Exposições em Gálatas - Sermão 10: As boas novas da Trindade

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Introdução

Hoje, muitas igrejas pelo mundo estão lotadas de pessoas que ainda vivem escravizadas por por filosofias e ordenanças. Ouvem e proclamam o “não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro” de Cl 2.21, ou o “permaneçamos no pecado, para que a graça superabunde” de Rm 6.1. Vivem assoladas pelo controle e o medo de um falso evangelho imposto por lobos que encontram-se no aprisco do Senhor, ou imposto por elas mesmas através dos seus desejos pecaminosos.
Essas pessoas esqueceram-se ou ainda não foram verdadeiramente alcançadas pelas boas novas da Trindade. Esqueceram-se ou ainda não receberam o tesouro conquistado pela obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Na verdade, deturpam o caráter do Pai, profanam a obra do Filho e, muitos, nem mesmo lembram do Espírito Santo.
Esquecem-se que o evangelho é um toque suave e amoroso da Trindade em nossa história e, por isso, algumas vivem aprisionadas às correntes do mundo e outras, em um estado de muito maior peso, livres, sentem saudades dessas correntes.

Contexto imediato

Quando olhamos para o nosso texto, Paulo inicia um novo argumento com o termo “Digo, pois”, que poderia ser traduzido também como “quero dizer”, “deixe-me colocar isso desta maneira”, ou seja, Paulo está deixando claro que irá agorá fazer uma progressão do argumento que nos entregou nos últimos versículos de Gl 3; não trata-se de um argumento redundante, mas um argumento novo que reforçará a superioridade do evangelho aos caminhos que estavam sendo apresentados pelos falsos profetas aos irmãos da Galácia. A Palavra de Deus é viva, perfeita e eficaz, de modo que nenhuma palavra nela manifesta possui é redundante em si mesma, todas possuem utilidade para nosso “ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17).
Entretanto, precisamos trazer a memória o argumento anterior para nos ser por pano de fundo do que o apóstolo nos declara agora. Até então, Paulo nos trouxe que antes da revelação de Cristo, todos estávamos sob a escravidão do pecado e da tutela da Lei, que, como um tutor rigoroso, apenas revelava nossa incapacidade e necessidade de um Redentor. A Lei teve o papel de conduzir-nos até Cristo, apontando para a fé que nos justificaria.
Quando a fé veio, fomos libertos dessa tutela e recebemos uma nova identidade: Deus nos adotou como filhos e nos revestiu de Cristo, dando-nos maturidade espiritual, nova natureza e herança eterna. Agora, em Cristo, não há distinção entre povos, classes ou gêneros, pois todos somos um só corpo e uma só família. Assim, Paulo nos chama a abandonar a religiosidade superficial, viver como filhos amadurecidos guiados pelo Espírito e expressar nossa filiação por meio de amor, unidade e santidade, como verdadeiros herdeiros da promessa feita a Abraão.
Paulo, agora, parece tirar os nossos olhos dos efeitos maravilhosos e libertadores do evangelho em nossas vidas, e nos direcionar para o Autor e Consumador do evangelho, para que ninguém ache que a condução e tutela que a lei nos dá para Cristo seja um tipo de guia que nos ensina e andamos com nossos próprios passos e escolhas até Cristo, mas que tudo é decretado, executado e consumado pelo próprio Deus.

Divisão do texto

Gálatas 4.1-3 - A predestinação do Pai
Gálatas 4.4-5 - O serviço do Filho
Gálatas 4.6-7 - A consolação do Espírito

A predestinação do Pai (Gálatas 4.1-3)

