Joel - O derramar do Espírito

Doze Profetas e um Silêncio  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented   •  46:53
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Sermão expositivo sobre o livro de Joel, ambientado no reinado de Joás sob a tutela de Joiada. A praga de gafanhotos é interpretada como juízo divino e prenúncio da invasão babilônica, culminando na promessa do derramamento do Espírito em Atos 2. Mostra que a verdadeira restauração ocorre quando o Espírito Santo transforma corações arrependidos.

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Estrutura do Sermão

Introdução
História real de uma intensa geada no Paraná conhecida por “Geada Negra” em 1975 que devastou os cafezais do estado
Desenvolvimento (Problema - Solução - Resultado)
1) A Ilusão da Autossuficiência Humana
2) O Arrependimento Genuíno Cura a nossa Autossuficiência
3) O Derramar do Espírito Traz a Verdadeira Restauração
Conclusão
Chamado para o arrependimento e transformação pelo Espírito Santo

INTRODUÇÃO [SLIDE 02]

Por décadas o estado do Paraná ficou conhecido como o “celeiro do ouro verde”.
Suas terras férteis e clima favorável produziam tanto café que o estado sozinho era um dos maiores produtores do mundo.
A vida dos paranaenses girava em torno da lavoura do café — o trabalho, a economia e até as tradições estavam ligados a ela.
Mas, na madrugada de 18 de julho de 1975, algo terrível aconteceu que mudou totalmente este cenário
Uma massa de ar polar desceu sobre o todo o estado, algo inédito até aquele momento
A geada foi tão intensa, gelada e seca, que não apenas congelou as folhas, mas as queimou, matando milhões de pé de café
Lavouras inteiras queimadas pela intensa geada
Este evento ficou conhecido como a “Geada Negra de 1975”
Testemunhas da época relatam que a paisagem antes verdejante se transformou em um "cenário fúnebre"
A safra de café do ano seguinte foi quase completamente perdida
A produção do estado, que era massiva, caiu para insignificantes 0,1% da produção nacional na temporada seguinte
Estima-se que cerca de 2,6 milhões de pessoas deixaram o campo em busca de sobrevivência nas cidades
As cidades paranaenses não estavam preparadas para receber esse enorme contingente de pessoas
O que gerou um crescimento urbano desordenado e grandes problemas sociais e econômicos
Imagine se isso acontecesse aqui em nossa cidade? (essencialmente agrícola)
Estou dizendo isso para levar você diretamente para os dias do profeta Joel
Para você sentir na pele aquilo que o profeta sentiu
Uma praga de gafanhotos devastou as plantações, destruiu a economia e mergulhou o povo num desespero coletivo.
O que fazer diante de um cenário tão trágico assim?
Joel enxergou além da tragédia
Ele percebeu que por trás da catástrofe natural/material havia algo ainda pior, a morte espiritual de seu povo
Deus estava chamando para o arrependimento e restauração

TEXTO BASE Joel 1:4-9

Joel 1.3–9 NVI
3 Contem aos seus filhos o que aconteceu, e eles aos seus netos, e os seus netos, à geração seguinte. 4 O que o gafanhoto cortador deixou, o gafanhoto peregrino comeu; o que o gafanhoto peregrino deixou, o gafanhoto devastador comeu; o que o gafanhoto devastador deixou, o gafanhoto devorador comeu. 5 “Acordem, bêbados, e chorem! Lamentem-se todos vocês, bebedores de vinho; gritem por causa do vinho novo, pois ele foi tirado dos seus lábios. 6 Uma nação, poderosa e inumerável, invadiu a minha terra, seus dentes são dentes de leão, suas presas são de leoa. 7 Arrasou as minhas videiras e arruinou as minhas figueiras. Arrancou-lhes a casca e derrubou-as, deixando brancos os seus galhos. 8 “Pranteiem como uma virgem em vestes de luto que se lamenta pelo noivo da sua mocidade. 9 As ofertas de cereal e as ofertas derramadas foram eliminadas do templo do Senhor. Os sacerdotes, que ministram diante do Senhor, estão de luto.

