Sem fé tudo vai de mal a pior

A fidelidade de Deus na redenção  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução a série
Durante os próximos domingos voltaremos nossa atenção para uma das mais belas narrativas de toda a Escritura, o Livro de Rute, que apresenta o drama de uma família efraimita que deixando a Terra Prometida se refugiou em uma nação estrangeira e viu sua história de vida caminhar de mal à pior. Consideraremos cuidadosamente cada uma das cenas desse livro nas quais Deus usa uma história particular para ilustrar uma história maior planejada e executada por Ele mesmo: a história da redenção. Veremos como mesmo em meio a um contexto de infidelidade religiosa e caos social o Senhor mantém as rédeas da história e manifesta sua fidelidade pactual e não apenas redime famílias de maneira isolada, mas alcança nações, a partir de contextos familiares restaurados.
Rute 1.1–5 “1 Nos dias em que julgavam os juízes,houve fome na terra; e um homem de Belém de Judásaiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos. 2 Este homem se chamava Elimeleque, e sua mulher, Noemi; os filhos se chamavam Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; vieram à terra de Moabe e ficaram ali. 3 Morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com seus dois filhos, 4 os quais casaram com mulheres moabitas; era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos. 5 Morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando, assim, a mulher desamparada de seus dois filhos e de seu marido.”
Sobre as questões contextuais
Se amamos a Deus e desejamos viver para Ele é essencial que estudemos sua Palavra. O Senhor se comunicou conosco em linguagem humana, quando inspirou homens santos que falaram, sob a inspiração divina, tudo aquilo que Deus intentou nos revelar (2Pe. 1. 20-21). A Escritura, dessa forma, não é uma obra do acaso, e nem um mero conjunto de escritos de sabedoria religiosa. Conforme seu próprio testemunho interno, a Sagrada Escritura é um produto planejado e moldado por Deus, entregue a nós por meio de escritores humanos, útil para o ensino, para repreensão, para correção e para educação na justiça (2Tm. 3. 16) . Por ser um livro divino, sua correta interpretação depende da iluminação do Espírito Santo. Por ser um livro humano, assim como qualquer outro texto, ela exige interpretação cuidadosa e respeitosa (Convite à interpretação; p. 58). A finalidade básica das ciências hermenêuticas e exegéticas, que são as ferramentas técnicas empregadas na interpretação das Escrituras, é chegar à intenção autoral. Isso quer dizer que interpretamos a Escritura para conhecer a mente do autor, para compreender qual é aquela mensagem que ele pretendeu comunicar aos seus primeiros leitores. Para atingir esse propósito precisamos considerar, antes de adentrar o texto, algumas questões básicas:
Autoria
Parte da tradição credita o livro a Samuel. Essa hipótese, o entanto, é questionável. Um dos motivos para isso é a explicação de alguns costumes judaicos, o que sugere que o autor apresentou aos leitores originais questões que não eram tão conhecidas em sua época, o que não se aplicaria ao contexto de Samuel. Como o autor não se identifica diretamente, bem como não há em nenhum dos 85 versículos que compõem a obra indicações - mesmo indiretas - a respeito de ele quem seja, consideramos que a rigor, o livro de Rute é anônimo.
Data
Assim como ocorre com a autoria, não há inidicações sobre a data em que o livro foi escrito. A menção à genealogia de Davi no quarto capítulo é um indicativo de que o autor conhecia a importância de Davi para Israel, o que sugere sua composição após a ascenção de Davi ao trono. O que sabemos com mais clareza é o período em que ocorre o drama narrado. Em Rt. 1. 1, o autor localiza a história no período dos juízes. Essa informação é tanto específica quanto difusa. Específica porque temos o contexto histórico geral indicado. Difusa porque esse é um período relativamente longo que se estende entre 1.400 e 1.050 a.C. Logo a históia de Rute se desenvolve em algum momento entre esses três séculos e meio (Guia literário da Bíblia, p. 234/235).
Contexto histórico
Como vimos, o livro de Rute tem o seu drama desenvolvido no período entre a conquista de Canaã e o início da monarquia, quando os juízes julgavam. Nessa época Israel enfrentava pressões internas e externas das mais diversas. A infidelidade do povo, que adorou a outros deuses, fez com que as tribos fossem punidas diversas vezes. O sofrimento era o elemento que reconduzia os israelitas, em arrependimento, para o culto a Deus. Nessa época o governo sobre o povo não era centralizado e a Escritura afirma algo importante sobre esse período:
Juízes 21.25 “25 Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto.”
