A sentença do Deus Soberano vem (Dn 5.1-31)
Notes
Transcript
Ilustração Introdutória: A arrogância de Veruca Salt
Ilustração Introdutória: A arrogância de Veruca Salt
Ler Daniel 5.24-28
Irmãos, talvez alguns se lembrem do filme clássico de 1971, "A Fantástica Fábrica de Chocolate". Há uma cena memorável envolvendo uma menina chamada Veruca Salt. Dentro da fábrica mágica de Willy Wonka, após alguns colegas já terem sido expulsos do passeio por não obedecerem às ordens do dono da fábrica, eles se deparam com uma sala onde gansos especiais põem ovos de ouro maciço.
Willy Wonka, o mestre da fábrica, explica aos visitantes o funcionamento de um dispositivo chamado ‘Ovômetro’. Equipamento que basicamente mede, pesa e julga se o ovo é bom ou ruim.
Veruca, a garota, manifesta seu desejo insaciável em uma canção que diz: "Eu quero um ganso Dourado... Eu quero já do que há!"
Wonka recusa-se a vender um ganso ao seu pai e inconformada, Veruca, que é mimada e extremamente orgulhosa decide tomar o que quer.
Em sua arrogância e desejo insaciável, ela invade a área restrita, pisa na balança do "Ovômetro" e é imediatamente julgada como um "ovo ruim". Sem cerimônia, o chão se abre e ela é descartada diretamente no duto de lixo, para o forno.
Essa cena, embora fantasiosa, nos serve como um espelho.
Assim como Veruca, que teve seu desejo insaciável pesado e foi achada em falta, o que acontece quando um rei poderoso age da mesma forma, não diante de um chocolateiro excêntrico, mas diante do Deus do universo?
O que acontece quando a arrogância humana decide que pode tomar para si o que é sagrado e usá-lo para seus próprios prazeres?
É essa a pergunta que nos leva diretamente ao banquete de Belsazar.
A SENTENÇA DO DEUS SOBERANO VEM
O Momento Histórico: Uma Festa à Beira do Abismo
O Momento Histórico: Uma Festa à Beira do Abismo
Ler Daniel 5.1
Do capítulo 1 ao 4 de Daniel, todo o relato histórico está inserido no reinado de Nabucodosor. Vimos a chegada dos jovens judeus na Babilônia, o sonho profético do rei, os amigos na fornalha ardente e na semana passada ouvimos a arrogância, humilhação e arrependimento deste rei.
Sempre que iniciamos o estudo de um novo capitulo em Daniel, precisamos nos recordar que o livro possui algumas divisões importantes, como do capítulo 1 ao 6, onde temos um relato mais histórico e do 7 ao 12 onde temos o relato mais profético.
Além disso, é importante termos em vista que o texto é escrito aos judeus exilados, cativos na Babilônia, que aguardavam e clamavam esperançosamente por uma libertação.
Portanto, podemos retirar lições preciosas para nossas vidas olhando para os exemplos que Deus registrou nesse livro, e precisamos refletir numa mensagem de esperança para o povo de Deus que vive neste mundo de impiedade e injustiça, onde os fortes oprimem os fracos e o sofrimento é uma realidade cotidiana.
Para compreendermos a profundidade da loucura e da arrogância de Belsazar, é crucial entender o cenário em que sua festa acontece. Não se trata de uma celebração em tempos de paz e prosperidade, mas de uma festa à beira do abismo.
Os eventos de Daniel 5 ocorrem aproximadamente 30 anos após o capítulo 4, que narra a humilhante transformação de Nabucodonosor. Nabucodonosor já está morto e houve ao menos 03 reis até que chegarmos nesse capítulo.
Belsazar agora está no trono. É importante esclarecer que, embora o texto o chame de "filho" de Nabucodonosor, ele não era seu filho biológico direto. O termo "pai" era frequentemente usado no mundo antigo para se referir a um predecessor real ou político.
Belsazar era, na verdade, filho mais velho de Nabonido, e atuava como co-regente na capital, Babilônia, enquanto seu pai estava ausente em Tema, na Arábia, adorando à deusa Sin, da qual sua mãe era uma espécie de profetiza.
Enquanto Belsazar promovia um banquete extravagante para mil de seus nobres, regado a vinho e farra, a cidade da Babilônia já estava completamente cercada pelos exércitos Medo-Persas.
Ele festejava enquanto o inimigo estava literalmente aos portões.
