Diante do Rei, ninguém fica neutro

O Evangelho do Rei  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Matthew 2:1–12 NVI
Depois que Jesus nasceu em Belém da Judéia, nos dias do rei Herodes, magos vindos do oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”. Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda Jerusalém. Tendo reunido todos os chefes dos sacerdotes do povo e os mestres da lei, perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: “Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta: “ ‘Mas tu, Belém, da terra de Judá, de forma alguma és a menor entre as principais cidades de Judá; pois de ti virá o líder que, como pastor, conduzirá Israel, o meu povo’”. Então Herodes chamou os magos secretamente e informou-se com eles a respeito do tempo exato em que a estrela tinha aparecido. Enviou-os a Belém e disse: “Vão informar-se com exatidão sobre o menino. Logo que o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo”. Depois de ouvirem o rei, eles seguiram o seu caminho, e a estrela que tinham visto no oriente foi adiante deles, até que finalmente parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando tornaram a ver a estrela, encheram-se de júbilo. Ao entrarem na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram. Então abriram os seus tesouros e lhe deram presentes: ouro, incenso e mirra. E, tendo sido advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram a sua terra por outro caminho.

Toda boa história, possui bons personagens

Em casa, vez ou outra, acontece uma situação que é um tanto comum em muitos lares. Minha esposa Roberta está assistindo alguma série. Eu paro em frente a TV por algum motivo e, sem ter tido nenhum contato, começo a tentar descobrir do que a série se trata, se é uma boa série e tudo isso procurando conhecer quem são os personagens. É em meio a todo esse processo que decido se assisto à série juntamente com ela ou não.
Diante de nós, temos uma boa históriatalvez confusa para alguns, mas certamente uma história essencial para aquilo que Mateus se propôs a escrever. Nessa história, existem alguns tipos de personagens que merecem a nossa atenção e que precisamos conhecer. O primeiro personagem da nossa história é Herodes, o grande.

Herodes, os religiosos e os magos

Precisamos ter em mente que, nesse período, o Império Romano havia expandido sua dominação, e a Judeia era uma região estratégica. Uma das coisas importantes para Roma era manter a estabilidade políticao que eles chamavam de Pax Romana. Isso acontecia por meio da nomeação de certos governantes que administravam as regiões sob coordenação de Roma.
Esses governantes/reis/prefeitos, eram responsáveis por manter a ordem local e por serem fiéis ao Império. Herodes, que não era judeu de linhagem davídica, mas idumeu (edomita), tinha boas relações com Roma e por isso, em 40 a.C. é nomeado Herodes “rei dos Judeus”.
O historiador judeu, Flávio Josefo, descreve Herodes como um homem capaz, astuto e cruel:
Era capaz — porque governava com eficiência, construiu cidades, ergueu teatros, fortalezas e buscando a aprovação dos judeus e o aumento de sua popularidade até revitalizou, ampliou e embelezou o templo de Jerusalém;
Era astuto — porque sabia manipular alianças políticas, especialmente com Roma, e usava seu poder para garantir estabilidade e prestígio;
Mas era cruel — e é aqui que seu verdadeiro caráter aparece.
Herodes era obcecado pelo trono e eliminou qualquer um que pudesse representar ameaça ao seu poder. Casou-se com Mariana, da nobreza judaica, mas quando percebeu que o povo simpatizava mais com ela e sua família, mandou matá-los um a um. O próprio cunhado de Herodes, por ser bem-quisto pelo povo, foi afogado a mando do próprio rei.
Sua paranoia cresceu tanto que, antes de viajar a Roma em certa ocasião, com medo de ser traído, mandou executar a própria esposa Mariana. Depois, mandou estrangular seus dois filhos, Alexandre e Aristóbulo, acusando-os falsamente de conspiração.
Sua crueldade era tão bem conhecida que o imperador César Augusto,ao saber do que aconteceu com os filhos de Herodes, teria dito uma frase que ficou na história:
“É melhor ser um porco de Herodes do que ser filho de Herodes.”
Esse é o primeiro personagem de nosso texto, porém somos apresentados a um segundo e certo grupo de personagens sem muitas informações. Esses são os magos do oriente. Nesse ponto, é interessante notarmos o que o texto nos diz — e o que o texto não nos diz. Quando falamos sobre os magos do Oriente, muita coisa se mistura com a tradição.
Primeiramente devemos perceber que esses homens não nos são apresentados como reis, mas sim como magos. A ideia aqui não seria a de pessoas praticantes de algum tipo de magia, mas sim de estudiosos da época que observavam os astros. Diferente dos nossos dias, a astronomia e a astrologia, naquele contexto, eram algo inseparável. Por isso esses homens são chamados assim.
O texto também não nos diz quantos magos eram, mas que certamente eram mais do que um. A verdade é que a tradição, no decorrer dos séculos, afirma — pela quantidade de presentes: ouro, incenso e mirra — que eram três magos. Porém, provavelmente, estamos falando de uma comitiva de pessoas importantes. Afinal, ao chegarem em Jerusalém, a cidade fica alvoroçada a ponto de eles chamarem a atenção do próprio rei Herodes.
Por fim, nosso texto deixa claro que esses homens não faziam parte do povo de Deus. Esses eram homens que viajam do oriente até o local do nascimento do “Rei dos Judeus”. Logo, estamos falando de homens gentios, que ingressaram em uma viagem árdua, longo (e porque não dizer perigosa) para conhecer aquele de quem as profecias falavam.
E então chegamos ao último tipo de personagens, que aparece de maneira breve, mas cumpre um papel central em toda a narrativa do Evangelho. Estamos falando dos religiosos da época — tanto os sacerdotes quanto os escribas e os mestres da lei. Por certo, esses não precisam de muitas apresentações. Apenas precisamos lembrar que eles eram aqueles que acreditavam conhecer a vontade de Deus e que acreditavam saber como deviam interpretar a lei de Deus. Este era o sistema religioso da época.
               