PROLOGO [SLIDE 03]

O livro do profeta Joel nos dá poucas informações em relação ao seu momento histórico
A única informação pessoal do profeta Joel é que ele é filho de Petuel
O consenso teológico é que ele esteja situado no reinado do jovem Joás, sob orientação espiritual do sacerdote Joiada
Por quê? [se houver tempo]
Nenhum nome de rei é citado, subentende-se que não havia nenhum rei no poder
Joás é uma criança (7 anos) filho de Acazias (mãe Atalia) ==> Regência de Joiada
Joiada restaurou o templo, reorganizou o culto e as ofertas, e conduziu Judá de volta à adoração a Deus.
O povo desfrutava de prosperidade agrícola e consequentemente econômica.
Joiada morre e Joás (20-25 anos) se desvia, voltando-se a idolatria
Apesar da prosperidade econômica que Judá vivia a fé estava enfraquecendo
O povo se acomodava na religião, cumpria apenas os rituais
Dava o dízimo quando sobrava
Ia no culto quando dava
Orava quando se lembrava
Infelizmente são nos momentos de maiores prosperidade é que nos afastamos de Deus
Foi nesse cenário que a terrível praga de gafanhotos atingiu a terra de Judá
O verde dos campos desapareceu, os celeiros se esvaziaram e até as ofertas no templo cessaram.
Aquela catástrofe abalou o cotidiano e revelou algo mais profundo: Deus, apesar de esquecido pelo povo, ainda estava falando!
Joel foi levantado como profeta exatamente para relembrar para aquele povo que havia um Deus em Israel
Inclusive o próprio nome do profeta, no hebraico "Yo’el", significa “Yahweh é Deus"
É no livro de Joel que aparece pela primeira vez dois termos escatológicos muito importantes:
“Dia do Senhor”: se refere a um dia de Juízo Final de Deus sobre toda a humanidade
“Últimos Dias”: momentos que antecedem o “Dia do Senhor” onde o Espírito seria derramado sobre toda a carne
Mas é no Novo Testamento que estas expressões são descortinadas
O apóstolo Pedro nos revela quando começou os “Últimos Dias”
Atos dos Apóstolos 2.16–18 NVI
16 Ao contrário, isto é o que foi predito pelo profeta Joel: 17 “ ‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. 18 Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
Ou seja, os “Últimos Dias” se iniciaram quando o Espírito Santo foi derramado sobre todo aquele que crê em Jesus Cristo como o Messias, o Salvador
Já o “Dia do Senhor” é melhor abordado em Apocalipse
João é levado em Espírito para esse “Dia” e vai ser instruído a nos revelar todos os eventos que ele iria ver
Apocalipse 1.10–11 NVI
10 No dia do Senhor achei-me no Espírito e ouvi por trás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11 que dizia: “Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.
Resumindo, os “Últimos Dias” iniciaram em pentecostes e irá até a segunda vinda de Jesus, que é o “Dia do Senhor”

DESENVOLVIMENTO

1) A Ilusão da Autossuficiência Humana [SLIDE 04]