Essa atitude não era de ignorância, mas de negação presunçosa. Ele confiava na aparente invencibilidade da cidade, em suas muralhas maciças e em seus suprimentos abundantes.
É nesse cenário de perigo claro e falsa segurança que a arrogância do rei transborda em um ato de desafio direto a Deus.
1. A sentença do Deus Soberano vem para julgar nossas ações
1. A sentença do Deus Soberano vem para julgar nossas ações
1.1 A Arrogância que Profana o Sagrado
1.1 A Arrogância que Profana o Sagrado
Ler Daniel 5.1-4
O pecado central de Belsazar naquela noite não foi a mera embriaguez, embora o vinho certamente tenha soltado seus freios morais. Seu pecado foi um ato calculado de desrespeito, uma zombaria intencional contra o Deus de Israel.
Em meio à festa, ele dá uma ordem chocante: trazer os utensílios de ouro e prata que Nabucodonosor tirara do Templo de Jerusalém, para que neles bebessem o rei, seus grandes, suas mulheres e concubinas.
Para avaliar a gravidade deste ato, precisamos contrastá-lo com a atitude de seu predecessor.
Nabucodonosor, ao saquear Jerusalém, levou esses utensílios, mas os tratou como troféus de guerra e os colocou no templo do seu deus. Era uma prática comum, uma forma de declarar que seu deus era mais forte que o Deus conquistado. Embora fosse um ato afrontoso, ele reconhecia, a seu modo, a natureza sagrada daqueles objetos.
Belsazar, por outro lado, vai muito além. Ele rebaixa os objetos sagrados a meros copos de festa para sua "diversão pervertida". E o texto bíblico faz questão de frisar a natureza idólatra desse ato no versículo 4: "Beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra".
Isto não é um deslize. É um desafio direto. É cuspir no rosto do Deus vivo para louvar ídolos mortos "que não veem, não ouvem, nem sabem".
É declarar que o Deus de Israel é tão insignificante que Seus vasos santos podem ser usados para brindar a deuses de pedra e madeira.
Este ato de desafio arrogante não ficaria sem resposta; a festa estava prestes a ser interrompida por um convidado inesperado.
Deus não é indiferente ao pecado.
A sentença do Deus Soberano vem para julgar nossas ações.
Quando a arrogância humana atinge seu ápice, a intervenção divina é inevitável e, neste caso, aterrorizante. No mesmo instante em que brindavam aos seus ídolos com os vasos do Senhor, Deus invade a festinha de Belsazar. O impossível acontece: uns dedos de mão de homem aparecem e começam a escrever na parede.
Ler Daniel 5.5-9
A reação de Belsazar é de desmanche completo. A descrição bíblica é vívida: seu rosto empalideceu, suas pernas bambearam e seus joelhos batiam um no outro.
A expressão "as juntas dos seus lombos se relaxaram" é tão forte que muitos intérpretes sugerem que ele perdeu o controle de suas funções corporais (fez xixi nas calças), humilhado publicamente diante de seus mil nobres.
O rei, desesperado, recorre à sabedoria do mundo. Ele chama seus encantadores, caldeus e feiticeiros, prometendo poder e riqueza a quem decifrasse a mensagem.
Mas eles não conseguem ler, muito menos interpretar. E aqui, irmãos, a história se repete. Assim como foram impotentes diante do sonho de Nabucodonosor no capítulo 2, a elite intelectual da Babilônia novamente se mostra inútil diante da revelação divina.
E por meio de uma mulher e de um estrangeiro já quase desconhecido, Deus revelará sua sentença.
Ler Daniel 5.10-12
É então que a rainha-mãe entra em cena. Há dificuldade em afirmar se esta seria a esposa de Belsazar ou de Nabonido. Já que o verso 2 informa que estavam presentes suas mulheres e concubinas, muitos interpretes entendem que seria a mãe de Belsazar ou até mesmo uma avó.
De toda forma, era uma situação vergonhosa para o grande rei da grande Babilônia, ser repreendido diante de seus súditos por uma mulher, ainda mais sendo a matriarca da família.
Ela repreende o rei por seu pânico e o lembra de um homem esquecido: Daniel.
Mais uma vez podemos ver a comparação entre Nabucodonosor e Belsazar, quais foram as ações de um rei e do outro co-regente.
Daniel 2.48 “Então, o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitos e grandes presentes, e o pôs por governador de toda a província da Babilônia, como também o fez chefe supremo de todos os sábios da Babilônia.”
