Restauração que alegra o coração
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Salmo 126
Salmo 126
Introdução:
Tristeza. Esse sentimento resume bem os pensamentos que rondavam os israelitas durante o tempo de cativeiro. O Salmo 137.1 descreve como era doloroso para eles viver em terra estranha; até mesmo cantar as canções de Sião lhes parecia insuportável. Suas atitudes eram de lamento constante, consequência direta do pecado do povo.
Ainda assim, não podemos ignorar como devia ser difícil permanecer naquele estado — tentar ter perspectiva sem ver sequer uma gota de esperança cair no coração. Contudo, após setenta anos, veio a libertação, e o Salmo 126 registra a mudança radical de sentimento quando receberam permissão para voltar à sua terra.
A peregrinação e a libertação transformaram completamente a realidade do povo, e essa diferença se torna clara quando comparamos este salmo com o 137. Agora, veremos de perto a alegria transbordante que nasce no salmista nesse cântico de peregrinação.
Desenvolvimento:
Verso 1-2
Conforme observamos no princípio do Salmo, Deus agiu: Ele cumpriu Sua promessa de que o cativeiro teria um tempo definido, seguido da libertação do povo.
Tudo isso aconteceu pela misericórdia do Senhor. Sua promessa era graciosa, e essa atitude de bondade é real desde a escolha de Israel; desde o princípio, foi graça de Deus.
Aqui, todo o povo deveria recordar as ações de Deus ao longo do tempo e perceber mais uma delas acontecendo. Foi Deus quem os levou ao cativeiro, mas também foi Ele quem os trouxe de volta.
A imagem descrita no primeiro verso é como um sonho. Já passou por momentos em que imaginou algo por tanto tempo que, quando finalmente aconteceu, parecia irreal?
Lembro da primeira vez que vi o mar: quando percebi que finalmente o veria, tive que me conter para não demonstrar toda a emoção. E quando finalmente cheguei diante dele, foi como um sonho se tornando realidade.
Assim como esperar pelo tempo certo traz alegria ao coração, a realidade da libertação trouxe uma emoção profunda ao salmista.
O desejo de ver o povo retornar à sua casa parecia quase irreal, como um sonho distante — mas agora estava se tornando realidade diante dos seus olhos.
Com isso, ao ver a ação de Deus em benefício do Seu povo, o salmista descreve que a cena arranca sorrisos daqueles que antes viviam em meio a soluços de tristeza.
Irmãos, observar a ação do Senhor ainda hoje nos traz alegria, ou vivemos como se Ele fosse obrigado a conceder tudo o que precisamos?
Fica evidente a sinceridade do autor ao contemplar seu povo retornando: tanto a alegria evidente em seu rosto quanto o sentimento de gratidão se expressam em canções de louvor.
Algo que não podemos deixar passar despercebido é que a ação de Deus causa testemunho até mesmo entre os incrédulos e outras nações, como o texto sugere. Quando Deus age de modo inesperado, restaurando Seu povo a uma condição boa após tanto sofrimento, isso desperta espanto e temor — como vemos nos livros de Esdras e Neemias, e até mesmo em louvores semelhantes ao do Salmo 126.
Tanto é verdade que podemos lembrar, por exemplo, da atitude de Dario após a sentença contra Daniel na cova dos leões. Há uma grande semelhança entre suas palavras e o nosso texto.
Daniel 6.26 diz: "Estou emitindo um decreto para que, em todos os domínios do império, os homens temam e reverenciem o Deus de Daniel. Pois Ele é o Deus vivo e permanece para sempre; o Seu reino não será destruído, e o Seu domínio jamais terá fim."
Outro exemplo: quantos irmãos já não foram desenganados pelos médicos e, sem explicação alguma, tudo mudou, e logo se encontravam com total saúde? Quantos já não ficaram sem respostas ou sem querer admitir que aquela restauração era obra de Deus na vida da pessoa?
O fato que não deve ser esquecido é o sentimento de gratidão que nasce ao ver Deus agir em misericórdia em cada um de nós. É isso que devemos aprender aqui nessa parte do Salmo.
Verso 3
Como vemos no verso 3, segue-se o padrão da declaração das nações: os que regressaram proclamam com convicção o que até as nações reconhecem sobre o Deus deles.
