A verdadeira Guerra Espiritual
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Introdução
Introdução
Continuaremos com nossa série de pregações sobre algumas das doutrinas cristãs: Cristianismo do Dia a Dia.
Alguns anos atrás, livros populares de uma autora chamada Rebecca Brown trataram de “batalha espiritual” (a luta contra forças espirituais do mal) com base em experiências pessoais, cheias de exageros e fantasias. Embora tenham feito sucesso, suas ideias não eram bíblicas e geraram medo e superstição entre muitos cristãos.
Diante disso, precisamos perguntar: o que a Bíblia realmente ensina sobre a luta contra o mal? Existe uma guerra espiritual verdadeira? E como podemos vencê-la?
Hoje, veremos um dos textos mais icônicos sobre a verdadeira “guerra espiritual” e, através desse texto, veremos que, na Palavra de Deus temos o que é necessário para vencer Satanás e cada uma das armadilhas dele.
Mas antes, uma breve introdução sobre o que está ocorrendo aqui. Antes de iniciar seu ministério público, Jesus ainda era visto apenas como “o filho do carpinteiro”, alguém não muito especial.
Mas, Satanás, sabendo muito bem quem Jesus é, teve a ideia de tentar acabar com o ministério de Jesus logo no início. Ele havia tentado isso antes, através do caso horrível onde Herodes mandou matar todas as crianças pequenas de Belém e vizinhança. Agora uma nova chance apareceu.
Com esse pano de fundo — o Filho de Deus preparado espiritualmente, o inimigo pronto para atacar, e o deserto como cenário — o texto nos mostra como o tentador age. A primeira armadilha que Satanás usa não parece maligna à primeira vista. Na verdade, ela parece razoável. Mas é justamente aí que mora o perigo…
Exposição
Exposição
1ª Armadilha de Satanás: usar suas necessidades legítimas (v.1-4) 1 A seguir, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. 3 Então o tentador, aproximando-se, disse a Jesus: — “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães.” 4 Jesus, porém, respondeu: — “Está escrito: ‘O ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.’ ”
1ª Armadilha de Satanás: usar suas necessidades legítimas (v.1-4) 1 A seguir, Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. 3 Então o tentador, aproximando-se, disse a Jesus: — “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães.” 4 Jesus, porém, respondeu: — “Está escrito: ‘O ser humano não viverá só de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.’ ”
💡Desenho sugerido: Um pão com um sinal de interrogação (?) ao lado.
Jesus iniciou Seu ministério em jejum de quarenta dias — tempo de consagração e dependência total do Pai. Fraco e faminto, foi abordado por Satanás, aqui chamado de “tentador” (πειράζω), com uma sugestão aparentemente inocente: “Transforma estas pedras em pão”. Perceba que Satanás não está oferecendo um pão para Jesus, como se fosse um “pão amaldiçoado”. Ele disse para Jesus fazer, com o próprio poder, o tal pão. Que mal haveria, não é mesmo?
Mas seguir toda e qualquer sugestão de Satanás é sempre um problema. Foi assim, com uma simples sugestão, que Satanás fez com que toda a humanidade ficasse presa ao pecado (Gn 3.4-5).
Por trás da simples sugestão havia duas grandes armadilhas:
para salvar a humanidade, o Filho de Deus precisa seguir os conselhos do diabo? Além disso,
se por causa de fome, fosse certo Jesus ouvir os conselhos do diabo, então, nós teríamos uma desculpa quando a necessidade e os desejos de ordem física fossem uma tentação para de nós?
Sendo Deus, Jesus poderia ter dado muitas respostas perfeitas para Satanás, mas escolheu uma que nós mesmos poderíamos dar, usando uma arma que está à nossa disposição: a Bíblia. Ele não caiu na armadilha, usando o texto de Deuteronômio 8.3. Um texto onde Moisés estava lembrando algumas coisas que Deus havia feito para o povo de Israel para que eles entendessem que obedecer a Deus é mais importante até que saciar nossas necessidades mais legítimas, como comer e beber.
Jesus nos ensina aqui que conseguir coisas boas e corretas, mas da forma errada e da pessoa errada, não é benção, mas maldição.
Aplicações → Você tem sido tentado a buscar o que é legítimo (comida, descanso, sustento) de forma errada? Há situações onde você justifica escolhas por “necessidade”?
Satanás tentou Jesus com pão, algo legítimo. Mas Jesus respondeu com a Escritura. Porque a verdadeira guerra espiritual é vencida com fidelidade à Palavra.