A sentença do Deus Soberano vem para julgar nossas ações.
As ações de Belsazar foram bebedice, farras, zombaria, desrespeito com Yahweh, idolatria a imagens de madeira, de ferro e de pedra. Nem mesmo o rei Nabucodosor foi tão despresível quanto Belsazar.
Mas, a sentença do Deus Soberano também vem para julgar as nossas omissões.
2. A sentença do Deus Soberano vem para julgar as nossas omissões
2. A sentença do Deus Soberano vem para julgar as nossas omissões
2.1 O sermão de Daniel
2.1 O sermão de Daniel
O confronto que se segue é tenso. Belsazar se dirige a Daniel com desprezo. Ele tenta diminuir Daniel, lembrando-o de sua condição de exilado.
Daniel, por sua vez, responde com uma franqueza cortante que contrasta com a deferência que ele mostrou a Nabucodonosor.
Ler Daniel 5.13-23
Dos versos 13 a 16 vemos que o rei Belsazar permanece com uma postura arrogante, mesmo após o susto, o medo e a vergonha que estava passando diante dos seus súditos.
… Daniel cativo de Judá
… Tenho ouvido dizer a teu respeito
Daniel responde ao rei de forma direta: Aos teus presentes, ele diz, "fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outrem". A palavra de Deus não está à venda. Essa mudança de tom reflete a diferença entre os reis: Nabucodonosor, com todo seu orgulho, era capaz de se arrepender; Belsazar, como veremos, estava além da esperança.
Antes de interpretar a escrita, Daniel traz um sermão ao rei e faz uma acusação direta, e aqui está o cerne do pecado de Belsazar:
Tu, Belsazar... não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto. (Daniel 5:22)
O coração do discurso de Daniel é uma acusação formal e devastadora, articulada nos versículos 18 a 23. A culpa de Belsazar não era simples, mas agravada pelo conhecimento que ele escolheu ignorar.
A SENTENÇA DO DEUS SOBERANO VEM PARA JULGAR AS NOSSAS OMISSÕES
Daniel começa por recontar a história da ascensão, queda e restauração de Nabucodonosor. Ele lembra a Belsazar a lição central que seu predecessor aprendeu da maneira mais difícil: (Daniel 5:21).
Lembrança do Passado:“Deus, o Altíssimo, tem domínio sobre o reino dos homens e a quem quer constitui sobre ele.”
Este é o ponto crucial da acusação. Daniel declara no versículo 22: O pecado de Belsazar não foi por falta de informação, mas por um ato de rebelião INTENCIONAL. Ele conhecia a história. Ele viu como Deus humilha os orgulhosos. Sua transgressão foi um ato de insolência, não de ignorância.
A REBELIÃO INTENCIONAL:“Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto.”
Daniel sintetiza as ofensas de Belsazar no versículo 23, seguindo a estrutura retórica do texto bíblico: te levantaste contra o Senhor do céu, profanaste os vasos sagrados, e deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem, nem sabem; a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste (Ler Daniel 4.34).
A SENTENÇA DO DEUS SOBERANO VEM PARA JULGAR AS NOSSAS OMISSÕES
Belsazar não conhecia apenas um fato histórico distante. Ele cresceu no palácio; ele testemunhou os dramas que definiram uma geração.
Ele viu como Deus salvou três jovens hebreus de uma fornalha ardente.
Ele viu o rei mais poderoso da terra, Nabucodonosor, ser humilhado, arrancado do trono e levado à loucura, a comer capim como os bois.
E, o mais importante, ele testemunhou a conversão dramática daquele rei, que voltou a si e confessou que o Deus Altíssimo domina sobre o reino dos homens.
Belsazar sabia de tudo isso. Sua rebelião não foi por falta de informação, mas por um desprezo deliberado por décadas de evidência irrefutável do poder de Deus.
Ele não glorificou a Deus.
A SENTENÇA DO DEUS SOBERANO VEM PARA JULGAR AS NOSSAS OMISSÕES
Após expor o crime, Daniel, como porta-voz de Deus, passa a declarar a sentença.
3. A sentença do Deus Soberano vem para julgar a Babilônia
3. A sentença do Deus Soberano vem para julgar a Babilônia
3.1 A Sentença que Sela o Destino
3.1 A Sentença que Sela o Destino
Ler Daniel 5.24-31
A Palavra de Deus é precisa, final e sempre se cumpre. Daniel revela as palavras em aramaico que selaram o destino de um império:
MENE, MENE, TEQUEL, PARSIM
Daniel não apenas lê, mas interpreta o juízo de Deus contido nelas:
As palavras na parede, escritas em aramaico sem vogais, podiam ser lidas de duas formas.
