Quem é Jesus para Você?
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Convidar os Irmãos a abrirem a Bíblia em João 12.20-36, e a permanecerem com ela aberta.
Mencionar o tema do ano: Simplesmente Igreja; a série de mensagens do mês: Minhas Respostas para Deus; as lições de hoje: Quem é Jesus para Você?
Se alguém ainda procura, preparar a leitura com uma suficiente contextualização. Em seguida, então, ler a Palavra e, no fim, soltar o cronômetro!
Seção-ponte entre o Livro dos Sinais e o Livro da Glória: é uma transição, faz parte de ambos os Livros. Um quinto do Evangelho de João é dedicado aos dias que antecederam a crucificação; com isso e a ressureição, é metade!
Neste novo ciclo de ministrações sobre nossas respostas para Deus, começaremos pela resposta essencial, a qual, por sua vez, definirá todas as demais: quem é Jesus para mim?
BATISTA DO POVO. Lições de células. p. 4.
A resposta que podemos dar a Deus é multifacetada e profundamente significativa. Fundamentalmente, Deus deseja que respondamos com amor reverente e agradecido, não apenas com palavras, mas com nossa vida inteira, manifestado através do amor a Deus e ao próximo[1]. Essa resposta inclui apreciar sua bondade, contar as bênçãos, agradecer por todos os benefícios e buscar graça para invocar seu nome com gratidão[2]. Somos chamados a uma vida santa que honre a Deus, colocando nossa obediência no contexto da graça redentora, especialmente através de Cristo. É como se Deus nos perguntasse: “Vocês viram o que eu realizei. Agora, como viverão em resposta àquilo que fiz por vocês?”[3]
Essa resposta pode assumir diversas formas: confiança, perseverança, coragem, esperança, alegria, tristeza, arrependimento, sabedoria ou atos específicos de obediência. O importante é que essas respostas estejam sempre ancoradas em Cristo e motivadas pela graça do evangelho[3]. Também devemos apreciar a paciência de Deus, refletindo sobre como ele nos tem suportado e buscando graça para imitá-la em nossos relacionamentos[2].
[1] HOEKEMA, A. A. Criados à Imagem de Deus. Tradução: Heber Carlos De Campos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2018, 69.
[2] PACKER, J. I. O Conhecimento de Deus (Guia de Estudo). Tradução: Paulo César Nunes dos Santos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2014, 154.
[3] WRIGHT, C. J. H. Como Pregar e Ensinar com Base no Antigo Testamento. Tradução: Cecília Eller. São Paulo: Mundo Cristão, 2018, 70–71.
Numa primeira olhada o quarto evangelho apresenta um prólogo (1.1-18) e um epílogo, ou apêndice (21.1-25), entre os quais acham-se as duas secções centrais, 1.19—12.50 e 13.1—20,31, Devido à influência de dois ou três eruditos de renome, elas em geral são chamadas nos dias atuais de inúmeras, respectivamente, Livro dos Sinais e Livro da Glória,2 ou Livro dos Sinais e Livro da Paixão.
CARSON, D. A; MOO, Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradução Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 1997. p. 151.
Buscando explicar toda a complexidade de João, um debate recente e importante sobre a estrutura do evangelho de João enxerga quiasmos grandes e aquilo que o autor chama de perícopes-ponte e seções-ponte — seções que se encaixam em duas ou mais unidades estruturadas e que as unem. Por exemplo, ele sugere que 2,1—12.50 pode ser chamado de o Livro dos Sinais de Jesus, que 11.1—20.29 é o Livro da Hora de Jesus, e que os capítulos que se sobrepõem, 11—12, constituem uma seção-ponte. Embora possa-se questionar este ou aquele detalhe, ele consegue mostrar quão unificado e rigidamente organizado está o quarto evangelho. Muitos têm assinalado, por exemplo, que seções individuais de comprimentos variados têm conclusões muito bem feitas (e.g.9 1-18; 4.42; 4,53-54; 10.40-42; 12.44-50; 20.30-31; 21.35).
Uma das razões de os críticos encontrarem em João um número tão grande de estruturas mutuamente excludentes é o fato de o evangelista tratar repetidamente de apenas uns poucos temas, o que torna possível postular todo tipo de paralelos e quiasmos. Outra razão é que várias estruturas parecem servir de capas para outras estruturas.
CARSON, D. A; MOO, Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradução Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 1997. p. 152.
Embora muitos incluam aproxima unidade, 11.1—12,50, no Livro dos Sinais, parece haver bons motivos para tratar estes capítulos como uma espécie de transição. O relato da morte e ressurreição de Lázaro (11.1-44) é ao mesmo tempo um realce e uma predição da morte e ressurreição de Jesus e leva diretamente à decisão judicial de matar Jesus (11,45-54), Na seção seguinte (11.55—12.36), que transcorre durante a "páscoa dos judeus" (11.55-57), numa antecipação da morte do verdadeiro cordeiro pascal, Maria unge Jesus prevendo sua morte, dessa forma mostrando amor sacrificial por ele — o único tipo de amor que tem valor (12.1-11); a entrada triunfal anuncia a realeza de Jesus, mas já estão presentes os sinais que pressagiam que seu governo será diferente de qualquer outro (12.12-19); e a chegada dos gentios desencadeia o anúncio, por Jesus, da chegada da "hora" da sua morte e exaltação (12.20-36). Essa unidade de transição termina com uma teologia da incredulidade, ou seja, com reflexões teológicas que revelam a natureza e a inevitabilidade da incredulidade (12.20-36).
CARSON, D. A; MOO, Douglas; MORRIS, Leon. Introdução ao Novo Testamento. Tradução Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 1997. p. 154.
Seis dias antes da comemoração da Páscoa Jesus foi a Betânia, o povoado onde morava Lázaro, aquele que tinha ressuscitado. Enquanto Jesus, Lázaro e os discípulos estavam sentados à mesa, Marta os servia. De repente um fato inusitado aconteceu: Maria, a outra irmã de Lázaro, veio com um perfume caro, derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com os cabelos, e toda a casa onde estavam encheu-se com a fragrância do perfume. Os que participavam do jantar ficaram perplexos e Judas reclamou do que ele entendeu como um desperdício. Jesus, entretanto, interpretou esse acontecimento como um prenúncio de seu sepultamento.
Um dia depois desse acontecimento, Jesus entrou triunfalmente em Jerusalém. A multidão pegou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, gritando: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que Rei de Israel!”. Diante dessa manifestação popular, os fariseus tiveram que reconhecer o poder de Jesus em influenciar e atrair as multidões.
Dentre os que foram atraídos por Jesus, estavam alguns gregos que pediram a Felipe para levá-los até ele. Jesus não estava preocupado com popularidade, pelo contrário, Jesus se preocupava com o cumprimento de sua missão que rapidamente se aproximava. Como um grão que cai na terra e morrendo dá o seu fruto, com sua morte na cruz Jesus sabia que daria muitos frutos para Deus, pessoas dispostas a pagar o preço do discipulado, e por crerem em Jesus, entendiam que os seus ensinos eram (e ainda são), dignos de credibilidade. É por meio das suas palavras que todos seremos julgados no último dia.
Aplicação: Somente quando morremos para nós mesmos, damos frutos para Deus.
NEVES, I. 301 Perguntas: Para Desvendar o Evangelho de João. Primeira edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 72.
Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos; estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus. Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou. Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa. Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. Replicou-lhe, pois, a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre, e como dizes tu ser necessário que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem? Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles.
Festa da Páscoa: adoração e Renovação. Nela as múltiplas formas de pregar iluminadamente a Palavra (dramatizar, teatro, cinema), orar e adorar (movimento, dança); e a mudança de ordenanças (Páscoa/ceia; purificação/batismo).
João 12.20 “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos;”
Depois de ter feito sua entrada triunfal em Jerusalém, pois é assim que os quatro evangelhos a descrevem, Jesus estava a poucos dias da sua crucificação. João dedica um quinto do livro a esses dias finais que antecederam o maior evento de todos os tempos.
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 219.
Não permitamos que o nosso movimento de Renovação cesse. O Espirito de Deus é nossa força para adorar, é nosso discernimento!
Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que, em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!
Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder de amor e de moderação.
tudo posso naquele que me fortalece.
Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.
Havia muitas barreiras para os gentios: viagem, os próprios judeus, e até havia no Templo área reservada. Por isso, o acesso a Jesus por Felipe e André.
João 12.20–22 “Ora, entre os que subiram para adorar durante a festa, havia alguns gregos;estes, pois, se dirigiram a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e lhe rogaram: Senhor, queremos ver Jesus.Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o comunicaram a Jesus.”
Não devemos ser barreiras para Jesus, mas que nós levemos pessoas a Jesus! Mas essa vinda precisa vir acompanhada humildemente de arrependimento e de fé, é claro. Ninguém chega a Jesus sem isso!
O único paralelo está em Jo 12.20ss., mas aqui a referência é aos gregos que frequentavam a sinagoga (v. 20).
WINDISCH, H. héllēn, Hellás, hellēnikós, hellēnís, hellēnistḗs, hellēnistí (G. Kittel, G. Friedrich, G. W. Bromiley, Eds.)Dicionário Teológico do Novo Testamento. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2013.