Diante do Rei, três reações

É então que conhecendo os personagens do nosso texto, estamos capacitados finalmente a perceber as camadas e a profundidade dessa história que Mateus nos apresenta. Diante do nascimento do verdadeiro Rei, surgem três tipos de reações. Não apenas três personagens, mas três reações que, curiosamente, continuam presentes em nossos dias.

Resistência

A primeira reação é daqueles que demonstram resistência ao Rei dos reis.
Mateus nos diz que, quando Jesus nasceu em Belém, “magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo’”Mateus 02.01-02
O v. 03 completa:
Matthew 2:3 NVI
Quando o rei Herodes ouviu isso, ficou perturbado, e com ele toda Jerusalém.
Herodes, que amava o poder e combatia todos que em sua mente rivalizassem com ele, não se alegra ao saber da notícia de que Jesus nasceu.Pelo contrário, ele se perturba.
O nascimento do verdadeiro Rei incomoda Herodes. Essa notícia desperta o medoo medo de perder o controle, o medo de ter que abrir mão do trono, o medo de que alguém maior e melhor do que ele tenha surgido na história.
Herodes representa aqueles que se opõem a Jesus porque não suportam perder o trono da própria vida. São pessoas que, às vezes, até fingem demonstrar um desejo piedoso por Jesus. Pessoas que, diante dos outros, simulam um gosto pelas coisas de Deus, mas que, na verdade, dentro dos seus corações, não se alegram com a notícia de que o verdadeiro Rei está entre nós.
O coração do ser humano normalmente é assim. Existem muitas pessoas que reagem como Herodes quando o Evangelho as confronta — pessoas que tentam eliminar, de todas as maneiras, aquilo que ameaça o domínio das suas vidas. Afinal, diante do verdadeiro Rei, nada pode ficar da mesma forma.

Indiferença

A segunda reação é daqueles que demonstram indiferença. No v.04, Herodes reúne os principais sacerdotes e os mestres da lei e lhes pergunta:
Matthew 2:4–6 NVI
...perguntou-lhes onde deveria nascer o Cristo. E eles responderam: “Em Belém da Judéia; pois assim escreveu o profeta...”
Esses homens conheciam o texto bíblico. Eles conheciam e esperavam o cumprimento das profecias. Tinham as informações. No entanto, nada disso os fez se mover em direção ao Rei que nasceu.
Os magos viajaram centenas de quilômetros para encontrar o Cristo. Os religiosos, em Jerusalém, estavam talvez a menos de dez quilômetros de Beléme não deram sequer um passo em direção a profecia que se cumpriu.
Essa é a segunda reação diante do Rei que veio até nós: a indiferença. São aqueles que conhecem, que já ouviram falar, que guardam as palavras, mas não respondem.
Particularmente, para mim, esse é o pior tipo de pessoa. Afinal, aqueles que demonstram resistência são sinceros e, de maneira clara, mostram que se opõem a Jesus. Demonstram com suas atitudes e falas que essa história sobre Deus e todas essas coisas não os agradam. No entanto, esse tipo de pessoa — o indiferente— é aquele que conhece, que de alguma forma já teve algum contato. É aquela pessoa que medita, que numa conversa procura te ensinar, se for o caso. Sabe o que deve ser feito, sabe onde deve estar, mas não responde.
Os religiosos do nosso texto representam muitos que frequentam, estudam, servem — mas tudo isso não é transformado em verdadeira adoração. Pessoas que sabem tudo sobre Deus, mas não têm vida com Deus.
E esse, talvez, seja o maior perigo da religião: estarmos domingo após domingo no prédio da igreja, participando de todos os eventos, e de alguma forma nos acostumarmos com o sagrado a ponto de perdermos o encanto pelo Salvador. Esse talvez seja o maior perigo da religiãoestarmos acostumados com as palavras, conhecermos a pregação e vivermos de forma indiferente diante da verdade que conhecemos.

