Como a falta de fé deforma o coração - Parte 2

A fidelidade de Deus na redenção  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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1. A falta de fé torna o coração individualista e insensível
Rute 1.8–13 “8 disse-lhes Noemi: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os que morreram e comigo. 11 Porém Noemi disse: Voltai, minhas filhas! Por que iríeis comigo? Tenho eu ainda no ventre filhos, para que vos sejam por maridos? 12 Tornai, filhas minhas! Ide-vos embora, porque sou velha demais para ter marido. Ainda quando eu dissesse: tenho esperança ou ainda que esta noite tivesse marido e houvesse filhos, 13 esperá-los-íeis até que viessem a ser grandes? Abster-vos-íeis de tomardes marido? Não, filhas minhas! Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a sua mão.
Quando olhamos para o discurso de Noemi na tentativa de dissuadir Orfa e Rute de acompanhá-la, em um primeiro momento temos a tendência de analisar suas palavras como uma demonstração profunda de bondade e piedade. No entanto é preciso cuidado. O quadro geral nos apresenta uma mulher que sorve de seu próprio coração sentimentos profundos de vazio e amargura. A demonstração de amor, piedade e bondade em circunstâncias como essas não é impossível, no entanto é difícil. Considerando essas e outras questões há um certo número de estudiosos que longe de considerar as palavras ditas entre os v.8-13 como um agir piedoso e abnegado de Noemi, o categorizam como a expressão de um coração ferido, individualista e insensível às necessidades daqueles que estão à sua volta. E há alguns indicativos no texto que apontam para essa compreensão:
a) mesmo em um argumento que pretende enfatizar a possível felicidade de Orfa e Rute, Noemi fala muito a respeito de si. Percebam que a síntese do argumento se estabelece em primeira pessoa: Não venham comigo porque eu não tenho filhos, sou velha e portanto, não tenho esperança de casar, estou amarga por saber saber que vocês sofrem comigo. Não podemos negar que Noemi de fato se preocupe com suas noras, mas embora seus argumentos possam ser considerados lógicos, eles também demonstram uma pessoa que se preocupa muito consigo mesma;
b) Noemi não demonstra a mesma disposição benevolente que Orfa e Rute demonstraram para com ela até o momento. As palavras de Noemi no v. 8 constituem um tipo de oração a Deus em favor de Orfa e Rute. É interessante notar que ela usa o nome da Aliança, YHWH e roga que Ele retribua a bondade de ambas com o seu próprio חֶ֫סֶד (ḥéṣed) pactual. De fato essa é uma oração sensata, mas não se assemelha à fidelidade das noras demonstradas até o momento. Seguida das tentativas consecutivas de fazer com que elas permaneçam em Moabe, a oração de Noemi em favor de ambas era uma forma suavizada de dizer: Que Deus as abençoe e seja leal, bondoso e fiel com vocês, porque eu não posso ser. Os motivos para esse tipo de comportamento podem ser diversos, desde uma percepção muito negativa da vida que não vê de fato qualquer solução de restauração, até a vergonha e o temor do escandâlo que seria retornar viúva e com duas moabitas para Belém, seja qual for o caso, não há justificativas plausíveis para isso.
c) Noemi não religiosamente insensível com Orfa e Rute. Qual é a maior demonstração de amor que podemos dar a uma pessoa? O esforço e o empenho em conduzí-la a Deus para que ela seja salva. Um coração amargurado e deformado pela falta de fé, no entanto, não consegue proceder dessa maneira. Embora em suas palavras Noemi declare que Deus é benevolente e abençoa o homem, na prática ela empurra suas noras para longe do Senhor, pois, Moabe é uma terra idólatra. Os moabitas não adoravam Quemos, uma divindade horrenda a quem os pagãos sacrificavam seus filhos. Então embora rogue o nome e a fidelidade de Deus sobre suas noras, na prática Noemi se demonstrou religiosamente insensível com elas, encomendando-as de volta ao seu povo e aos seus costumes idólatras, em vez de argumentar em favor de que elas a seguissem e se tornassem formalmente parte do povo de Deus.
Em síntese, o que encontramos aqui é o retrato de um coração que está cansado pela dor, mas e mais importante, o coração está também deformado e obscurecido pela incredulidade. Quando a fé esmorece , o homem não consegue enxergar a graça e a bênção de Deus nas provações e passa a olhar apenas para si. Foi o que aconteceu com Noemi. Suas palavras, embora dotadas de um certo grau de ternura, acabam por revelar um amor autocentrado, uma piedade voltada à autopreservação e uma insensibilidade espiritual que a impede de reconhecer o agir gracioso do Senhor. A incredulidade não apenas enfraquece a esperança, mas endurece o coração — tornando-o individualista e cego à fidelidade divina. Um coração sem fé perde a capacidade de conduzir outros a Deus, enquanto a verdadeira fé liberta o homem de si mesmo e o faz agir com o mesmo חֶ֫סֶד (ḥéṣed) que recebeu do Senhor.
2. A falta de fé torna o coração ressentido e amargurado
Rute 1.13–22 “13 ...Porque, por vossa causa, a mim me amarga o ter o Senhor descarregado contra mim a sua mão. 19 Então, ambas se foram, até que chegaram a Belém; sucedeu que, ao chegarem ali, toda a cidade se comoveu por causa delas, e as mulheres diziam: Não é esta Noemi? 20 Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara, porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso. 21 Ditosa eu parti, porém o Senhor me fez voltar pobre; por que, pois, me chamareis Noemi, visto que o Senhor se manifestou contra mim e o Todo-Poderoso me tem afligido? 22 Assim, voltou Noemi da terra de Moabe, com Rute, sua nora, a moabita; e chegaram a Belém no princípio da sega da cevada.”
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