Filipe leva o caso a André, que o comunica a Jesus. André é o homem que sempre aparece levando alguém a Cristo. Ele levou Pedro, seu irmão, a Cristo; também levou o menino com cinco pães e dois peixes a Jesus. E, agora, está levando a pergunta dos gregos a Jesus.
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 325–326.
Essa designação (hellênes) refere-se em termos gerais à população gentia, com pessoas tementes ao Deus de Israel, ainda que não necessariamente convertidas ao judaísmo. Alguns deles querem conhecer Jesus e dizem isso a Filipe. Seu nome grego e sua origem na região com a maior influência grega na Palestina podem explicar por que se dirigem a ele. Filipe relata isso a André, também de Betsaida (1.44) e o único outro discípulo com nome grego. Ambos avisam Jesus (12.20–22). A apelação aos intermediários pode indicar que não tinham certeza de que Jesus falaria ou não com gentios. Não há registro de uma entrevista de Jesus com eles. Mas o discurso que surge da situação interpreta sua presença.
SENDEK, E. João. In: PADILLA, C. R. et al. (Eds.). Comentário Bíblico Latino-Americano. Tradução: Cleiton Oliveira et al. 1. ed. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2022. p. 1358.
12:22 Talvez Filipe não estivesse certo se o Senhor veria esses gregos. Cristo antes falou aos discípulos para não irem aos gentios com o evangelho, então Filipe foi a André, e juntos comunicaram a Jesus
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 297.20.
20. Ora, daqueles que estavam acostumados a subir para que pudessem adorar na festa havia alguns gregos.
Por um momento, a história desvia a atenção dos judeus e a focaliza os gregos. A passagem não se refere aos helenistas (cf. At 6.1) ou aos judeus de fala grega, mas aos helenos (gregos). Não acreditamos que o sentido que o autor deseja passar seja que os gregos estariam entre os adoradores judeus comuns. Ao contrário, o sentido é que esses gregos (ἐκ, ideia partitiva, como em 1.24,35,40; 7.48) eram os que estavam acostumados a subir para adorar durante a festa; em outras palavras, esses gregos faziam parte do grande grupo de adoradores que comumente eram chamados prosélitos (aqui mais como os prosélitos do portão ou tementes a Deus, At 10.2,22,35; 13.16,26,43,50; 17.4, os incircuncisos convertidos à religião monoteísta dos judeus). No original, temos o particípio presente do verbo subir (daí, aqueles acostumados a subir). O conceito de subir a Jerusalém é explicado em conexão com 2.13. Para a festa (da Páscoa), veja também sobre 2.13.
Esses gregos, pois, eram gentios que tinham desistido de adorar os muitos deuses e tinham passado a adorar o Deus único, o Deus de Israel. O fato de que essas pessoas tinham acesso ao templo para prestar adoração religiosa fica claro em 1 Reis 8.41; Isaías 56.7; Marcos 11.17. Elas não tinham permissão de passar do Pátio dos Gentios. Para o significado do verbo traduzido como adorar, veja sobre 4.23 e 9.38.
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 498–499.
Os gregos se dirigem a Filipe polidamente, chamando-o de “senhor”.
A expressão “desejamos ver Jesus” não pode significar “queremos ver como ele é, para satisfazer nossa curiosidade sobre ele e assim poder contar aos nossos amigos que deliciamos nossos olhos com a visão dessa celebridade”. Tampouco necessariamente significa: “Queremos propor a Jesus que ele esqueça os judeus rebeldes e que, de agora em diante, nos pregue o evangelho, a nós, os gregos.” Essa interpretação vê muito mais do que o texto apresenta.
Com vista ao que segue (veja especialmente os v. 24 e 32), parece-nos que o desejo dos gregos teria alguma coisa a ver com o grande tema da salvação. Será que eles queriam ver Jesus porque: a. a sabedoria dos gregos tinha naufragado, por ter falhado em satisfazer os mais profundos reclamos da alma? E b. com base no que tinham ouvido sobre Jesus, eles estavam esperançosos de que ele pudesse vir a fornecer aquela paz espiritual à mente que não tinham conseguido obter em nenhum outro lugar? Isso não é totalmente improvável.
Para Filipe – e depois para ele e André – o pedido dos gregos apresentava um problema duplo: a. Em vista do que Jesus tinha dito em outras ocasiões (Mt 10.5; 15.24), ele poderia, coerentemente, aceitar receber bem os gregos? Mas, por outro lado, não tinha ele falado sobre “outras ovelhas, não deste aprisco”, que tinha de reunir? Veja também Mateus 8.5–13. Qual seria a atitude de Jesus para com os gregos: os receberia ou se recusaria a falar com eles? b. Será que Jesus, ao receber os gregos, não estaria atiçando a ira do povo judeu, especialmente se a conversa acontecesse no templo (veja At 21.28)?
O problema sendo grande demais para Filipe, ele consultou seu amigo e compatriota, André. André e Filipe, hesitando tanto em ofender os gregos como também em encorajá-los, expõem o pedido ao próprio Jesus.
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 499–500.
20. Ora, havia alguns gregos. Não creio que estes eram gentios ou incircuncisos, porque logo depois afirmam que vieram para adorar. Ora, as leis romanas proibiam estritamente, e os cônsules e outros magistrados puniam severamente, caso se descobrisse que alguma pessoa havia abandonado o culto de seu país nativo e abraçado a religião judaica.
Aos judeus, porém, que se achavam dispersos por toda a Ásia e Grécia, se permitia que cruzassem o mar com o propósito de oferecer sacrifícios no templo. Além disso, aos judeus não se permitia que se lhes associassem no culto solene oferecido a Deus, porquanto criam que o templo, os sacrifícios e eles mesmos seriam assim profanados. Mas, ainda que fossem descendentes dos judeus, contudo, como residiam em região remota para além do mar, não nos surpreendamos se o Evangelista os introduz como estrangeiros e não familiarizados com as ocorrências que tomavam lugar naquele tempo em Jerusalém e em regiões adjacentes. O significado, pois, é que Cristo foi recebido como Rei, não só pelos habitantes da Judéia, os quais vieram das vilas e cidades para a festa, mas que a notícia chegara também aos homens que viviam além-mar, e que vieram de países distantes com o fim de adorar. Também poderiam ter feito isto em sua própria pátria, aqui, porém, João descreve o culto solene, o qual era acompanhado por sacrifícios. Pois ainda que a religião e o temor de Deus não se confinassem ao templo, contudo em nenhum outro lugar lhes era permitido oferecer sacrifícios a Deus, tampouco a Arca do Testemunho estava em outro lugar que não fosse o emblema da presença de Deus. Cada homem cultuava a Deus diariamente em sua própria casa e de uma maneira espiritual, mas os santos sob a lei eram igualmente obrigados a fazer profissão de culto e obediência externos, tais como descritos por Moisés, comparecendo no templo na presença de Deus. Esse foi o desígnio para o qual as festas foram determinadas. E se aqueles homens empreenderam tão longa e dispendiosa viagem, enfrentando grande inconveniência, e não sem riscos pessoais, para que não tratassem com indiferença a profissão externa de sua piedade, que apologia podemos agora apresentar, se não testificarmos, em nossas próprias casas, que cultuamos o Deus verdadeiro? O culto que pertencia à lei de fato chegou ao fim, mas o Senhor deixou à sua Igreja o Batismo, a Ceia do Senhor e a oração pública, para que os crentes se envolvessem em tais exercícios. Portanto, se os desprezarmos, isso seria prova de que nossa aspiração à piedade é excessivamente formal e frio
CALVINO, J. Evangelho Segundo João. Tradução: Valter Graciano Martins. Primeira Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015. v. 2p. 27–28.
21. Estes, pois, dirigiram-se a Filipe. É uma indicação de reverência o fato de não terem se dirigido a Cristo, mas nutrem o desejo de concretizá-lo através de Filipe, pois a reverência sempre gera modéstia
CALVINO, J. Evangelho Segundo João. Tradução: Valter Graciano Martins. Primeira Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015. v. 2p. 28.
Introdução (12.20–22)
A cena começa com “alguns gregos” querendo ver Jesus. Alguns pensaram que estes eram judeus de língua grega da diáspora (aqueles que viviam em terras fora da Palestina), mas o termo (Ellēnes) se refere a não judeus. Isso significa que estes eram gentios, prosélitos do judaísmo, ou tementes a Deus — gentios que são atraídos pelo judaísmo e começaram a adorar Yahweh. A declaração de 12.19 de que “o mundo inteiro” está chegando a Jesus já está acontecendo!
Não é inédito que alguns gregos viriam para a Festa da Páscoa para adorar o Deus judeu e aprender mais sobre a religião judaica. O historiador judeu Josefo menciona isso (Guerra Judaica 6.427), e no livro de Atos muitos tementes a Deus como Cornélio se voltariam para Cristo (At 10.2,22,35; 13.16,26). Eles eram atraídos pelo judaísmo, mas não estavam dispostos a se submeter à circuncisão e se tornarem prosélitos completos, ou convertidos. Eles eram permitidos na corte dos gentios no complexo do templo e podiam participar de muitas das cerimônias, mas não podiam entrar nos tribunais internos (sob pena de morte).
