O CORPO E AS CONSEQUENCIAS DO PECADO
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IGREJA EVANGELICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PONTA GROSSA
PASTOR PRESIDENTE ALTAIR DE MORAES
JESSÉ MELKZEDEQUE LAMP
IEADPG – TEMPLO CENTRAL
INTRODUÇÃO
O QUE É PECADO?
O pecado é qualquer transgressão contra a vontade revelada de Deus. Para quem tem olhos para ver, o pecado está manifesto por toda parte. Realmente deve estar com visão enfraquecida quem não vê. O pecado surgiu no universo e depois no mundo humano, através da desobediência. O Diabo não foi enganado quando cometeu o primeiro pecado. Da mesma forma Adão não foi enganado (1 Tm 2.14). Tanto o Diabo como Adão pecaram de olhos abertos. De igual modo, o pecado não é apenas um ato de debilidade ou fraqueza, porque ele foi concebido por seres fortes e capazes (Ez 28.12-16; 2 Pe 2.4). O pecado em qualquer sentido— pensado, planejado e praticado — fere a santidade de Deus.
SE O PECADO É TRANSGRIDIR CONTRA A VONTADE DE DEUS, QUAL É A VONTADE DELE?
O Apostolo Paulo, responde essa pergunta dizendo:
1Tessalonicenses 4.3 “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição;”
Então a vontade Deus é essa que vivamos em santidade e quando saimos desse proposito estamos pecando contra Ele.
Aí surge a seguinte pergunta: Como viver em santidade ou sermos santos, se somos completamente depravados, caidos, falhos, pecadores.
E é justamente dentro desse contexto que entra a graça de Deus, é a graça salvífica que nos regenera, que nos justifca, que nos purifica. A graça nos capacita a buscarmos uma vida de santidade.
Devemos entender que a nossa natureza é pecadora, que somos pecadores. Mas ao estarmos com Cristo, precisamos viver em santidade.
Ou seja, se eu estou em Cristo, não posso dizer: “Eu nasci assim, eu sou assim e vou morrer assim”. Isso não existe para os que são nascidos de novo.
Não é porque a nossa natureza é pecaminosa que eu estou livre para falar palavrão, para realizar os desejos da minha carne, para andar de qualquer maneira.
Há um padrão de comportamente moral, etico, social, ou seja, em todos os sentidos. Há um padrão em como o crente deve falar, agir, pensar, se vestir e assim por diante.
I - DA PERFEIÇÃO À MORTE
Deus criou o homem perfeito, Salomão escreve em Eclesiastes 7.29 “Eis o que tão somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.”
A desobediência do casal original trouxe a morte ao mundo. Existem três tipos de morte: a espiritual, a física e a eterna. Adão e Eva morreram espiritualmente no momento em que pecaram. Eles também começaram a morrer fisicamente naquele mesmo dia.1 Caso Adão e Eva não tivessem aceitado a provisão de salvação oferecida por Deus, teriam também, em algum momento, morrido eternamente, o que significaria uma separação perpétua de Deus.
A Morte Espiritual
A morte é a separação de Deus, e a morte espiritual é a separação espiritual de Deus. Isaías declarou: “Mas as vossas iniqüidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.2). No instante em que Adão pecou, ele experimentou o isolamento espiritual de Deus; isto fica evidenciado pela vergonha que ele sentiu a ponto de se esconder do seu Criador.
A Morte Física
Depois de criar Adão: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16-17). No exato momento em que Adão tomou parte no fruto proibido, ele começou a morrer fisicamente, apesar da mentira de Satanás de que ele não morreria (cf. 3.4). A morte física é o resultado inevitável do pecado de Adão não somente para si mesmo, como também para todos os seus descendentes naturais (à exceção de Cristo).
A Morte Eterna
Se Adão não tivesse aceitado a provisão de salvação feita por Deus (Gn 3.15-24), ele teria, em algum momento, experimentado o que a Bíblia chama de “segunda morte,” que é a separação eterna de Deus.6 João escreveu sobre ela nas seguintes palavras: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Ap 20.14-15). Todos os que nascerem somente uma vez (fisicamente), haverão de morrer duas vezes (física e eternamente).7 Contudo, todos os que nascem duas vezes (física e espiritualmente) morrerão somente uma vez (fisicamente). Jesus disse: “Todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá” (Jo 11.26).
CERTIFICAÇÃO DIVINA
A história do ser humano começa com um selo de aprovação divina. Em Gênesis 1.31, lemos:
“E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom.”
Essa declaração é teologicamente densa. Ela representa o testemunho de um Criador que, ao concluir Sua obra, reconhece nela perfeição e harmonia. O termo hebraico usado para “muito bom” (tôv me'ôd) não significa apenas “sem defeito”, mas plenamente adequado ao propósito divino.