Como substantivos, representavam unidades de peso e moeda (uma mina, um siclo, meio-siclo), o que confundiu os sábios babilônios. No entanto, Daniel, pelo Espírito de Deus, as interpreta como verbos que selam o destino do rei e de seu império, revelando que apenas o profeta de Deus poderia decifrar o verdadeiro significado.
Deus CONTOU os dias do seu reinado e pôs-lhe fim. Seus dias estão contados.
MENE: contou
Você foi PESADO na balança da justiça de Deus e o veredito é humilhante: você é um peso-leve. Insuficiente.
TEQUEL: pesado
Seu reino foi DIVIDO e entregue aos Medos e aos Persas.
PERES (singular de PARSIM): dividido
A mensagem pode ser resumida em uma frase devastadora: "Você está contado, pesado e repartido. Acabou."
A execução da sentença é imediata e implacável. O texto conclui com uma das frases mais sóbrias e aterrorizantes da Bíblia: "Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus." A festa terminou. O rei fanfarrão foi silenciado para sempre. A palavra de Deus se cumpriu ao pé da letra.
O juízo pronunciado por Daniel não era sobre um futuro distante. O versículo 30 nos informa com uma finalidade chocante: “Naquela mesma noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus.” A festa acabou. O reino caiu. A palavra se cumpriu.
Historiadores antigos registraram que o império babilônico caiu diante dos persas em uma noite em que se divertiam e dançavam.
Apocalipse 18.16–17 “dizendo: Ai! Ai da grande cidade, que estava vestida de linho finíssimo, de púrpura, e de escarlata, adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas, porque, em uma só hora, ficou devastada tamanha riqueza! E todo piloto, e todo aquele que navega livremente, e marinheiros, e quantos labutam no mar conservaram-se de longe.”
A SENTENÇA DO DEUS SOBERANO VEM PARA JULGAR A BABILÔNIA
A queda da Babilônia poderia indicar ao povo judeu cativo um lampeja de esperança. Será que esse seria o momento da libertação e do retorno para a Terra Santa, como havia profetizado Jeremias?
Mas essa seria uma esperança passageira. Nós precisamos estar seguros numa Esperança final e completa.
4. Aplicações Cristológicas: Jesus é o Eterno Rei
4. Aplicações Cristológicas: Jesus é o Eterno Rei
Paulo reflete sobre o último dia. Ele escreve: “Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés” (1Co 15.23-25). Quando esse fim chegar, lemos no Apocalipse: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo” (Ap 11.15).
Nosso Deus soberano está no controle da história mundial do começo ao fim.
Ele pode derrubar o rei mais perverso. Ele pode destruir o mais poderoso império do mal. Ele pode derrubar o terrorista mais cruel. Nosso Deus soberano está no controle da história humana.
E, um dia, ele vai destruir todos os reinos humanos e substituí-los pelo seu reino perfeito. Ele restaurará o paraíso na terra, como pretendia que este mundo fosse desde o início. Nosso Deus soberano está no controle. Nosso destino e o dos nossos filhos, netos e de todo o povo de Deus está na sua mão todo-poderosa. Isso é conforto sólido!
O juízo sobre Belsazar é um prenúncio do juízo final. O apóstolo Paulo, pregando em Atenas, declara que Deus "estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou" (Atos 17:31). Esse varão é Jesus. Saber disso transforma não apenas nosso destino eterno, mas a forma como vivemos hoje.
A SENTENÇA DO DEUS SOBERANO VEM PARA JULGAR NOSSAS AÇÕES, NOSSAS OMISSÕES E OS GRANDES REINOS DA TERRA
5. Conclusão
5. Conclusão
A mensagem central é: Deus é soberano sobre a história.
Reis e impérios sobem e descem por Sua permissão.
Ele é paciente, mas Sua paciência não deve jamais ser confundida com indiferença sobre nossas ações e omissões.
A história de Belsazar coloca diante de cada um de nós uma escolha inevitável. Vemos a escrita na parede.
Seremos nós pesados na balança e achados em falta, enfrentando o juízo sozinhos?
Ou nos abrigaremos na justiça de Cristo, o único que tem o peso de glória que satisfaz a Deus, o único que pode nos apresentar justificados diante do Pai?