Estes gregos desejam saber mais sobre este Jesus e seus seguidores. De alguma forma eles conhecem Filipe, que tem um nome grego e é da aldeia de Betsaida, no canto nordeste do Mar da Galileia, oficialmente no território da Gaulanite. Era perto da Decápolis, as “Dez Cidades” da Síria, e alguns destes gregos podem ter sido de lá. Eles dizem: “Gostaríamos de ver Jesus”. Então Filipe e André (também de Betsaida; veja 1.44) os levam para ver o Senhor.
OSBORNE, G. R. Evangelho de João. Tradução: Renato Cunha. Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023. p. 311.
dizendo: Senhor, gostaríamos de ver Jesus — certamente num sentido muito melhor do que Zaqueu (Lc 19:3). Talvez Ele estivesse então naquela parte do pátio do templo à qual os prosélitos gentios não tinham acesso. “Estes homens do oeste representam, no final da vida de Cristo, o que os magos do oriente representaram no seu início; mas aqueles vêm para a cruz do Rei, assim como estes para a sua manjedoura” [STIER].
JAMIESON, R.; FAUSSET, A. R.; BROWN, D. Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997. v. 2p. 152.
Entrada triunfal em Jerusalém. Jesus carregava o nome do SENHOR, Deus de Israel, que seria revelado ao mundo. A forma como isso aconteceria realmente era demonstra um plano divino.
João 12.23 “Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.”
E isso ser revelado aos gregos já antecipava como o SENHOR nos incluiu no seu plano, no seu decreto de salvação. Louvado seja Jesus pela graça que manifestou a nós na cruz!
Destacamos a seguir aqui alguns pontos. Em primeiro lugar, a hora de Jesus ser glorificado chegou (12.23). Jesus responde aos gregos: Chegou a hora de ser glorificado o Filho do homem. Essa hora da qual Jesus falou várias vezes havia enfim chegado. A agenda feita na eternidade tornar-se-ia história. O ponto culminante de seu ministério chegou.
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 326.
12:23 Por que os gregos queriam ver Jesus? Se lermos nas entrelinhas, podemos imaginar que a sabedoria de Jesus lhes agradou e eles queriam exaltá-lo como filósofo popular. Eles sabiam que Jesus estava num curso de colisão com os líderes judaicos e queriam salvar-lhe a vida, talvez levando-o à Grécia com eles. Sua filosofia era: “Poupe-se”, mas Jesus respondeu-lhes que essa filosofia era diretamente oposta à lei da ceifa. Ele seria glorificado na sua morte sacrificial, e não por uma vida confortável
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 297.
A chegada da hora da glória (12.23–26)
Parece que Jesus ignora completamente estes buscadores gregos, mas sua resposta fornece o núcleo da salvação pela qual eles estão procurando. Ele está dizendo ao mundo como encontrar a salvação de Deus, e a vinda destes gregos parece estimular essa resposta final.
OSBORNE, G. R. Evangelho de João. Tradução: Renato Cunha. Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023. p. 312.
Jesus não fugiu do propósito de Deus Pai para ele, se era dessa forma o decreto, ele iria cumprir! O nome do SENHOR foi glorificado na pessoa de Jesus, Deus Filho, e a pessoa deste também!
João 12.27–28 “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei.”
Nascemos para glorificar a Deus, para sermos servos do Senhor Jesus. É isso que ele é para nós, não fujamos nem neguemos esse propósito. Os nossos interesses devem ser agora subordinados e trasnformados por ele!
Em seguida Jesus orou: Pai, glorifica o teu nome. O que Jesus disse, afirmou em outras ocasiões. Ele repetiu mostrando que a sua principal motivação era glorificar o Pai. Ora, diante disso, o Pai respondeu-lhe: Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei. Era a voz do Pai. Aquela mesma voz que disse no momento do seu batismo: Este é o meu Filho amado em quem me comprazo (conf. Mt 3.17). Deus, pela terceira vez, estava confirmando e encorajando o Filho para a hora do seu sacrifício (Deus já tinha se manifestado no batismo, na transfiguração, e agora, pouco antes da sua crucificação).
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 222.
Em quarto lugar, o clamor profundo de Jesus (12.28). À sombra da cruz, o desejo mais intenso de Jesus não é escapar do sofrimento, mas glorificar o Pai e fazer sua vontade. E por isso ele clama: Pai, glorifica o teu nome! […]. A resposta é imediata. Do céu vem uma voz: […] Já o glorifiquei, e o glorificarei mais uma vez. O Pai já havia sido glorificado pela vida, pelo ensino e pelas obras de Jesus, mas ainda seria glorificado pela sua morte e ressurreição. O anelo do Filho é glorificar o Pai, e o anelo do Pai é ser glorificado no Filho. Estou de pleno acordo com as palavras de D. A. Carson quando ele diz que a glorificação do nome do Pai, pela qual ele pede, depende da voluntária obediência de Jesus até a morte. O servo que não faz a própria vontade, mas realiza a vontade daquele que o enviou – mesmo até a morte de cruz –, esse é o que glorifica a Deus.
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 329–330.
A tensão entre a agonia e a obediência de Jesus nestes versículos tem seu paralelo na cena do Getsêmani nos sinópticos (Mt 26.36–42 e passagens paralelas)
SENDEK, E. João. In: PADILLA, C. R. et al. (Eds.). Comentário Bíblico Latino-Americano. Tradução: Cleiton Oliveira et al. 1. ed. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2022. p. 1358.
12:28 Em vez de orar para que pudesse ser salvo da cruz, o Senhor Jesus orou para que o nome do seu Pai fosse glorificado. Ele estava mais interessado em que Deus fosse honrado que no seu próprio conforto ou segurança. Agora Deus falou do céu, dizendo que ele tinha glorificado seu nome e ainda o glorificaria. O nome de Deus foi glorificado durante o ministério terrestre de Jesus. Os trinta anos silenciosos em Nazaré, os três anos de ministério público e as palavras e obras maravilhosas do Salvador glorificaram grandemente o nome do Pai. Mas ainda maior glória seria trazida a Deus por meio da morte, do sepultamento, da ressurreição e da ascensão de Cristo
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 298.
Embora sua alma estivesse cheia de pavor, ele nem por um segundo se rebelou contra seu Pai. Cumprir aquela vontade era seu desejo mais profundo tanto agora quanto no Getsêmani. Mas ele pergunta se existe outro modo no qual a vontade do Pai poderia ser feita, alguma outra forma de morte voluntária e substitutiva; se houvesse, esse caminho poderia ser aberto para que ele pudesse livrar-se da terrível agonia da cruz.
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 505–506.
12:28b–29–30. Então veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e novamente o glorificarei. Entretanto, a multidão que estava ali, quando ouviu a voz, ficou dizendo que tinha trovejado. Outros ficaram dizendo: Um anjo falou com ele. Jesus respondeu e disse: “Não foi por minha causa que esta voz ocorreu, mas por causa de vocês. Jesus tinha pedido ao Pai que glorificasse seu nome, isto é, que o Pai, por meio de sua revelação no Filho, exibisse publicamente o brilho de seus atributos majestosos, a fim de que os homens pudessem atribuir-lhe a honra devida ao seu nome. O nome do Pai é sua revelação; aqui, sua revelação em Cristo. Imediatamente, veio uma voz dos céus, dizendo: “Eu já o glorifiquei e novamente o glorificarei.” Por meio de uma voz que vem diretamente dos céus (no batismo, Mc 1.11; na transfiguração, Mc 9.7) e pelos milagres poderosos que Jesus realizou, o Pai já havia glorificado a si mesmo no Filho. Aqui ele promete que, por meio deles e por intermédio de mais humilhações e subsequente exaltação do Filho, ele fará isso novamente.
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 506–507.
Eles não entenderam, por isso não receberam o Rei Jesus como ele merecia. Ainda assim, Jesus não deixou de ser o Cordeiro de Deus que tiraria o pecado de muitos deles. Isso só os beneficiou depois...
João 12.29–30 “A multidão, pois, que ali estava, tendo ouvido a voz, dizia ter havido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que lhe falou.Então, explicou Jesus: Não foi por mim que veio esta voz, e sim por vossa causa.”
Não confudamos a Palavra de Deus, pois ela é que nos mostra quem Jesus é para nós. Ele não apenas nos salvou, é nosso Senhor! A nossa melhor resposta depende da Palavra
12:29 Alguns dos que estavam ali confundiram a voz de Deus com um trovão. Tais pessoas estão sempre tentando dar uma explicação natural às coisas espirituais. Os homens que não estão prontos para aceitar os milagres tentam explicá-los por alguma lei natural. Outros entenderam que não era trovão, e apesar disso não reconheceram que era a voz de Deus. Considerando que seria algo sobre-humano, só poderiam concluir que era a voz de um anjo. A voz de Deus só pode ser ouvida e entendida pelos que são ajudados pelo Espírito Santo. As pessoas podem escutar o evangelho muitas vezes e ainda não entenderem, a não ser que o Espírito Santo lhes fale através dele
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 298.
Jesus corrige o pensamento equivocado deles: “Esta voz era para seu benefício, não meu” (12.30). Mas eles não compreendem a mensagem, por isso é difícil ver como o que lhes pareceu ser uma linguagem sem nexo pode ser para o bem deles. Na realidade, as três vezes que Deus fala diretamente — o batismo, a transfiguração e aqui —, a mensagem é destinada tanto para Jesus como para os espectadores. Isto é mais bem visto no batismo, como Mateus 3.17 tem “Este é meu Filho”, anunciando-o à multidão, enquanto Marcos 1.11 têm “tu és meu Filho”, encorajando Jesus.
