Não é o fim, é só o começo

Das ruínas à Glória  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Texto base:
Haggai 2:1–9 NVI
No vigésimo primeiro dia do sétimo mês, veio a palavra do Senhor por meio do profeta Ageu: “Pergunte o seguinte ao governador de Judá, Zorobabel, filho de Sealtiel, ao sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque, e ao restante do povo: Quem de vocês viu este templo em seu primeiro esplendor? Comparado a ele, não é como nada o que vocês vêem agora? “Coragem, Zorobabel”, declara o Senhor. “Coragem, sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Coragem! Ao trabalho, ó povo da terra!”, declara o Senhor. “Porque eu estou com vocês”, declara o Senhor dos Exércitos. “Esta é a aliança que fiz com vocês quando vocês saíram do Egito: Meu espírito está entre vocês. Não tenham medo”. Assim diz o Senhor dos Exércitos: “Dentro de pouco tempo farei tremer o céu, a terra, o mar e o continente. Farei tremer todas as nações, as quais trarão para cá os seus tesouros, e encherei este templo de glória”, diz o Senhor dos Exércitos.“Tanto a prata quanto o ouro me pertencem”, declara o Senhor dos Exércitos. “A glória deste novo templo será maior do que a do antigo”, diz o Senhor dos Exércitos. “E neste lugar estabelecerei a paz”, declara o Senhor dos Exércitos.

O último dia de Festa

Ageu foi um profeta levantado por Deus para despertar o povo que havia retornado do cativeiro babilônico, mas que, desanimado, ficou cerca de 17 anos sem tocar na construção do templo.
É interessante que entre Ageu capítulo 1 e capítulo 2 se passam apenas cerca de 30 dias — e pouca coisa havia mudado no canteiro de obras. No capítulo 1, o povo estava preocupado apenas com suas próprias casas. Já no capítulo 2, haviam voltado a construir, ainda que muito pouco.
Ageu 02.01 marca uma data especial: o vigésimo primeiro dia do sétimo mês, o último dia da Festa dos Tabernáculos — uma celebração de gratidão pela provisão de Deus. Era um tempo de festa, mas também um tempo de reconstrução em meio às ruínas.
E como vimos durante todo esse mês, assim como o povo de Israel, nós também vivemos momentos de recomeço, momentos em que reconstruiré necessário — seja na vida pessoal, familiar, profissional ou espiritual.
E a mensagem de Deus, através do profeta Ageu, traz pontos importantíssimos e relevantes não só para o povo de Deus naquela época, como também, a nós em nossos dias.

