do Monte, Jesus já tinha falado das bem-aventuranças — aquelas características que ninguém imaginaria serem as marcas do Reino: pobres de espírito, mansos, puros de coração, pacificadores. Ele também nos chamou de sal e luz do mundo, mostrando que nossa vida tem um propósito de impacto. Agora, Jesus vai ainda mais fundo: Ele toca no tema da Lei de Deus. O que é essa Lei? (Regras, Mandamentos?)
Todos nós sabemos como é viver debaixo de regras. Desde cedo, ouvimos “não faça isso, não toque naquilo, cuidado com isso”. Muitas dessas regras têm sentido, mas quando se acumulam, a sensação é de sufoco. Na época de Jesus, a religião parecia funcionar assim: centenas de mandamentos, proibições e tradições criavam um fardo quase impossível de carregar. E foi nesse contexto que Jesus surpreendeu ao dizer: “Não pensem que eu vim abolir a Lei…” Ele não veio destruir, mas cumprir. E, ao falar isso, Jesus não apenas responde a acusações, mas redefine o que significa obedecer a Deus.

¹⁷ "Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.

Exposição: Jesus começa dizendo que não é contra o Antigo Testamento. Na época de Jesus, “a Lei e os Profetas” era uma forma comum de se referir a toda a Escritura do Antigo Testamento. Os judeus do primeiro século, especialmente os fariseus e escribas, tinham grande reverência pela Lei e os Profetas. Mas isso é óbvio! Era a Bíblia! No entanto, Jesus parecia descumprir algumas coisas: tipo curar no sábado ou tocar em uma pessoa impura.
Esse pano de fundo ajuda a entender por que Jesus precisou dizer “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas” (v.17). Suas curas em dia de sábado e outras atitudes contrastavam com as práticas rigorosas dos fariseus, levando alguns a acusá-Lo de desrespeitar a Lei. Logo de cara então Jesus está rejeitando explicitamente qualquer ideia de que Sua vinda tenha a intenção de anular a autoridade da Escritura do AT.
Jesus aqui escolhe uma palavra forte: “revogar” (katalýō, abolir) - lançar no chão (como destruí um edifício) - Jesus está rejeitando qualquer ideia de que veio destruir ou invalidar as regras de Deus. Pelo contrário, Ele veio “cumprir” tudo aquilo que Deus revelou antes. O que seria este cumprir, bem isso veremos mais a frente.
Ilustração: Não há indicação de antagonismo de Jesus contra o Antigo Testamento; pelo contrário, Ele Se via em continuidade com tudo que Deus revelara antes. Isso me lembra duas coisas: 1) Uma igreja que vi no Instagram que não pregava mais o Antigo Testamento. 2) Uma mãe que me disse que sua filha não gosta de ouvir mensagens no Antigo Testamento.
Aplicação: Para nós jovens, essa mensagem nos lembra que toda a Palavra de Deus importa. Não podemos “esquecer” os ensinamentos do Antigo Testamento pensando que são obsoletos. Mesmo histórias e leis antigas nos mostram quem Deus é – santo, justo e misericordioso – e apontam para Jesus. Em vez de pular os livros “difíceis” da Bíblia, devemos lê-los procurando entender como eles anunciam o plano de Deus. Assim como Carson destaca, Jesus “não concebe sua vida e seu ministério como oposição ao Antigo Testamento, mas sim como um cumprimento daquilo que o Antigo Testamento prevê”. Cada mandamento e promessa ali contida têm sentido quando vistos à luz de Cristo.

¹⁸ Digo-lhes a verdade: Enquanto existirem céus e terra, de forma alguma desaparecerá da Lei a menor letra ou o menor traço, até que tudo se cumpra. ¹⁹ Todo aquele que desobedecer a um desses mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas todo aquele que praticar e ensinar estes mandamentos será chamado grande no Reino dos céus.