Temos uma facilidade perigosa de nos enganar achando que somos autossuficientes.
Criamos uma falsa sensação de que algumas coisas em nossa vida:
nosso emprego
nossos negócios
nossa saúde
nossa família
estão tão bem estabelecidas que nunca irão faltar.
Pensem no estado do Paraná antes de 1975, sua economia se baseava quase que unicamente no café => Monocultura Cafeeira
Se alguém, naquela época, dissesse que todos aqueles cafezais poderiam desaparecer de um dia para o outro, muitos dariam risadas
Mas bastou um único dia, uma geada intensa, para que tudo aquilo em que eles se apoiavam fosse perdido.
Assim também aconteceu nos dias de Joel
A agricultura prosperava, as colheitas eram fartas, e o povo confiava no trabalho de suas mãos.
Mas se esqueceram de algo fundamental:
A prosperidade não vinha da terra, mas de Deus
Era Deus que enviava a chuva e afastava as pragas (cortador - peregrino - devastador - devorador)
Malaquias 3.10–11 NVI
10 Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova”, diz o Senhor dos Exércitos, “e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las. 11 Impedirei que pragas devorem suas colheitas, e as videiras nos campos não perderão o seu fruto”, diz o Senhor dos Exércitos.
A autossuficiência os cegou.
De repente, os gafanhotos chegaram e devoraram os campos, as vinhas, as figueiras.
O 'vinho novo' e o 'óleo fresco', símbolos de alegria e sustento, foram retirados da boca do povo
Não sobrou um único broto de esperança
Mas o que Joel tenta falar para o seu povo era que essa tragédia era um sinal ainda maior de Juízo de Deus:
Joel 1.6 NVI
6 Uma nação, poderosa e inumerável, invadiu a minha terra, seus dentes são dentes de leão, suas presas são de leoa.
Aqui temos uma metáfora profética — Joel descreve os gafanhotos como se fossem um exército invasor, com disciplina, força e poder destrutivo.
Em outras palavras: a nação que invade é uma praga de gafanhotos usada por Deus como instrumento de juízo.
Possivelmente se referindo a invasão da Babilônia sobre o Reino do Sul/Judá séculos depois
Mas é no capítulo seguinte que a linguagem profética se intensifica:
Joel 2.1–2 NVI
1 Toquem a trombeta em Sião; dêem o alarme no meu santo monte. Tremam todos os habitantes do país, pois o dia do Senhor está chegando. Está próximo! 2 É dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e negridão. Assim como a luz da aurora se estende pelos montes, um grande e poderoso exército se aproxima, como nunca antes se viu nem jamais se verá nas gerações futuras.
A praga de gafanhotos, agora serve como sinal e ensaio de um Juízo ainda maior
Essa “nação” se torna símbolo de todos os inimigos de Deus e de Seu povo, culminando no juízo final das nações em Joel 3.
Joel mostra que Deus é soberano sobre a natureza e sobre as nações.
Se Ele pode usar os impérios humanos e seus exércitos como se fossem pequenos gafanhotos
Jesus nos avisa que na época de sua segunda vinda, o povo também estará gozando de prosperidade
Vivendo como se nada fosse mudar
Mas Jesus também usa uma metáfora profética, Ele diz que virá como um ladrão à noite, de forma inesperada e repentina
Assim como a Geada Negra e a praga dos gafanhotos pegaram o povo de surpresa
Jesus também chegara de surpresa, e com Ele, o Juízo
Surpreendendo aqueles que confiam na sua própria força
De surpresa para os que não colocam a sua fé em Jesus, mas não para a sua Igreja que O espera ansiosamente
Reflexão:
Em quem você coloca sua confiança/fé?
Nas obras das suas mãos? Que uma 'geada' inesperada ou uma praga qualquer pode destruir da noite para o dia?
Ou na obra que Jesus fez na cruz, que é indestrutível e ecoa para a Eternidade?

2) O Arrependimento Genuíno Cura a nossa Autossuficiência [SLIDE 05]

Diante da imagem de uma vida devorada pela autossuficiência
Joel aponta o caminho que Deus requer de nós
Ao invés de rituais vazios ou promessas fáceis, o que Ele pede é uma mudança radical, um retorno de todo o coração
Joel 2.12–13 NVI
12 “Agora, porém”, declara o Senhor, “voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto.” 13 Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, o seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se, e não envia a desgraça.
Nos dias de Joel, rasgar as vestes era um sinal público e visível de profunda angústia, tristeza ou luto
Contudo a fé do povo estava enfraquecendo; eles 'cumpriam os rituais', mas sem paixão, sem vida ==> falsa adoração
A religiosidade externa estava em dia, mas o coração estava longe de Deus
O culto estava lotado, a igreja era bem estruturada, mas havia pouco “Conhecimento de Deus”
O problema é que a autossuficiência nos leva a um ritualismo sem substância
A um cristianismo de aparência, um evangelho “instagramável”.
Deus está dizendo:
Eu não quero mais a sua encenação.
Não me interessa a sua expressão de choro no louvor apenas para a foto sair bonita e você publicar na rede social
Não é na aparência que eu busco, mas arrependimento genuíno, transformação interior, mudança de vida
Não é quem você é por fora, quem você é na “bio” do Instagram, mas quem você é por dentro
Rasgar as vestes é fácil, publicar uma foto com uma frase motivacional em baixo, é fácil, qualquer um pode fazê-lo
Mas rasgar o coração significa:
quebrar o orgulho
abandonar a autossuficiência
confessar o pecado
reconhecer a dependência total de Deus
Mas como é possível ter uma transformação tão profunda assim?
É como se Deus estivesse pedindo para que nós nascêssemos de novo