OSBORNE, G. R. Evangelho de João. Tradução: Renato Cunha. Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023. p. 315–316.
Só Jesus é aquele que morre e dá vida a muitos. Mas seus discípulos são também chamados a morrer de uma forma: somente sua morte para o mundo é os torna capazes de pregar o Evangelho com poder do Espírito!
João 12.24–25 “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna.”
Resposta da lição: se Jesus é nosso Senhor, Rei, então nossa transformação será mais profunda e genuína; nossa evangelização será mais leve e espontânea; nossa vida será mais plena e feliz! Que haja em nós um duplo amém!
Jesus requer de nós a nossa própria vida. Devemos procurá-lo para adorá-lo, para nos entregarmos a ele, uma vez que ele já se entregou por nós.
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 220.
Jesus sabia que se não fosse glorificado através de sua morte no Calvário sua vida não produziria o fruto espiritual. Será que estamos dispostos a sermos glorificados dessa maneira?
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 221.
Certamente essas palavras trouxeram grande perplexidade aos seus interlocutores, mas Jesus continuou dizendo que se alguém amasse mais a própria vida, terrena, Em vez de buscar os interesses do reino, estaria fazendo uma troca errada. Estaria perdendo a sua vida, pois quem busca primeiro o reino de Deus ganha a verdadeira vida, a vida eterna. Hendriksen (2004, p. 567), comenta apropriadamente essas palavras de Jesus: “Assim como Cristo teve que morrer para produzir mais vida em outros, nós precisamos morrer para nós mesmo para que possamos viver para Cristo, e isso só é possível no poder do Espírito. Portanto só ganhamos nossa vida na entrega dela a Jesus”. A vida que deve morrer é a nossa vida interesseira, egoísta, a vida apaixonada pelas coisas materiais. Devemos morrer para o mundo e viver para Deus. A nossa vida é preservada para a vida eterna quando vivemos aqui como se estivéssemos mortos para o mundo, e vivos para Deus.
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 221.
Em segundo lugar, a cruz é o palco da glorificação (12.24–26). Bruce Milne diz corretamente que a ligação feita por Jesus entre glorificação e crucificação é fundamental para a apresentação que Jesus faz do drama da Páscoa. A morte e a ressurreição de Jesus não são divididas em derrota no Calvário e subsequente vitória na ressurreição. Em vez disso, juntas, morte e ressurreição representam um único e inseparável evento em que Jesus traz glória ao nome de Deus. Charles Erdman afirma que a cruz seria a força de atração que chamaria a Jesus todas as turbas do mundo gentílico, representadas por esses gregos curiosos. No pedido dos gregos, Jesus vê sua semente, isto é, numerosa posteridade espiritual. Isso fora prometido ao Messias como o fruto de seu sacrifício voluntário: Quando sua alma fizer a oferta pelo pecado, ele verá sua semente (Is 53.10, ARA). À parte seu sacrifício voluntário, Jesus nada podia fazer por esses gregos. À parte a cruz, não existe nenhuma colheita espiritual.
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 327.
Hendriksen tem razão ao dizer que a verdade solene afirmada no versículo 24 se aplica a Cristo, e a ele somente. Somente ele morre como substituto e, ao fazê-lo, ele dá frutos. Mesmo assim, existe um princípio semelhante que opera na esfera humana. É aquele afirmado nos versículos 25 e 26. Quanto a Cristo, para que haja fruto, ele tem de morrer. Quanto a seu discípulo, este deve dispor-se a morrer pela causa de Cristo (Mt 10.37–39; 16.24–26; Mc 8.34–38; Lc 9.23–26; 17.32,33).
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 328.
A vida frutífera é gerada por meio da morte. Esse princípio também é válido para seus discípulos. Existem duas formas mutuamente exclusivas de viver, cada uma com seu correspondente resultado: viver para si mesmo ou não; a primeira leva à perdição, a segunda leva à vida eterna (12.25; ver Mt 10.39; Mc 8.34–35). Mas não se trata de uma vida de autonegação como um fim em si. Sua motivação é o compromisso de servir Jesus, de segui-lo como discípulos em seu caminho de entrega. A recompensa prometida é compartilhar seu destino (14.3; 17.24) e ser honrado pelo Pai (12.26). Servi-lo exclui a busca de honra por parte de outros (12.43).
SENDEK, E. João. In: PADILLA, C. R. et al. (Eds.). Comentário Bíblico Latino-Americano. Tradução: Cleiton Oliveira et al. 1. ed. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2022. p. 1358.
O mesmo se aplica a nós, como T. G. Ragland diz: Se nos recusarmos a ser grãos de trigo (caindo na terra e morrendo); se não sacrificarmos expectativas, nem arriscarmos nossa reputação, propriedade e saúde; se, quando formos chamados, não abandonarmos nosso lar e não rompermos os laços familiares por causa de Cristo, então permaneceremos sós. Mas, se quisermos ser frutíferos, devemos seguir nosso amado Senhor, tornando-nos um grão de trigo, e morrendo, então produziremos muito fruto.
12:25 Muitos pensam que as coisas importantes na vida são alimento, roupa e prazer. As pessoas vivem para essas coisas. Mas com esse tipo de amor à sua vida, elas falham em reconhecer que a alma é mais importante que o corpo. Negligenciando o bem-estar da sua alma, elas perdem a vida. Em contrapartida, há os que consideram todas as coisas como perda para Cristo. Para servi-lo, deixam de lado as coisas muito estimadas entre os homens. Esses são os que guardarão sua vida para a vida eterna. Odiar nossa vida significa amar a Cristo mais que amar nossos interesses.
12:26 Para servir a Cristo, devemos segui-lo. O seu desejo é que seus servos obedeçam aos seus ensinos e sejam moralmente parecidos com ele. Devem aplicar o exemplo da sua morte a si mesmos. Todos os servos têm a promessa da constante presença e proteção do seu Mestre, e isso se aplica não somente à vida presente, mas também à eternidade. O serviço agora receberá a aprovação de Deus num dia futuro. Tudo quanto sofremos de vergonha ou opróbrio aqui será realmente pequeno em comparação à glória de ser publicamente aprovado por Deus Pai no céu!
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 297–298.
A ilustração era muito clara, especialmente no momento em que foi dada, apenas uns poucos dias antes da festa religiosa da colheita da Páscoa. As sementes tinham sido enterradas no solo. Como são sementes, elas morreram. Mas, por meio desse mesmo processo de dissolução, elas tinham produzido colheita abundante. Se uma semente não for semeada, ela permanece só, não produz fruto. Do mesmo modo, se Jesus não morresse, ele permaneceria sozinho, sem fruto espiritual (almas salvas para a eternidade). Sua morte, entretanto, resultaria em colheita espiritual abundante.
25–26. Aquele que ama sua vida a perde, mas aquele que odeia sua vida neste mundo a preserva com vista à vida eterna. Se alguém me serve, então que me siga; e, onde eu estou, ali também meu servo estará. E se alguém me serve, o Pai o honrará.
A verdade solene afirmada no versículo 24 se aplica a Cristo, a ele somente! Somente ele morre como substituto e, ao fazê-lo, produz muito fruto. Mesmo assim, existe um princípio semelhante que opera na esfera do homem. É aquele afirmado nos versículos 25 e 26. A relação entre as duas leis (uma que se aplica a Cristo e outra, a seus discípulos) pode ser resumida como segue:
1. Quanto a Cristo: para que haja fruto, ele tem de morrer (v. 24).
2. Quanto a seu discípulo: ele deve dispor-se a morrer pela causa de Cristo (v. 25 e 26). Naturalmente, ele não pode fazer isso pela própria força.
Em vista do presente contexto e das passagens paralelas nos outros Evangelhos, o significado da importante frase (v. 25–26) é como segue:
Aquele que, quando a questão é entre ele e o evangelho, de um lado, e quem quer que me seja querido (pai, mãe, filho, filha, coisas materiais, o mundo inteiro, sua própria vida, Mt 10.37; 16.26; Lc 17.32), de outro, escolhe (aqui em 12.25; “tem afeição por”, veja nota 306) o último, perecerá para sempre. Eu me envergonharei dele em minha volta (Mc 8.38; Lc 9.26). Mas aquele que, neste mundo – ou seja, no meio da presente geração adúltera e perversa (Mc 8.38; e veja nota 26, sentido 6) – se dispõe a sacrificar sua vida por mim e por meu evangelho (Mc 8.35), a guardará e preservará (Lc 17.33), de modo que florescerá na vida eterna nas mansões celestiais (veja sobre 4.14). Se alguém me serve, então que me siga pelo caminho todo, embora seja o caminho da autonegação e da cruz (Mt 16.24; 10.38; Mc 8.34), tendo em mente que o caminho da cruz leva à coroa. Ele participará comigo da glória dos céus, habitando para sempre em minha presença. Além disso, meu Pai, que me ama, o honrará, pois ele honra aqueles que me honram.
Que esse é, de fato, o sentido da passagem fica claro quando a mesma, depois de ter sido estudada em seu próprio contexto, é comparada com suas paralelas. Usando a A.R.V., note o seguinte:
Mateus 10.37–39. “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha sua vida a perderá; quem, todavia, perde a vida por minha causa a achará.”
