Conectados pelo chamado
Introdução
Como Stott frisou, os últimos capítulos ensinam que “devemos cultivar união na igreja, pureza na vida pessoal, harmonia no nosso lar e firmeza no nosso combate contra os poderes do mal”.
4:1 Chegando neste ponto da Epístola aos Efésios, percebemos uma grande mudança. Os primeiros capítulos tratam da chamada do cristão. Porém, nos últimos três capítulos os crentes são exortados a andar de modo digno da vocação a que foram chamados. Até aqui o tema dominante foi a posição em que a graça os colocou. Daqui em diante será abordado o efeito prático dessa posição. De fato, nossa posição exaltada em Cristo pede uma conduta piedosa correspondente. Portanto, Efésios passa dos lugares celestiais nos capítulos 1–3 para a igreja local, o lar e a sociedade em geral nos capítulos 4–6. Como Stott frisou, os últimos capítulos ensinam que “devemos cultivar união na igreja, pureza na vida pessoal, harmonia no nosso lar e firmeza no nosso combate contra os poderes do mal”.
Pela segunda vez Paulo faz referência a si mesmo como um prisioneiro — agora como o prisioneiro no Senhor. Theodoret faz o seguinte comentário: “O que o mundo considera ignomínia ele considera a mais alta honra. Gloria-se nos seus grilhões por Cristo, mais que um rei no seu diadema”.
Como alguém que foi preso por sua fidelidade e obediência ao Senhor, Paulo exorta seus leitores a andar de modo digno da sua vocação. Ele não manda nem manipula. Com ternura apela para eles na linguagem da graça.
A palavra andar encontra-se sete vezes nessa carta (2:2,10; 4:1,17; 5:2,8,15). Descreve o modo de viver de uma pessoa. Um andar digno é o que condiz com a digna posição do cristão como membro do Corpo de Cristo.
4:2 Em todas as vicissitudes da vida é importante mostrar o espírito de Cristo que consiste de:
1. Humildade e gentiliza
Humildade — a humildade genuína vem de uma associação estreita com o Senhor Jesus. A humildade nos faz reconhecer que nada somos e assim nos ajuda a estimar os outros mais do que a nós mesmos. É o contrário da presunção e da arrogância.
Mansidão — é a atitude que aceita tudo o que Deus faz em nossa vida sem se rebelar, e também recebe toda a crueldade do homem sem retaliar. É característica nítida na vida daquele que disse: “Eu sou manso e humilde de coração”. Wright faz o seguinte comentário:
Wright faz o seguinte comentário:
Que declaração maravilhosa! Aquele que fez os mundos, que pôs as estrelas no firmamento e que conhece o nome de cada uma delas, que mantém as inumeráveis constelações nas suas órbitas, que pesa as montanhas e as colinas na balança, que considera as ilhas como um cisco, que faz da sua mão uma concha para medir as águas dos oceanos, perante quem os moradores da terra são como gafanhotos, justamente ele, quando entra na vida humana o faz com coração manso e humilde. Não é que ele criou um ideal humano perfeito e depois se acomodou a ele. Não! Ele era o que demonstrava.
2. Longanimidade/Paciencia
Longanimidade — é uma disposição equilibrada e um espírito paciente sob provações prolongadas. Tem sido ilustrada da seguinte maneira: imagine um filhote de cachorro e um cachorro grande juntos. À medida que o cachorrinho late para o outro, irritandoo e atacando-o, este, mesmo podendo morder o filhote, pacientemente tolera sua impertinência.
3. Suportando uns aos outros em amor
Suportando-vos uns aos outros em amor — significa perdoar as faltas e fraquezas dos outros, as diferenças de personalidade, de habilidade e de temperamento. Não é manter a fachada da boa educação enquanto por dentro ferve o rancor. Trata-se de um amor positivo em relação àqueles que nos irritam, nos perturbam e nos envergonham.
Por exemplo, Jesus, em sua frustração com a incapacidade dos discípulos de expulsar um demônio, exclamou: “Por quanto tempo devo aturar você? (
4. Fazendo tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.
A ideia de “guardar” algo implica em guardá-lo e preservá-lo. Os leitores de Paulo devem manter a unidade e a paz em suas igrejas a todo custo. Por meio da frase “unidade do Espírito” Paulo está identificando o Espírito como a fonte criativa; é ele quem produziu esta unidade. Em 2.18, Paulo afirmou que Cristo tornou possível o acesso a Deus “por um Espírito”, e aqui ele pega esse fio. A unidade é um dom trinitário para o povo de Deus. A unidade dos santos é fundamental para o plano de Deus e existe como um resultado primário da obra de reconciliação de Cristo na cruz (
A sequência começa em paz com Deus; somente quando isso está em efeito, podemos encontrar a paz dentro do corpo de Cristo. A nova humanidade, o novo Israel, é uma nova comunidade na qual a paz substituiu o conflito e fraturou as relações. A palavra “vínculo” (syndesmos) lembra a descrição de Paulo como um “prisioneiro” (desmios) em 4.1. No Espírito, os santos estão ligados uns aos outros com correntes de amor e paz.
A trindade agindo na unidade
O Espirito: um corpo, um Espírito, uma esperança
O Espírito: um corpo, um Espírito, uma esperança (4.4)
O primeiro item enfoca a igreja como um todo. O “um corpo” refere-se à unidade da igreja, o corpo de Cristo, certamente uma das maiores ênfases desta carta (juntamente com a exaltada cristologia de Paulo). A igreja como uma entidade local é na verdade parte de “uma nova humanidade” que é ainda identificada como “um só corpo” (2.15,16). A novidade da igreja é definida por sua unicidade, em certo sentido uma inversão de Babel na nova criação de Cristo. Cada crente como membro do corpo deve usar todos os seus dons no serviço do corpo, como veremos em 4.15,16, a seguir.
Esta unidade se dá por causa da obra do “um só Espírito”. Em
O Senhor: Um Senhor, uma fé, um batismo
O Senhor: um Senhor, uma fé, um batismo (4.5)
Paulo enfatiza fortemente em Efésios o senhorio de Cristo (mencionando-o mais de vinte vezes), e isso toca em cada emissão da carta. A ênfase em “um só Senhor” nos faz lembrar do Shemá (hebraico para “ouvir”) em
O Pai: de todos, sobre todos, por meio de todos
O Pai: de todos, sobre todos, por meio de todos (4.6)
O versículo 6 soa muito como um credo formal, começando, como começa com “um só Deus e Pai de todos”. Comumente se pensa que este versículo, junto com
