O que fazer quando nada faz sentido?

O Evangelho do Rei  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Texto base:
Matthew 1:18–25 NVI
Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Por ser José, seu marido, um homem justo, e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia anular o casamento secretamente. Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: “A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe chamarão Emanuel”, que significa “Deus conosco”. Ao acordar, José fez o que o anjo do Senhor lhe tinha ordenado e recebeu Maria como sua esposa. Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus.

Um outro olhar

Por que quatro evangelhos? Por que Mateus, Marcos, Lucas e João não se sentaram ao redor de uma mesa e escreveram juntos um único evangelho? Essa pergunta surge na mente de muitas pessoas e é uma dúvida compreensível. No entanto, como já pudemos notar no último sermão, cada evangelista possui um público e um propósito próprio.
O que temos, portanto, não são quatro repetições da mesma história, mas quatro perspectivas diferentes sobre a vida de Jesus. Cada evangelho destaca aspectos únicos, e isso faz parte da sabedoria de Deus, que nos concede um retrato mais amplo e profundo do Seu Filho.
Por exemplo, falamos um pouco disso na semana passada, enquanto Lucas apresenta a genealogia de Jesus a partir de Maria e relata o nascimento e os acontecimentos ao redor desse momento sob a ótica dela, Mateus, por sua vez, conta a genealogia de Jesus e descreve os fatos tendo em vista José, o pai legal de Jesus — e é a partir dessa perspectiva que precisamos meditar no nosso texto hoje.

A história de José

Por isso eu preciso da sua imaginação emprestada! Voltemos a mais de dois mil anos atrás. Diante de nós está Joséum homem comum, trabalhador, conhecido por sua honestidade, um homem nobre.
Como era costume entre os judeus, José havia se comprometido em casamento com uma jovem chamada Maria. Aqui precisamos abrir um parêntese: pois, naquela época, diferente dos nossos dias, o casamento acontecia em duas etapas. A primeira era o compromisso formal, algo como o noivado dos nossos tempos, mas muito mais sério. Esse era um acordo público, firmado entre as famílias, acompanhado de um contrato e de um dote. A partir desse momento, o casal já era considerado legalmente ligado, embora ainda não vivessem juntos nem tivessem relações.
Durante esse período, que durava cerca de um ano, a noiva permanecia na casa dos pais, e o noivo se preparava para recebê-la. Romper esse compromisso exigia um divórcio formal.
Toda essa primeira etapa era um tempo de espera, de expectativa e também de fidelidade. Somente depois vinha a segunda etapa, quando o noivo ia até a casa da noiva, a recebia em festa e a levava para viver consigo.
Agora, voltando à nossa história, José vive esses dias de grande expectativa. Já Maria, prometida a ele em casamento, havia ido visitar sua parenta Isabel. Sem dar muitas informações, ela permaneceu lá por cerca de três meses e então retornou.
Quando Maria volta, José começa a notar algo diferente. Não é algo evidente, mas há sinais sutis que chamam sua atenção. Talvez fossem os enjoos, talvez as mãos e os pés um pouco inchados, ou talvez a barriga, que embora ainda não grande, já mostrava um leve volume. Observando tudo isso, José chega a uma conclusão difícil e dolorosa: Maria estava grávida.
Nesse momento, José se vê diante de um dilema enorme. Ele amava Maria, mas ao mesmo tempo ela estava grávida e ele sabia que não era o pai. É então que depois de pensar muito, José decide anular o casamento secretamente.
Naqueles dias, caso o noivo optasse pelo divórcio — estando ainda na primeira etapa do casamento — ele precisava seguir um procedimento formal. Era necessário apresentar uma carta de divórcio, que seria entregue à noiva e registrada perante testemunhas ou a comunidade. No caso de Maria, além da exposição pública, o fato de estar grávida sem que José fosse o pai poderia fazer com que ela fosse punida severamente, chegando até à morte, conforme a lei ordenava.
Anular o casamento secretamente, como José chegou a concluir em seu pensamento, protegeria Maria de uma humilhação maior e, possivelmente, até de uma punição que poderia colocar em risco a vida dela e do bebê que carregava.
Mas naquela noite, enquanto José tomava coragem para fazer o que tinha decidido, algo extraordinário acontece. Um anjo do Senhor aparece em sonho e fala diretamente ao seu coração:
Matthew 1:20–21 NVI
Mas, depois de ter pensado nisso, apareceu-lhe um anjo do Senhor em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tema receber Maria como sua esposa, pois o que nela foi gerado procede do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.
É nesse ponto do texto que Mateus abre o primeiro parêntese do seu evangelho conectando o antigo testamento apessoa de Jesus. Mateus conta que tudo isso aconteceu para que se cumprisse a profecia em Isaias 07.14:
Isaiah 7:14 NVI
Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel .
Aqui, para que não haja confusão, é importante entender que Emanuel não é um nome alternativo para Jesus. Assim como “Filho de Davi” ou “Cristo”, “Emanuel” é um título messiânico, ou seja, um nome que aponta para quem Jesus realmente é.Emanuel significa “Deus conosco”. Lembrando que desde o nascimento, Jesus não é apenas um bebê, mas o próprio Deus vindo habitar entre nós.
É então que ao despertar, José sente seu coração tranquilo. Ele recebe Maria, não mais com medo ou suspeita, mas com fé e amor. Talvez, José já estava ciente dos olhares tortos e das línguas más que enfrentaria, porém tinha certeza de que aquilo que estava fazendo cumpria um propósito do próprio Deus.
Quando a criança nasce, cumprindo a ordem do anjo, José lhe dá o nome de Jesus, garantindo assim àquela criança, o direito legal de sua linhagem.

