Sem Ele nada!

Salmos de Romagem  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Salmo 127

Introdução:
No último Salmo que estudamos, o 126, notamos a forte correlação entre a ação de Deus e a alegria do seu povo. Nele, fica claro que foi o Senhor quem trouxe a libertação, e isso se tornou a causa da alegria do povo. Assim, o segredo da vitória não está nas forças do povo de Deus, mas no poder do próprio Senhor.
Por ter o Senhor ao seu lado, o seu povo pode permanecer confiante na caminhada, mesmo em meio aos problemas, certo de que, ao final, o sucesso será desfrutado — o choro será revertido em alegria.
Essa mesma relação entre a ação divina e o resultado humano norteia o próximo Salmo. Nele, encontramos declarações profundas que devem guiar o nosso coração sobre como viver a vida diante de Deus. É o que veremos agora, conforme o querer do Senhor.
Desenvolvimento:
Verso 1-2
No verso 1, vemos duas condições ligadas a situações normais da vida, ambas expressando a mesma verdade central: nada prospera sem a ação de Deus. É importante lembrar que o Senhor é um Deus que se envolve com a sua criação.
Em Daniel 2.11, observamos a visão pagã de que existe uma grande distância entre o Criador e a criatura; no entanto, ainda no mesmo capítulo, por meio da vida de Daniel, vemos que Deus se revela e interage com o ser humano.
Assim, para o salmista, é natural relacionar o Senhor às atividades comuns da sua época, pois ele reconhece que Deus está presente e atuante em cada aspecto da vida.
Logo, “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. Algo importante a se pensar aqui é: quem compôs este Salmo? Salomão!
A palavra “casa” pode se referir não apenas a uma construção física, mas também a uma linhagem, uma descendência.
Para um rei, isso era crucial — sem filhos, como perpetuar o reinado? Essa conexão aparece de forma clara também em 2 Samuel 7.12-16, onde Deus promete a Davi que edificaria a sua casa, ou seja, a sua descendência.
Davi foi o rei escolhido, e o próprio Senhor estava por trás dessa escolha. Ele é o provedor que garante que essa casa não será derrubada.
No mesmo capítulo, o Senhor deixa claro que agiu de modo diferente com Saul, pois a sua aliança estava com Davi. Assim, irmãos, aprendemos que temos uma dependência infinita do Senhor.
Mesmo o grande rei de Israel, no auge da nação, reconheceu que é a providência divina que sustenta uma casa de pé.
Ainda que não sejamos Salomão, precisamos lembrar que o Senhor é quem nos dá tudo o que necessitamos — seja descendência, sustento ou estabilidade. Ele é quem guarda e dirige os nossos caminhos, como o final do verso 1 deixa evidente.
Se Deus não está por trás das coisas, se não está à frente da jornada, não faz sentido trilhá-la — o caminho, além de árduo, torna-se inútil.
Tal como é dito no verso 2, de que adianta — em outras palavras — todo o esforço que o ser humano pode empregar para conquistar algo, se o Senhor não está por trás disso? De que adianta toda a dedicação que colocamos em tantos projetos, se eles não estão em conformidade com a vontade do Senhor?
Esse é o ponto central do verso 2: o esforço humano sem a direção divina. Trabalhar, planejar e se desgastar fora da vontade de Deus é desperdiçar energia em algo que não trará recompensa duradoura.
Todo o esforço que fazemos sem depender do Senhor se torna um peso. Um fardo que colocamos sobre nossos próprios ombros — e nem percebemos que já estão curvados de tanto cansaço que nós mesmos criamos.
Salomão, que também escreveu Eclesiastes, já conhecia o “vapor” que a vida pode trazer. Nesse livro, ele relata tanto a história de pessoas que devotaram enorme esforço a coisas passageiras, quanto a própria experiência de ter buscado sentido em obras que, ao fim, se mostraram vazias.
Por isso, precisamos observar o tipo de esforço que temos dedicado e perguntar a nós mesmos: vale mesmo a pena tudo isso?