Jesus reforça com uma imagem impactante: “Nem um jota (em grego iōta, referindo-se à letra yod, a menor letra do alfabeto hebraico) ou til” (gr. keraía, provavelmente indicando o pequeno traço que diferencia algumas letras hebraicas entre si, equivalente a um acentinho ou filete) deixará de valer, até que “tudo se cumpra”. Em outras palavras, ele afirma que a Lei de Deus permanece totalmente válida enquanto a história segue seu curso.
Ilustração: (Imagem slide: erro de português)
Agora, no versículo 19, Jesus conecta as duas ideias anteriores à nossa vida prática. Ele diz que quem quebrar um mandamento qualquer, mesmo pequeno, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será chamado “o menor no reino dos céus”. E, inversamente, aquele que pratica e ensina esses mandamentos será chamado grande no Reino. Aqui vemos que não há mandamento “pequeno” na perspectiva de Deus: até as instruções que parecem menos importantes para os homens têm valor eterno. O verbo usado é como “afrouxar” ou “anular” (lyō), indicando desprezar ou passar por cima da lei.
Jesus então dá uma aplicação direta: “Aquele, pois, que violar (anular) um destes mandamentos, ainda que seja o menor, e ensinar aos homens a assim fazer, será chamado o menor no Reino dos Céus. Mas qualquer que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos Céus.” Aqui ele está falando do nosso comportamento diante dos mandamentos de Deus. O verbo “violar” vem de “afrouxar, soltar”. É como se alguém pegasse um mandamento e dissesse que ele não precisa ser levado tão a sério. Esse “violador” não só vive desobedecendo um preceito, mas ainda incentiva outros a fazer o mesmo – como quem corta caminho e convida todo mundo para ir junto. Jesus adverte: quem age assim será considerado “mínimo” no Reino de Deus. Em contraste, aquele que vive conforme todos os mandamentos – até os menores – e ensina os outros a fazer o mesmo, será tido como “grande” no Reino. Ou seja, cada mandamento importa, e nós não podemos desprezar nenhum.
Aplicação: Jesus está afirmando que nenhum detalhe da Palavra de Deus é insignificante, nem mesmo o menor traço. Isso confronta diretamente uma das maiores tentações da nossa geração: tratar a graça como desculpa para a desobediência. Vivemos tempos em que muitos querem os benefícios do evangelho, mas não querem o compromisso com os mandamentos de Deus. É a chamada “graça barata” — aquela que Bonhoeffer denunciou como sendo perdão sem arrependimento, fé sem discipulado, amor sem santidade.
Mas se cada mandamento importa diante de Deus, isso levanta uma questão difícil: quem de nós consegue guardar todos eles? Quantas vezes já “afrouxamos” um mandamento em nossas escolhas, palavras ou pensamentos? Então surge a pergunta inevitável: será que Jesus está dizendo que a nossa salvação depende de cumprir tudo perfeitamente, sem falhar em nada? Se for assim, estamos perdidos…

²⁰ Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus".

