Benção de Casa
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Salmo 128
Salmo 128
Introdução:
Família: tão importante e central para a sociedade. Porém, assim como em outras áreas da vida, há muita discussão sobre seu significado e até tentativas de redefini-la.
Outro ponto abordado por este Salmo é o que deve nortear a base familiar. A sociedade, muitas vezes, tenta se infiltrar nas casas, minando cada autoridade que as integra, nem sempre com bons propósitos. Infelizmente, esse modo de pensar tem sido chamado de “progresso”. Chega a ser até engraçado observar as consequências desse pensamento revolucionário.
Mas como podemos responder aos dilemas modernos? Este Salmo nos chama a observar os princípios que devem guiar um bom desenvolvimento familiar. Não temos garantias quanto aos resultados, como também vemos em Provérbios, mas o caminho que o Senhor nos ensina indica qual deve ser a verdade no cerne das famílias: andar no caminho do Senhor. Isso é o que veremos nesta noite.
Desenvolvimento:
Essa primeira declaração do Salmo abre nossa mente para compreender todo o argumento até o final. Mas note: essa felicidade está ligada a um ponto essencial — o temor do Senhor! Não por acaso essa expressão é usada duas vezes no texto.
Irmãos, o temor do Senhor não é medo de Deus, mas uma reverência sincera que nasce do amor. Agora, em Cristo, não temos razões para temê-lo com pavor, e sim infinitas razões para desejar e ansiar estar diante dele.
Importante — Temer ao Senhor é amar verdadeiramente, é reconhecer nossa necessidade de encontrá-lo e viver em comunhão eterna com Ele.
Essa compreensão nos ajuda a prosseguir no Salmo. O temor do Senhor desperta em nós o desejo de estar mais perto dele, de andar em seus caminhos e seguir sua vontade. Amar ao Senhor não nos afasta dEle; pelo contrário, nos ensina a conhecê-lo mais e a desfrutar de tudo o que Ele é e faz em nossas vidas.
Lembre-se: Antes de prosseguirmos, é necessário lembrar que não estamos diante de uma receita de bolo — não se trata de uma fórmula para o sucesso, mas do melhor caminho para educarmos a família diante de Deus. É importante destacar isso para que não absolutizemos o que está escrito e, assim, não sejamos tomados por decepção quando algo não acontecer como esperamos. O propósito do texto é nos guiar para o que é certo!
Consequentemente, trilhar o caminho no temor do Senhor envolve aplicar, de forma prática, os bens que temos na terra. Estar diante do Senhor é compreender a melhor maneira de usar o que Ele nos concede — usar mesmo.
Não é correto agir como quem apenas guarda e estoca para ninguém. Já fomos alertados, em outro livro da Escritura, sobre o perigo de ajuntar tesouros apenas para que outros desfrutem.
Nosso esforço nesta vida deve ser usado aqui. Quando partirmos para a eternidade, de que adiantará ter acumulado tanto, se lá nada disso terá valor?
Da mesma forma, ao usar o que temos, somos chamados a fazê-lo com sabedoria, evitando o desperdício que pode levar a família à ruína.
Ser sábio diante de Deus é uma atitude que abrange todas as dimensões da vida — é responsabilidade que se reflete em cada aspecto de quem somos.
Assim, a felicidade e a prosperidade encontrarão terreno mais firme quando houver prudência na utilização do que possuímos.
Quantas brigas familiares não surgiram por irresponsabilidade nos gastos? O famoso “só se vive uma vez” costuma sair caro!
Abrangendo a ideia de ser abençoado por Deus, o salmista passa a descrever a vida comum do lar, usando ilustrações que envolvem os demais membros da família — esposa e filhos.
Note que a esposa é comparada a uma videira frutífera, imagem que expressa vitalidade, longevidade e a bênção de gerar filhos.
Como vimos no salmo anterior, ter muitos filhos era considerado uma dádiva e também uma forma de proteção para a velhice dos pais.
O salmista deixa claro que o homem que teme ao Senhor terá uma esposa que será bênção em sua vida — não apenas em fidelidade, mas também como uma companheira presente por muitos dias.
A videira era parte essencial da vida cotidiana em Israel; dela vinha o vinho que alegrava o coração do povo.
Assim também a mulher é vista pelo salmista: como uma videira que produz frutos, trazendo alegria e estabilidade ao lar, caminhando ao lado do marido como uma companheira fiel por todos os seus dias.