Mas Satanás é astuto. Quando percebe que Jesus não cede nem mesmo diante de uma necessidade física legítima, ele muda de estratégia. Se o Filho de Deus confia na Palavra, então será com a própria Palavra que ele tentará enganar. O tentador agora assume a forma de um ‘intérprete das Escrituras’ — e aqui aprendemos que até versículos podem ser usados como armadilhas…
2ª Armadilha de Satanás: usar a Palavra de Deus (v.5-7) - 5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e disse: — “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, porque está escrito: ‘Aos seus anjos ele dará ordens a seu respeito. E eles o sustentarão nas suas mãos, para que você não tropece em alguma pedra.’ ” Jesus respondeu: — ‘Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.’ ”
2ª Armadilha de Satanás: usar a Palavra de Deus (v.5-7) - 5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e disse: — “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui, porque está escrito: ‘Aos seus anjos ele dará ordens a seu respeito. E eles o sustentarão nas suas mãos, para que você não tropece em alguma pedra.’ ” Jesus respondeu: — ‘Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, seu Deus.’ ”
💡Desenho sugerido: Um quebra-cabeça com uma peça forçada no lugar errado (forma diferente ou desalinhada).
O diabo percebeu que Jesus confiava na Palavra e, com esperteza, passou a usá-la fora de contexto. É o mesmo erro de tantos hoje — distorcer textos para justificar desejos.
Certo conto diz que um jovem procurou o pastor dizendo que queria se casar com uma irmã da igreja chamada Constância. Surpreso, o pastor perguntou o motivo, já que nunca os vira juntos. O rapaz explicou que sentiu ser vontade de Deus. Ao ser questionado como sabia disso, respondeu que leu 2 Tessalonicenses 3.5: “Ora, o Senhor conduza o vosso coração ao amor de Deus e à constância de Cristo”, interpretando que Deus estava guiando seu coração à irmã Constância.
Apesar desta história ser somente uma anedota, na vida real, muitas pessoas fazem este tipo de distorção do texto para justificarem seus próprio atos. E, aqui na tentação de Jesus, vemos que o próprio diabo (διάβολος = acusador) incentiva essa prática e dá exemplo de como fazer.
Veja a esperteza da armadilha: Jesus estava para começar seu ministério diante dos homens. Ele nasceu em uma família humilde e viveu até a vida adulta em uma cidade pequena. O que seria melhor que um grande milagre para chamar a atenção das pessoas para o ensino dele?
Consegue imaginar a cena? Jesus sobe à parte mais alta do templo enquanto todo mundo olha pra ele apreensivo. Daí, Jesus se joga lá de cima e, quando todo mundo espera um fim trágico, anjos aparecem, pegam ele e Jesus chega flutuando ao chão, são e salvo. No mesmo instante milhares de pessoas se tornariam seus seguidores. Jesus sairia do anonimato instantaneamente.
A proposta era muito boa. Jesus mostraria ao mundo que Ele tinha poderes divinos, conseguiria muitos seguidores e também demonstraria que a Bíblia tem razão, afinal, o diabo citou o texto de Salmos 91.11-12.
No entanto, mais uma vez Jesus rejeita a sugestão de Satanás, citando o texto bíblico de Dt 6.16, um texto onde Moisés adverte o povo a não duvidar da fidelidade de Deus. Jesus estava dizendo que não precisava “forçar Deus Pai a agir”. No tempo certo, o ministério de Jesus iria ganhar a notoriedade necessária.
Aplicação → Você já viu alguém usar a Bíblia para justificar pecado? Ou você mesmo já procurou “um versículo” para apoiar o que já decidiu fazer?
O diabo citou a Bíblia — mas fora de contexto. Jesus também respondeu com a Escritura correta. Porque a verdadeira guerra espiritual é vencida com fidelidade à Palavra.
Duas tentativas falharam, mas Satanás não está disposto a recuar tão facilmente. Se Jesus não se move pela necessidade física e nem pela distorção espiritual, então resta uma terceira e última cartada: a glória. Agora, o diabo apela à ambição, ao desejo de influência, à sedução do poder — tudo sob uma condição aparentemente simples…
3ª Armadilha de Satanás: usar o que este mundo tem de melhor (v.8-11) - 8 O diabo ainda levou Jesus a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles 9 e disse: — Tudo isso lhe darei se, prostrado, você me adorar. 10 Então Jesus lhe ordenou: — Vá embora, Satanás, porque está escrito: “Adore o Senhor, seu Deus, e preste culto somente a ele.” 11 Com isto, o diabo deixou Jesus, e eis que vieram anjos e o serviram.
3ª Armadilha de Satanás: usar o que este mundo tem de melhor (v.8-11) - 8 O diabo ainda levou Jesus a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles 9 e disse: — Tudo isso lhe darei se, prostrado, você me adorar. 10 Então Jesus lhe ordenou: — Vá embora, Satanás, porque está escrito: “Adore o Senhor, seu Deus, e preste culto somente a ele.” 11 Com isto, o diabo deixou Jesus, e eis que vieram anjos e o serviram.
