A LÍNGUA E A MATURIDADE CRISTÃ
Exposição de Tiago • Sermon • Submitted • Presented
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Para entender o texto
Para entender o texto
Texto em contexto
Texto em contexto
Tiago 1.26 introduziu a ideia de que aquilo que dizemos é uma medida de maturidade. Tiago 2.12 também fez referência a essa ideia: "Falem e ajam como quem vai ser julgado pela lei".
Agora, Tiago trata em mais detalhes daquilo que dizemos uns para os outros. De modo irônico, depois de fazer alusão à inutilidade de palavras sem ação (2.14-26), agora Tiago trata do fato de que as palavras em si podem ter algum efeito. Podem ser uma forma de ação e, portanto, um indicador de maturidade.
Aliás, nessa passagem Tiago argumenta que a língua é a melhor forma de medir a maturidade. Ele voltará a tratar daquilo que dizemos uns aos outros (p. ex., 3.14; 4.2,11,12,13-15; 5.9,12,13,16), pois esse é um tema de destaque na epístola.
Estrutura
Estrutura
O exemplo dos mestres e a ideia de julgamento (3.1).
A língua como a melhor medida de maturidade (3.2).
O primeiro motivo por que a língua é uma medida tão boa de matu-ridade: ela é extremamente poderosa (3.3-6).
Poder para fazer o bem a outros (3.3-5a).
Poder para destruir outros (3.5b-6).
Segundo motivo: ela é naturalmente indomável (3.7,8).
Terceiro motivo: ela revela o estado do coração (3.9-12).
Considerações interpretativas
Considerações interpretativas
3.1 Não tornem-se muitos de vocês mestres.
Embora alguns não vejam ligação nenhuma entre 3.1 e o restante da passagem, os mestres são um excelente exemplo do poder da língua. Com suas palavras, eles podem conduzir seus discípulos, como freios conduzem cavalos ou lemes conduzem navios.
Da mesma forma, os mestres podem, com suas palavras, destruir seus discípulos como uma fagulha incendeia uma floresta. Diante disso, não muitos devem se tornar mestres, pois essa grande responsabilidade é acompanhada de maior prestação de contas a Deus.
Alguns comentaristas, ao observarem que as imagens apontam para a maneira que nossas palavras afetam outros, foram ainda mais longe e argumentaram que, ao longo de toda a passagem, Tiago faz referência aos mestres quando usa a palavra "língua" e à igreja quando usa a palavra "corpo".
No entanto, Tiago não é tão específico. A língua (freio, leme, fagulha, veneno) representa aqueles que falam, dos quais os mestres são exemplos notórios, enquanto cavalo, navio e árvores representam aqueles que ouvem, o que abrange a igreja, mas não se limita a ela.
Um dos maiores problemas da igreja evangélica brasileira é sua liderança. Mais e mais desejam se tornar mestres, e o fazem sem que haja critérios claros e sérios por parte das denominações, que colocam na liderança pessoas absolutamente despreparadas, que não foram treinadas nem provadas quanto à fé, à capacidade e às motivações. Tais mestres ocupam os púlpitos evangélicos e proferem palavras e discursos que envergonham o nome de Cristo diante do mundo; desviam os incautos, confundem os desavisados, emburrecem os crentes e espalham mentiras no meio do povo.
3.2-4 Todos tropeçamos de muitas maneiras.
A NIV não traduz o termo explicativo "pois" (gar), mas a maioria das outras versões o mantém (p. ex., ESV, KJV, NASB, NET). "Pois todos tropeçamos de muitas maneiras" é a razão pela qual muitos não deveriam querer ser mestres. Se é tão fácil tropeçar no que dizemos, então muitos não devem procurar ser mestres, pois essa função implica maior responsabilidade.
Dentre as “muitas coisas” em que tropeçamos, Tiago destaca apenas uma: Se alguém não tropeça no falar (3.2b). Significa transgredir a lei de Deus com palavras. Os chamados “pecados da língua” ocupam uma grande parte das listas de transgressões que aparecem no Novo Testamento:
falso testemunho, blasfêmia (Mt 15.18–19)
mentira (Ap 21.8; 1Tm 1.10)
conversação torpe, palavras vãs, chocarrices (Ef 5.4)
maledicência (1Co 6.9)
difamação, malícia, calúnia (Rm 1.29–30)
perjúrio (1Tm 1.10), entre outros.
Tiago escolheu mencionar esse tipo de tropeço, pois é com palavras que os mestres fazem seu trabalho a maior parte do tempo, e é com palavras que eles têm maior tendência de tropeçar. “No muito falar não falta transgressão” (Pv 10.19; Ec 5.3).
No dia do juízo, não somente os mestres, mas todos os cristãos serão responsabilizados pelas palavras que proferirem. “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mt 12.36–37).
Quem nunca erra naquilo que fala é perfeito.
O termo traduzido por "naquilo que fala" é logos, usado somente aqui e em 1.18-23, em que é traduzido por "palavra". O uso de logos liga essas duas passagens. Nossas "palavras" são a melhor forma de identificar se somos apenas ouvintes da "Palavra" ou se também somos praticantes da "Palavra".