6. Aplicações para os Dias de Hoje
6. Aplicações para os Dias de Hoje
Como viver à luz dessa verdade tão séria? Permitam-me concluir com quatro aplicações práticas.
É perigoso pensar que a ausência de um juízo imediato significa que Deus não se importa com o pecado. Ele não está paralisado; Ele está sendo longânimo, dando tempo para o arrependimento. Mas a régua será passada. A medida da paciência um dia se encherá, e Ele vindicará Seu nome contra cada ato de zombaria. Deus é longânimo e rico em misericórdia, mas Sua paciência tem um limite. A história de Belsazar nos ensina que há uma linha invisível, e cruzá-la resulta em consequências inevitáveis. Devemos responder ao chamado de Deus enquanto Ele está perto, humilhando nossos corações antes que seja tarde demais.
Não Confunda a Paciência de Deus com Indiferença.
A advertência mais severa de Daniel a Belsazar foi: "você sabia de tudo isso". Para nós que crescemos na igreja, que conhecemos as histórias da Bíblia, o perigo não é a ignorância. O perigo é um coração endurecido, um conhecimento que não se traduz em humildade e obediência. Não podemos usar a graça de Deus como desculpa para vivermos de forma profana. Assim como Belsazar, muitos de nós "sabemos de tudo isto". Ouvimos sobre a graça, o perdão, a soberania e a santidade de Deus. Mas a pergunta que ecoa desde o salão de Belsazar até nós é: E quanto a nós, que também "sabemos de tudo isto"? Será que o nosso conhecimento se tornou a base para um juízo mais severo, em vez de um caminho para a humildade? A maior tragédia espiritual não é a ignorância, mas a falta de ação intencional diante da verdade conhecida.
O Conhecimento Aumenta a Responsabilidade. Examine o coração, especialmente se você "sabe de tudo isso".
Hoje, não temos vasos de um templo físico, mas a Bíblia nos ensina que nosso próprio corpo é o templo do Espírito Santo. Nós somos os "vasos santos". Profanamos este vaso quando usamos nossa vida — nosso tempo, nossos talentos, nossos recursos, nosso corpo — para propósitos que não glorificam a Deus. Os "vasos sagrados" hoje não são de ouro ou prata. São nosso corpo, que a Bíblia chama de templo do Espírito Santo. São nosso tempo, nossos dons, nossos recursos e nossos relacionamentos. Estamos usando essas dádivas preciosas para a glória de Deus, ou estamos, como Belsazar, usando-as em nossas "festas" egoístas, em louvor aos ídolos modernos de fama, poder, prazer ou segurança financeira?
Não Profane os Vasos Sagrados da Sua Vida. Use as coisas santas para a glória de Deus.
Muitas vezes nos sentimos desanimados ao ver a maldade e a zombaria prosperarem no mundo. Parece que Deus está em silêncio. A história dos vasos sagrados, no entanto, não termina em Daniel 5. Ela tem um epílogo glorioso. Por setenta anos, aqueles objetos sagrados permaneceram em terra estrangeira, testemunhas de um sacrilégio. O mal parecia ter vencido.
Mas então, no livro de Esdras, lemos que o rei Ciro, da Pérsia, edita um decreto para que o povo de Deus retorne a Jerusalém. E o texto registra um detalhe impressionante: Ciro ordena a devolução dos mesmíssimos utensílios que Nabucodonosor levou e que Belsazar profanou. Cada bacia, cada taça, foi contada e devolvida
Esdras 1.7–11 “Também o rei Ciro tirou os utensílios da Casa do Senhor, os quais Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém e que tinha posto na casa de seus deuses. Tirou-os Ciro, rei da Pérsia, sob a direção do tesoureiro Mitredate, que os entregou contados a Sesbazar, príncipe de Judá. Eis o número deles: trinta bacias de ouro, mil bacias de prata, vinte e nove facas, trinta taças de ouro, quatrocentas e dez taças de prata de outra espécie e mil outros objetos. Todos os utensílios de ouro e de prata foram cinco mil e quatrocentos; todos estes levou Sesbazar, quando os do exílio subiram da Babilônia para Jerusalém.”
Deus não esquece. Ele zela pelo que é Seu. Esta é a promessa para nós: Deus ama o Seu nome, cumpre Suas promessas e, no tempo certo, Ele irá reinvidicar a Sua glória e restaurará todas as coisas. Podemos confiar Nele.
Que Ele nos abençoe. Amém.