Essa afirmação que finaliza o livro de Juízes é particularmente importante para o desenvolvimento do drama que encontramos no livro de Rute, como veremos em ocasião oportuna.
Literatura
Estilisticamente Rute se assemelha ao gênero literário conhecido como novela, muito embora, de uma perspectiva formal essa associação não possa ser establecida devido ao fato de que esse não é um gênero da literatura hebraica antiga. Apesar disso encontramos na obra elemento comuns a ele, tais como, um núcleo único com poucos personagens que são muito bem definidos, um drama central e um desfecho forte. Rute é em termos literários uma Narrativa Histórica, elaborada e estruturada na forma de um conto. A história é contada em quatro cenas. Cada uma delas, à exceção da quarta e última, conta com uma sentença de abertura e uma de fechamento que prepara o leitor para a próxima. Dessa forma temos:
Cena 1: O vazio de Noemi (Rt. 1. 6-22);
Cena 2: A esperança despertada (Rt. 2. 1-23);
Cena 3: O progresso rumo à realização (Rt. 3. 1-18);
Cena 4: A plenitude alcançada no nascimento do herdeiro (Rt. 4. 1-22);
Teologia
Podemos dizer que o drama de Noemi, Rute e Boaz é uma história menor, dentro de uma história maior. Embora o livro retrate uma história de amor, esse não é um mero romance. Em uma perspectiva universal a importância do contexto teológico de Rute reside no fato de que Deus usou um drama pessoal para ilustrar a grande obra da redenção. A benevolência de Rute e Boaz para com Noemi apontam para a fidelidade de Deus à sua aliança, bem como delineia o cuidado soberano e gracioso destinado à Israel, provendo ao povo o seu grande Rei e Resgatador, Jesus. Consideradas essas questões, toda a teologia de Rute pode facilmente ser sintetizada no enunciado da fidelidade de Deus na Redenção. Agora, se pensado em uma perspectiva mais local e menos universal, o contexto teológico é importante por pelo menos três motivos: a) diminui a decepção pela maldade humana tão constante no livro de Juízes; b) demonstra que mesmo em meio a um contexto generalizado de rebeldia Deus mantém remanescentes fiéis e que obedecem a Lei; c) Rute participa da genealogia de Davi e de Jesus.
Introdução do Sermão
Uma vez consideradas essas questões mais abrangentes, voltamos nossa atenção novamente ao texto e percebemos que esses cinco primeiros versículos funcionam como o prólogo que estabelece, em linhas gerais, o contexto que conduzirá Noemi e Rute ao drama que se desenvolve nas quatro cenas que se estuturam a partir de Rt. 1. 6. Somos apresentados aqui a uma família da aliança que tentou resolver por sua própria conta um problema que era, na verdade grave, mas que por ignorar a soberania e o cuidado de Deus, se encontraram em um país estrageiro enfrentando situações desastrosas.
Frase de Transição
Diante de todo o panorama apresentado chamo sua atenção para o tema da reflexão dessa noite: Sem fé tudo vai de mal à pior. A partir da história de Elimeleque e sua família chegaremos a algumas conclusões e aplicações muito importantes para a nossa vida.
1. Sem fé o homem age por conta própria, e assim desconsidera a vontade de Deus – v. 1
O drama do livro de Rute tem suas raízes estabelecidas nos eventos delineados no v.1. Somos apresentados à uma família de Belém de Judá, que nesse momento não é nomeada, e que em decorrência de um período de fome migra para uma outra nação, Moabe. Algumas questões são importantes aqui. Belém, o local de origem dessa família, significa “casa do pão”. Irônica e triste, no entanto, é a sua situação nesses dias. Não há pão na casa do pão. Segundo o texto houve fome na terra. Considerando o contexto de Juízes, esse período de fome certamente era manifestação do juízo de Deus, devido à rebeldia do povo. Vemos algumas predições interessantes a esse respeito, como é o caso do que encontramos em Dt. 28:
Deuteronômio 28.48 “48 Assim, com fome, com sede, com nudez e com falta de tudo, servirás aos inimigos que o Senhor enviará contra ti; sobre o teu pescoço porá um jugo de ferro, até que te haja destruído.”
Então de certa forma, tanto a fome, quanto a carestia geral enfrentadas pelo povo em diversas épocas eram uma advertência e um convite ao arrependimento. O que Deus requer de seu povo, em todo o tempo, é a junção entre o amor devoto e a fé corajosa e inabalável. Fato é que o texto, a princípio, não narra nada semelhante partindo de Elimeleque e sua família. O que encontramos é o breve relato de sua ida para uma terra chamada Moabe, que estava distante cerca de 100km de Belém, uma distância que era percorrida em cerca de 5 dias a pé. Os moabitas, eram descendentes de Ló e, por muito tempo, rivais dos israelitas. O relato dessa migração ilustra bem a época dos juízes quefoi marcada pela dureza do coração dos israelitas que se afastaram de Deus e começaram a, sem fé, agir por sua própria conta.