Gálatas 4.1–2 ARA
Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai.
Paulo evoca para nós, novamente, a analogia da menoridade legal associada ao período que estávamos debaixo do julgo da lei, ou seja, que a fé em Cristo Jesus ainda não havia sido manifesta. Mas agora ele adiciona dois fatores que apontam para a predestinação que temos determinada por Deus.
O primeiro fator, é que Paulo, em sua analogia, nos trata como herdeiros. Em sua analogia, o entendimento não é que a filho antes da maioridade é escravo e, depois da maioridade, se torna herdeiro; mas, sendo “herdeiro” e “senhor de tudo”, encontra-se sujeito à lei, aos “rudimentos do mundo”, tal qual um escravo que vive aprisionado às correntes de alguém, cuja subsistência e finalidade é determinada por outra pessoa.
Paulo está dizendo que, apesar de outrora nossa vida estar sujeita à tutela da lei e nossa herança estar guardada pela curadoria da lei, Deus já possuía um plano para aqueles que Ele escolheu como seus herdeiros, para o seu povo santo e escolhido. Aqui, há liberdade anunciada pelo evangelho, que desde antes da fundação do mundo, já éramos tidos por herdeiros do nosso Pai Celestial.
O plano de redenção do Deus Criador não foi um plano B, mas um plano soberano de eterno amor que foi estendido a todos aqueles que Ele escolheu antes da fundação do mundo. Isso deve nos trazer a segurança, paz e pleno senso de liberdade santificadora manifesta em Ef 1.4-5:
Efésios 1.4–5 ARA
assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade,
Paulo, ainda em sua analogia, no versículo Gl 4.2, apresenta o segundo fator que aponta para a predestinação de Deus, visto que aplica à chegada da nossa maioridade espiritual um tempo predeterminado pelo pai. Na lei romana fixava uma idade para a maioridade legal, mas o pai possuía o direito de definir qual idade a criança seria liberta de seus tutores e curadores. De igual modo, Deus reservou um tempo predeterminado para que, na história da humanidade (pela vinda do Cristo) e na nossa história (pela fé nEle), a nossa maioridade espiritual viesse.
Em suma, Paulo está dizendo que tanto nossa filiação a Deus, quanto nossa maioridade espiritual não são definidas pelas nossas ações ou obras, ou por qualquer intervenção humana, mas pelo próprio Deus.
Gálatas 4.3 ARA
Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo;
Agora, Paulo aplica a analogia nos versículos Gl 4.1-2 àqueles que deixaram a menoridade espiritual para trás. Ele usa dois verbos, “éramos” e “estávamos”, para deixar claro que a sua condição não é mais de menoridade espiritual e, consequentemente, seu estado não é mais de escravidão dos “rudimentos do mundo”. Mas o que seriam os rudimentos do mundo aos quais o apóstolo se refere? O texto paulino de Cl 2.20-23 nos ajuda a compreender:
Colossenses 2.20–23 ARA
Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.
Paulo está se referindo à escravidão de todo o trabalho que temos para, em vão, tentar nos livrar do medo que manifestamos desde a queda. São todos os atos com os quais, como as folhas de figueira cozidas de Gn 3.7, tentamos, por nós mesmos, cobrir o nosso pecado, mas que não são eficazes para isso, e por isso continuamos nos escondendo como o homem na queda.
Gênesis 3.7 ARA
Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si.
Gênesis 3.10 ARA
Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi.
Paulo está dizendo que éramos desde a queda escravos desse medo e das filosofias e tradições humanas com as quais tentávamos, em vão, cobrir a nossa pecaminosidade, porém, sem efeito para perdermos o medo do Deus que é Santo, Santo, Santo, porque não promovem a santificação, nos escravizam, enganam e promovem a idolatria de falsos deuses e de si mesmo.
O que Paulo diz aqui é que o tempo predeterminado por Deus Pai já veio e por isso, não somos mais menores, nem estamos mais na condição de escravos desses rudimentos e do medo ao qual eles nos direcionam.