3) O Derramar do Espírito Traz a Verdadeira Restauração [SLIDE 06]

Na agricultura, de nada adianta ter a melhor semente do mundo se o solo não for bem preparado
Um solo duro, cheio de pedras e ervas daninhas, nunca produzirá uma boa colheita
É preciso arar, limpar, adubar
O arrependimento genuíno, o 'rasgar do coração', é exatamente isso: a preparação do solo da nossa alma
É dizer para Deus: “Estou pronto, eu reconheço que não sou autossuficiente. Preciso que o Senhor faça algo novo em mim.”
Mas um solo, por mais que esteja bem preparado, por si só, não gera vida
Ele precisa receber uma semente
Essa semente é a Palavra de Deus, que, através do poder/dínamus do Espírito Santo, gera transformação.
Nós não conseguimos ter um coração transformado através do nosso próprio esforço, não somos autossuficientes
E é essa a promessa de Deus que Joel nos traz:
Joel 2.28–29 NVI
28 “E, depois disso, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. 29 Até sobre os servos e as servas derramarei do meu Espírito naqueles dias.
E aqui, toda a profecia de Joel aponta para uma única pessoa
Quem torna possível a nossa restauração?
Por meio de quem o Espírito pôde ser derramado?
A resposta é Jesus Cristo
João Batista anunciou: 'Eu batizo com água para arrependimento (prepara o solo), mas... Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo (restauração).'
A promessa de Joel só se cumpriu no dia de Pentecostes porque Jesus morreu na cruz, pagando o preço pela nossa autossuficiência
É por causa da obra de Cristo que o Espírito Santo pôde ser derramado
Assim, a resposta para a devastação que as pragas do pecado causam em nossas vidas é reconhecer Jesus como Senhor e Salvador.
Quando Ele reina em seu coração, o Espírito é derramado e há restauração
Reflexão:
O Espírito Santo já encontrou solo fértil em sua vida?
Ele vai encontrar semente da Palavra de Deus em seu coração?
Ou o orgulho e a autossuficiência ainda impedem aquilo que Deus quer fazer em você e através de você?

CONCLUSÃO

O mesmo Deus que permitiu a geada também enviou o sol da primavera.
O mesmo Deus que permitiu os gafanhotos também prometeu:
Joel 2.25 NVI
25 “Vou compensá-los pelos anos de colheitas que os gafanhotos destruíram (...)
Essa mensagem de Joel é também a nossa esperança
Deus usa o juízo para despertar o arrependimento, mas sempre com o propósito de restaurar
Ezequiel 33.11 NVI
11 Diga-lhes: Juro pela minha vida, palavra do Soberano, o Senhor, que não tenho prazer na morte dos ímpios, antes tenho prazer em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam. Voltem! Voltem-se dos seus maus caminhos! Por que o seu povo haveria de morrer, ó nação de Israel?
Talvez a sua vida hoje se pareça com aquele campo queimado pela geada
Ou com a terra seca devorada pelos gafanhotos
Mas a boa notícia é que Deus ainda derrama o Seu Espírito.
E onde o Espírito sopra, a vida recomeça, há restauração, há transformação, há esperança!
Vídeo completo no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=CW-SO5aNWrw
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