O Reino de Deus e o Império das Trevas
Escatologia • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 6 viewsNotes
Transcript
Este sermão trata da Escatologia inaugurada no Novo Testamento com a vinda de Jesus Cristo. A vinda de Cristo é vista como um evento escatológico e um ato apocalíptico (revelação) que estabelece o Reino de Deus.
Tema Central: A vinda de Cristo foi uma declaração de guerra contra os inimigos, caracterizada por sua natureza jurídica (por “direito” e “legitimidade”), e não por “força” ou “número de soldados”.
1. A Batalha Pelo Nascimento do Rei
1. A Batalha Pelo Nascimento do Rei
A batalha escatológica decisiva começou com o nascimento de Cristo.
1.1. O Anúncio Celestial
Os anjos, mensageiros do céu, anunciam o nascimento do rei.
O anjo Gabriel anuncia o nascimento de Jesus e descreve seus atributos e direitos.
Transcrição Bíblica (Lucas 1.32-33 – NAA):
Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
1.2. O Cumprimento da Profecia em Belém
Um decreto de César Augusto para o recenseamento (cenário preparado por Deus) conduziu José e Maria de Nazaré (Galileia) a Belém (cidade de Davi), garantindo o cumprimento da profecia (Miquéias 5.2).
Transcrição Bíblica (Lucas 2.1-5 – NAA):
Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirínio era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
1.3. O Anúncio da Milícia Celestial
O nascimento de Jesus é paradoxal: um rei conquistador nasce num estábulo e é colocado em uma manjedoura.
Anjos anunciam aos pastores os impressionantes títulos de Jesus: Salvador (sua missão), Cristo (sua identidade distinta), e Senhor (sua posição).
O aparecimento de uma “multidão da milícia celestial” (um grande exército do céu) revela que o nascimento foi uma ação de guerra.
Transcrição Bíblica (Lucas 2.8-14 – NAA):
Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do Senhor desceu aonde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: “Não temam; eis aqui lhes trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje lhes nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto lhes servirá de sinal: encontrarão uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura.” E, subitamente, apareceu com o anjo uma multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem.”
1.4. O Dragão Tenta Devorar o Filho
Apocalipse 12 descreve a batalha escatológica, ampliando a narrativa de Gênesis 3 sobre a mulher e a serpente. A mulher simboliza o povo de Deus (Israel).
O dragão (Satanás, o enganador) espera o nascimento para devorar o filho, tentando frustrar as promessas de bênção e libertação.
Transcrição Bíblica (Apocalipse 12.1-5a – NAA):
Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça, que, achando-se grávida, grita com as dores de parto, sofrendo tormentos para dar à luz. Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho, com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse. Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro.
O nascimento de Cristo foi o começo da derrota escatológica do dragão.
2. O Primeiro Confronto com o Inimigo
2. O Primeiro Confronto com o Inimigo
O batismo de Jesus, seguido pela unção do Espírito, marcou o início de seu ministério e o conflito com as forças das trevas.
2.1. O Teste do Diabo no Deserto
Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto com o objetivo de ser tentado, um momento reivindicado por Satanás para testá-lo como o "Filho".
Transcrição Bíblica (Mateus 4.1 – NAA):
Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2.2. A Tentação da Carne (Nível 1)
Satanás aproveitou a fome de Jesus após 40 dias de jejum. Ele questiona a justiça de Deus e a filiação de Jesus, omitindo o artigo definido ("se és Filho de Deus").
Transcrição Bíblica (Mateus 4.3 – NAA):
“Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães.”
2.3. A Vitória Pela Palavra
Jesus venceu todas as tentações confiando irrestritamente na Palavra de Deus. Ele agiu de forma oposta a Adão e Eva e a Israel no deserto.
Sua arma foi a verdade para libertar do mal, expressa pela frase: "Está escrito”.
2.4. A Tentação da Apostasia (Nível 3)
Satanás mostra a Jesus todos os reinos e a glória deles, o que ele realmente valoriza, propondo a troca definitiva de senhorio: adoração em troca de poder.