E quando enfrentamos situações difíceis?

Certamente José viveu um dos momentos mais confusos e delicados da sua vida. Nada do que estava acontecendo fazia sentido aos olhos humanos — e ainda não faz—, porém mesmo assim ele precisou escolher como reagir diante de uma situação tão difícil como a que ele enfrentou.
E é aqui que essa história nos encontra. Porque, por mais diferentes que sejam as circunstâncias, todos nós já estivemos — ou estaremos — diante de uma situação que simplesmente não faz sentido. Você ora, confia, vive como um homem justo/ uma mulher justa, e de repente, tudo se move e sai do lugar.
Diante de uma situação assim José fez três coisas que também devemos fazer quando enfrentamos situações difíceis:

1º José pensou muito sobre

O v.20 diz:
“Mas, depois de ter pensado nisso...”
               
Diante de tudo que estava acontecendo José não agiu de cabeça quente. Ele não foi um homem inconsequente e temperamental a ponto de agir segundo as suas emoções.
É certo que muitos de nós, ao recebermos uma notícia como essa, ficaríamos indignados, feridos e com vontade de resolver tudo o mais rápido possível. Mas José não. O texto diz que, sendo ele um homem justo, e não querendo expor Maria à vergonha pública, pretendia anular secretamente o casamento. Porém, mesmo tendo tomado essa decisão, José ainda parou para pensar.
José não permitiu que o choque determinasse sua decisão. Ele respirou. Ele pensou. Ele ponderou. E isso é algo cada vez mais raro!
Vivemos em um tempo em que todo mundo quer resolver tudo na hora — responder na hora, postar na hora, decidir na hora. José mostra que pensar também é um ato espiritual. Antes de qualquer escolha, ele se aquietou. Ele não confundiu impulso com direção.
Entenda: Nem toda decisão rápida é certa. Mas toda decisão sábia começa com um coração que sabe esperar e sabe refletir.

2º José ouviu a voz de Deus

É então que, ao refletir sobre o que faria — deixando a raiva e a frustração de lado — José ouviu a voz de Deus. Enquanto muitos falariam, reclamariam, gritariam e brigariam, José silencia.
O texto diz que “um anjo do Senhor apareceu a ele em sonho”v.20. Perceba que a voz de Deus não se manifesta no barulho da pressa, ou loucura da ansiedade, mas na quietude de um coração disposto a confiar. José não ouve a si mesmo. Ele não dá ouvidos à opinião pública. Ele ouve a Deus.
Quantas vezes não ouvimos a Deus simplesmente porque já decidimos o que queremos fazer? Já tomamos uma decisão!Talvez já pensemos bastante e por isso, não vemos necessidade de ouvirmos a Deus. Trancamos o nosso coração e lançamos a chave fora.
A atitude de José nos ensina que ouvir a Deus exige uma postura. A postura de alguém que consegue descansar em meio ao turbilhão de notícias ruins. A postura de alguém que consegue fechar os olhos e dormir mesmo tendo os seus melhores planos destruídos aparentemente.