Juízes 21.25 “25 Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto.”
Não foi diferente com Elimeleque e sua família. Se admitimos que de maneira geral esse período foi marcado pela rebeldia e pelo sofrimento como consequência do pecado, e considerando que a fome era provavelmente o exercício do juízo de Deus sobre as tribos, o que era esperado da casa de Elimeleque? Fé no Senhor. Eles deveriam tornar ao Senhor, caso o tivessem abandonado, e em arrependimento esperar pela graça, pelo cuidado e pelo livramento. Infelizmente não foi isso o que aconteceu. Elimeleque agiu como geralmente os homens agem: tentou solucionar os problemas por sua própria conta. E vemos na história dessa família que a fragilidade da fé não soluciona os problemas de maneira definitiva e cria novos problemas que podem ser até mesmo piores que os primeiros. Ignorar o cuidado e a graça de Deus pode levar o homem de mal a pior. E o resultado de agir por conta própria na vida de Elimeleque e sua família, como veremos posteriormente, foi o pior possível.
Aplicação: Muitas pessoas que se autodeclaram cristãs se encontam em um de dois extremos possíveis, ou estão sempre à “procura da vontade de Deus para sua vida”, como se houvesse algo oculto a ser revelado além da Escritura, ou então ignoram completamente a vontade de Deus para suas vidas e agem por conta própria, vivendo como se Deus não existisse. O fato é que a vontade de Deus para a vida do seu povo está claramente estabelecida e plenamente revelada na Escritura e essa vontade pode ser sintetizada nos enunciados de amor, obediência e fidelidade. Esses três princípios são fundamentais para que o povo de Deus possa desenvolver uma espiritualidade corajosa, que considera a vontade de Deus acima de qualquer outra coisa. O que o Senhor requer de você e de mim é isso. Considerando o texto, podemos concluir que Elimeleque deveria amar ao Senhor ao ponto de submeter sua vida, a vida de sua família e seus cuidados Ele, exercitando justamente a obediência e a fidelidade em sua tomada de decisão. O mesmo se aplica a você hoje. A vontade de Deus para sua vida é que você o ame acima de todas as coisas, ao ponto de estabelecer a obediência e a fidelidade a Ele como princípios inegociáveis em suas tomadas de decisões.
2. Sem fé e agindo por conta própria o homem se afasta das bênçãos de Deus – v. 1
Há uma grande ironia no texto: o êxodo de uma família israelita para uma terra estrangeira. Perceba que esse movimento é o exato inverso daquele que vemos relatado no livro do Êxodo. Se há não muito tempo, os israelitas haviam entrado em Canaã, a terra que Deus prometera a eles por herança, agora vemos uma família abandonando seu país e deixando para trás uma das grandes bênçãos que o Senhor havia prometido a Abraão, seu antepassado, e finalmente nesse tempo havia entregue como herança.
O momento era dificil? Sim. O problema era real? Sim. Mas ao contrário do que lógica secular diz, circunstâncias desesperadoras não requerem medidas desesperadas. Quando o mundo parece cair ao redor, quando as circunstâncias são realmente difíceis, quando os problemas se acumulam, o que é necessário? Os mesmos três principios que acabamos de ver: amor, obediência, fidelidade!
Lamentações de Jeremias 3.26 “26 Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio.”
Canaã era a herança dos israelitas. Viver ali era estar sob a promessa e a bênção de Deus, mesmo em contextos de juízo e dificuldade. Deixar Belém foi uma demonstração silenciosa, mas ainda assim muito eloquente, de que Elimeleque - pelo menos nesse momento - confiou mais na provisão e nos recursos de Moabe do que na graça do Senhor. Ao que tudo indica, esse movimento em direção a Moabe não foi algo generalizado, antes, parece de fato ter sido um movimento pontual de uma família que fracassou, pelo menos nesse momento, no exercício da fé, de uma espiritualidade corajosa. Deixar Belém e partir rumo a Moabe foi uma troca infeliz da bênção permanente que nasce da fidelidade ao Senhor, pela solução imediatista dos problemas, que tem um enorme potencial para gerar outros problemas, ainda maiores, que de fato foi o que aconteceu.