Transcrição Bíblica (Mateus 4.9 – NAA):
“Tudo isto lhe darei se, prostrado, me adorar.”
2.5. A Batalha Jurídica Pela Autoridade
Satanás não estava blefando, mas falando a verdade sobre sua autoridade temporária sobre os reinos.
Ele alegou ter recebido essa autoridade e poder concedê-la.
Transcrição Bíblica (Lucas 4.6-7 – NAA):
Disse-lhe o diabo: “Dar-lhe-ei toda esta autoridade e a glória destes reinos, porque ela me foi entregue, e a dou a quem eu quiser. Portanto, se prostrado me adorar, tudo será seu.”
A batalha é de natureza jurídica. Jesus recusou o caminho rápido, mostrando que estava preparado para vencer Satanás através do caminho longo e doloroso, iniciando a derrota do diabo. Jesus, mais tarde, declararia ter recebido “toda a autoridade [...] nos céus e na terra” (Mateus 28.18 – NAA).
3. A Ousadia dos Inimigos
3. A Ousadia dos Inimigos
Após a repreensão, o diabo se afastou de Jesus “até momento oportuno” (Lucas 4.13 – NAA), mas enviou seus subalternos para a batalha.
3.1. Confronto na Sinagoga de Cafarnaum
Um espírito imundo desafia a autoridade de Cristo imediatamente após o início de seu ministério (Marcos 1.14-15).
O espírito maligno usa o pronome plural (“nós”), indicando um desafio. A expressão “Que temos nós contigo” é um desafio e uma exigência para que Jesus se retirasse (desassociação).
O espírito expressa o medo de ser destruído.
Transcrição Bíblica (Marcos 1.23-24 – NAA):
Logo havia na sinagoga deles um homem com um espírito imundo, o qual gritou: “Que quer você conosco, Jesus Nazareno? Veio para nos destruir? Sei quem você é: o Santo de Deus!”
Jesus repreende o espírito e o expulsa, mas expulsão não é destruição.
3.2. O Duelo com o Gadareno (Território Gentio)
Jesus enfrenta um exército de demônios (Legião) na terra dos gerasenos/gadarenos (gentios). O demônio era violento e indomável pelos homens.
O demônio reconhece a autoridade de Jesus (correu e o adorou), mas ainda assim questiona o direito de Jesus de estar ali.
Transcrição Bíblica (Marcos 5.7-8 – NAA):
Gritando com voz forte, disse: “Que tenho eu com você, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-o por Deus que não me atormente!” Porque Jesus lhe dissera: “Espírito imundo, saia desse homem!”
3.3. Questionamento da Legitimidade e do Tempo
O demônio utiliza o termo “conjuro-te” (esperado do exorcista) para tentar obter controle sobre Cristo, reafirmando que a disputa era jurídica.
O questionamento “não me atormentes” alude ao “tormento eterno” que se seguirá ao julgamento final.
Transcrição Bíblica (Mateus 8.29 – NAA):
“Que quer você conosco, Filho de Deus? Veio aqui para nos atormentar antes do tempo?”
Os demônios entendiam que o tempo determinado para sua destruição ainda não havia chegado, e por isso questionavam a legitimidade de Cristo agir ali.
O nome do demônio era "Legião" (um exército).
3.4. O Desfecho dos Porcos
Os demônios rogaram a Jesus que não os enviasse para “fora do país” (área de atuação, território estrangeiro) nem para “o abismo” (destino final).
Transcrição Bíblica (Marcos 5.12-13 – NAA):
E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: “Mande-nos para os porcos, para que entremos neles.” Jesus lhes permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram.
Jesus, ao permitir que os demônios entrassem nos porcos, reconheceu parcialmente o "direito" deles (não os enviou para o abismo), mas não permitiu que ficassem no homem.
O afogamento no mar (que na literatura bíblica representa as forças contrárias a Deus) sugere que o tempo de perderem todos os direitos se aproximava.