Comparação e Nostalgia

O primeiro ponto que nós precisamos observar nesse texto é o sentimento de comparação e de nostalgia que tomava o povo.
Imagine o seguinte: eles estavam participando dessa grande festa. Porém, diante deles, não havia um templo — afinal, não havia praticamente nada pronto. Apenas um altar que foi reconstruído em meio às ruínas do que um dia foi um grande templo.
E esse sentimento de comparação e de nostalgia é percebido e apontado pelo próprio Deus no v. 03:
Haggai 2:3 NVI
Quem de vocês viu este templo em seu primeiro esplendor? Comparado a ele, não é como nada o que vocês vêem agora?
O problema aqui não era a obra em si. Era o olhar que o povo tinha para a obra. O povo, especialmente os mais velhos — que ainda se lembravam do Templo de Salomão —, estavam olhando para aquela nova construção e pensando: "Não é como antes. Não tem o mesmo brilho. Não tem a mesma grandiosidade."
Mesmo que tudo ainda estivesse no início desse trabalho de reconstrução, as pessoas olhavam para tudo aquilo e só conseguiam lembrar do que um dia o passado foi. E, de fato, se comparássemos apenas pelas características externas, o primeiro templo era inigualável.
O Templo de Salomão foi construído em um tempo de grande prosperidade, em um reinado de paz e abundância. Ele era revestido de cedros trazidos do Líbano, as paredes internas eram inteiramente cobertas de ouro puro, e o piso também foi revestido de ouro (1 Reis 06.15-22). O templo era adornado com esculturas de querubins, palmeiras e flores abertas, tudo esculpido com riqueza de detalhes.
Mas além da beleza, os números impressionam:
Estima-se que foram utilizados aproximadamente 20 toneladas de ouro apenas para o revestimento interno do templo (1 Rs 06.20-22; 2 Cr03.08);
Além disso, foram empregadas cerca de 34 toneladas de prata e quantidades incalculáveis de bronze e ferro para os utensílios e estruturas (1 Cr 22.14);
Só o altar de ouro, dentro do Lugar Santíssimo, era coberto com cerca de 600 quilos de ouro (2 Cr 04.19-22);
E cerca de 153.600 trabalhadores foram envolvidos diretamente ou indiretamente na construção (2 Cr 02.17-18).
Porém, agora, diante daquele povo, tudo que eles podiam enxergar eram ruínas. Toda a riqueza do templo foi saqueada. A grandiosidade do que aquele prédio era reconhecido agora se vê apenas nos destroços. E o início do trabalho de reconstrução se mostra de maneira tímida.
Afinal, no primeiro grande templo, houve artesãos, pessoas preparadas e capacitadas, artistas que trabalharam no adorno de cada detalhe da Casa de Deus. Já nesse templo agora, que está sendo reconstruído, existe apenas um povo que voltou de um cativeiro — e certamente não tinha a mesma capacidade e, de forma alguma, conseguiria reproduzir aquilo que um dia o grande templo de Salomão foi.
É nesse momento que surgem as comparações. É nesse momento que surge a nostalgia. Mas o que é nostalgia? Nostalgia é o sentimento de saudade onde idealizamos o passado. É quando lembramos de algo que vivemos ou ouvimos falar, mas pintamos essa lembrança com tintas ainda mais bonitas do que, de fato, ela foi. É como se o passado se tornasse um lugar perfeito na memória, mesmo que, na realidade, também tivesse seus desafios e dificuldades.
E é aqui que habita o perigo: A nostalgia não é aquilo que a Bíblia nos ensina sobre trazer à memória aquilo que nos dá esperança (Lm 03.21). Pelo contrário, a nostalgia que sempre anda junto com a comparação, rouba a beleza daquilo que Deus está fazendo agora e nos cega para os novos começos que Ele está nos oferecendo.
A comparação rouba a alegria do presente. A nostalgia distorce a realidade do que Deus está fazendo agora. Essas coisas nos impedem de viver o novo de Deus. Afinal, mesmo que já não sejamos mais cativos na Babilônia, o nosso coração e a nossa mente continuam prisioneiros do passado.
Então, toda mudança passa a ser interpretada como um ataque à nossa memória. E tudo o que poderíamos viver hoje, aos nossos olhos, se torna ruim, pequeno, inútil — apenas porque, na nossa mente, foi melhor um dia.
É como quando uma pessoa muda de cidade, mas vive dizendo: "Na minha antiga casa é que era bom..." e, por isso, nunca consegue se sentir feliz onde Deus a plantou agora. Ou como alguém que começa um novo trabalho, mas passa o tempo inteiro dizendo: "No meu emprego anterior era muito melhor..."e assim fecha o coração para as novas oportunidades que Deus está colocando no caminho.
Ou ainda, como aqueles que chegam em uma nova igreja e, em vez de se envolverem com alegria, só ficam pensando: "Lá na outra igreja é que era assim, era assado..."e deixam de perceber o que Deus está fazendo ali, hoje.
Lembre-se disso: Quem vive preso ao que foi, nunca desfruta do que Deus está fazendo agora.