O serviço do Filho (Gálatas 4.4-5)

Gálatas 4.4 ARA
vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
É esse tempo predeterminado ao qual Paulo se refere como a “plenitude do tempo”. Muitos tentam entender quais critérios que definem a plenitude do tempo, como por exemplo a Pax Romana, o grego como uma língua universal, uma maior facilidade de propagação de mensagens e viagens etc. Porém, não podemos perder de vista o que vimos nos versículos anteriores que o tempo da maioridade é predeterminado apenas pelo Pai. A plenitude do tempo não fala tanto sobre os critérios de acontecimentos, mas pelo próprio toque do Filho de Deus em nossa história. Foi a vinda do Filho de Deus que mostrou que tudo que deveria acontecer, toda a revelação e ação divina na história havia consumado a preparação para a vinda de Jesus.
Se Deus Pai nos predestinou para a maioridade, foi Jesus Cristo, Seu Filho, quem a consumou na história do povo de Deus, na plenitude do tempo, e em nossa história, quando a fé nos foi entregue.
Quando Paulo diz que “Deus enviou seu Filho”, ele está deixando claro que Jesus é Deus, tanto porque antes de ser nascido, Ele era a ponto de poder ser enviado, quanto porque atribui a Ele o status de Filho de Deus. Mas não para por aí, ele declara que Ele também se esvaziou quando foi enviado pelo Pai; da mesma forma que Ele é Deus, Ele também é Homem, nascido de mulher, o filho da promessa de Gn 3.15 que foi enviado para esmagar a cabeça da serpente, e nascido sujeito à mesma lei que nos aprisionava.
Cristo precisava ser divino para que o seu sacrifício tivesse o valor infinito para nos redimir da culpa infinita dos nossos pecados contra o Deus que é infinitamente Santo. A pergunta que fica é: para que o Filho de Deus foi enviado em esvaziamento de si mesmo como Homem? Paulo responde no versíuclo seguinte.
Gálatas 4.5 ARA
para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.
Paulo agora nos diz Jesus foi enviado para executar a missão da predestinação libertadora da maioridade espiritual daqueles que foram predestinados pelo Pai. Foi enviado pelo Pai para servir no resgate daqueles que estavam escravizados pela lei. Cristo se esvaziou como homem, nascido de mulher, adentrando o nosso cárcere da lei, fazendo-se nascido sujeito à mesma lei e, não sendo escravizado por ela, mas a obedecendo por completo até a morte na cruz, nos trouxe a liberdade.
Filipenses 2.7–8 ARA
antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.
Paulo ainda diz em Rm 5.18-19:
Romanos 5.18–19 ARA
Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.
Nós entendíamos que para sermos sermos salvos da ira de Deus e libertos do medo, precisávamos cozer folhas de figueira, ou seja, obedecer perfeitamente a lei e quaisquer acréscimos humanos; mas Deus nos mostra que isso não tem eficácia para cobrir o nosso pecado e nos libertar do medo. Porém, Ele mesmo executou o sacríficio que foi eficaz para nos dar as vestes que cobriram o nosso pecado e nos libertaram do medo de uma vez por todas, o sacrifício do Seu Filho, Jesus Cristo, Filho de Deus, enviado por Ele, nascido de mulher e nascido sob a lei.
Gênesis 3.21 ARA
Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu.
Outro dia, a caminho do trabalho, enquanto o transporte passava por uma feira, vi e ouvi um senhor cantar: “Foi na cruz, foi na cruz, onde um dia eu vi, meu pecado castigado em Jesus.” O curioso é que as pessoas passavam por ele como se nada relevante estivesse sendo dito. Aquelas pessoas caminhavam cativas, enquanto diante delas ecoava a maior de todas as notícias, a notícia que poderia libertá-las de todas as correntes do pecado. A mensagem de liberdade aguardada desde a queda estava sendo proclamada, mas era tratada como algo banal. Continuavam suas vidas ordinárias, buscando libertação em suas próprias “folhas de figueira cozidas”: prazeres que anestesiam a culpa, moralismos que mascaram a miséria do coração ou qualquer outro rudimento do mundo que promete liberdade, mas apenas reforça a escravidão.
Alguém poderia dizer: “Bem, mas o ímpio não crê no que estava sendo cantado; por isso, não deu o devido valor ao evangelho.” É verdade, talvez aquelas pessoas não estejam entre os herdeiros escolhidos, ou talvez ainda não tenha chegado o tempo determinado por Deus para a sua maioridade espiritual. Mas e quanto a nós, que já alcançamos essa maioridade, que fomos libertos dos grilhões da lei e introduzidos na liberdade dos filhos de Deus? Quantas vezes também nós ouvimos, cantamos ou lemos a mensagem da cruz como se fosse algo comum, esquecendo que ela é a maior notícia de alegria desde o nosso novo nascimento? Quantas vezes vivemos voltados apenas para o aqui e agora, como se ainda estivéssemos acorrentados aos rudimentos do mundo — buscando liberdade em nossas obras, em nossos méritos ou nos prazeres que o mundo oferece?
Meus irmãos, Jesus Cristo nos retirou do cárcere da escravidão das ordenanças e filosofias com as quais em vão achávamos que poderíamos ser salvos, e nos entregou à liberdade de sermos chamados filhos de Deus, pela adoção. Mas como Ele, ao nos libertar e salvar, nos faz filhos de Deus pela adoção?