O homem, criado à imagem (tselem) e semelhança (demut) de Deus (Gn 1.26), refletia o caráter moral e espiritual do Criador. Ele possuía racionalidade, vontade, moralidade e espiritualidade — aspectos que o distinguiam da criação material e o habilitavam para a comunhão com Deus.
O teólogo Agostinho de Hipona descreve este estado como posse non peccare — “a possibilidade de não pecar”. O homem possuía liberdade genuína, porém dentro da vontade perfeita de Deus.
O corpo humano, igualmente, foi criado sem corrupção, como instrumento de expressão da alma e servo da vontade do Espírito. A saúde, a harmonia e a imortalidade eram atributos naturais desse estado original.
Porém, essa perfeição estava vinculada à obediência. Em Gênesis 2.16–17, Deus estabelece o mandamento que serviria como teste de fidelidade:
“De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
Essa ordem não era uma limitação arbitrária, mas o reconhecimento de que o homem dependia do Criador para discernir o bem e o mal. O homem foi criado livre, mas não autônomo. Sua perfeição dependia de sua sujeição a Deus.
PECADO E DOR
Com a entrada do pecado (Gn 3), a ordem perfeita foi quebrada.
O homem, ao escolher desobedecer, desconectou-se da fonte da vida. O resultado foi imediato: vergonha, culpa, sofrimento e, finalmente, morte.
“No dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17).
Com a desobediência, a criação entrou em colapso. O primeiro anúncio de sofrimento humano aparece logo após o pecado, como consequência inevitável da transgressão: Gênesis 3.16–17 “E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida.”
Aqui o texto bíblico mostra que a dor entrou não como punição, mas como resultado moral da desobediência.
O pecado rompeu a ordem perfeita da criação e gerou desarmonia entre Deus, o homem e a natureza. Assim, a dor passou a fazer parte do ambiente da existência humana — física (como no parto e no trabalho), emocional (como no luto e na ansiedade), e espiritual (como na separação de Deus).
A dor, portanto, é um lembrete constante de que o pecado produz consequências.
A dor surge, portanto, como consequência direta da queda, mas também como instrumento de consciência.
O teólogo John Stott escreve:
“A dor é o megafone de Deus para acordar um mundo surdo.”
Assim, a dor é o lembrete constante de que o homem não é autossuficiente. Ela revela sua necessidade de redenção e dependência da graça divina.
VELHICE, AUTENTICIDADE E GRATIDÃO
Com a queda, o homem passou a experimentar o processo natural de degeneração física — a velhice.
A velhice, sob a ótica bíblica, nunca foi vista como decadência, mas como coroamento. As Escrituras, é justamente o contrário: envelhecer é ser testemunha de que a graça sustentou o homem ao longo do tempo.
O Salmo 90.10 afirma:
“Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e, se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, porque passa rapidamente, e nós voamos.”
A velhice, porém, não é maldição, mas processo pedagógico. Ela revela a fragilidade do ser humano e o convida à dependência e gratidão.
Enquanto o mundo exalta a juventude e despreza o envelhecimento, a Bíblia exalta a sabedoria dos anos:
“Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes.” (Sl 92.14)
A velhice do crente é a evidência da fidelidade de Deus. O corpo se enfraquece, mas o espírito se renova (2Co 4.16). A gratidão, então, torna-se o cântico dos que reconhecem que cada fase da vida é dom divino.
II - RESPONSABILIDADE HUMANA
CORPO E LIVRE-ARBITRO
Mesmo após a queda, o homem não perdeu totalmente a imagem de Deus — ela foi manchada, mas não destruída. Isso significa que ainda conserva consciência, razão e vontade, elementos do livre-arbítrio.
A liberdade humana, contudo, agora é limitada. O homem pode escolher, mas suas escolhas estão corrompidas pela natureza pecaminosa. Como Paulo declara:
“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.” (Rm 7.19)
O livre-arbítrio não significa autonomia absoluta, mas liberdade sob Deus.
O ser humano não é senhor de si mesmo — ele é administrador da própria vida diante do Criador
O livre-arbítrio, sem a graça, conduz ao egoísmo; mas sob a graça, é redimido para o serviço e amor.
A verdadeira liberdade não é a ausência de limites, mas a capacidade de escolher o bem dentro da vontade de Deus.
No corpo, essa tensão se manifesta em desejos e impulsos que precisam ser disciplinados.
“Apresentai os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm 12.1)
Assim, o corpo é tanto instrumento de tentação quanto meio de adoração. A responsabilidade humana é usar o corpo como expressão da santidade, e não da escravidão ao pecado.