💡Desenho sugerido: Um castelo com uma seta apontando para baixo (mostrando a falsa promessa de grandeza).
Como usar a Bíblia não deu certo, o diabo ofereceu sua arma secreta, aquilo que ele tem usado para seduzir a maioria das pessoas. A palavra de Deus diz que o “mundo jaz no Maligno” (1Jo 5.19), ou seja, que o Senhor Deus concedeu que Satanás tenha muito poder sobre o mundo até que Jesus volte. Essa é uma das razões de a maioria dos países do mundo serem tão anticristãos, seja nos perseguindo, seja criando leis que tornam o mal bem e o bem mal.
Então, de certa forma, o diabo estava propondo algo aparentemente bem vantajoso: poder sobre o mundo todo! E como bom vendedor, o diabo mostrou “a glória”, ou seja, a beleza e o poder dos reinos que ele estava oferecendo. Deve ter sido uma visão de encher os olhos! Em troca, o diabo não pediu tanto. Pediu apenas para Jesus se ajoelhar e adorar.
Mas Jesus deixou evidente que conhecia a astúcia. Aquela proposta não era feita por alguém com boa intenções, mas por um adversário, que é o significado do nome Satanás. Imediatamente, citando a Bíblia de novo (Dt 6.13), lembra que Deus exige exclusividade. Se somente Ele é Deus, se somente Ele é o criador e, se somente Ele sustenta nossa vida, porque Ele teria que dividir-nos com algum outro?
Esta foi a gota d’água para Jesus, que ordenou que Satanás fosse embora e este teve que obedecer.
Com essa última resposta, Jesus encerra a conversa. Satanás não tem mais argumentos. E o que vemos ao final é revelador: os anjos servem a Jesus, como sinal de que Ele realmente venceu e passou na prova do Espírito (v.1).
Aplicações → O que o mundo tem oferecido para você em troca da sua fidelidade a Cristo? Poder? Reconhecimento? Conforto?
Satanás ofereceu o mundo. Mas Jesus escolheu a obediência. Porque a verdadeira guerra espiritual é vencida com fidelidade à Palavra.
Mas essa vitória de Cristo não foi apenas pessoal. Foi também representativa. Porque, se voltarmos ao início da Bíblia, veremos outro homem, em outro cenário, diante de outra tentação… mas com um desfecho muito diferente.
Um contraste entre o primeiro e o segundo Adão
Um contraste entre o primeiro e o segundo Adão
É interessante ver como a narrativa da tentação no deserto tem pontos em comum com a narrativa da tentação no Éden.
O diabo pôs em dúvida a honestidade de Deus no Éden, dizendo “é certo que não morrerão” (Gn 3.4), ao passo que, com Jesus, nas três vezes que o tentou no deserto, insinuou “se és Filho de Deus” (Mt 4.3,5), mesmo o próprio Pai Celestial tendo declarado que Jesus era o “filho amado” para todos ouvirem, quarenta dias antes.
O diabo induziu Adão a ver que o fruto “era bom para se comer” (Gn 3.6), enquanto que disse para Jesus fazer pão.
O diabo instilou vaidade e orgulho em Adão dizendo que ele seria “como Deus” (Gn 3.5), enquanto disse a Jesus que fizesse uma demonstração pública de seu poder.
O diabo incitou Adão a admirar e desejar o fruto que, de proibido, virou algo “agradável aos olhos”(Gn 3.6)
Apesar disso, duas grandes diferenças: A primeira é Adão foi tentado num paraíso, onde nada lhe faltava, enquanto Jesus foi tentado estando num deserto, fraco e com fome. A segunda diferença é que Adão falhou miseravelmente, trazendo o pecado e a condenação para cada um de nós, enquanto Jesus venceu cada tentação sem balançar, trazendo o perdão e a redenção para todo o que nele crer.
Conclusão
Conclusão
No Éden, o primeiro Adão caiu diante da voz da serpente. No deserto, o segundo Adão venceu o mesmo inimigo — e venceu por nós.
Jesus não apenas resistiu às tentações; Ele conquistou para nós o poder de resistir também.
Quando somos tentados, não lutamos sozinhos. Lutamos unidos Àquele que venceu.
A verdadeira guerra espiritual não é feita de rituais nem de gritos, mas de fidelidade à Palavra, confiança no Pai e adoração exclusiva a Cristo.
E o Cristo que venceu no deserto hoje vive em nós pelo Espírito.
Portanto, resista ao diabo, e ele fugirá de vocês (Tg 4.7).
Caminhe na Palavra. Confie em Cristo. E vença com Ele.