A consolação do Espírito (Gálatas 4.6-7)

Gálatas 4.6 ARA
E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!
A obra de Deus sempre é completa e boa; assim como o foi na criação, é em todos os seus atos. Por isso, Paulo declara a continuidade do evangelho da Trindade e nos diz que, da mesma forma que Deus enviou Seu Filho para nos resgatar do cárcere dos rudimentos do mundo, recebemos a adoção de filhos e Ele nos envia o Espírito do Seu Filho para que nos revistamos dEle e vivamos segundo Ele. Deixamos para trás a vida segundo o espírito desse mundo, segundo o qual vivíamos segundo seus rudimentos, e passamos a viver segundo o Espírito de Cristo como verdadeiros filhos de Deus.
Na sequência da epístola, Paulo vai declarar que por termos recebido o Espirito do Filho de Deus, devemos frutificar segundo o caráter do Filho de Deus. Além disso, quando voltamos aos evangelho, quando Jesus declara que irá ao Pai para que o Espírito Santo seja enviado, Ele o chama de “Consolador”, que possui o sentido de alguém que conforta, consola, ensina, fortalece, mas também possui o sentido de Advogado ou Intercessor. Deus envia o Espírito Santo também para que possamos ser defendidos quando pecamos e nos arrependemos e também no combate aos juízes que tentam nos impor novamente os rudimentos do mundo. Temos um Advogado que contrapõe o árbitro de Cl 2.18:
Colossenses 2.16–18 ARA
Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo. Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal,
Mas aqui, o apóstolo nos declara uma outra aplicação para termos recebido o Espírito Santo de Deus, uma aplicação voltada à pessoalidade de Deus para conosco: ele diz que o Espírito Santo clama, em nossos corações, “Aba, Pai”. O termo “Aba”, significa, em aramaico, pai. Entretanto, é importante dizer que esse termo era em geral usado com um tom de intimidade no relacionamento entre um filho e seu pai humano, sendo que nas pouquíssimas vezes vemos judeus nas escrituras se direcionando a Deus como “Aba”, isso traz consigo o sentido de um Pai do povo de Israel. A primeira vez que vemos um judeu utlizar esse termo de forma íntima e pessoal em relação a Deus, é quando vemos Jesus orar:
Marcos 14.36 ARA
E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
Esse tipo de oração jamais era feita pelos judeus ao se direcionarem a Deus; sempre usavam termos como “Senhor do Universo”, “Rei do mundo”, “Deus de nossos pais”, mas nunca o termo que usavam em sua intimidade com seus pais terrenos. O que Paulo está dizendo que a obra de Cristo nos torna filhos de Deus, pela a adoção, enquanto o Espírito Santo de Deus testifica de nossa filiação clamando a Deus em nossos corações como “Aba, Pai”; isso significa, que, agora, em Cristo e pelo Seu Espírito em nossos corações, Deus não é apenas Pai do povo, mas “meu Pai”; não é um Deus distante, mas Emanuel, Deus conosco, próximo e presente em todos os momentos.
Pelo Espírito Santo de Deus, nós, que pela presença do pecado e, principalmente, quando assolados por ele, não sabemos ter intimidade com Deus, temos acesso total a Deus e agora temos, em nossa fraqueza, alguém que clama e intercede por nós ao Pai com gemidos inexprimíveis, mesmo quando nossas :
Romanos 8.26–27 ARA
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.
O nosso pecado não deve nos levar a nos esconder do Pai, ou mesmo evitarmos a intimidade com Ele; isso seria viver como se não fôssemos seus filhos, seria como voltar a viver sob os rudimentos do mundo. Pelo contrário, o Espírito Santo nos exorta ao arrependimento e mesmo que não saibamos nos aproximar e orar a Deus em pedido de perdão, o Espírito clama por nós ao Pai e advoga em nosso favor.
Gálatas 4.7 ARA
De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus.
A suma, o portanto final desse argumento é que, pelo evangelho da Trindade, pela predestinação do Pai, pelo serviço do Filho e pela Consolação do Espírito, nós não somos mais escravos e não devemos agir como tal; somos filhos e, como herdeiros de Deus, devemos viver livres segundo o Espírito dAquele que nos libertou do reino das trevas para reino do Filho do Seu amor.