Finalmente, Jesus surpreende: “se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no Reino dos Céus.” Os fariseus eram um grupo religioso conhecido pelo rigor em cumprir não apenas os mandamentos da Lei escrita, mas também uma série de regras e interpretações adicionais (a “tradição dos anciãos”) para garantir obediência minuciosa. Eles elaboraram, segundo alguns cálculos, 248 mandamentos e 365 proibições tradicionais além da Lei escrita, buscando cercar cada mandamento. Imagina ter que seguir tudo isso à risca! Pense: os fariseus eram vistos como os mais rigorosos da Lei! Como poderia alguém ser “mais justo” que eles?
A resposta de Jesus revela o cerne da mensagem: ele não está pedindo para sermos ainda mais escravos de regras externas, mas para buscarmos uma justiça de dentro para fora, um caráter transformado. Os fariseus eram meticulosos nas aparências (coar mosquitos, pagar dízimos minuciosos) mas tinham corações frios para Deus (Mt 23:23-26). A “justiça deles” era “só de pele” – uma religiosidade de fachada. Jesus declara que essa justiça não basta para entrar no Reino. É necessária uma justiça superior (“que exceda em muito”, ou “que ultrapasse, supere”). Em quê ela excede? Os comentaristas explicam: excede em profundidade, sinceridade e conformidade com o caráter de Deus. Não se trata de simplesmente “mais obras” que os fariseus, mas de um tipo diferente de justiça, oriunda de um coração transformado.
Ilustração: Hoje em dia, a Geração Z valoriza autenticidade e detesta falsidade. Pense em uma influenciadora que posta mensagens espirituais inspiradoras no Instagram para ganhar likes, mas na vida real fala mal das pessoas e é grosseira. Isso seria exatamente o tipo de comportamento que Jesus critica. Não adianta ter “perfil perfeito” de crente nas redes sociais se o coração não ama de verdade. Jesus quer o oposto disso: Ele exige que o nosso padrão vá além de simplesmente seguir tradições religiosas. Ele quer que ameos a Deus de todo o coração, de tal forma que nossa justiça seja humilde, misericordiosa e íntegra, não apenas observância de rituais.
No entanto a pergunta permanece, como nós alcançaremos essa justiça? Aqui está a chave: essa justiça maior não vem de esforço humano, mas da obra de Deus em nós. É uma justiça que excede porque é concedida por Cristo, não construída pelas nossas mãos. E é isso que começamos a perceber: Jesus está elevando o padrão ao máximo para que reconheçamos nossa incapacidade e nos voltemos a Ele, que é o único capaz de cumprir plenamente a Lei. Sozinhos, não conseguimos. Com Ele, é inevitável.
Aplicação-Conclusão: Ao longo desses versículos, Jesus deixou claro que a Lei de Deus não é descartável nem irrelevante. Ela permanece como expressão da vontade santa e perfeita do Senhor, e nenhum “jota ou til” deixará de existir até que “tudo se cumpra” (v.18) Mas a grande novidade do evangelho é que o próprio Cristo é quem veio cumprir a Lei em nosso lugar. Onde Israel falhou, Ele venceu. Onde os escribas e fariseus criaram um peso impossível de carregar, Ele assumiu sobre si a obediência perfeita e nos oferece sua justiça como presente. O que parecia uma exigência esmagadora — “ser mais justo que os fariseus” — torna-se, em Cristo, um convite à graça: receber a justiça d’Ele, não construir a nossa.
Isso significa que a vida cristã não é um fardo pesado de regras intermináveis, mas um descanso confiante na obra consumada de Jesus. Ele cumpriu cada mandamento, cada promessa, cada profecia, e agora nos chama a viver na liberdade do Espírito. Não é a obediência fria de quem tenta ganhar pontos com Deus, mas a obediência alegre de quem foi transformado pelo amor de Deus. Em Cristo, a Lei deixa de ser uma escada impossível de subir e se torna um espelho que nos mostra nossa necessidade d’Ele e nos conduz de volta aos seus braços.
Para nós, jovens e adolescentes, isso é libertador. A sociedade e até a religião muitas vezes impõem a lógica do desempenho: seja perfeito, mostre que é melhor, conquiste sua aceitação. Mas o evangelho inverte tudo: não é o que eu faço que garante meu lugar no Reino, mas o que Cristo já fez por mim na cruz. Essa é a “justiça superior” — não a minha, mas a d’Ele. Por isso, posso descansar, sabendo que o amor de Deus não depende do meu currículo espiritual, mas da fidelidade de Jesus. Isso me dá coragem para obedecer, não por medo de perder o Reino, mas por gratidão àquele que já me fez participante dele.
Assim, encerramos esse trecho lembrando: a Lei não foi abolida, mas cumprida em Cristo. Ele é o centro, o clímax, o alvo de tudo o que Deus revelou. E nós, ao crermos n’Ele, participamos desse cumprimento. É Nele que encontramos perdão para nossos fracassos, força para viver em santidade e esperança da consumação final. Portanto, olhe para Jesus, descanse em sua obra e siga confiante. Os fariseus viviam de fachada; o discípulo de Cristo vive de fé. É como Jesus mesmo diz: “o meu fardo é suave e o meu jugo é leve” (Mt 11:30), porque aquele que cumpriu todos os mandamentos da Lei por nós caminha ao nosso lado todos os dias.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.