Mateus 16.24–26. “Então disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder a vida por minha causa a achará. Pois, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? Ou que dará o homem em troca de sua alma?”
Marcos 8.34–38. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me. Quem quiser, pois, salvar sua vida a perderá; e quem perder a vida por minha causa e por causa do evangelho a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma? Porque, qualquer que nesta geração adúltera e pecadora se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.”
Lucas 9.23–26. “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si próprio? Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem.”
Lucas 17.32–33. “Lembrem-se da mulher de Ló. Quem quiser preservar sua vida a perderá; e quem a perder de fato a salvará.”
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 501–503.
25. Quem ama sua vida perdê-la-á. À doutrina, Cristo junta uma exortação, pois se morrermos com o fim de produzir fruto, devemos pacientemente permitir que Deus nos mortifique. Mas, como ele extrai um contraste entre o amor à vida e o ódio em deixá-la, devemos entender o que significa amar e odiar a vida. Mas aquele que, desprezando a vida, avança corajosamente rumo à morte, lemos que este odeia a vida. Não que devamos absolutamente odiar a vida, a qual é justamente reputada como a mais sublime bênção de Deus, mas porque os crentes devem de bom grado reputá-la em segundo plano, quando ela os retarda de se achegarem a Cristo. Como um homem que quando deseja apressar-se em alguma questão, sacode de seus ombros um fardo pesado e desagradável. Em suma, amar esta vida por si só não é errôneo, contanto que a vivamos apenas como peregrinos, mantendo nossos olhos sempre fixos em nosso alvo. Pois o verdadeiro limite de amar a vida é quando continuamos nela na medida em que ela agrade a Deus, e quando estamos preparados a deixá-la tão logo ele nos ordene, ou, para expressá-lo numa só palavra, quando a carregamos, por assim dizer, em nossas mãos e a oferecemos a Deus como um sacrifício. Quem quer que leve sua aspiração pela presente vida para além deste limite, destrói sua vida; isto é, ele a consigna à ruína eterna. Pois o verbo destruir (ἀπολέσει) não significa perder, ou enfrentar a perda de algo valioso, mas devotá-lo à destruição.
CALVINO, J. Evangelho Segundo João. Tradução: Valter Graciano Martins. Primeira Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015. v. 2p. 30.
Mas essa declaração também tinha o propósito de ensinar uma lição ainda mais ampla e abrangente. Ela revelou, por meio de uma figura admirável, a poderosa e fundamental verdade de que a morte de Cristo seria fonte de vida espiritual para o mundo. A paixão e a morte de Cristo resultariam em uma imensa colheita de benefícios para toda a humanidade. Sua morte, semelhante à de um grão de trigo, seria a raiz de bênçãos e misericórdias para incontáveis milhões de almas imortais. Em resumo, uma vez mais, o grande princípio do evangelho estava sendo exposto: a morte vicária de Cristo (não sua vida, seus milagres ou ensinos, mas sua morte) produziria frutos para a glória de Deus e proveria redenção para um mundo perdido.
Essa profunda e vigorosa declaração foi seguida por uma aplicação prática, que se refere a nós mesmos: “Aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna”. Aquele que deseja ser salvo precisa estar disposto a rejeitar a própria vida, se necessário, a fim de obter a salvação. Tem de mortificar seu amor ao mundo, com suas riquezas, honras, prazeres e recompensas, crendo plenamente que, ao fazer isso, terá uma colheita melhor, tanto nesta vida como na vida futura. Aquele que ama esta vida a ponto de ser incapaz de negar para si mesmo qualquer coisa por amor à sua alma descobrirá, no final, que perdeu tudo. Ao contrário, aquele que está pronto a desprezar as coisas mais queridas desta vida, quando atrapalham o bem-estar de sua alma, e crucificar a carne com suas paixões e concupiscências descobrirá que nada perdeu. No mundo, suas perdas nada significam, em comparação aos seus ganhos.
Essas verdades devem arraigar-se em nossos corações e constranger nos a um autoexame. Isso é tão verdadeiro a respeito de Cristo quanto dos verdadeiros cristãos — não pode existir vida se não houver morte; não pode existir doçura se não houver amargor; não receberemos a coroa se não passarmos pela cruz. Sem a morte de Cristo, não haveria vida para o mundo. A menos que estejamos dispostos a morrer para o pecado e crucificar tudo o que é mais querido à carne, não devemos esperar qualquer benefício da morte de Cristo. Recordemos essas verdades e tomemos diariamente a nossa cruz. Por causa da alegria proposta a nós, suportemos a cruz e desprezemos a vergonha; por fim, sentaremos com nosso Senhor à direita de Deus. O caminho da crucificação de nós mesmos e da santificação pode parecer tolice e desperdício para o mundo, assim como o ato de plantar um grão de trigo parece inútil a uma criança e ao tolo. No entanto, jamais existiu um homem que não descobrisse que, pelo semear do Espírito, ele obtém a colheita da vida eterna.
RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de João. 2a Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2018. p. 239–240.
Jesus então esclarece o significado de sua hora de destino com outra metáfora estendida (veja 10,1–5) introduzida com um duplo amēn, que como sempre em João aponta para uma máxima crucial (veja comentários em 1.51), essencialmente “Eu vos digo a verdade absoluta” (12.24).
OSBORNE, G. R. Evangelho de João. Tradução: Renato Cunha. Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023. p. 312.
Todos terão que dar respostas para Jesus, e estas dependem de quem Jesus é para elas, ou melhor, do que elas próprias são: impostor, opositor, revolucionário, um evoluído, um profeta, um intermediário, o salvador, o Senhor.
João 12.26 “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.”
Jesus certamente é para todos como um espelho. Que ele seja o nosso espelho num único propósito: servir a ele como Senhor, para que sirvamos ao Pai como ele serviu. Afinal, Jesus é nosso Deus! Sigamo-no nesse decreto!
Responder a Jesus com fidelidade e permanência dependerá do que temos “crido e conhecido” a respeito d’Ele.
BATISTA DO POVO. Lições de células. p. 4.
No Evangelho de João, em particular, a identidade de Jesus é determinante para as respostas humanas.
BATISTA DO POVO. Lições de células. p. 4.
Se Ele é Salvador, terá uma resposta; se é Senhor, terá outra. Se Ele é o Caminho é diferente se Ele tiver o caminho; se Ele é um profeta nazareno terá uma dimensão, e se é o Verbo que era desde o princípio, terá outra; se Ele é Rabi terá um impacto, e se Ele é o Messias terá outro impacto. A nossa vida será do tamanho de quem Ele é para nós (confira Rm.8.29 e 2 Co.3.18). Quanto mais O conheço, mais cresce meu amor, minha obediência e minha semelhança a Ele. Em Ef.4.17-24, a correção do nosso comportamento é baseada na identidade de Cristo revelada a nós. Por isso, nossas atitudes sempre necessitam responder primeiro: “Quem tu és?”
BATISTA DO POVO. Lições de células. p. 5.
Não é sem promessas que servimos ao Senhor. Só Jesus tem as palavras de vida eterna!
João 12.26 “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.”
À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele.Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna;e nós temos crido e conhecido que tu és o Santo de Deus.
Se a nossa resposta não for de perserverança, de confiança, de renúncia, não geraremos em nós esse fruto tão precioso de salvação. Para isso, busquemos o Espírito!
Para aqueles que o seguem, não esqueçamos, o Senhor Jesus assegura abundante encorajamento: “Onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará”. Guardemos em nossos corações essas promessas animadoras e prossigamos sem temor no caminho estreito. O mundo pode desprezar o servo de Cristo, reputando-o vil, e excluí-lo da sociedade; mas, quando habitarmos com Cristo na glória, teremos uma casa da qual jamais seremos expulsos. O mundo pode escarnecer de nossa religião e zombar de nosso cristianismo, mas, quando, no último dia, o Pai honrar-nos, diante da assembleia de anjos e homens, reconheceremos que seu louvor compensa todas as perdas.
RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de João. 2a Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2018. p. 240–241.
Existe uma promessa de honra do Pai: vida com felicidade e a expectativa do coração conforme a vontade Deus se cumprem!
João 12.26 “Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.”
Quando Jesus se torna nosso Senhor, não ganhamos peso de escravidão, mas a leveza da verdadeira liberdade!
Jesus, por fim, completou dizendo que aquele que decidisse ser seu servo, isto é, ser seu seguidor, fazendo as suas obras, esse teria a única honra pela qual realmente vale a pena gastar a vida. Esse terá a honra de Deus, isto é, o Pai o fará participar da glória do Filho. A glorificação, a honra, o reconhecimento que muitos procuram aqui, só vem de duas origens: ou os homens nos reconhecem e nos recompensam com elogios passageiros e presentes (conf. Mt 6.1,5,16), ou o Pai, Deus, que vê em secreto e que conhece os segredos dos nossos corações (conf. Mt 6.6), nos recompensará. Que galardão buscamos? Lembremos sempre das palavras de Jesus: E, se alguém me servir, o Pai o honrará!
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 221.
Por fim, uma promessa de autoridade: os servos de Jesus derrotam os inimigos da alma, para a libertação de outros servos ainda cativos. Os inimigos já não têm a força de outrora, isso porque a Igreja é serva e liberta.
João 12.31 “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.”
Nós somos luz e aonde chegamos as trevas tem que sair. Que sejamos mais e mais luz em Cristo, para que essa promessa se cumpra em nós ainda em vida.