Quando contemplarmos o retorno do nosso Senhor, após tantas vezes em que fomos livrados e protegidos por Ele, o que diremos?
Por nós mesmos? Não! Devemos dizer: Ele é quem fez grandes coisas por nós. Por isso, nos alegraremos ao ver Seu retorno para o Seu povo.
Verso 4
Irmãos, até aqui, algo que fica claro para todos nós é o sentimento de retorno e felicidade. Porém, ao observarmos o verso 4, o tom de alegria parece diminuir, e o pedido expresso em oração pode até nos parecer um pouco estranho.
É importante lembrar, como vimos no livro de Ageu, que o povo perdeu, por algum tempo, o seu propósito original. Deveriam erguer o templo, mas o concluíram? Não!
Deixaram de lado por temor das nações ao redor, mesmo depois de terem testemunhado a poderosa mão do Senhor livrando-os.
O pedido do salmista neste verso indica que ainda faltava algo: o povo continuava a falhar em obedecer plenamente ao Senhor.
Nem todos estavam presentes, e ele clama para que Deus encha o povo, assim como os rios se enchem, trazendo alegria àqueles que atravessam o deserto. Que o Senhor encha o Seu povo com a plenitude que deveria ser o padrão, se não teimarem e se voltarem a Ele.
Além disso, este texto nos remete aos profetas que falam de um tempo de perfeita paz, conforme expresso pela plenitude que marca o fim do verso.
Esse tempo que aguardamos nos ajuda a direcionar nossos pensamentos, a não nos entregarmos às preocupações do mundo presente e a manter o foco naquilo que será dado pelo Senhor.
Aguardamos Sua chegada, que marcará a plenitude que o salmista tanto esperava. Então, a restauração e a união do Seu povo acontecerão finalmente.
Verso 5-6
O salmista compara seu tempo atual à condição de semeador e colheita nos versos 5 e 6, o que faz bastante sentido quando lembramos da espera que ele ainda aguardava.
No verso 5, ele descreve primeiro sua própria condição: lançou a semente com tristeza e lágrimas, mas no dia da colheita haverá cantos de felicidade, como já havia mencionado anteriormente.
Por que ele pode falar assim? Por que tanta certeza sobre a colheita perfeita? A resposta é clara: Deus já fez e continua fazendo coisas grandiosas por nós. Por isso, podemos confiar que o resultado será positivo.
O salmista reforça essa mesma realidade no verso 6: se sofremos enquanto trabalhamos, futuramente teremos alegria ao ver o fruto de todo esforço.
Se somos perseguidos por permanecermos fiéis ao Senhor, Ele enxugará nossas lágrimas, como diz Apocalipse 7.17. As lágrimas do tempo presente serão deixadas de lado diante da plenitude da presença do Senhor.
Embora já tenhamos experimentado grandes coisas de Deus, ainda não vimos a Nova Jerusalém descer do céu. Assim como Abraão, nosso pai na fé, aguardamos essa morada celeste.
O salmista já sente falta desse tempo, mesmo sem vê-lo claramente, e é sobre isso que ele fala — sobre a esperança e a alegria que virão com a plenitude da obra de Deus.
Aplicação
Irmãos, realizar nosso trabalho no Senhor com lágrimas será algo normal nesta vida; teremos momentos de choro mesmo em meio a algumas alegrias. Porém, a tristeza que volta e meia tenta nos abater deve ser vencida pela certeza de que nosso Deus já fez e continua fazendo grandes coisas por nós.
Nunca deixe de lembrar o que o Senhor tem feito em sua vida. Relembre o quanto Deus cuidou de você desde o início de sua caminhada na fé. Ele vê suas lágrimas e, um dia, transformará seu choro em uma alegria eterna.
Conclusão
Semear em fidelidade ao Senhor significa realizar nosso trabalho com a certeza de agradá-Lo e a confiança no sucesso do seu eterno plano, aquele que ele planejou desde a fundação do mundo. Sem Deus cuidando de tudo, qual seria o nosso destino? Haveria algum verdadeiro ganho em nossos esforços?
A resposta para essa pergunta fica ainda mais clara no Salmo 127, que nos mostra a necessidade da ação de Deus para que nossas obras tenham êxito. Veremos isso em outra oportunidade, com a permissão do Senhor.