Ninguém é neutro

O segundo ponto que precisamos observar nesse texto é que ninguém é neutro naquilo que Deus está fazendo.
Quando Deus começa a agir, nós somos colocados diante de uma escolha. Não existe meio-termo. Ou nós somos trabalhadores daquilo que Deus está realizando no nosso tempo, ou — mesmo em silêncio — nos tornamos opositores da Sua obra.
A neutralidade é uma ilusão perigosa, afinal, quem pensa ser neutro, pensa não estar fazendo nada demais. Porém, quem não ajuda a construir, enfraquece a construção. Quem não estende as mãos, pesa como um fardo. Quem não se move com Deus, se levanta contra Deus. E é o próprio Jesus que diz: “Aquele que não está comigo, está contra mim; e aquele que comigo não ajunta, espalha.” (Mt 12.30).
O texto é claro: Deus chama Zorobabel, chama Josué e chama todo o povo. Ninguém foi deixado de fora. Ninguém teve o direito de assistir de longe. Veja o que diz Ageu 02.04:
Haggai 2:4 NVI
“Coragem, Zorobabel”, declara o Senhor. “Coragem, sumo sacerdote Josué, filho de Jeozadaque. Coragem! Ao trabalho, ó povo da terra!”, declara o Senhor. “Porque eu estou com vocês”, declara o Senhor dos Exércitos.
Aqui Deus não chamou alguns. Deus chamou todos. Zorobabel, como liderança civil. Josué, como liderança espiritual. E o povo, como o corpo vivo da obra. Não era tempo de discursos. Não era tempo de saudosismo. Era tempo de trabalho.
Em Esdras, quando o relato da reconstrução é descrito, vemos isso com clareza: todo o povo se envolvia. Cada tijolo carregado, cada madeira assentada, cada parede levantada era fruto da ação coletiva. Não havia espaço para críticos de plantão. Não havia espaço para nostálgicos paralisados.
Havia apenas duas posições possíveis: quem constrói, e quem atrapalha. E o mesmo é verdadeiro hoje! Se nos calamos, se nos ausentamos, se apenas assistimos à distância, já estamos escolhendo um lado. E não é o lado da edificação.
A escolha é clara: ou somos trabalhadores na construção do Reino de Deus ou estamos, silenciosamente, ajudando a derrubar o que Ele está edificando. Não há neutralidade. Em tempos de reconstrução, ou você constrói ou você destrói.