Adoração

É então que chegamos à terceira reação diante do Rei que está entre nós. Tal reação não poderia surgir de outro personagem dessa história, senão dos magos. Esses homens, chamados de “magos do Oriente”, não eram judeus, não faziam parte do povo da aliança. Mas existe algo que despertou neles um desejo que os moveu até Jesus.
É interessante notar que, diferente daquelas imagens que vemos nos presépios no final do ano, os magos não chegaram a presenciar o menino Jesus na manjedoura, mas por certo essa visita acontece posteriormente — possivelmente quando Jesus já tinha cerca de dois anos de idade (é por esse motivo, Herodes manda matar todos os meninos com menos de dois anos).
O ponto é que esses homens, que vieram de longe, que certamente enfrentaram os perigos da viagem, o cansaço e a distância, ao chegarem à casa e verem o menino com Maria, sua mãe, o texto diz que eles “se prostraram e o adoraram” (v.11).
Certamente a cena foi impressionante: homens que viajavam há tanto tempo, guiados por um sinal do céu, ao chegarem não a um palácio, mas a uma casa — e não diante de um rei em um trono, mas diante de um menino se prostram em adoração.
É então que o nosso texto nos apresenta três tipos de presentes que são entregues por esses homens ao Rei que nasceu: ouro, incenso e mirra. Embora não saibamos ao certo o motivo desses três presentes, intérpretes ao longo da história da igreja — como Orígenes 185d.C — 253d.C. — conseguiram enxergar um significado neles:
O ouro é entregue àquele que é o verdadeiro Rei. No contexto da Antiguidade, esse seria o presente ideal para a realeza.
O incenso é o que deve ser entregue àquele que é Deus — era o que os sacerdotes ofereciam no templo do Senhor.
E, por fim, a mirra, que é o presente que mais destoa dos demais. Afinal, essa era uma substância normalmente usada no sepultamento de pessoas. Mas, nesse caso, os magos do Oriente a entregam ao Rei que acabou de nascer. A verdade é que esse presente aponta para aquilo que Jesus cumpriria no futuro: a sua morte em nosso lugar e a sua vitória na cruz.
Esses homens se prostraram diante de Jesus porque entenderam que o verdadeiro Rei merecia mais do que reconhecimentomerecia entrega. A adoração que os magos demonstraram não se limitou a palavras ou gestos externos. Ela nasceu de uma jornada árdua, de uma busca perseverante, e se concretizou em entrega total.
Pessoas assim, que reagem dessa maneira diante do Rei que veio até nós, não permanecem indiferentes. A verdadeira adoração não é um sentimento forjado ou só emoção, mas é colocar a vida à disposição do Rei.
Por fim, o nosso texto termina dizendo que, depois desse encontro, esses homens foram guiados novamente por Deus (dessa vez em sonhos) para retornarem à sua terra por outro caminho. O que nos leva a notarmos mais uma vez que diante do verdadeiro Rei, nada pode ficar da mesma forma.

O Rei espera uma resposta

O Evangelho, a boa notícia de que o Rei finalmente veio e está entre nós, sempre exige uma resposta. Diante de Jesus, é impossível alguém permanecer neutro.
A reação de Herodes e dos religiosos da época ainda se faz presente em nossos dias. Há aqueles que, como Herodes, resistem. Não porque não creem, ou porque acham que tudo isso é loucura, mas porque não querem abrir mão do trono da própria vida. São pessoas que, por causa do medo e do orgulho, não desejam perder o controle, o apego à própria vontade. E isso faz com que lutem contra o governo do verdadeiro Rei.
Há também aqueles que, como os religiosos, reagem com indiferença. Conhecem o texto bíblico, ouvem as pregações, participam das agendas da igreja, sabem das promessas. Estão, de alguma forma, perto demais da verdade, mas não se movem. São pessoas acostumadas com o sagrado, pessoas que pecam em paz, pessoas que acreditam estar próximas demais de Deus — e ainda assim mantêm certa distância.
Mas há também o terceiro grupo, e esse nós somos convidados a fazer parte. São aquelas pessoas que, como os magos, sem reservas, se prostram diante do Rei. Pessoas que enfrentam o cansaço, o caminho difícil. Pessoas que, depois de uma busca perseverante, e até mesmo sem compreender tudo, se rendem diante de Jesus em adoração e entregam tudo.
Hoje, a mesma pergunta ecoa em nossos corações: qual será a nossa reação diante do Rei? Se aqueles magos, tendo um conhecimento limitado sobre quem Jesus era, se eles estavam à mercê de uma estrela que brilhava no céu e mostrava o caminho, e mesmo assim fizeram tudo isso por Cristo, por que nós, que somos altamente privilegiados, que temos a Palavra de Deus, a igreja, pastores e pessoas que se preocupam conosco, e que são muito mais claros em apontar a Cristo do que uma estrela, o que nós faremos com tamanha revelação?
Irmãos, hoje a notícia de que o Rei chegou nos convoca a respondermos com clareza e firmeza. Não tenha medo de entregar tudo, de colocar aos pés do Rei todos os seus tesouros e tudo aquilo que você tem, porque esse Rei esteve disposto a entregar tudo por nós.
Hoje não temos uma estrela que nos guia em direção ao Rei. Mas, se levantarmos os nossos olhos, podemos ver a cruz que nos convoca, que nos chama a entregarmos tudo como Ele se entregou.
Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 19 de outubro de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Carvalho
Soli Deo Gloria
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