Por isso Tiago diz que quem mantém a língua sob controle é "perfeito", usando a mesma palavra para "maturidade" (teleios) de 1.4,17,25.
freios na boca de cavalos [...], dirigidos por um leme muito pequeno.
As analogias do freio e do leme não se referem a como nosso corpo é controlado por nossa língua, mas a como nossa língua exerce influência sobre outros.
É o cavaleiro que controla o cavalo por meio dos freios. E o capitão que dirigi o navio por meio do leme. De forma semelhante, é o mestre que influencia os discípulos por meio daquilo que ele ensina (3.1), e é a serpente que envenena suas vítimas.
O argumento mais amplo dessa seção é de que a língua é difícil de controlar (3.8), mas, se conseguimos controla-la, podemos usá-la para exercer grande influência, assim como o cavaleiro treinado para usar os freios do cavalo consegue controlá-lo e o capitão que aprende a controlar o leme influencia o rumo de todo o navio.
3.5 se vangloria de grandes coisas.
Isso não significa que a língua está sempre se gabando de algo. Antes, significa que a língua tem grande poder, ou, como diz a paráfrase na Bíblia The Message: "Uma palavra de sua boca pode parecer nada, mas é capaz de realizar ou destruir quase tudo!".
3.6 A língua [...] um mundo de maldade [...] contamina [...] incendeia todo o curso de sua vida.
Uma comparação desse versículo nas versões em inglês revela que ele é notavelmente difícil de traduzir. A melhor tradução que encontrei foi a da NET: "E a língua é um fogo! Ela representa o mundo de maldade entre os membros de nosso corpo. Contamina todo o corpo e incendeia o curso da existência humana, e é incendiada pelo inferno".
Essa tradução repercute o fato de que em Tiago 1.27 se diz que o mundo contamina uma pessoa, e ali é usado a mesma palavra grega para "mundo" que nesse versículo, bem como termos relacionados para "poluir/ contaminar". Também é importante observar que a NET traz "incendeia todo o curso da existência humana". a NIV traz "incendeia todo o curso de sua vida". O verbo "incendiar" traz à mente danos causados não ao próprio indivíduo, mas a outros. Aquilo que dizemos contamina a nós mesmos (como em Mt 15.11) e destrói outros (como em Pv 16.27; Jr 5.14).
3.8 nenhum ser humano consegue domar a língua.
Tiago redigiu essa frase de modo a enfatizar a palavra "ninguém". Esse é o segundo motivo por que a língua é uma medida tão boa de maturidade: ninguém pode domar a língua sem a ajuda de Deus. Aqueles que são incapazes de controlar a língua são comparados a animais selvagens em 2Pedro 2.12
3.9 bendizemos [...] amaldiçoamos.
Se o objetivo principal da humanidade é glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre, louvar a Deus é o mais sublime e excelente uso da língua. Em contraste com isso, temos o ato de amaldiçoar outros seres humanos, criados à semelhança de Deus (Gn 1.27); esse é um dos mais desprezíveis usos da língua.
A natureza contraditória dessas duas ações é realçada pelo fato de que bendizemos a Deus e amaldiçoamos os representantes de Deus, pessoas feitas à sua semelhança. O fato de a língua ser capaz de fazer as duas coisas revela, mais uma vez, sua inclinação para o bem e para o mal e sua natureza aparentemente indomável.
3.11,12 uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira, figos [...] uma fonte de água salgada produzir água doce.
Os versículos 11-12 apresentam três imagens, de uma fonte, de uma figueira e de uma videira. O versículo 12 apresenta o cerne do significado dessas imagens. Trata-se do mesmo argumento feito por Jesus em Lucas 6.45: a boca fala daquilo que o coração está cheio.
As palavras que alguém profere são o melhor indicador do estado de seu coração. Tiago apresentou esse mesmo argumento de modo mais amplo na seção anterior, 2.14-26. As obras que o cristão realiza mostram se ele tem fé verdadeira.
Na presente passagem, Tiago diz que o melhor indicador de que alguém é maduro ou não são as palavras que saem de sua boca. Por mais que uma figueira se esforce, não consegue produzir azeitonas.
Considerações teológicas
Considerações teológicas
Quando se trata de palavras, o tema geral mais amplo da Bíblia é de que as palavras certas ditas na hora certa e com a atitude certa trazem vida, enquanto as palavras erradas, ditas na hora errada e com a atitude errada trazem morte (p. ex., Gn 3; Dt 30.11-20; 32.46,47; Pv 11.11; 18.21; Mt 4.4; Jo 6.63; Rm 3.13,14; Tg 1.18).
As declarações de Tiago de que as palavras têm grande poder, como o de um freio e um leme (3.3-5a), e de que a língua é um fogo que incendeia todo o curso da vida (3.5b-6) estão de acordo com o tema do poder das palavras.