Os filhos são comparados a brotos de oliveira, ou seja, à fase inicial de uma árvore que em breve dará frutos. Da oliveira vinham as azeitonas, e delas se extraía o azeite — usado tanto para fins medicinais, no tratamento de feridas, quanto para a unção de pessoas separadas para o serviço de Deus.
Essa comparação é muito rica e expressa também a utilidade e propósito dos filhos no lar — aqueles que futuramente carregarão adiante o nome da família. O Salmo mostra que esses filhos são como brotos ao redor da mesa do homem, pequenos rebentos que um dia se tornarão árvores firmes, trazendo refrigério e alegria para os dias futuros do pai.
Enquanto a mentalidade contemporânea frequentemente rejeita a formação de uma família, a visão bíblica segue em direção oposta.
Ter uma família, como mostram as imagens do Salmo, é parte natural e abençoada da vida de um homem piedoso — assim como a videira e a oliveira faziam parte da vida cotidiana de Israel.
Formar uma família diante de Deus é algo maravilhoso. Não é correto que um crente tenha uma visão distorcida sobre o lar, nem que critique o desejo de alguém de constituí-lo. Esse desejo é legítimo diante da Palavra de Deus.
No entanto, como o movimento do Salmo nos recorda, antes de pensar em ampliar a tenda, é essencial que o temor do Senhor já esteja enraizado na vida daquele que deseja fazê-lo.
O fechamento dessa primeira parte, no versículo quatro, reforça a união entre o temor e a bênção do Senhor. Ainda que nem sempre vejamos essa relação de forma imediata, não podemos nos afastar daquilo que é o melhor a ser feito em Cristo.
Não agimos esperando algo em troca; agimos de forma diferente porque esse é o nosso chamado hoje — fomos criados em Cristo para as boas obras.
O sucesso visível nem sempre é garantido, mas somos chamados a praticar nossa responsabilidade como crentes. O evangelho pode não alcançar a todos, mas onde ele chega, transforma atitudes e age como freio contra a maldade que tenta se espalhar neste mundo.
A resposta para a maldade e para a maldição é o temor do Senhor. Andar em seus caminhos é a verdadeira resposta para um mundo que vive sem Deus que tenta afastá-lo de tudo.
Note que, nos últimos versos, a dinâmica familiar se expande para a esfera social — é como diz o ditado: “o costume de casa vai à praça.” A educação bíblica é a chave para a bênção comunitária. Por isso, o salmista amplia a visão, usando os termos Sião e Jerusalém, representando a comunidade que forma o povo de Deus.
Quando Israel se afastou dos caminhos do Senhor, Jerusalém prosperou? Não! O pecado quebrou o fluxo natural das gerações e impediu que a posteridade experimentasse a bênção.
Porém, nos dias de paz e fidelidade, os pais viam não apenas seus filhos, mas também os filhos de seus filhos. A estabilidade espiritual da nação nascia de lares piedosos.
Agora, como parte desse mesmo Israel espiritual, somos chamados a aplicar essa palavra em nossa realidade. Vivendo como uma sociedade dentro de uma sociedade pecaminosa, não podemos nos moldar ao modo de vida do mundo.
Sempre que isso acontece, a igreja falha em seu propósito — e essa falha é grave, pois compromete nossa missão no mundo.
Essa missão não se limita ao que fazemos dentro da igreja; ela é abrangente e começa em casa — naquele ambiente onde, muitas vezes, escondemos o pior de nós. Mas essa face não deve habitar o lar cristão. Quantos filhos se afastaram da fé por não suportarem a hipocrisia dos próprios pais? Precisamos vigiar para não nos tornarmos pedras de tropeço. De nada adianta orar depois de causar o estrago.
O Salmo 128 nos chama a amar a família — não apenas diante da sociedade, mas diante de cada membro do lar. Que o seu retorno para casa seja aguardado com alegria, e não temido. Que sua presença desperte saudade, e não medo do “monstro” que surge ao cruzar a porta.
Conclusão:
Durante a caminhada da vida, a família é quem está mais próxima de nós. É necessário amá-la de forma genuína, para além das frases de efeito usadas em tempos de política. Mais do que um discurso, o temor do Senhor é o pano de fundo que sustenta o cuidado com o lar. É amando ao Senhor que a casa é abençoada — e, por consequência, também se torna um lugar de amor.
O próximo Salmo tratará de dificuldades e opressões, temas recorrentes nessa coleção. Contudo, mesmo em meio a essas lutas, a esperança brilha pela ação de Deus, e sabemos que essa luz resplandecerá eternamente. Sobre isso, veremos em uma próxima oportunidade, conforme a permissão do Senhor.
