PNT - Hebreus - Aula 1

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Hebreus

No prólogo da chamada Epístola aos Hebreus (= Hb) lemos: “Havendo Deus, outrora, falado… pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho” (Hb 1:1–2).
Sobre este testemunho de fé, ponto permanente de referência para a totalidade do escrito, o seu autor estabelece desde o próprio começo o fundamento teológico da exposição que irá abordar em seguida. O seu objetivo é proclamar a universal supremacia de Jesus Cristo, a Palavra de Deus encarnada na realidade imediata do ser humano (cf. Jo 1:14).
No entanto, o caráter de Hebreus é principalmente exortatório. Assim é como o autor o concebe (Hb 13:22), que ao longo de toda a carta entrelaça os ensinamentos teóricos com conselhos e recomendações práticas, a fim de garantir a fé dos seus leitores cristãos em meio aos desalentos, temores e sofrimentos da vida presente.
A carta aos Hebreus é considerada como contendo o melhor grego do Novo Testamento. Sendo escrito num grego refinado e mais próximo ao grego clássico do que ao grego koiné, comum a época. Em Hebreus aparecem por volta de 170 palavras gregas que não são encontradas em nenhum outro livro da bíblia. Muitas dessas palavras aparecem em *literatura grega clássica e helenista*.
Com certeza quem escreveu esta carta, tinha um domínio incomum da língua grega. Era versado tanto na literatura e filosofia grega, quanto na tradição hebraica. Sem dúvida era um judeu helênico.
Lendo a carta de Hebreus numa tradução de equivalência formal, podemos perceber, na construção do texto, sua erudição. Era alguém acostumado a escrever em grego.
A Almeida Revista e Atualizada (ARA) segue o método chamado de equivalência formal (ou tradução literal).
Exemplo de grego erudito em Hebreus
Logo na abertura da carta (Hb 1.1–2), temos uma frase com forte estilo clássico:
Πολυμερῶς καὶ πολυτρόπως πάλαι ὁ θεὸς λαλήσας τοῖς πατράσιν ἐν τοῖς προφήταις, ἐπ’ ἐσχάτου τῶν ἡμερῶν τούτων ἐλάλησεν ἡμῖν ἐν υἱῷ... Polumerôs kai polutropôs palai ho theos lalêsas tois patrasin en tois prophêtais, ep’ eschatou tôn hêmêrôn toutôn elalêsen hêmin en huiô...
Esse início usa uma construção participial πολυμερῶς καὶ πολυτρόπως(“muitas vezes e de muitas maneiras”), típica da retórica clássica.
A frase é longa, cheia de períodos subordinados e cadência literária.
É bem diferente da simplicidade mais linear do grego koiné encontrado, por exemplo, em Marcos ou até nas cartas paulinas.
O koiné tende a evitar adjetivos e advérbios compostos literários como πολυμερῶς καὶ πολυτρόπως.
A frase ficaria mais curta, direta e sem o paralelismo sonoro que o autor de Hebreus utiliza.
A estrutura participial inicial (“tendo falado... falou”) daria lugar a duas orações coordenadas simples (“falou... agora falou”).
Por isso, alguns chegam a dizer que Hebreus poderia ser apresentado até em um auditório grego culto, sem causar estranhamento.
Alguns comentaristas entendem a carta aos Hebreus como um comentário homilético de Salmos 110.
Introdução
Data:
Final da década de 60. Ref. Hb 7.8, 13.23.
Autoria:
Somente Deus sabe ... Ref. Hb 2.3/Gl 1.12
Destinatários:
À igreja perseguida, principalmente judeus convertidos.
Data:
O argumento sobre a data da carta aos Hebreus é um dos pontos mais sólidos da introdução ao livro.
Primeiro, ela deve ter sido escrita antes de 95 d.C., pois Clemente de Roma já a utilizava nessa época, pois faz muitas citações em suas cartas.
A evidência interna sugere uma data ainda mais antiga: o autor menciona o sistema sacrificial judaico como ainda em funcionamento (Hb 7.8; 8.4; 10.1) e não faz referência à destruição do Templo (ocorrida em 70 d.C.), o que indica que o Templo ainda estava de pé.
Além disso, a menção a Timóteo(Hb 13.23) pode apontar para uma origem romana, possivelmente no período em que ele foi preso após atender ao chamado de Paulo. A frase de 12.4, que afirma que os leitores ainda não haviam resistido até o sangue, sugere que a perseguição de Nero(iniciada em 64 d.C.) já havia começado, mas não atingido diretamente os destinatários.
Por fim, o sentimento de urgência em Hb 10.25, ao falar do aproximar-se do Dia, reforça que a carta foi escrita pouco antes da queda de Jerusalém (por volta de 70 d.C.).
A carta aos Hebreus provavelmente foi escrita entre 64 e 70 d.C., antes da destruição do Templo e durante ou logo após o início da perseguição de Nero.
Autoria:
Um cristão da segunda geração (não testemunha ocular);
Profundamente judeu, mas educado no mundo grego;
Erudito nas Escrituras e na teologia sacerdotal;
Associado ao círculo de Paulo(menciona Timóteo, escreve a cristãos perseguidos, possivelmente em Roma);
E habilidoso pregador e teólogo, talvez com função pastoral.
Porque poderia ser de Apolo?
Doutrina que ecoa a doutrina do Logos de Filo.
A doutrina de Cristo como Sumo Sacerdote eterno é uma marca distintiva da carta aos Hebreus.