Logo, em qual causa estou colocando todo o meu esforço? E será que é nela que eu realmente deveria estar tão dedicado?
Vivemos movidos a vapor — impulsionados por um encanto com o que é inútil. Mas é somente perto do Senhor que encontramos verdadeiro sentido. Quando buscamos a Sua vontade, ajustamos a nossa a uma causa que gera frutos eternos.
Verso 3-5
Em uma época tão marcada pela rejeição à paternidade e à maternidade, como devemos encarar o verso 3? Esse é um desafio para todos que tentam conciliar a Escritura com causas que se opõem a ela. Para muitos, os filhos são vistos como um fardo ou até uma “maldição” que atrapalha a vida dos pais.
Porém, como a Palavra do Senhor descreve os filhos? No contexto real, eles eram essenciais para a continuidade do reinado. E, olhando sob a luz do Novo Testamento, quem é o descendente de Davi que está sentado no trono? Cristo!
Os filhos são, portanto, uma maldição? Não! O verso 3 afirma o contrário. Ele coloca “herança” e “galardão” em paralelo com “filhos” e “fruto”, mostrando que eles são bênçãos concedidas por Deus.
Em outras palavras, os filhos são uma dádiva do Senhor — tanto para o rei quanto para qualquer pessoa que os receba. Rejeitar essa ideia é recusar o belo conselho de Deus: constituir uma família e reconhecer nela a graça do Senhor.
Os versos seguintes desenvolvem essa mesma ideia. No verso 4, o salmista apresenta uma bela comparação para nos ajudar a compreender a bênção de ter filhos: “como flechas na mão do guerreiro”.
Alguns costumam brincar chamando isso de “o fruto da maternidade”, e há uma verdade nisso — os filhos podem até encurtar o dinheiro dos pais, mas certamente alargam o coração. Eles revelam como o amor é capaz de criar laços profundos, o que também reflete nossa adoção espiritual em Cristo.
Os filhos se tornam úteis no contexto familiar — tanto no tempo do salmista quanto nos nossos dias. E nós, como filhos de Deus pela graça, somos chamados a propagar a sua Palavra, sendo como flechas que seguem o rumo determinado pelo Guerreiro divino.
É importante lembrar: Deus nos chama por graça, não por necessidade. Mas, no caso dos homens, os filhos são realmente flechas necessárias para que a batalha da vida continue.
Conforme aponta o verso 5, a pessoa que tem muitos filhos é verdadeiramente abençoada. Naquele contexto, ter uma grande família significava segurança e tranquilidade na velhice — os pais poderiam descansar, sabendo que seriam cuidados pelos filhos que Deus lhes concedeu.
Além disso, em tempos de conflito ou instabilidade social, os filhos eram um auxílio real na defesa da casa e até como guerreiros em batalha.
A ilustração das “flechas”, porém, também traz uma advertência: é preciso cuidado na criação dos filhos. Eles devem ser instruídos no temor do Senhor, como ensina o livro de Provérbios.
Para que a bênção seja plenamente desfrutada, é necessário seguir o caminho traçado pela Escritura. Isso não garante que todos os filhos serão tementes a Deus, mas indica o dever de cada pai de guiá-los na direção certa.
Dentro da igreja, essa imagem se amplia. As várias “flechas” que o Senhor colocou ao nosso lado — nossos irmãos na fé — são expressões do seu amor e instrumentos do seu cuidado. Eles nos fortalecem e nos ajudam nas batalhas da vida.
Conclusão:
Uma casa que Deus ergue é uma casa que permanecerá firme até o fim. Vemos isso na própria fidelidade de Deus: Ele sustenta o que constrói. Estar diante do Senhor com a nossa família é uma bênção maravilhosa que Ele nos concede para desfrutarmos com sabedoria nesta vida.
O temor do Senhor influencia todas as áreas da existência — inclusive a vida doméstica. É justamente sobre isso que o próximo Salmo irá nos ensinar, conforme a permissão do Senhor.
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