Aplicação: Elimeleque e sua família se afastaram deliberadamente de Israel, a terra dada como herança, a bênção do Senhor, para o seu povo. A fome era um problema sério, mas aquele que está em aliança com o Senhor, não pode deixar que os problemas, independentemente de sua natureza, abalem sua fé a ponto de conduzí-lo para longe de sua presença. Partir para longe do Senhor, perder a comunhão com Deus, é se tornar como um filho pródigo, que distante do Pai não apenas não desfruta de sua comunhão, mas ignora e põem em risco o sentido da própria vida. Por maior que seja a dificuldade você deve marcar sua posição, depositar sua confiança no Senhor e esperar nEle. Não busque e não se contente com soluções que te afastem da presença e das bênçãos do Senhor, pois, elas não são soluções reais, apenas situações férteis para grandes problemas.
3. Sem fé e agindo por conta própria o homem acaba desconsiderando a aliança com o Senhor – v. 2
A teologia do pacto está presente em Rute. Creio que a essa altura a maioria dos irmãos já estão familiarizados com o conceito de pacto ou aliança. Todavia, nos lembremos que, esse enunciado se refere a um compromisso de sangue soberanamente administrado. É um compromisso soberanamente administrado porque nele Deus estabelece os parâmetros da relação entre Ele e o homem. É um compromisso de sangue, pois,estabelece uma relação para a vida e morte, pois, contempla a vida como bênção em face da obediência e a morte como consequência pela desobediência. No pacto ou na aliança, Deus e o homem estão compromissados. O homem é povo de Deus e Javé, o Senhor, é o único Deus de seu povo.
Quando olhamos novamente para o texto, percebemos que somente no v.2 as personagens são nomeadas. O patriarca da família se chama Elimeleque. O significado desse nome: Deus é meu Rei. Perceba, embora ele seja um Javista, porquanto, em tese como Israelita ele adora a Javé; embora o seu nome seja uma declaração pública sobre o Senhorio de Deus, na prática, ao sair de Israel em busca de provisão, Elimeleque está desconsiderando a aliança com o Senhor, pois, Deixar Israel significava abandonar não apenas a herança dada por Deus, mas principalmente abandonar o lugar exclusivo de culto a Deus, visto que nessa época a adoração estava restrita à Israel, mais especificamente, à cidade de Siló em Efraim, onde ficava o tabernáculo. Embora em tese Deus fosse o Rei de Elimeleque e sua família, na prática, o senhorio de Deus e a adoração a esse Deus, que é o único Deus verdadeiro, não ocupava lugar de destaque em suas vidas, pelo contrário, esse era um aspecto relegado a um lugar menor importância em sua escala de valores.
Aplicação: O culto ao Senhor, a comuhão na e com a igreja, a adoração individual, mas também a adoração comunitária devem ocupar lugar de destaque na vida e não se encontrar “espremida” entre outros compromissos ou prioridades mais importantes. Elimeleque e sua família falharam nesse ponto e muitos de nós também falhamos. Ao sair de Israel essa família não considerou o culto ao Senhor como algo que merecia destaque entre suas prioridades. Em uma época em que a adoração estava limitada à Israel, abandonar a Terra significava abandonar a adoração. É bem verdade que hoje não estamos mais restritos ao tabernáculo, mas ainda assim vemos a mesma desconsideração para o culto e com a adoração como a que observamos no texto. Criamos desculpas para não adorar em casa. Estabelecemos prioridades diferentes para não congregar. A fome não é nossa prioridade, mas o descanso, o trabalho e o lazer são. E assim a adoração fica espremida entre uma série de outros compromissos aos quais facilmente damos mais importância. Estudar a Escritura se torna a mera leitura de 1 ou 2 versículos por dia. Cultuar em Espírito e em verdade se torna ir à igreja para assistir o culto - isso se julgamos não haver nada melhor ou minimamente interessante para fazer. A oração se transforma em meia dúzia de palavras repetidas mecanicamente antes de uma refeição ou na hora de dormir. E tudo isso, que acaba por constituir uma expressão de adoração caricata e esvaziada de sentido, está na categoria daquilo que fazemos “quando dá”. O povo de Deus deve estar intimamente associado e dedicado ao Deus cujo nome carrega. Isso implica priorizar a adoração. Adorar ao Senhor, cultuar ao Senhor, não deve ser uma entre outras prioridades. Adorar ao Senhor e cultuá-lo, principalmente na assembléia, deve ser a prioridade da vida, o ponto a partir do qual organizamos nosso viver e aí então buscamos a solução para os problemas.