Com a sua morte, Jesus venceu o poder do pecado, da morte e de Satanás. “Essa expulsão do príncipe deste mundo deve ser explicada à luz da sentença imediata seguinte: ‘E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo’. O fato de atrair os homens a Cristo significa a expulsão do diabo. Ele perde seu poder sobre as nações” (HENDRIKSEN, 2004, p. 574). Nos propósitos sábios, Deus ainda permite que o inimigo opere no mundo, tente os homens, e se manifeste no mundo até com poder. Mas tudo está debaixo do controle e do poder de Deus. Carson (2007, p. 442), esclarece a atração que Jesus exerce sobre os homens: “Na paixão/glorificação de Jesus ocorre automaticamente o julgamento deste mundo perverso que o matou, porém em sua ressurreição ele supera a morte pela vida a atrai os pecadores para si, um convite a vida abundante em Cristo”. Assim como a Bíblia profetizou o julgamento de Satanás na cruz, também profetiza o fim de todo sistema e atividade satânica no mundo. Esse é o programa que Deus está executando fielmente na história. Tudo vai ocorrer de modo certo e determinado pelo Senhor (conf. v. 31).
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 222–223.
Na mesma medida em que Jesus foi entronizado, Satanás foi destronado. D. A. Carson diz corretamente que qualquer poder residual que o príncipe deste mundo ainda desfrute é mais adiante restringido pelo Espírito Santo, o consolador (16.11).
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 331.
William Hendriksen lança luz sobre o assunto quando escreve: O fato de atrair todos os homens a Cristo significa a expulsão do diabo. Ele perde seu poder sobre as nações. Um momento antes, os gregos tinham pedido para ver a Jesus. Esse é precisamente o contexto. Esses gregos representavam as nações – eleitos de todas as nações – que viriam a aceitar a Cristo pela fé viva, mediante a soberana graça de Deus. Então, por meio da morte de Cristo, o poder de Satanás sobre as nações do mundo é quebrado. Durante a antiga dispensação, essas nações estiveram sob a escravidão de Satanás (embora, naturalmente, nunca no sentido absoluto do termo). Com a vinda de Cristo, ocorre uma mudança tremenda. No Pentecostes e depois dele, começamos a ver a reunião da Igreja entre todas as nações do mundo. Isso é o que Jesus vê com muita clareza quando esses gregos se aproximam dele. Esse desenvolvimento dramático aparece duas vezes sob o poderoso “agora” (12.31). D. A. Carson tem razão em dizer que esse advérbio “agora” não só liga esses versículos aos versículos 23 e 27, mas, também, enfatiza a natureza escatológica dos eventos que são iminentes. O julgamento do mundo, a destruição de Satanás, a exaltação do Pai no Filho do homem, a atração de homens e mulheres dos confins da terra – tudo isso poderia ser reservado para o fim dos tempos. Mas o fim dos tempos já começou. Não é que não esteja reservado para a consumação; antes, significa que o passo decisivo está para ser dado na morte/exaltação de Jesus.
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 332–333.
12:31 Chegou o momento de ser julgado este mundo, Jesus disse. O mundo estava prestes a crucificar o Senhor da vida e da glória. Ao agir assim, traria condenação a si mesmo. A sentença seria aplicada ao mundo por causa da sua terrível rejeição a Cristo. É o que o Salvador quis dizer aqui. A condenação seria aplicada à humanidade culpada. O príncipe deste mundo é Satanás. De maneira verdadeira, Satanás foi derrotado completamente no Calvário. Ele pensou que havia logrado êxito ao terminar com o Senhor Jesus de uma vez para sempre. Em vez disso, o Salvador providenciara um meio de salvação para os homens e, ao mesmo tempo, derrotara Satanás e todas as suas hostes. A sentença ainda não foi aplicada ao Diabo, mas sua condenação já foi selada. Ele continua no mundo exercendo suas atividades más, mas é somente uma questão de tempo até que ele seja expulso
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 298.
Jesus é o Senhor de todos, isso ficará evidenciado no Dia do Juízo. Mas a graça de Deus alcançou judeus e gentios, Jesus foi levantado como Rei para salvar não só Israel, mas pessoas de todas as nações.
João 12.32–33 “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo.Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.”
Nós éramos aqueles gregos, agora podemos adorar sem barreiras, Jesus se sacrificou por nós, e agora o nosso sacrifício por ele atrairá outros para essa vida de verdadeira felicidade, até que se complete o número do seu povo.
Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos.
E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado.
Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: Irmãos, atentai nas minhas palavras:expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome.
Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens,educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata justa e piedosamente,aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus,o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.
Jesus disse: E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim. A palavra “todos” aí refere-se aos gregos e quantos, de todas as nações, eles representam. O sentido é que não só judeus serão atraídos a Jesus, mas gentios também; todos, isto é, sem distinção, e não no sentido de sem exceção. A cruz ainda hoje é o supremo magneto moral do mundo. Não são os ensinamentos de Cristo, nem o exemplo de sua vida, dissociados de sua morte; é sua cruz que atrai multidões, desafiando cada um, como seguidor devotado do Senhor, a tomar a cruz e segui-lo.
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 328.
Como os gregos, que eram gentios, queriam ver Jesus, fica claro que Jesus está falando sobre judeus e gentios, ou seja, pessoas de todas as raças serão atraídas a ele. A palavra “todos” nesse contexto significa todos sem acepção, e não todos sem exceção. A salvação não depende do sangue nem da etnia (1.13). Jesus é o Salvador não apenas dos judeus, mas também dos samaritanos; portanto, ele é o Salvador do mundo (4.42). Ele tem outras ovelhas que não são deste aprisco (10.16). Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1.29).
LOPES, H. D. João: As Glórias do Filho de Deus. 1a edição ed. São Paulo: Hagnos, 2015. p. 332.
12:32 A primeira parte desse versículo se refere à morte de Cristo na cruz. Ele foi pregado numa cruz de madeira e levantado da terra. O Senhor disse que, se ele fosse assim crucificado, atrairia todos a ele. Várias explicações têm sido dadas acerca disso. Alguns pensam que Cristo atrai todo o povo ou à salvação ou ao julgamento. Outros pensam que, se Cristo é levantado na pregação do evangelho, assim haverá um grande poder na mensagem, e almas serão atraídas a ele. Mas provavelmente a explicação correta é que a crucificação do Senhor Jesus resultou em todos os tipos de pessoas sendo atraídas a ele. Não significa todo o povo sem exceção, mas gente de toda nação, tribo e língua
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 298.
Jesus promete atrair todos os homens a si. Este todos os homens, no contexto em questão, que coloca os gregos perto dos judeus, deve significar homens de todas as nações. Essa ideia é encontrada no quarto Evangelho repetidas vezes: a salvação não depende do sangue ou da etnia (1.13; cf. 8.31–59); Jesus é o Salvador não apenas dos judeus, mas também dos samaritanos; portanto, ele é o Salvador do mundo (4.42); ele tem outras ovelhas que não são deste aprisco (judeu); estas outras são do mundo gentílico (10.16); ele morrerá não apenas pela nação judaica, mas para que ele possa também reunir os filhos de Deus que estão espalhados pelos outros países (11.51); em suma, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1.29).
Jesus atrairá todos os homens a si quando for levantado da terra. Este for levantado foi explicado em conexão com 3.14; veja as p. 162–163. Por meio de sua crucificação, ressurreição, ascensão e coroação, Jesus atraiu a si mesmo (isto é, à fé eterna nele mesmo) todos os eleitos de Deus de todos os tempos, regiões e nações. Ele os atraiu por meio de sua Palavra e de seu Espírito. Essa atividade do Espírito é a recompensa por haver o Filho sido levantado. Dessa obra de atrair pecadores a Cristo, a operação do Espírito Santo no coração na regeneração não deve ser excluída. Ela precede até mesmo nossa fé dada por Deus. Veja mais sobre essa atividade de atrair e sobre o significado do termo usado no original nas p. 273–274, a explicação de 6.43–44.
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 509.
Todos atrairei a mim. A palavra todos, empregada por ele, deve ser entendida como uma referência aos filhos de Deus, os quais pertencem ao seu rebanho. No entanto, concordo com Crisóstomo que afirma que Cristo usou o termo universal, todos, porque a Igreja tinha de ser congregada igualmente dentre os gentios e judeus, segundo aquele dito: “haverá um só pastor e um só rebanho” [Jo 10.16]. A antiga tradução latina traz: “Atrairei todas as coisas a mim”; e Agostinho afirma que devemos lê-la dessa maneira; mas a concordância de todos os manuscritos gregos deve ser-nos de maior peso.
CALVINO, J. Evangelho Segundo João. Tradução: Valter Graciano Martins. Primeira Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015. v. 2p. 38–39.
Jesus é o cumprimento de todas as profecias do Antigo Testamento. E aqui ele se revela como o Filho do Homem, o citado em Daniel 7. Seu reino sobressaiu ao mundo greco-romano, e não terá fim! Mas é preciso “interiorizar”.
João 12.34–36 “Replicou-lhe, pois, a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre, e como dizes tu ser necessário que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem?Respondeu-lhes Jesus: Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem anda nas trevas não sabe para onde vai.Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles.”