Conclusão e aplicações

Meus irmãos, a fé cristã não é um sistema moral, nem uma filosofia de libertação, é o próprio Deus se inclinando a nós em amor. O evangelho não é apenas uma notícia sobre o que aconteceu há dois mil anos, mas o toque contínuo e pessoal da Trindade em nossa história. O Pai nos elegeu em amor, o Filho nos libertou em serviço e o Espírito habita em nós como Consolador e Advogado. Esquecer essa verdade é voltar às correntes dos rudimentos do mundo, é viver como se fôssemos escravos, quando já fomos feitos filhos.
Quando foi a última vez que você experimentou a pessoalidade de Deus? Quando seu coração foi tomado pela certeza de que o Deus Santo, Criador de todas as coisas, é também o seu Aba, que o ouve, o perdoa, o guia e o consola? Quantas vezes, ao cantar “eu nunca saberei o preço dos meus pecados lá na cruz”, você realmente se lembrou por que nunca saberá esse preço? Porque jamais sentiremos a angústia, o peso e a dor da ira de Deus que Cristo carregou por nós em completa obediência. Ele sofreu o que nós não suportaríamos nem por um instante, para que hoje pudéssemos clamar: “Aba, Pai!”
No entanto, quantas vezes, mesmo conhecendo esse evangelho, o tornamos vão? Quantas vezes vivemos como se ainda estivéssemos sob a lei, buscando libertação em nossas obras, ou como se ainda fôssemos órfãos, com medo de chamar Deus de Pai? Mas o Espírito Santo, o mesmo que habita em nós, não se cala. Ele clama dentro de nós, mesmo quando o pecado nos enfraquece e a culpa tenta nos calar, lembrando-nos de que pertencemos ao Pai e somos livres em Cristo.
Viver sem lembrar da ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo é retroceder à escravidão dos rudimentos do mundo. Mas viver conscientes do evangelho da Trindade é andar em liberdade, paz e contentamento — porque sabemos que o Deus que começou a boa obra em nós há de completá-la.
Assim como o Pai determinou o tempo perfeito para a vinda do Seu Filho, Ele também determinou o tempo perfeito para a nossa glorificação. Enquanto esse tempo não chega, vivamos com alegria e confiança a liberdade dos filhos de Deus, desfrutando da comunhão com o Pai que nos escolheu, com o Filho que nos resgatou e com o Espírito que habita em nós. Que a nossa vida seja um testemunho vivo de que já não somos escravos, mas filhos e herdeiros de Deus, para louvor da Sua glória.
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