4. Sem fé e agindo por conta própria o homem toma decisões com consequências desastrosas – v. 3-5
Muitos dos grandes problemas enfrentados pela humanidade têm suas raízes em tentativas frustradas de encontrar soluções para outros problemas em tomadas de decisões que não apenas não trazem a solução almejada, como também desencadeiam uma série de consequências, frequentemente piores do que o problema inicial. E é exatamente isso o que vemos no prólogo da história de Rute.
A decisão de Elimeleque de partir de Israel rumo a Moabe foi profundamente equivocada e deu origem a uma série de acontecimentos que cuidadosamente analisados, podemos concluir, foram muito piores do que a fome enfrentada em Belém. Já vimos anteriormente que considerando o contexto de Juízes a fome era uma ação do juízo de Deus, empregada para a disciplina do povo, com vistas ao seu arrependimento e restauração.
Deus sabe e a Escritura não nega que a disciplina é a princípio desconfortável.
Hebreus 12.11 “11 Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça.”
Diante do juízo de Deus, o que se esperava no caso de Elimeleque e sua família era arrependimento verdadeiro, precedendo assim a restauração. Deus agiu perdoando e restaurando o povo de maneira frequente no período dos Juízes.
Juízes 10.16–17 “16 E tiraram os deuses alheios do meio de si e serviram ao Senhor; então, já não pôde ele reter a sua compaixão por causa da desgraça de Israel.
O fato é que a partir do texto de Rute podemos concluir que o homem cujo nome significa Deus é meu Rei, ignorou a primazia divina sobre sua vida e preferiu buscar ele mesmo uma solução para os problemas. O fato que o texto revela, no entanto, é que no longo prazo essa se mostrou uma decisão errada e com consequências terríveis. Elimeleque morreu e deixou sua esposa e seus filhos em um país estrangeiro. O futuro de Noemi, seu sustento na velhice, dependeria de seus filhos. Outra consequência da má escolha realizada pela família foi o casamento dos filhos com mulheres moabitas, pois, os filhos gerados desses matrimônios estariam excluídos da assembléia. A consequência derradeira, foi o desamparo de Noemi, juntamente com suas noras em face da morte de Malom e Quiliom. Ao final de sua estada em Moabe a família que deixara Israel fugindo da fome não encontrou o que tanto buscava, antes, foi significantemente afligida e severamente reduzida. Ao fim do v.5 restam agora uma mulher idosa em companhia de suas duas noras. As três mulheres estão viúvas, desamparadas e sem qualquer esperança em vista. O desastre da vida dessas mulheres, sobretudo, o que ocorre a Noemi, ilustra a calamidade em que se encontra a humanidade. O quadro geral demanda a existência e a ação de um resgatador. Nos próximos capítulos seremos apresentados ao resgatador dessa história, que tipifica Cristo, aquele que nos resgata, inclusive da consequência mais desastrosa das nossas escolhas, o pecado. Mas isso é assunto para outra hora.
Aplicação: Tomar decisões é uma responsabilidade da qual você não pode fugir. Até mesmo não decidir, é um exercício de decisão. O fato é que existem decisões boas e ruins. Sem fé no Senhor, sem confiança verdadeira em Deus, o homem se encontra à mercê de si mesmo e das circunstâncias. Decisões tomadas nesse cenário são potencialmente perigosas. Você deve agir sempre com fé, considerado a graça do Senhor, submetendo sua vida a Ele. Peça discernimento e sabedoria para que você saiba como agir em cada situação. Perbeba que no texto não há nenhma menção de que Elimeleque tenha orado ao Senhor antes de deixar Israel e partir para Moabe. Não haja assim. Não seja sábio ao seus próprios olhos. Mais uma vez, entenda que é necessário considerar o amor, a obediência e a fidelidade ao Senhor ao tomar suas decisões. Não seja você mesmo o Senhor de seu coração, antes submeta sua vida à Deus, o verdadeiro Senhor sobre tudo. Confie e dependa dEle em todas as circunstâncias.
Conclusão
O prólogo da história de Rute apresenta o enredo de um drama que contempla temas sensíveis, como família, amor, sobrevivência, tragédia, morte, esperança e redenção. O quadro que se apresenta até o v.5 é desastroso e revela o quão complicada pode ser a vida quando o homem ignora a vontade de Deus e se afasta de sua presença, pois, verdadeiramente sem fé tudo vai de mal a pior. Fato é que o caos e a calamidade, por mais difíceis que sejam, não fogem ao controle do Senhor, e como veremos nas cenas que se seguem, mesmo as situações mais complicadas são um terreno fértil para a boa ação de Deus. Antes da restauração, contudo, é necessário que o homem esteja consciente da miserável situação em que se encontra e da necessidade de um resgatador. E sobre isso falaremos no próximo domingo.
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