3º José obedeceu a voz de Deus

Em terceiro lugar, José não apenas ouviu a voz de Deus — ele obedeceu à voz de Deus. O texto diz que, ao despertar do sono, ele fez como o anjo do Senhor lhe havia ordenado. E essa é uma das marcas mais belas da fé: quando a confiança se torna ação.
Obedecer também é um ato de humildade. Vejamos o exemplo de José! José tinha um plano bem definido. Ele havia pensado, refletido, decidido. E, se observarmos, sua decisão era sensata, justa e equilibrada. Afinal, ele amava Maria. Mas como levar adiante esse relacionamento, se uma gravidez surge do nada?
Porém, quando Deus fala, José abre mão da sua própria vontade. Ele não tenta negociar com Deus. Não procura uma alternativa. Não tenta reajustar o plano antigo. Ele simplesmente se rende.
Obedecer é isso: é aceitar que o plano de Deus é melhor, mesmo quando o nosso plano já parece bom o suficiente. Obedecer é ter coragem de desistir do que foi bem pensado e planejado quando o céu nos mostra um outro caminho. Obedecer é reconhecer que a sabedoria de Deus é maior do que a nossa lógica.
A história desse homem comum nos ensina que fé e humildade caminham juntas. A fé confia e a humildade se curva. E aqui não estamos falando de humildade relacionada a posses ou bens materiais, mas de um coração disposto a reconhecer que, por mais que nossos planos sejam bons e nossas intenções sinceras, nada se compara ao que Deus tem preparado para nós.

O segredo é ter Jesus em nossas vidas

José não era um profeta. Não era um sacerdote. Não fez milagres, nem pregou a multidões. José era apenas um homem comum, justo, que amava a Deus e procurava fazer o que era certo. E é justamente esse tipo de pessoa que Deus escolhe para colocar no meio do seu plano perfeito.
O texto que lemos não nos fala apenas de um homem comum que confiou em Deus, mas de como Deus confia histórias extraordinárias nas mãos de homens comuns — quando esses homens comuns procuram viver uma vida justa, são sensíveis à voz de Deus e humildes o suficiente para abandonarem os seus planos e abraçarem o propósito dos céus.
José experimentou isso! Ter Jesus em sua vida nem sempre significa que tudo vai fazer sentido. Na verdade, ter Jesus em sua vida é um lembrete de que nem tudo o que acontece precisa ter um sentido lógico. Às vezes, as coisas não acontecem como a gente gostaria. Às vezes, os planos não seguem o rumo que imaginamos. Mas se temos a Cristo, então é sinal de que Deus está fazendo algo extraordinário e nos colocou dentro do seu plano.
Esse é o ponto essencial da nossa jornada: ter Jesus em nossas vidas! José talvez não tenha compreendido todos os detalhes do plano de Deus. Ele não sabia como aquela criança iria mudar o mundo, nem como aquela criança salvaria o seu povo de seus pecados, nem entendia plenamente o que significava segurar o Filho de Deus em seus braços. Mas ele teve o privilégio de segurá-lo, protegê-lo, de escolher seu nome e participar, mesmo que de forma limitada, do cuidado e do ensino daquele menino que transformaria a história.
Ter Jesus em nossas vidas é viver essa mesma realidade. Nem sempre entendemos os caminhos, nem vemos o quadro completo, mas somos chamados a confiar, a ensinar, a amar, a obedecer.
Irmãos, ainda existe muito caminho pela frente. Mas graças a Deus não estamos sós! Temos a Cristo, o Emanuel, o Deus conosco.
Que Ele tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 02 de outubro de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Carvalho
Soli Deo Gloria
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