Em Hebreus
Só Hebreus desenvolve de forma extensa a ideia: Cristo como sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque(Hb 5–7), que intercede continuamente e cujo sacrifício é único e perfeito (Hb 7.25; 9.11–14; 10.14).
Essa imagem sacerdotal não aparece com esse nível de detalhe em nenhum outro livro do NT.
Em outros livros do NT
Romanos 8.34 – fala de Cristo intercedendo por nós, mas sem usar a linguagem sacerdotal.
1João 2.1-2 – apresenta Jesus como advogado junto ao Pai e propiciação pelos pecados, o que é próximo à função sacerdotal, mas sem o título de “sumo sacerdote”.
Apocalipse 5.6-10 – Cristo é o Cordeiro que foi morto e “nos fez reino e sacerdotes para o nosso Deus”, mas o foco está no sacrifício e na realeza, não no sacerdócio eterno de Cristo.
1Pedro 2.5,9 – chama a igreja de “sacerdócio santo/real”, mas não aplica a Cristo diretamente o título sacerdotal.
Somente Hebreus apresenta Cristo explicitamente como Sumo Sacerdote eterno.
Outros livros do NT aludem à sua obra de intercessão e propiciação, mas não usam nem desenvolvem a linguagem sacerdotal.
Isso reforça a singularidade de Hebreus no cânon: é o livro que interpreta a obra de Cristo sobretudo à luz do culto levítico e do sacerdócio.
Há semelhanças interessantes entre a Carta aos Hebreus e os escritos de Fílon de Alexandria, mas também diferenças decisivas.
Semelhanças
Ambos compartilham um fundo helenístico: Fílon, judeu de Alexandria (20 a.C.–50 d.C.), interpretava as Escrituras judaicas com categorias da filosofia grega, especialmente Platão e os estóicos, por meio de interpretação alegórica. O autor de Hebreus também demonstra familiaridade com esse mundo helenizado, usando a Septuaginta(tradução grega do AT) e categorias mais filosóficas que rabínicas.
Tanto Fílon quanto Hebreus usam a ideia de mediador: Fílon fala do Logos como mediador entre Deus transcendente e o mundo; Hebreus apresenta Cristo como o Sumo Sacerdote celestial, mediador perfeito entre Deus e os homens (Hb 8.6; 9.15).
A noção de realidade celestial versus cópias terrenas: em Fílon, inspirado no platonismo, o mundo sensível é apenas sombra do mundo ideal; em Hebreus, o tabernáculo terreno é “cópia e sombra das coisas celestiais” (Hb 8.5; 9.24).
Diferenças fundamentais
Para Fílon, o Logos é uma força ou ser intermediário, mas nunca uma pessoa encarnada. Já Hebreus confessa Jesus como o Filho eterno de Deus que se fez carne (Hb 1.1–3; 2.14).
Fílon busca harmonizar Moisés e Platão; Hebreus coloca Cristo acima de Moisés, dos anjos e de todo o culto levítico (Hb 3.1–6; 7.23–28).
Em Fílon, a alegoria filosófica serve para “espiritualizar” a Lei; em Hebreus, o argumento é escatológico e cristocêntrico: a Lei era provisória e cumprida de forma definitiva em Cristo (Hb 10.1).
Em resumo: Hebreus e Fílon de Alexandria usam linguagem parecida (mediador, sombra/realidade, mundo celestial), mas caminham em direções diferentes. Hebreus não é um tratado filosófico, e sim uma pregação pastoral que proclama Cristo como a realidade viva que substitui os símbolos do AT.
Para Fílon, o Logos é uma categoria filosófico-religiosa: abstrata, intermediária e impessoal em muitos aspectos.
Para Hebreus, Jesus Cristo é a realidade viva, pessoal e encarnada, que cumpre as sombras do AT e reina como Filho eterno.
Ou seja, Hebreus pode até dialogar com o vocabulário helenístico de Fílon, mas transforma totalmente seu conteúdo: o que em Fílon é alegoria filosófica, em Hebreus é história da salvação em Cristo.
Jesus é Superior aos Anjos
Hb 1.1-2.18
Deus falou pelo seu Filho, herdeiro de todas as coisas.
Ele é a exata expressão do Pai.
Ele realizou a purificação dos pecados.
Está assentado a direita da Majestade, nas alturas.
Possui Nome que é sobre todo nome.
Por isso devemos nos apegar, firmemente, em suas palavras.
Textos de referência:
Hb 1.1-4, 2.1-4
Jesus é superior a Moisés
Hb 3.1-4.13
Cristo encarnou para ter identificação com os irmãos.
Fiel Sumo Sacerdote, fazpropiciação pelos nossos pecados.
Este Sumo Sacerdócio é superior a Antiga Aliança.
A Nova Aliança promete um descanso superior.
O alerta para não ficarmos de fora da promessa.
Deus não pode ser enganado.
Textos de referência:
Hb 2.17-3.2
Hb 3.5-12
Hb 3.18-4.3
Hb 4.8-13
Jesus, o grande Sumo Sacerdote
Hb 4.14-7.28
Cristo, que conhece as nossas fraquezas, está assentado a direita de Deus.
Devemos nos achegar a Ele com confiança em sua graça, misericórdia e Auxilio.
O próprio Deus o estabeleceu como Sumo Sacerdote e Autor da salvação para todos que os que lhe obedecem.
Devemos perseverar, nos dias bons e maus, pois Cristo nos preparou todas as ferramentas. Além dessa, não há outra salvação.
Textos de referência:
Hb 4.14-5.1
Hb 5.4-6
Hb 5.9-10
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