A POTENCIALIZAÇÃO DO SOFRIMENTO
O sofrimento é intensificado quando o homem resiste à vontade de Deus. Muitas dores da alma são agravadas não pela circunstância, mas pela rebeldia interior.
“Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus.” (Is 57.21)
O sofrimento é uma realidade universal, inevitável por causa do pecado. Desde a queda, ele acompanha o ser humano em suas múltiplas formas — física, emocional, espiritual e social.
Entretanto, há um aspecto ainda mais profundo: o homem pode intensificar o próprio sofrimento através de suas escolhas, sua rebeldia, sua incredulidade e sua falta de submissão à vontade de Deus.
O pecado não apenas traz dor, mas aumenta a percepção da dor. A alma que vive em culpa sente o peso da existência.
O sofrimento torna-se mais pesado quando falta fé. A ansiedade, o desespero e a desesperança são sintomas de uma alma que perdeu o eixo da confiança.
Mas, paradoxalmente, o sofrimento pode ser o lugar da transformação espiritual.
“Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.” (Hb 12.6)
A dor, quando vivida com fé, não destrói; purifica. Ela revela o caráter e molda o espírito. O sofrimento é a forja onde Deus refina Seus filhos.
III - DO ABATIMENTO À GLORIFICAÇÃO
A REALIDADE DAS ENFERMIDADES
As Escrituras revelam que a doença não fazia parte do plano original de Deus.
O homem foi criado para viver em perfeita harmonia — consigo mesmo, com a natureza e com Deus.
Mas o pecado desintegrou essa unidade.
O corpo, antes instrumento de expressão espiritual, tornou-se palco da decadência.
“O salário do pecado é a morte.” (Romanos 6.23)
Desde então, as enfermidades acompanham a humanidade como resultado direto ou indireto da queda.
Nem toda doença é causada por um pecado pessoal, mas toda doença é fruto de um mundo onde o pecado existe.
O ministério terreno de Jesus revela o coração de Deus diante da dor humana.
O Evangelho está repleto de atos de compaixão com os enfermos.
Ele tocava os leprosos (Marcos 1.41), curava os cegos (Mateus 20.34), restaurava paralíticos (João 5.8–9) e até ressuscitava os mortos (João 11.43–44).
Cada milagre de cura era mais que uma intervenção física — era uma mensagem espiritual:
Deus não é indiferente ao sofrimento humano; Ele entra na dor para redimi-la.
O profeta Isaías já havia antecipado essa dimensão da obra messiânica:
“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou as nossas dores.” (Isaías 53.4)
Cristo não apenas cura doenças, Ele assume o peso delas.
A cruz é o lugar onde o sofrimento humano encontra o amor divino.
E é nesse amor que o crente encontra consolo mesmo quando a cura física não vem.
ENFEDO E CANSEIRA
O enfado e a canseira são experiências universais. Toda existência humana, encontra momentos de desgaste, fadiga e esgotamento.
O corpo e a mente, por mais preparados que estejam, enfrentam limites que não podem ser ignorados.
O apóstolo Paulo descreve essa condição de maneira realista:
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4.17)
O enfado não é apenas físico; ele é também emocional e espiritual.
O peso da rotina, das responsabilidades, das decepções e das lutas constantes provoca cansaço que vai além do corpo, atingindo a alma.
A Bíblia reconhece que o ser humano não é autossuficiente.
O Senhor mesmo disse:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28)
Essa promessa revela que a exaustão é natural, mas não definitiva.
O cansaço humano surge porque vivemos em um mundo caído, sujeito à fadiga, à dor e à limitação.
Mesmo os discípulos de Jesus, que acompanhavam o Mestre, precisavam descansar, pois enfrentavam jornadas longas e exigentes (Marcos 6.31).
O enfado e a canseira nos lembram de que não fomos criados para caminhar sozinhos, nem para sustentar sozinhos todos os desafios da vida.
O corpo demanda descanso, o espírito precisa de renovação, e a alma necessita da presença divina para resistir às pressões do dia a dia.
O CORPO GLORIFICADO
A criação original e a redenção futura são como duas molduras de uma mesma obra.
O fim da história será o retorno à perfeição original — mas agora redimida e glorificada em Cristo.
“Vi novo céu e nova terra...” (Ap 21.1)
“E não haverá mais maldição” (Ap 22.3).
A glória final do homem é o cumprimento da certificação divina no estado eterno:
“Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos como Ele é” (1Jo 3.2).
A criação começa com “muito bom” e termina com “muito melhor”: o homem transformado, a imagem plenamente restaurada em Cristo, reinando com Ele para sempre