Uma vez que palavras têm poder de vida e morte, palavras más contaminam aquele que as profere (Mt 5.22; 15.17-20), e cada pessoa deve prestar contas de cada palavra que proferiu (Mt 12.36). Tiago concorda. A língua "contamina todo o corpo" (Tg 3.6), e os mestres serão julgados com maior rigor (3.1).
Além disso, uma vez que ninguém é justo em si mesmo, aquilo que uma pessoa diz é sinal da presença do Espírito em sua vida e a medida do estado de seu coração (p. ex. Mt 12.33-37, Mc 13.11; Lc 6.43-45; 1Co 12.3). E nesse ponto que Tiago faz uma contribuição importante, argumentando que a língua é a melhor medida de maturidade cristã.
Em contraste com esses temas do poder das palavras, a Bíblia também apresenta a ideia de que palavras podem ser inúteis, sem sentido e ineficazes (p. ex., Pv 14.23; 29.19; Mt 21.28-32;Lc 6.46). Tiago 2.14-26 encaixa-se neste aspecto do tema das palavras quando afirma que a mera profissão de fé não tem valor algum.
Para ensinar o texto
Para ensinar o texto
A principal questão de que Tiago trata em 3.1-12 é a língua como medida de maturidade. Muitas vezes, pastores e mestres buscam parâmetros para ajudar as pessoas a avaliar como estão caminhando em sua jornada cristã. Um dos melhores critérios de avaliação é o que elas dizem a outros.
Ao ensinar essa passagem, é interessante observar que o mais difícil não é controlar os órgãos sexuais (moralidade sexual), os olhos (lascívia, cobiça) ou alguma outra parte do corpo, mas a língua. Se alguém consegue controlar a língua, também consegue controlar as outras partes do corpo.
Tiago apresenta três motivos por que a língua é uma medida tão boa de maturidade, e cada um deles pode ser um tema de estudo desenvolvido com base nessa passagem.
Primeiro, a língua é poderosa. Aquilo que dizemos para outros pode dirigir suas vidas para o bem ou destruí-la. Evidentemente, é falso o ditado: "Paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas palavras ja. mais me ferirão".
Em segundo lugar, a língua é naturalmente indomável. Com base nessa passagem e no que ela diz sobre a língua, pode-se ensinar sobre depravação total e a incapacidade humana diante dos poderes do pecado e do inferno.
Terceiro, a língua é uma janela para a alma. Para alguns, a ideia central de 3.9-12 é que devemos nos esforçar mais para não amaldiçoar as pessoas e dedicar mais tempo a bendizer Deus. Mas essa não é a ênfase desses versículos. Na verdade, eles dizem que, se amaldiçoamos pessoas e bendizemos Deus ao mesmo tempo, isso é sinal de que há algo de errado com nossa maturidade cristã em um nível mais profundo.
Embora o tema de que nossas palavras também nos contaminam não seja proeminente nessa passagem, sem dúvida está presente e pode fornecer conteúdo adicional para ensino.
É interessante que essa passagem não diz como controlar a língua. Talvez o professor queira incluir material sobre como fazê-lo, mas tudo indica que essa não é a preocupação central de Tiago nessa passagem. É possível inferir com base em 3.6 que, pelo fato de a língua ser incendiada pelo inferno, ela é redImida e recebe do céu coisas boas para proferir, um argumento que pode ser fundamentado em 3.17,18. No entanto, esses dois versículos não tratam explicitamente de como controlar a língua.
Há quem use essa passagem (geralmente 3.2-4) para ensinar que a língua é como controlamos todo o nosso ser e, nesse caso, é de fato uma metáfora para aquilo que pensamos e dizemos. Como observamos acima, porém, o enfoque de Tiago é sobre como a língua afeta outros (e nos contamina), e não sobre como controlar nossas ações. A imagem bíblica para controlar a si mesmo geralmente está associada ao coração, à mente ou à volição, e não à língua.
Aplicações
Aplicações
Que bênção você poder usar sua língua como uma fonte de refrigério para as pessoas, para abençoá-las, encorajá-las e consolá-las. Como é precioso trazer uma palavra boa, animadora e restauradora para uma alma aflita.
A principal marca do cristão maduro é ser parecido com Jesus, o varão perfeito. Uma das principais características de Jesus era que sempre que uma pessoa chegava aflita perto dele saía animada, restaurada, com novo entusiasmo pela vida.
Quando as pessoas chegam perto de você, elas saem mais animadas e encantadas com a vida?
Elas saem cheias de entusiasmo, dizendo que valeu a pena conversar com você?
Você tem sido uma fonte de vida para as pessoas?
Sua família é abençoada pelas suas palavras?
Seus colegas de escola e de trabalho são encorajados com a maneira de você falar?
Tiago compara também a língua com uma árvore e seu fruto. A árvore fala de fruto e fruto é alimento. Fruto renova as energias, a força, a saúde e dá capacidade para viver. Nós podemos alimentar as pessoas com uma palavra boa, uma palavra vinda do coração de Deus, uma palavra de consolo. Fruto também fala de um sabor especial. Nós podemos dar sabor à vida das pessoas pela maneira como nos comunicamos