A Verdadeira Glória

E o último ponto é a promessa que Deus faz. Qual promessa?A promessa que nós encontramos em Ageu 02.09:
Haggai 2:9 NVI
“A glória deste novo templo será maior do que a do antigo”, diz o Senhor dos Exércitos. “E neste lugar estabelecerei a paz”, declara o Senhor dos Exércitos.
Note que essa promessa não é feita diante de um templo já reconstruído, mas sim diante de um local de ruínas. Entre o capítulo 1 e o capítulo 2 se passam apenas poucos dias, então não há muita diferença em como o canteiro de obras do templo se encontra. Aqueles que estavam ali, vendo o estado daquele lugar, podiam já visualizar que, comparado ao primeiro templo, esse segundo não seria nada. Não tinha esplendor, não tinha tamanho, não tinha as riquezas.
Porém, a promessa de Deus vai muito além daquilo que os olhos humanos podem enxergar. O que Deus prometeu ao Seu povo é uma Glória maior do que a Glória que o primeiro templo teve.
A Bíblia nos conta não apenas da grandiosidade, da beleza e da riqueza do templo de Salomão, mas também da manifestação visível da Glória de Deus quando o primeiro templo foi inaugurado. A Glória do Senhor invadiu aquele templo, o primeiro templo, de tal forma que se manifestou como uma nuvem, e os sacerdotes não puderam ficar de pé diante da Sua presença (1 Rs 08.10-11). A glória de Deus foi visível, tangível e poderosa.
Agora, a promessa de Deus para esse segundo templo, que ainda estava sendo reconstruído, era de que ele receberia uma Glória ainda maior. No entanto, ao refletirmos sobre essa promessa, algo deve nos chamar a atenção:embora Deus tenha prometido uma glória maior, em nenhum momento da história do Antigo Testamento vemos isso acontecer de forma visível e concreta.
Pelo contrário, com o passar dos anos, a expectativa ainda era de que a Glória prometida se manifestaria naquele templo, mas o que vemos é um templo mais simples, menor, com menos recursos, sem o brilho e sem a Glória do primeiro.
Passaram-se os anos e a Glória não foi vista. Durante o período interbíblico, Jerusalém foi invadida, o templo foi profanado, e a Glória de Deus ainda não foi manifesta.
Quando o Império Romano tomou o controle sobre Jerusalém — e aqui já estamos prestes a iniciar o nosso Novo Testamento — o imperador nomeou um rei para governar a região e evitar rebeliões. Esse rei foi Herodes, e, em um esforço para agradar o povo e ganhar aceitação, Herodes decidiu pegar aquele templo de Zorobabel — o templo que recomeçou a reconstrução em Ageu — e tornou ele mais grandioso, mais ornamentado, mais rico em detalhes, mais imponente.
Contudo, mesmo com todas essas melhorias, não existe relato algum de que a Glória do Senhor visitou aquele templo na sua reinauguração. Muitas pessoas poderiam, então, se questionar: “Será que a promessa de Deus, que vai além do que os nossos olhos podem ver, se cumpriria algum dia?” E a resposta é: sim, a promessa de Deus se cumpriu!
Mas a Glória de Deus não se manifestou na grandiosidade do templo. A Glória de Deus não se manifestou na sua beleza, nem na sua riqueza, nem no quanto de ouro havia, ou na quantidade de pessoas que visitavam aquele templo. A Glória de Deus não foi manifesta como fenômenos sobrenaturais, como uma nuvem de Glória ou qualquer outra manifestação semelhante. A Glória prometida por Deus se cumpriu de maneira completamente diferente. E isso nós vemos em Lucas 02:
Ler:
Luke 2:21–32 NVI
Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor (como está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino será consagrado ao Senhor”)e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: “duas rolinhas ou dois pombinhos”. Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, que era justo e piedoso, e que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, ele foi ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para lhe fazerem o que requeria o costume da Lei, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo. Pois os meus olhos já viram a tua salvação, que preparaste à vista de todos os povos: luz para revelação aos gentios e para a glória de Israel, teu povo”.
E é aqui, no mesmo templo que Zorobabel reergueu, no mesmo templo que Herodes ampliou e enriqueceu, que finalmente a Glória de Deus se manifestou.Só que essa Glória não se manifesta na grandiosidade do templo, nem pela beleza do edifício; ela se manifesta de maneira corpórea na presença de Jesus, o Filho de Deus que veio habitar entre nós.
Sabe o que isso nos ensina a respeito no nosso momento como igreja e sobre as nossas vidas em geral? Que devemos parar de esperar que a Glória de Deus será revelada e que a promessa de Deus se cumprirá da maneira como nós queremos. Devemos parar de esperar que o templo volte a ser como foi no passado. Devemos parar de esperar que a igreja seja aquilo que um dia já foi. Devemos entender que para cada novo tempo, Deus tem uma nova glória.
A maior glória que Deus tem para nos entregar e que Ele nos promete não está nos grandes feitos extraordinários, nas megaestruturas ou nos fenômenos sobrenaturais. A maior glória que Deus nos oferece está na presença do Seu Filho, Jesus.
Mais do que moveres sobrenaturais, mais do que templos com área VIP, estacionamentos lotados e equipes enormes, a verdadeira glória que nos foi prometida para esse tempo é Jesus em nosso meio (e esse é o meu trato que faço com a igreja! — “Pode não haver manifestação no próximo culto, mas certamente terá Jesus!”).
A reconstrução pode não estar concluída. As coisas podem não parecer como um dia elas foram. O culto pode não ser como um dia ele foi. O pastor pode não ser o mesmo. A esposa pode não ter a mesma aparência do namoro. O marido pode estar barrigudo e careca agora. O serviço pode ser diferente desde quando você iniciou. Mas existe algo que não muda:
Ler:
Hebrews 13:8 NVI
Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.
Tudo muda. Tudo passa. Mas Jesus permanece o mesmo. E isso é a garantia que não é o fim, mas apenas o início do cumprimento da promessa de Deus.
Que Deus nos ajude a compreender essa verdade. Que Ele tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 27 de abril de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Sede-Noite)
Por Alex Amaral
Soli Deo Gloria
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