Existe uma diferença entre andar na luz, e crer para ser filho da luz. Quem anda pode até ser “convencido”, mas é dependente, está na igreja e não é Igreja; quem crê tem luz própria, o Espírito de Jesus, é súdito deste Rei.
A maneira como cada um reage (discípulos, religiosos, multidão) está diretamente relacionada à revelação que recebeu.
BATISTA DO POVO. Lições de células. p. 5.
Tudo o que aconteceu e foi dito confunde as pessoas. Jesus aceitou a aclamação do povo como rei triunfante, falou da glorificação do Filho do Homem, e agora diz que deve morrer. A maioria dos judeus espera a perpetuidade do reino de Deus da mão de um messias igualmente perpétuo (Sl 89.3–4,35–37; Is 9.7; Ez 37.25; Dn 2.44; 7.13–14). Daí a pergunta (12.34) que aponta não tanto para a identidade da pessoa, mas para o tipo de messias a que Jesus se refere: a um messias que morre? Jesus não responde; antes, recorre à linguagem de luz-trevas (3.19–21; 9.4; 11.9–10) para exortá-los a crer nele enquanto ainda está com eles. Assim, compartilharão de sua natureza e não serão dominados pela escuridão (1.5,10–12). A resposta é encontrada no restante do Evangelho. Jesus é o Filho do Homem, o Messias que dura para sempre através de sua ressurreição e exaltação. É um Messias inesperado que morre para vencer a morte e, assim, oferecer a vida eterna do reino eterno.
SENDEK, E. João. In: PADILLA, C. R. et al. (Eds.). Comentário Bíblico Latino-Americano. Tradução: Cleiton Oliveira et al. 1. ed. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2022. p. 1359.
12:34 A multidão estava confusa com essa declaração do Senhor acerca de ser levantado. Eles sabiam que Jesus afirmava ser o Messias, e ainda sabiam do AT que o Messias permaneceria para sempre (cf. Is 9:7; Sl 110:4; Dn 7:14; Mq 4:7). Observe que o povo citou Jesus como dizendo que o Filho do Homem deve ser levantado. De fato, ele dissera: “Eu, quando for levantado da terra”. Naturalmente, o Senhor Jesus se referia a si mesmo muitas vezes como o Filho do Homem, e talvez tenha até falado do Filho do Homem sendo levantado, então não era difícil para o povo juntar os dois pensamentos.
12:35 Quando o povo perguntou a Jesus quem era o Filho do Homem, ele falou de si mais uma vez como a luz do mundo. Ele os lembrou que a luz estaria com eles somente por um pouco. Eles deveriam vir à luz e andar na luz; caso contrário, as trevas logo iriam apanhá-los, e eles tropeçariam ao redor em ignorância. Parece que o Senhor se assemelhava ao sol e à luz que o dia oferece. O sol nasce de manhã, alcança o seu zênite ao meio-dia e desce no horizonte ao anoitecer. Está conosco somente por um limitado número de horas. Deveríamos aproveitá-lo enquanto está aqui, porque, ao chegar a noite, não temos o seu benefício.
MACDONALD, W. Comentário Bíblico Popular: Novo Testamento. 2a edição ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2011. p. 299.
Estatisticamente, o termo ocorre pelo menos oitenta vezes nos Evangelhos. No Quarto Evangelho, é encontrado treze vezes (ou onze vezes, se sua ocorrência controversa em 5.27 e em 9.35 for excluída). Os casos de seu uso em João são os seguintes:
(1) 1.51. “Vocês verão o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.”
(2) 3.13. “E ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem.”
(3) 3.14. “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve o Filho do Homem ser levantado.”
(4) 5.27 (controverso). “Assim como o Pai tem vida em si mesmo, assim ele concedeu ao Filho também ter vida em si mesmo e lhe deu autoridade para agir como Juiz, porque é o υἱός ἀνθρώπου.” Veja as p. 233–234.
(5) 6.27. “Não trabalhem mais pela comida que perece, mas trabalhem pela comida que permanece para a vida eterna, aquela comida que o Filho do homem lhes dará, pois sobre ele Deus, o Pai, colocou seu selo.”
(6) 6.53. Então Jesus lhes disse: “Muito solenemente lhes asseguro: A menos que vocês comam a carne do Filho do homem e bebam seu sangue, vocês não têm vida em si mesmos.”
(7) 6.62. “Então o que acontecerá se vocês virem o Filho do homem subindo para onde estava antes?”
(8) 8.28. Então Jesus disse: “Quando vocês tiverem levantado o Filho do homem, então vocês saberão que eu sou ele, e que de mim mesmo eu não faço nada, mas falo como o Pai me ensinou.”
(9) 9.35 (controverso). Jesus ouviu que eles o tinham expulsado e, tendo-o encontrado, disse-lhe: “Você crê no Filho do homem?”
(10) 12.23. “É chegada a hora em que o Filho do homem deve ser glorificado.”
(11) e (12) 12.34 (duas ocorrências). Então a multidão lhe respondeu: “Ouvimos da lei que o Cristo permanece para sempre; como, então, você diz que o Filho do homem deve ser levantado? Quem é esse Filho do homem?”
(13) 13.31. “Agora o Filho do homem foi glorificado, e Deus foi glorificado nele.”
Nos Evangelhos, com a única exceção de 12.34, o termo o Filho do homem nunca é usado por alguém a não ser pelo próprio Jesus. É uma autodesignação. Que ele usava esse título com referência a si mesmo, fica claro em 6.53–54; 8.28; 9.35 (melhor versão) 37; cf. também 12.34 à luz do que precede. Que o povo entendia isso como uma referência ao Cristo já foi indicado (a passagem presente, 12.34). A derivação do termo de Daniel 7.13–14 é dificilmente questionável. Uma comparação entre essa passagem e Mateus 26.64 dificilmente deixa espaço à dúvida honesta sobre o resultado. Não é verdade que o “um como o Filho do Homem” em Daniel representa o povo hebreu e que a transferência do título de um corpo coletivo para uma pessoa foi mediada pela bibliografia pós-canônica (ex., o livro de Enoque). Um como Filho do homem aparece nas nuvens dos céus, mas os santos são encontrados na terra (veja argumentos detalhados em G. C. Aalders e em Young; para os títulos, veja a nota 271). Também no livro do Apocalipse, que emprega a mesma expressão (“um como Filho do homem”), a referência é muito distintamente a uma pessoa, isto é, ao Cristo exaltado. Em geral se põe tanta ênfase no fato de lermos “um como”, como se isso significasse que a pessoa designada não fosse realmente o Filho do homem em pessoa, mas sim uma vaga figura representativa, simbólica. Mas essa inferência é incorreta. A figura, como aparece na visão, assemelha-se ao homem pela simples razão de que ela o designa e descreve. A descrição em Daniel se torna o título no Novo Testamento, mas a mesma pessoa é indicada em ambos.
Jesus provavelmente usou essa autodesignação a fim de indicar sua natureza celestial e transcendente. Ele é Aquele que vem de cima, Aquele a quem o julgamento final foi entregue, que virá nas nuvens em glória. Ele não é, portanto, de forma alguma, o Messias político, terreno e nacionalista que os judeus esperavam. Ele não é apenas o rei de Israel, mas o Rei dos reis. Ele permanece em conexão com toda a raça humana, sendo o Filho do homem. Contudo, ele é único entre os homens. Ele não é um filho de homem, mas o Filho do homem. Como homem ele sofre e trilha o caminho da humilhação. Ele é o homem de dores. Mas esse mesmo caminho leva à coroa, à glória. Além do mais, essa glória será revelada não só escatologicamente, quando ele vier nas nuvens, mas também retroativamente, por assim dizer, ao longo de toda a sua vida na terra e por meio de cada ato redentor. Ele é sempre o glorioso Filho do homem.
Especificamente, as passagens citadas mostram, no Evangelho de João, o Filho do homem como sendo Aquele que desceu dos céus (3.13), fala a língua de seu Pai celeste (8.28), é o elo entre céu e terra (1.51), cumpre uma missão inspirada (sofrimento e morte por seu povo, 3.14), tem autoridade celestial para atuar como juiz tanto no presente como no futuro (5.27), é o próprio pão do céu, que o homem deve comer (6.27, 53), da mesma forma é o objeto da fé (9.35) e mostra a glória do céu tanto em seu sofrimento e morte quanto uma recompensa por esse sofrimento e morte (3.13; 12.23,34; 13.31).
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 511–513.
Sem dúvida, o homem natural, conquanto o evangelho lhe seja pregado, não tem um entendimento espiritual interior, experimental, dos mistérios de Deus e da redenção. Esse conhecimento é totalmente reservado aos filhos de Deus (1 Co 2.14). Mesmo assim, todo homem a quem o evangelho é proclamado recebe certa quantidade de iluminação, isto é, no sentido em que ele fica sabendo da vontade de Deus para sua vida (Lc 12.47). Muito lhe é dado (Lc 12.48; cf. Rm 3.2). Ele pode até mesmo profetizar em nome de Jesus (Mt 7.22). Ele conhece o caminho da justiça e, nesse sentido, tem conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 2.20–21). Pense em Balaão, no rei Saul, Judas, Demas e outros. Mas, apesar de tudo isso, há sempre muitas pessoas que ouvem o evangelho, porém não andam na luz, isto é, elas não mostram, mediante sua conduta, que aceitaram e se apropriaram da verdade como proclamada por Cristo, a luz.
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 513–514.
A admoestação de encerramento é muito comovente e bela: “Enquanto vocês têm a luz (Cristo no meio de vocês, como a fonte da verdade e da salvação), creiam – exercitem a fé, pela graça soberana de Deus”; veja sobre 1.8; 3.16; 8.30–31a – na luz, para que se tornem filhos da luz, isto é, luzes (um semitismo; cf. Mt 5.14), tendo a luz de Cristo não apenas ao redor de vocês, mas dentro do coração e da mente (cf. Ef 5.8; 1 Ts 5.5).
HENDRIKSEN, W. João. Tradução: Jonathan Luís Hack. 2a edição ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014. p. 514.
Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem. Esta afirmação, de que a luz não seguirá brilhando neles senão “por um pouco de tempo”, se aplica igualmente a todos os incrédulos, pois a Escritura promete que aos filhos de Deus nascerá o Sol da Justiça [Ml 4.2], e jamais se porá. “Nunca mais te servirá o sol para luz do dia nem com seu resplendor a lua te iluminará, mas o Senhor será tua luz perpétua, e teu Deus, tua glória” [Is 60.19].
Mas todos devem andar cautelosamente, porque o desprezo da luz é seguido de trevas. Esta é também a razão pela qual noite tão espessa e escura desceu sobre o mundo por tantos séculos. Isso ocorreu porque havia tão poucos que se dignassem a andar em meio ao esplendor da sabedoria celestial; pois Cristo nos iluminou com seu evangelho a fim de podermos seguir a vereda da salvação, à qual ele nos encaminhou. Por esta razão, aqueles que não se valem da graça de Deus extinguem, quanto está em seu poder, a luz que lhes é oferecida.
Pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Para abalá-los com uma preocupação ainda mais profunda, ele lhes lembra quão miserável é a condição dos que, vivendo destituídos de luz, nada fazem senão vaguear sem rumo ao longo de todo o curso de sua vida. Pois não podem dar sequer um passo sem que se arrisquem a cair inclusive na destruição. Agora, porém, Cristo declara que vivemos em trevas, a menos que ele resplandeça em nós. Daí inferirmos qual é o valor da sagacidade da mente humana, quando ela se faz o único guia e instrutor à parte de Cristo.
36. Crede na luz. Ele os exorta a que retenham, mediante a fé, a posse da luz, pois ele dá o título, “filhos da luz”, aos que, como genuínos herdeiros, desfrutam dela até o fim.
CALVINO, J. Evangelho Segundo João. Tradução: Valter Graciano Martins. Primeira Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015. v. 2p. 40–41.
Jesus como “a luz do mundo” (8.12) brilha a luz de Deus sobre o mundo das trevas (1.4,7,9) e passa julgamento sobre o mal que o caracteriza (3.19,20). Portanto, o julgamento não é apenas um evento futuro no fim da história; é um processo presente que é coadjuvante e envolve a oferta de salvação. Aqueles que respondem com fé são perdoados, mas aqueles que rejeitam essa oferta vão para o próximo nível de julgamento, condenados pelo Espírito (16.8–11). Aqueles que continuamente rejeitam essa oferta enfrentarão então o julgamento final no grande trono branco (Ap 20.11–15).
OSBORNE, G. R. Evangelho de João. Tradução: Renato Cunha. Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023. p. 316.
O versículo 35 (“Caminhai enquanto tendes a luz, antes que a escuridão vos ultrapasse”) parece ser outra pequena metáfora (veja 12.24), desta vez imaginando uma pessoa caminhando ao pôr-do-sol que deve apressar-se para chegar ao seu destino antes que a escuridão o ultrapasse e ele perca seu caminho. Vários intérpretes chamam isso de “parábola da crise”, como os de Mateus 24–25, retratando um tempo de conflito espiritual quando “o príncipe deste mundo” está em ação. Quando caminhamos na luz, conquistamos as trevas (1.5), mas aqueles que rejeitam a luz e escolhem as trevas (3.19,20) são ultrapassados pela noite. Eles não conseguem ver seu caminho e pensam que estão indo na direção certa, mas estão a caminho da destruição.
O comentário final de Jesus à multidão constrói o caminho da salvação ao longo deste Evangelho: “Acredite na luz enquanto você tem a luz, para que vocês se tornem filhos da luz” (12.36). A escuridão está no controle dos líderes, mas Jesus quer resgatar a multidão, e a única resposta é a decisão de fé. Jesus, a luz do mundo (8.12), logo desapareceria, e esta foi a última vez que eles poderiam responder diretamente a ele.
Se eles responderem com convicção, eles se tornarão “filhos da luz”. “Filho de” é um idioma usado em línguas semíticas (como o Jesus aramaico provavelmente falou) descrevendo a principal característica de uma pessoa, portanto, isso significa que eles seriam caracterizados pela luz de Deus dentro deles. Jesus usa esta imagem para contrastar seus seguidores com seus oponentes. Esta imagem não é única no judaísmo do primeiro século; os essênios de Qumran se chamavam “os filhos da luz”, e os forasteiros eram “os filhos das trevas”.
Esta é a maneira perfeita de terminar seu ministério público com as multidões, com o desafio de sair do reino das trevas e entrar no reino da luz. Há um inclusio nisto, pois a luz que brilha sobre todas as pessoas começou este Evangelho (1.4,7,9, um elemento central do prólogo). Agora seu ministério se encerra com o chamado para se tornar crianças de luz.
OSBORNE, G. R. Evangelho de João. Tradução: Renato Cunha. Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023. p. 381-319.
Existe todo um ensino bíblico sobre a incredulidade, que se vê no texto em seguinda (poder do Espírito). Mas o homem é responsável por sua resposta. E existe um prazo para mudar e até melhorar nossa resposta.
João 12.36 “Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz. Jesus disse estas coisas e, retirando-se, ocultou-se deles.”
Nossa resposta a Jesus depende de quem ele é para nós. Se ele é nosso Senhor, toda nossa vida será nossa resposta, com gratidão, obediência e amor. Essa resposta precisa ser dada em vida, e com essas carcaterísticas.
Jesus nos encoraja porque, agora, enquanto o Evangelho está sendo pregado, a luz está brilhando. Há luz agora quando o Espírito de Deus está falando ao seu coração. Mas Jesus também adverte que essa oportunidade um dia passará. Não haverá mais possibilidade de se crer na luz verdadeira, de se crer em Cristo. Se desejamos ser filhos da luz, devemos crer em Jesus, devemos crer na luz. Receba a luz. Que ela possa brilhar no seu coração e na sua vida para sempre! Já dissemos anteriormente que o coração humano às vezes se fecha para a Palavra de Deus e, a única providência que podemos tomar para não andarmos nas trevas é crermos, é aceitarmos e nos submetermos a Jesus, a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.
NEVES, I.; MCGEE, J. V. Comentário Bíblico de João. Segunda edição ed. São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 223–224.
Estas coisas disse Jesus. É possível que nos sintamos surpresos por ele haver se afastado deles, quando eram tão ávidos em recebê-lo; mas, dos demais Evangelistas pode-se inferir facilmente que o que aqui lemos se relaciona com os adversários que ardiam com inveja em virtude do santo zelo dos bons e sinceros discípulos. Pois os estrangeiros, que saíram ao encontro de Cristo, o seguiam até o templo, onde ele encontrou-se com os santos e com a multidão dos habitantes da cidade.
CALVINO, J. Evangelho Segundo João. Tradução: Valter Graciano Martins. Primeira Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015. v. 2p. 41.
Esse tipo de cristianismo produz pouco interesse nos homens. É muito abrangente, decidido, intenso e real. Servir a Cristo apenas de nome e aparência é fácil e satisfaz muitas pessoas; porém, segui-lo com fé durante toda a vida exige mais do que os homens estão dispostos a fazer por suas almas. Zombaria, oposição e perseguição frequentemente são as únicas recompensas que os seguidores de Cristo recebem deste mundo. Eles têm uma religião “cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus” (Rm 2.29).
RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de João. 2a Edição ed. São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2018. p. 240.
PERGUNTA PARA REFLEXÃO E INTERAÇÃO NO GRUPO
PERGUNTA PARA REFLEXÃO E INTERAÇÃO NO GRUPO
A) Como Jesus foi apresentado a você pela primeira vez? Qual imagem, impressão, informação você tinha d’Ele antes da sua conversão?
B) Como o conhecimento a respeito de Jesus muda o nosso comportamento em relação a Ele, aos outros e às circunstâncias?
C) O que posso fazer para crescer na resposta à pergunta-título desta lição?
BATISTA DO POVO. Lições das células. p. 5.
DESAFIO DASEMANA
DESAFIO DASEMANA
Para esta semana, o desafio é refletir pessoalmente sobre a pergunta central da nossa lição: “Quem é Jesus para mim?”. Reserve um momento para ler Mateus 16.13-20 e João 6.66-69, meditando sobre a identidade de Cristo e sobre a resposta de Pedro.
Em seguida, escreva em poucas linhas quem Jesus é para você hoje e de que forma essa verdade tem transformado sua vida. Compartilhe com alguém e ore diariamente, pedindo: “Senhor, quero te conhecer mais e viver de acordo com quem Tu és”.
BATISTA DO POVO. Lições das células. p. 6.
